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Sempre existe uma saída

06/11/2011

Atenção:  o texto conterá alguns spoilers inevitáveis. Se desejas ver a sériem saber de nada, não leia.

Eu sempre fui fã de séries. Friends, Lost, Anos Incríveis, House e Smallville são algumas das minhas favoritas. Algumas delas eu vi até o fim, outras ainda não acabaram. Mas estas citadas eu acompanhei enquanto passavam, nunca começando depois de terminadas.

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Não foi o que aconteceu com Prison Break. Essa eu até lembro na época que passou, que eu pensava “mas se a ideia é fugir da cadeia, é óbvio que eles não conseguem, pois quando conseguirem, acabou o seriado”. Era mais ou menos o que eu pensava de Lost sobre os sobreviventes saírem da ilha. E, como daquela vez, ledo engano. Ainda: desta vez, engano duplo.

Não só a série se sustenta, e bem, com eles dentro da prisão, como ao final da primeira temporada eles conseguem sair, e, como em Lost, é aí que a coisa complica…

Prison BreakA história básica: Lincoln Burrows (à direita na foto) foi injustamente acusado de matar o irmão da vice-presidente dos Estados Unidos e, preso em Fox River, está a semanas do corredor da morte. Seu irmão, Michael Scofield (à esquerda) decide roubar um banco para ser preso também e salvar o irmão. Detalhe: engenheiro que é, ele participou do grupo que, anos antes, projetou Fox River, e tatua todo o corpo com indecifráveis dicas de como sair de lá.

A primeira temporada apresenta alguns personagens que serão fundamentais na sequência, e outros que infelizmente somem ou aparecem esporadicamente. Os destaques são o companheiro de cela de Scofield, Fernando Sucre, e a bela médica Sara Tancredi. Vale citar também Theodore T-bag Bagwell, o pedófilo que acompanhará os protagonistas durante toda a série, sendo fundamental até o fim.

Prison Break
Os “Fox River Eight”: Scofield, Burrows, Sucre e Haywire.
Miles, Abruzzi, T-Bag e Tweener

A fuga que era para ser apenas entre os dois irmãos acaba levando oito para fora de Fox River. A partir deste momento eles se tornam “the Fox River Eight” e entra em cena o policial do FBI Alex Mahone à caça dos fugitivos.

Além de fugir da polícia e do FBI, que querem levá-los de volta a Fox River, Scofield e Burrows descobrem que existe uma organização secreta chamada “a Companhia”, que armou a acusação de assassinato para Burrows e os quer mortos. Por temer o que os outros fugitivos possam saber, “a Companhia” decide eliminar todos eles.

A segunda temporada se desenvolve nesta fuga. Alguns dos fugitivos morrem (sempre de forma surpreendente) e começam as surpresas e reviravoltas no roteiro da série. Se descobre, ao longo da segunda temporada, que os personagens são mais profundos, mais complexos.

Ao final da segunda temporada Scofield assume outro assassinato, desta vez cometido por Sara, e acaba preso em Sona, no Panamá e, na terceira temporada, a briga é para fugir de lá. Neste ponto, alguns personagens que antes eram os “bandidos” da série, ou seja, homens da lei, também estão presos, o que torna a missão de Scofield ainda mais dura. Destaque na temporada para T-Bag e Brad Bellick, o poderoso guarda penitenciário da primeira temporada que, preso, mostra ser um homem medroso e traiçoeiro.

Prison Break

A quarta temporada é o embate final contra “a Companhia”. O auge do gato-e-rato pois, livres (pero no mucho) novamente, enquanto correm atrá do que pode acabar com os anos de perseguição, eles são perseguidos, novamente, pelo FBI.

O fim da série é muito bom, principalmente por não se poder dizer que foi exatamente um final feliz. A série se mantém, durante as quatro temporadas, dentro de um mesmo universo, um mesmo fio de história, que é muito bem encerrado. É claro que é uma série de aventura, com exageros típicos deste tipo de produção, mas nada irreal ou impossível. No máximo.. bastante improvável.

Nas cenas finais, quando mostra “anos depois”, uma última surpresa. Mais tarde foi feito um filme para explicar como as coisas acabaram como acabaram. Felizmente, o filme é fiel ao estilo da série e os que sobreviveram, viveram felizes para sempre (ou não).

Prison Break

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Veni, vidi, vici

28/08/2011

PhotobucketUm dos melhores filmes que eu já vi na vida, sem dúvida, é “Planeta dos Macacos” (1968), com Charlton Heston. Eu tive a sorte de assistir sem saber o final e ser surpreendido por uma das mais incríveis cenas finais da história do cinema.

Ocorre que, Hollywood está com algumas manias “perigosas” Uma delas: fazer “remakes”. Nessa onda saiu, em 2001, a versão Tim Burton do clássico sessentista. É um bom filme, mas nem se compara ao original. Até porque, o final por exemplo, deixa mais perguntas do que respostas. E Tim Burton mesmo, tem muitos filmes melhores que o seu “Planeta dos Macacos”.

Pois a série sobre o mundo dominado por símios entrou também em uma outra “moda” hollywoodiana. A das chamadas “Prequels’. Em tradução livre “pré-sequência”, ou “sequência anterior”. Basicamente produções que buscam explicar “como aconteceu?”. O que existia antes da situação de um determinado filme? Como se chegou lá?

Eu admito que tinha certo receio com esta ideia. Estamos em outra época, outra cultura, outra tecnologia. Considerando ainda a temática do filme, as explicações poderiam variar tanto que a ideia original se perdesse na megalomania do cinema blockbuster dos anos 2000. Sei lá.. perigo!

As primeiras críticas que eu li (com cuidado para não saber demais, visto a surpresa do primeiro filme) eram positivas. Diziam que a produção honrava a série original, com boa dose de aventura e efeitos especiais de primeira. Fui conferir.

O filme inicia na selva, numa caçada de contrabandistas – acredito eu –  a macacos que depois são vendidos/confiscados por laboratórios. Acho que esta cena define toda a história. A conquista, a “virada”, nada mais é do que uma vingança contra atitude humana de se achar dono da natureza e tratar animais… bem, como animais.

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A história gira em torno de César. Um filhote de chimpanzé que, devido a uma droga usada numa pesquisa para cura do Alzheimer, desenvolve capacidades de comunicação e coordenação motora muito superiores ao comum. Contudo, diversos pequenos detalhes demonstram que, mesmo para os humanos que o adotaram, ele nunca será mais do que “um macaco inteligente”.

O cientista Will Rodman (James Franco), e seu pai Charles (o ótimo John Lithgow) “protagonizam” o filme no lado humano. E é justamente ao tentar salvar Charles – com o excesso de “zelo” causado pela sua forma “primitiva” de defesa – que César será levado a uma jaula, num local onde encontrará diversos outros símios, mas todos “normais”. E lá, cansado dos excessos e desrespeitos dos humanos, é que ele decidirá liderar a rebelião.

Os grandes destaques do filme ficam por conta de Andy Serkis – que interpreta César através de técnicas de motion capture – e da cena do embate na Golden Gate Bridge. Ação complexa, mas muito bem executada.

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Vale ainda ressaltar as referências ao filme original. Entre as quais, a partida da viagem do astronauta Taylor (personagem de Charlton Heston no filme de 1968) e diálogos inteiros como “Tire suas patas imundas de mim, seu macaco sujo e maldito“.

Do ponto de vista de César, o filme é uma busca pela liberdade. Em nenhum momento se entende que o objetivo seja “acabar com a humanidade”. Não, a questão aqui – ainda – não é conquista ou extermínio, mas apenas liberdade. Como o imperador romano de quem recebe o nome, César conquista a liderança do seu grupo pela inteligência, e não necessariamente pela força.

O final não traz uma cena emblemática como o original, mas deixa uma grande pergunta em aberto  (na cena extra que aparece entre os créditos). Ao contrário do que geralmente acontece, entretanto, o filme conclui a sua proposta e deixa espaço para mais ação sem forçar a barra. Existe história para desenvolver a trama até que se chegue, afinal, no Planeta dos Macacos.

* o título significa: “Vim, vi e venci”, proferida por Julio César

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Música de “gente grande”

21/08/2011

Acabei de chegar do show “Música de Brinquedo”, do Pato Fu. Por falta de companhia, fui sozinho. Não me arrependo, valeu muito a pena!!

Como o show é do disco que traz alguns clássicos da música nacional e internacional, gravados com arranjos especiais e apenas instrumentos de brinquedo, o público é diferente do que se esperaria de um show da banda mineira. Muitos casais de pais com crianças – vindo pela sonoridade lúdica e surpreendidos pela presença ativa dos bonecos da Companhia Giramundo, e muita gente com seus 30/40 anos – onde eu me encaixava, vindo pelas músicas de já certa idade, além do próprio Pato Fu. Photobucket

Pato Fu – Há algum tempo eu admiro todos eles pelo talento musical e potencial criativo (além de ser um grande fã da voz da Fernanda Takai), mas hoje minha admiração se estendeu para o lado pessoal. Principalmente o John, que eu tinha certa ressalva por ele ser o autor das músicas mais sonoricamente “pirotécnicas”, se mostrou ser um cara muito legal, de paz. Eles absolutamente não têm aquela postura de “vocês estão aqui por nossa causa, de nada”.

Não. Eles estão no palco fazendo o que gostam, e curtindo que as pessoas estão curtindo também (diferente da arrogância de outras bandas, e da indiferença gelada do Los Hermanos, por exemplo). Até nas pausas entre as músicas, a Fernanda e o John buscam interação com o público com brincadeiras obviamente combinadas, mas que alimentam a cumplicidade com o público

Momentos do show – Quando foram tocar “Live and Let Die“, começaram dizendo que iam tocar uma música que era complexa pois o arranjo tinha sido feito “para agradar um beatle”.

“Que tocou com os Beatles”, ressaltou o perspicaz John (Ulhoa, no caso).

É claro que eles falavam de Paul Mccartney, o autor da música. Aproveitando o assunto,  Fernanda contou que no ano passado veio a Porto Alegre assistir ao inesquecível show de Macca nas terras tupiniquins (onde eu também estava!). Vale destacar ainda a pirotecnia com confetes e serpentinas na hora da bateria e a animação das crianças com a parte de ressaltar o “Diiiiiieee”. Vem gente com bom gosto musical por aí…

Na hora de “Ovelha Negra“, Fernanda pediu para a platéia imitar ovelhas. Ao “bééé” sonoro e grave, John respondeu:

“Ok, belos bodes… mas ovelha, tem?”.

Depois, explicou a diferença: “tom mais feminino, cantado pelos dois sexos e com sustenido”. Para explicar o que era sustenido, usou parte do texto da dupla Tangos e Tragédias (que inclusive participa do Acústico MTV do Pato Fu):

“Sustenido é.. manter o som: pensam que esse “bééé” se estanca por aqui? Não, pois ele se estende, se estende e se estende…”.

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Eu fico com a pureza da resposta das crianças… - Quem não conhece o disco, eu recomendo. Aliás, eu recomendo toda a discografia do Pato Fu mas, pra quem quer novidade na música nacional, “Música de Brinquedo” é uma boa dica. Ao contrário do que muitos pensam – e muitos teimosamente pensam -, os mineiros não são amadores. Ao contrário, são músicos profissionais, de enorme qualidade, e que tem cultura musical variada, inúmeras influências nas mais diversas matizes musicais.

O próprio disco Música de Brinquedo mostra o ecletismo da banda: de “Sonifera Ilha”, dos Titãs, passando por “Frevo Mulher”, do Zé Ramalho e “Todos Estão Surdos”, de Roberto e Erasmo Carlos, até chegar a “Live and Let Die”, “Twiggy Twiggy” e “Love me Tender”. Enfim, vale conhecer o disco, e a banda!

No fim do show, depois do bis, os cinco integrantes da banda, os dois músicos convidados e os artistas da Giramundo se enfileiraram no palco para agradecer ao público. Saindo do teatro, ainda ouvi um menino dizer, surpreso:

“Olha mãe, eram fantoches…”

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O bom, o mau e o feio

12/12/2010

A criminalidade do Rio de Janeiro. Já há algum tempo, eu vejo muitas pessoas dizendo que jamais voltariam – ou, as que nunca foram, jamais iriam – ao Rio de Janeiro. Eu, que fui para lá algumas vezes, e adoro, penso… “bah, mas perder aquele visual, aquele clima, aquele astral…”.

Sim, por que digam o que quiserem, mas a zona sul carioca é diferente. É. Ponto. Eu geralmente vou para a casa de amigos em Niterói, e um ou dois dias por vez, pego a balsa e tenho meus momentos “astrais” na Cidade Maravilhosa. Com outros amigos, com novos amigos ou mesmo sozinho… A questão, para mim, é que aquele dia, do passeio, é especial.

Quem diz que não iria ao Rio me pergunta: “Tu não tem medo da violência?”. Tenho, tenho muito medo. Uma das minhas preocupações é sempre a volta, que geralmente é à noite ou ao anoitecer (e aí tem uma amiga da Cidade a quem eu sempre serei muito grato). Contudo, adoro aquilo lá. Uma vez peguei uma daquelas vans.. Eu, o motora e o cara da porta. Pensei: “Pronto, morri”. Felizmente eles eram, naquele momento, gente honesta, e me deixaram onde combinamos pelo preço que combinamos.

Eis que de uns anos pra cá, o governador Sérgio Cabral resolveu limpar a Cidade. Visando a recepção à Copa do Mundo e à Olimpíada certamente, mas visando também cartaz político. As UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) merecem aplausos? Certamente que sim. A questão é que elas resolvem um problema da Cidade do Rio de Janeiro, mas não o problema todo.

Em fins de novembro o governo carioca resolveu retomar o controle sobre o “Complexo do Alemão”. Complexa, pois, é a análise disso.

Tanques de guerra – que, como já foi bem observado, os cariocas fotografam como se fosse exposição de arte -, armamento pesado, Marinha, Aeronáutica, Bope e a própria polícia militar. Tudo pronto? Então vamos!

Entraram.. patrolando, como tinham que ter feito desde 1500. Encontraram toneladas de drogas, contrabando e armas – algumas muito melhores que as deles – mas… pouquíssimos traficantes. De alto escalão então? ZERO.

É aí que entra o título do texto. O bom, nesta história, é a pacificação dos morros cariocas. Dá mais segurança para quem vive lá, ajuda a livrar (mas por si só não salva) uma geração interminável de crianças do mundo do tráfico, e melhora a segurança da cidade toda, dos turistas estrangeiros dos grandes eventos, a minha e a de quem disse que nunca iria ou numa voltaria.

O mau é que, ao não prender grandes traficantes e, ainda, ao avisar que “amanhã vamos entrar” (como adoram fazer), até resolveram um problema – já citado – mas, em relação ao crime organizado a diferença é nula. Ninguém desaparece no vento, nem num portal feito a Caverna do Dragão.

Se não pegaram, é porque para algum lugar eles foram. E aí, não me venham dizer que foi uma ação efetiva contra o tráfico de drogas porque não foi. Foi unicamente, e isso não desmerece o louvor à operação, uma ação de tomada de posse por parte do Estado do Rio de Janeiro de um território que nunca deveria ter saído do seu controle. Ponto.

É muito cinismo dizer que agora tudo é lindo e não existe mais tráfico. Ilusão. Os traficantes continuam por aí..

E essa de mandar os presos para longe, hein? Acre, Rondônia, Paraná… Bah, bela idéia… enquanto não inventarem o avião e, principalmente, o telefone celular, esses caras tão realmente fora de circulação!! (Ops!)

O feio? O feio é a macaquice da Rede Globo (e de qualquer outra emissora). Cenas ridículas das operações “ao vivo”. Isso sem contar com a repórter que entrou no túnel escoltada por três homens do Bope “fantasiados” pra fazer uma matéria que, no fundo, não disse NADA. Mostrou a entrada do túnel.. e? Tá faltando trabalho pros rapazes, é isso?

As pessoas confundem informação:

“os traficantes fugiram por túneis como este”, e close da câmera no túnel.

Com show business:

“foi neste túnel que o fulaninho de tal, bilionésimo quinto na hierarquia do tráfico, chefe do carinha que foi preso, escapou. Essa pegada aqui deve ser dele, e…” Mas hein?????

(E isso que até o Mr. M eles prenderam. Será que agora eles aprendem os truques certos?)

Só porque isso – graças a Deus – não é comum no Brasil, não quer dizer que precise tratar como uma novela do Gilberto Braga ou Linha Direta, né? O repórter quer fazer algo útil? Cobra! Vai no governador, vai no prefeito, vai no cara do Bope.

Eles vão.. mas vão pra dar tapinha nas costas, elogiar. Tem que ir – também – pra perguntar “E aí, e agora? Vão continuar atrás dos desgraçados ou vão ficar por aqui?”. Jornalismo de guerra – pois é este o caso – não é a mesma coisa que jornalismo geral, que vai falar de uma chuva ou sobre como um prédio desabou. Este sim, vai lá e descreve porque descrever faz diferença. Assim como jornalismo esportivo, que terça-feira tem que inventar qualquer porcaria porque não tem jogo. Jogo é jogo, mas guerra é guerra.

Enfim. Eu torço muito pelo sucesso das operações da segurança pública do Rio de Janeiro. Mas gostaria muito, também, que fosse feito algo de prático pelo problema em sua origem, não apenas em seu efeito mais visível e “assustador” (para o brasileiro médio).

No fim das contas, eu torço pelo fim de situações que geram sacadas inteligentes como a que disse um amigo meu semana passada quando fomos ver Tropa de Elite 2:

“Eu só vou ali no cinema ver o Jornal Nacional e já volto”.

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Interrompemos a nossa programação…

26/09/2010

O  meu dia tem uma certa rotina.

Acordo, tomo café, saio para trabalhar. Trabalho, almoço, volto pro trabalho. Seis da tarde: tchau farroupilha. Volto pra casa. Aí varia um pouco… Ou vou pra internet, ou dou uma volta, ou vou ler.. Assisto o Jornal Nacional (às vezes de costas, por causa da posição do computador, hehehe) e aí…

E aí, nos últimos 30 dias, sempre uma surpresa, e sempre a mesma. Quando o Bonner diz “boa noite” eu já estou pensando em Betes, Claras e Totós (sim, eu assisto Passione)..  só pra, dois segundos depois, ser lembrado – pela própria TV – do “maldito” horário político.

Urna eletrônicaNoves fora, existem prós e contras na obrigatoriedade do horário político. Não é uma questão resolvida, do tipo “tirem e deu”, como a maioria acha que pensa. Não.

Alguém nega que a campanha só começa MESMO quando começam os programas? Ainda que o disse-me-disse venha de 2009, e que o prazo legal comece em julho, é só depois da programação de rádio e TV ser avacalhada pelo horário gratuito que o povo se toca do que tá acontecendo… Agora, tira o horário político, vamos votar em quem?

Horário reservado

A má utilização por parte dos partidos e a obrigatoriedade de ser no horário nobre num país democrático eu até concordo que sejam pontos questionáveis.  Contudo, que tem que haver uma forma de todos terem a chance de ter alguma noção do que está acontecendo.

Partidos políticos

Abre parênteses. Vale dizer que a má utilização (assim como a qualidade dos eleitos) vai muito de quem vota. Quem se informa (e se forma, mas isso é outra discussão), teoricamente vota melhor, o que melhora a qualidade dos eleitos, e isso acabará melhorando a qualidade dos programas. É um círculo vicioso..

Na política, como qualquer canal de TV ou prestação de serviço, o nivelamento é por baixo: quanto menos qualidade se exigir, menos se recebe de volta. fecha parênteses.

Aos maníacos tecnológicos – até certo ponto, como este que voz fala – eu digo: a internet (com seus twitters, facebooks, iPads e smartphones) não tem todo esse alcance ainda. Até acho que para a próxima eleição presidencial ela esteja mais “diluída” na campanha, mas hoje é tudo muito novidade, acesso bastante restrito (dentro do universo de 130 milhões de eleitores) e também com presença bastante superficial (e optativa).

Partidos políticos

Eu até entendo os que dizem que é uma questão de direito, e não de dever, ter acesso a informação. Contudo, quando falamos de eleições, antes de estar falando de direito à informação, estamos falando de cidadania.

Não estou defendendo aqui que todos vejam os horários políticos. Não, a nossa democracia nos garante o direito de não assistir. Contudo, acho que é função do governo sim, garantir que todos tenham condições de ter uma visão “menos pior” do todo, e não deixar apenas cada um com o seu achismo e deu. Eu mesmo mudei pelo menos um dos meus votos da eleição da próxima semana “graças” ao horário político.

Partidos políticos

É importante ressaltar, antes que eu seja criticado por isso, que não estou fazendo apologia a qualquer coisa DESTA eleição, estou falando da existência do programa eleitoral gratuito em si. Afinal, quem me conhece sabe que eu não estou satisfeito com o rumo que a eleição está tomando segundo as pesquisas… e é claro que o horário político é determinante nesta tendência.

Existem vários aspectos paralelos à esta discussão. A qualidade das casas legislativas (e, também, das executivas), o caso Tiririca, a eleição presidencial 2010, voto obrigatório… enfim, incontáveis. Eu prometo que tratarei cada uma delas!

Nem que seja nos próximos quatro anos….

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Sobre as previsões do Pai Fábio…

25/06/2010

ZakumiE eis que a primeira fase da Copa do Mundo 2010 acabou. Em dezembro do ano passado, quando foi realizado o sorteio dos grupos e eu escrevi um texto (leia aqui) fazendo previsões – imediatamente chamadas irônica e inutilmente de futurologia – eu pensei: “Quando acabar a fase de grupos vou ver o que deu certo e o que não deu…”

Só que eu pensei em fazer isso considerando que teria alguns dias para tal. Ledo engano. A fase de grupos terminou há algumas horas e amanhã de manhã Uruguai e Coréia do Sul abrem  a fase eliminatória. Portanto, a hora é agora e o momento é já! Como no texto original, vou fazer considerações grupo por grupo e depois um panorama.

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Grupo A - África do Sul, México, Uruguai e França

Aqui, tentei mesclar lógica e simpatia e me dei mal. Realmente, Les Bleus chegaram à Johannesburgo graças à mão santa de Thierry Henry. Futebol zero, arrogância 10. Sabe quem a França pega no final de semana? Pega o Airbus de volta pra Paris…

Os anfitriões, por outro lado, apesar de terem tido a honra histórica de vencer uma França irreconhecível, perderam a classificação no saldo, talvez na tarde do infeliz  3 a 0 para o Uruguai. Classificados: Sul-americanos e mexicanos. Acertos do Pai Fábio: 0 em 2.

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Grupo B – Argentina, Nigéria, Coréia do Sul e Grécia.

O time do Maradona não foi nenhum espetáculo, mas sem dúvida foi o futebol mais consistente da primeira fase. Nigerianos não mostraram o futebol que se esperava e ficaram na lanterna. Apesar da Grécia ter surpreendido, a ainda maior tradição em Copas da Coréia do Sul deu a segunda vaga aos asiáticos. Detalhe: nas previsões do grupo A eu não tinha citado os uruguaios – no fim líderes do grupo -, e aqui nem considerei os coreanos.. tô bem pra burro, né? Acertos do Pai Fábio: 1 em 4.

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Grupo C – Inglaterra, Estados Unidos, Argélia e Eslovênia

A marca deste grupo foi o equilíbrio. Não fosse o emocionante gol norte-americano no final do jogo contra a Argélia e os americanos perderiam a vaga para os surpreendentes eslovenos (que, no mesmo momento empatava com a Inglaterra e já comemorava a vaga). Apesar de ter feito apenas 1 ponto, até a Argélia chegou viva na última rodada.  No fim, Pai Fábio estava certo mas, pra dar graça, posições invertidas (EUA líderes, britânicos em 2°). Acertos do Pai Fábio: 3 em 6.

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Grupo D -Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana

Outro grupo emocionante. A Alemanha abriu os trabalhos metendo 4 a 0 na Austrália e parecia que ia patrolar. Errado. No jogo seguinte, e no lance originado na expulsão de um de seus jogadores, tomaram o gol da derrota contra a Sérvia, e não conseguiram buscar. A vitória contra Gana garantiu a classificação, mas não eliminou os africanos, e sim os sérvios. Únicos representantes do continente anfitrião nas oitavas, e, exceto pela desconhecida Argélia, únicos também que Pai Fábio disse que ficariam pra trás…

Curiosidade: Alemanha venceu a Austrália, que venceu a Sérvia, que venceu a Alemanha. Assim como Gana venceu a Sérvia, que venceu a Alemanha, que venceu Gana. Coisas do futebol…

Quem vive para ser sérvio, não sérvio para jogar futebol. Piada velha e acabada para marcar: acertos do Pai Fábio: 4 em 8.

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Grupo E- Holanda, Dinamarca, Japão e Camarões

É… Parece que eu tô mal de piada… Etô mesmo… Pior pra ele, que viu o seu simpático time frustrar o mundo e acabar na penúltima posição no mundial (à frente apenas da Coréia do Norte). Ruim para o Pai Fábio, bom para os japoneses, que contaram com um motor Honda para, com 2 vitórias, garantir o segundo lugar do grupo. Obs: outra vez, classificada uma seleção que eu não tinha citado nas previsões. Acertos do Pai Fábio: 5 em 10.

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Grupo F- Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia

Sem dúvida, a decepção da Copa foi a Azzurra. Velha tudo bem, mas foi uma campanha vergonhosa para os atuais campeões. Bom para o Brasil, que na pior das hipóteses permanece sendo o único pentacampeão pelo menos até 2014…

Este foi o grupo dos empates. A Nova Zelândia, de certa forma surpreendente, saiu invicta. A Itália, que foi decidir a vaga com a Eslováquia dizendo que “em 1982, com 3 empates na primeira fase, fomos campeões mundiais”. Ok, este ano não conseguiram 3 empates, ciao Italia! Os paraguaios acabaram como líderes do grupo, mostrando bom futebol e honrando o talento sul-americano (destaque desta primeira fase). Pai Fábio jogou em Azurra e paraguaios, deu Paraguai e Eslováquia. Acertos até o momento: 6 em 12.

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Grupo G- Brasil, Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal

Lá fui eu apostar nos africanos… e lá fui eu perder de novo. No geral eu fui mais ou menos, mas em relação aos representantes do continente-sede do torneio eu consegui errar TODAS as previsões. Se eu disser que isso também não é fácil, conta? hehehe….

Costa do Marfim teve um Drogba pela metade, mas não jogou o que se esperava. Portugal mostrou qualidade, fazendo inclusive a goleada da Copa até o momento – 7 a 0 na Coréia do Norte. Os asiáticos chegaram a pensar, após o magro 2 a 1 com o Brasil, que tinha chances… ô…

O Brasil venceu 2 mas não convenceu muito. No terceiro jogo, um 0 a 0 sem graça com Portugal, sem Elano, Kaká, Robinho e, no segundo tempo, sem futebol… Vamos ver o que vai dar…

Ah sim.. Pai Fábio apostou nos africanos, deu lusitanos. Acertos: 7 em 14.

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Grupo H- Espanha, Suiça, Honduras e Chile

“Honduras ó Brasil florão da América..”

Não me perguntem de onde eu tirei isso, mas sempre que eu ouvi o nome dos centro-americanos eu pensei nesse ó-te-mo trocadilho com o nosso hino nacional.. Hum… ok, prossigamos…

A Espanha, apesar do susto, se classificou em primeiro, com o Chile em segundo graças a total incompetência suiça. Destaque para o recorde batido pela seleção da terra do chocolate (e do relógio e do queijo) de mais tempo sem tomar gols em Copas do Mundo: 559 minutos (equivale a 6 partidas e 19 minutos sem buscar a bola no fundo das redes). Se não fosse o único gol sofrido em 2010, aliás, eles, e não os chilenos, seriam os adversários do Brasil nas oitavas.

Nesta o Pai Fábio acertou as 2 e o posicionamento. Bucha! Acertos: 9 em 16.

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Os cruzamentos são:
(comparando: em verde os times que o Pai Fábio apostou certo, mas na posição errada no grupo, e em azul os acertos 100%)

1) Uruguai x Coréia do Sul
2) Estados Unidos x Gana
3) Holanda x Eslováquia
4) Brasil x Chile
5) Argentina x México
6) Alemanha x Inglaterra
7) Paraguai x Japão
8) Espanha x Portugal

Estatisticamente (seguindo a lógica do texto anterior):
Dos 13 europeus, Pai Fábio apostou em 7, se classificaram 6. Quatro (4) acertos (Holanda, Alemanha, Inglaterra e Espanha);
Dos 5 sul-americanos, Pai Fábio apostou em 4, se classificaram 5. Quatro (4) acertos
(Brasil, Argentina, Paraguai e Chile).
Dos 6 africanos, Pai Fábio apostou em 4, se classificou um. Zero acerto.
Dos 3 centro-americanos, Pai Fábio apostou em 1, se classificaram 2.  Um acerto (Estados Unidos).
Dos 5 asiáticos e da oceania, Pai Fábio não apostou em nada e errou 2. Zero acerto.

Pai Fábio teve uma média de acertos de 56,25%. E sabe o que isso significa? Absolutamente NADA….

Surpresas da Copa? Positivas: Países sul-americanos. Todos classificados, com apenas 1 derrota (Chile 1 x 2 Espanha); Eslováquia (tendo herdado ou conquistado a vaga supostamente italiana) e Uruguai, que pintava como o mais fraco dos sul-americanos e mostrou bom futebol, liderando com folgas o grupo que tinha França e os anfitriões bafana-bafana.

Negativas? Itália, hors-concours e França, fazendo companhia aos companheiros finalistas de 2006; Camarões, numa campanha decepcionante; Costa do Marfim de quem se esperava mais e, claro, as vuvuzelas. Diferente das “ôlas” da Copa de 1986, que ganharam o mundo, espero que as cornetas africanas fiquem por lá…

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Ok, tudo muito bonito… mas e agora?

Difícil dizer… o que dá pra notar é que, nos cruzamentos, a zebra foi muito amiga do Brasil. Considerando a tradição dos times (que nem sempre vale muito em Copa do Mundo, mas..), se o Brasil passar pelo Chile deve pegar a Holanda, tradicional adversário em Copas do Mundo (inesquecíveis partidas em 1994 e 1998, por exemplo). Passando pelos laranjas, tem tudo para passar também pelo que restar de Uruguai, Coréia do Sul, Estados Unidos e Gana na semifinal.

Só depois disso, numa possível final, pega apenas 1 entre Alemanha, Inglaterra, Argentina, Espanha, Portugal, Paraguai, México ou Japão. Nem a CBF favorecendo o Flamengo na tabela da Copa do Brasil teria essa cara-de-pau…

Para  mim, depois de 48 jogos, mantenho o que pensava antes: o Brasil só perde pra si mesmo. Jogando sério, pra vencer, temos condições de sermos campeões sempre. Não por outro motivo ganhamos tudo na Era Dunga até aqui… claro que futebol não tem fórmula, e a seleção brasileira de 2010 não tem um terço do charme do time de outras copas, mas se é desse jeito “operário” que o Dunga montou, é assim que nós vamos..

Favoritos? Sem querer ser óbvio, acho que se a Copa seguir o que mostrou na primeira fase, e o Brasil chegar lá, teremos um emocionante Brasil e Argentina decidindo o mundial pela primeira vez.

Pois que comecem as oitavas! Que Brasil e Holanda possa ser o grande jogo que todos esperamos, e que a decisão do finalista do lado de lá seja repleto de grandes confrontos para fazer jus a tudo o que se espera de uma Copa do Mundo!

E como diria o Cid Moreira:

JabulaaaaaniiiiiJaaaaaaabuuuuuulaaaaaaaaaaaaaaaaaaniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii……

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Alguma coisa está fora da ordem….

27/04/2010

Eu estou passando por um grande momento. GRANDE momento. A minha empresa está andando, eu me sinto profissionalmente muito valorizado e isso traz um reconhecimento pessoal incrível. Mesmo que o retorno financeiro ainda não seja o ideal, acho que estou construindo – ou começando a colher os frutos de – uma credibilidade que é fundamental para que este “detalhe” seja resolvido.

No lado pessoal, eu estou atingindo o equilíbrio. E não digo no sentido de estar mal e, aos poucos, melhorando. Não. Estive mal, por muitos anos. Há alguns, contudo, eu estou MUITO bem. Feliz comigo, com objetivos, sonhos e trabalhando – em todos os sentidos – por eles.

Só que nem só de dias maníacos – no sentido bipolar do termo – se vive a vida. Tenho meus momentos baixos. Algumas semanas atrás tive um momento de mau humor repentino que nem eu me reconheci, mas aceitei e fui em frente. Acredito que, felizmente, quem teve que me aguentar naquele dia soube entender e vai seguir comigo…

No lado dos relacionamentos.. ah, o lado dos relacionamentos. Pra não dizer que não falta nada, falta isso. “Só” isso. A virada de 2009 para 2010 foi bastante intensa neste campo. De setembro pra cá mudei uma certa atitude e me dispus a conhecer pessoas novas. Conheci várias, fiquei com algumas e acabei sozinho. Antes que pareça melancólico, tudo ia bem quando eu descobri que nunca encontraria o que procuro fazendo o que estava fazendo.

E o que me fez enxergar isso, quem diria, foi alguém que eu conheci do modo “tradicional”, numa dessas festas da vida. Não houve, na verdade, nada de concreto nem de mim em relação a esta pessoa, mas a percepção de que existem pessoas como ela – e que por isso eu não precisaria me habituar com “meias-afinidades” – é que fez com que esta “nova atitude” acabasse poucos meses após começar.

Ok, sem meias-afinidades. Então, qual é a saída? A mais óbvia, simples e complexa possível: ser eu mesmo e manter as opções abertas. Contudo, isso é uma via de duas mãos, e a corrente só acende a luz se, em algum momento, os dois lados estiverem conectados. Ocorre que.. não sendo algo material, visível.. como saber se, afinal, os lados estão conectados ? (Tá, eu sei essa resposta também…)

Eu estou conectado. Aliás, não. Eu SOU conectado. Às vezes eu só gostaria de não ser tanto…

Chamem-me de Erick. Atrapalhado, cavaleiro de meia-tigela. Corajoso enquanto o Vingador não aparece, e quase sempre inteligente. Aqui estou eu, mais uma vez, na frente do portal que pode me levar (de volta) para o meu mundo. A pergunta é: será que esta é realmente a saída? E será que eu preciso passar correndo, ou indo passo a passo eu acabarei passando por ele (o portal) sem notar?

Desta vez não há resposta certa. Há apenas uma vontade imensa de voltar para aquela maldita montanha-russa….

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Será.. só imaginação?

03/04/2010

Em tempos de Fresno, Strike, NXZero e Inimigos da HP eu fico pensando..  Será que a música piorou ou eu cresci? Não é possível que, no meu tempo, a música fosse tão ruim assim… ou é?

Eu acho que não. Essa semana, por exemplo, um dos ícones da minha geração, Renato Manfredini Russo, faria 50 anos. É estranho dizer “da minha geração”, mas considerando que ele morreu há quase 14 anos.. a juventude atual não o conheceu. Portanto, é sim “da minha geração”…

Renato Russo

Renato Russo não está mais entre nós e, graças ao bom senso de alguns (Dado Villa-lobos e Marcelo Bonfá talvez?), a Legião Urbana também não existe mais. Contudo, nada do que existe hoje no Brasil se compara a eles. Se qualidade músical é algo relativo e pessoal, nenhuma dessas bandas do século XXI no pop-rock brasileiro tem a relevância ou o respeito geral que Renato Russo tinha. Eu, particularmente, não sei o nome de nenhum dos integrantes de quaisquer das bandas que eu citei no início deste texto (fico satisfeito (e não feliz) por ter me lembrado do nome das bandas).

O Legião é, em grande parte, fruto da redemocratização do país. Do vulcão musical que foi Brasília no início dos anos 80 (que, mais tarde, foi para o Rio de Janeiro e, depois, para Minas Gerais). Paralamas do Sucesso e Capital Inicial também são ícones deste “movimento”, mas nem Herbert Vianna nem Dinho Ouro Preto são considerados do nível de Renato Russo.

Quando querem transformar / Dignidade em doença
Quando querem transformar / Inteligência em traição
Quando querem transformar / Estupidez em recompensa
Quando querem transformar / Esperança em maldição:
É o bem contra o mal  / E você de que lado está??

(1965 (Duas Tribos) – álbum: As Quatro Estações (1989))

O livrinho da coletânea “Mais do mesmo”, lançado postumamente em 1998, dizia algo como “várias músicas que cantarolamos sem saber bem de onde vêm até que descobrirmos ser tudo Legião Urbana”. Grande verdade. Principalmente as mais clássicas como “Eduardo e Mônica”, “Faroeste Caboclo”, “Pais e filhos”, “Quase sem querer”, “Tempo perdido” e “Será”.. pareciam estar desde sempre na mente das pessoas, muitas vezes antes de se saber de quem eram.

Discografia da Legião Urbana

Esqueci de alguma? Não, esqueci de várias. Geração Coca-cola, Vinte e Nove, Dezesseis, Monte Castelo, Química, Canção do Senhor da Guerra, Eu sei, Que país é este, Há tempos, Índios… (e ainda faltam dezenas…).

O próprio Renato Russo brincava com a simplicidade das suas músicas. No disco ao vivo “Como é que se diz eu te amo” (2001, gravado em 1994) ele diz: “Legião Urbana: como aprender várias músicas com apenas 3 acordes”. Sobre o suposto papel de líder da Geração Coca-cola, no mesmo disco, ele diz: “As pessoas acham que eu sei todas as respostas, mas eu não sei qual é a pergunta…”.

Renato Russo nunca compôs “pra galera”. Ele expressava o que sentia de uma forma muitas vezes crua e cruel. Mesmo as suas diversas canções que contam histórias sempre têm algo para dizer. Com quem ele falava? Para mim, com ninguém. Ocorre que ele poetizava angústias de toda uma geração, ou talvez, de uma época. Várias frases de músicas dele são, para mim e para muita gente, verdadeiros mantras. É incrível que uma mesma pessoa tenha conseguido transformar em poesia dúvidas, angústias e medos tão comuns e, ao mesmo tempo, tão íntimos e complexos.

Legião Urbana

Uma coisa é verdade. Tocar Legião Urbana é fim de festa. No fim dos anos 1990 era até piada… Se, numa festa, alguém colocasse Legião, não que alguém questionasse a qualidade musical, mas era hora de acender a luz e ir embora. Legião é poesia, não dança. É algo introspectivo, para saraus, jantares, conversas de bar…  não para festas.

Se lembra quando a gente / chegou um dia a acreditar
que tudo era pra sempre /  sem saber
que o pra sempre, sempre acaba.
(Por enquanto – Legião Urbana (1985))

Faz tempo que eu não paro para ouvir Legião Urbana. Contudo, como eu citei acima, volta e meia me pego cantarolando alguma música, ou dizendo alguma frase que, quando paro pra pensar, é de outra música da Legião.

Por razões óbvias, há mais de uma década não sai nada novo da Legião (exceto regravações), mas mesmo assim, eu já me peguei entendendo uma música “nova”.. Mesmo as que eu passei a vida inteira escutando, mas nunca tinha parado pra ouvir… Poucas bandas têm essa capacidade…

Agora eu estava procurando uma frase para terminar este texto, e fui atrás de frases do Renato. Grandessíssimo erro. Nas frases, encontrei as músicas. E é impossível não citar outras vááárias… Vou fechar citando uma das frases, para mim, mais emblemáticas do Legião:

“Toda a dor vem do desejo de não sentirmos dor”
(Quando o sol bater na janela do seu quarto – As Quatro Estações (1985))

Mais uma vez, uma grande verdade. Muitas coisas doem. Tanto fisica, mental ou espiritualmente. Grande parte delas, entretanto, doem mais justamente por que a dor, com o perdão do trocadilho, dói. A vontade de que pare de doer, e a aparente eternidade da dor é que a tornam, muitas vezes, tão mortal. Além disso, ao passo em que os momentos felizes passam num piscar de olhos, os tristes parecem intermináveis.

Concluo, com profundo alívio, que a resposta da pergunta inicial deste texto é mesmo não. Não, não é só imaginação. Por mais que eu não conheça praticamente ninguém da cena do pop-rock atual até por não prestar mais atenção, é inegável que – tirando elogios do Faustão – nenhum deles se destaca nesse mar de celebridades instantâneas… Por quê? Bem…

Quem um dia irá dizer que existe razão
nas coisas feitas pelo coração
E quem irá dizer que não existe razão?
(Eduardo e Mônica – Dois (1985))

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Eu não sou de Krypton…

16/01/2010

… mas às vezes também acho que não sou terráqueo. De onde será que eu sou?? Marte? Alfa-centaury? Ou quem sabe… do Planeta Atlântida!!

É!!!! Vem aí a edição 2010 do Planeta Atlântida! No RS, que será em 5 e 6 de fevereiro, e em SC, que, por sinal, termina hoje.

Como já estou numa fase meio balzaca (já bati a barreira dos 30), não tenho muito a intenção de ir (mas… quem sabe). O fato, porém, é que fui em MUITOS, com muitas histórias pra contar….

A última acho que foi ali por 2004, mas até então, se não tinha ido em todos, tinha ido na maioria. Isso, aliás, contando com as edições catarinenses.

Impossível lembrar de todas as histórias. Impossível, também, escrever sobre todas ou organizá-las de forma cronológica. Por isso vou contar algumas resumidamente… vamos lá!

199? – Não sei se foi 1996 ou 1997. Gabriel o Pensador, show de manhã. Não sei se era desorganizado, se os shows duravam mais ou se eram mais shows. Mas quando o Gabriel entrou no palco já era dia.. show SHOW… sou muito fã do cara, desde antes!

1998 - Show do Tim Maia. Esse ano eu fui nos dois “Planetas”, e em ambos teve show do Tim. O detalhe é que o de SC acabou sendo o último show da carreira do “síndico”. Ele sairia no meio do show seguinte, em Niterói, passando mal, para não voltar mais.

1998 – Neste mesmo Planeta SC, eu fui com minha grande amiga Ana Paula. Terminados os shows, voltei de ônibus para o centro de Floripa, e daí para Balneário Camboriu, no velho “catarinão”. Quando cheguei em casa, uma nova moradora: a Dolly.. a incrivelmente silenciosa poodle que está com a gente até hoje!

1999 – Eu e a galera no Planeta RS. Entre nós, uma médica recém-formada, amiga de alguém e metida a besta. Nós sentados no gramado até que, lá pelas tantas, o bungee-jump arrebenta, e o cara que estava pulando desaba e cai no colchão de ar.

Um dos caras sai correndo pra ver o que houve. Logo depois ele volta, desanimado:  ”Não aconteceu nada.. ele tá no Pronto Atendimento tirando uns xerox”.. A galera não entendeu o que ele queria dizer, até que a “médica” se emputeceu e disse: “Radiografia, seu animal!!”.. A gargalhada foi geral… hahahaha..

2001 – Planeta RS. Nesse eu fui com um amigo de faculdade. Quer dizer: eu fui, mas ele não. Passou mal na estrada e acabou “vetado pelo departamento médico”. Eu bebi horrores e, no fim, fui pra casa de praia dele como previsto. No meio da noite acordei.. sabe? Meio bêbado.. olhei em volta e não reconheci o lugar.

De repente eu começo a ouvir vozes falando espanhol. Por um milésimo de segundo, eu fiquei a-pa-vo-ra-do.  ”Mas onde diabos eu estou???” Aí lembrei: na casa do tal amigo, que ainda não tinha chegado. Ocorre que a mãe dele é uruguaia, e estava conversando com a avó dele, na língua pátria.. delas… ufa!!

1999 (?) – Planeta SC. Fui com a minha irmã, na mesma indiada de 1998. Pior: por que ela quis, para ver 2 bandas que eu não tinha grande interesse: Rappa e Raimundos.  Tava obviamente P.. da cara. Lá pelas tantas.. ok, vou me divertir então.  Foi então que minha irmã pediu pra eu pagar um piercing pra ela. Ainda que achasse… “desnecessário”, paguei. A cara da minha mãe na volta valeu a viagem, hahahaa..

Planeta Atlântida é isso aí. É festa, é galera, é chuva, é indiada, mas, principalmente, é música!!

Brincadeiras à  parte, eu nem sei se a Cassia Eller tocou em alguma edição, mas isso deve ser “o que os astrônomos diriam se tratar…de um outro Planeta!

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Carta para o meu melhor amigo

01/01/2010

Feliz 2010, galera!

Para celebrar o novo ano, publico uma carta que escrevi no primeiro ano de faculdade (2000). Entre diversas referências musicais ao longo do texto estão diversas canções que estavam em voga na época e/ou que eu gostava – e gosto. O importante era que eu estava escrevendo para eu mesmo ler dali a 10 anos, ou seja, em 2010.

Com 21 anos, eu estava numa fase de grandes mudanças. Tinha acabado de começar jornalismo e sentia como se tivesse a vida toda pela frente…

Olhando agora, o Daniel, bixo da Famecos, ficaria bem feliz de saber do resultado desta louca primeira década do século XXI. O curioso é que, em pleno século XXI, tão falada época da comunicação em tempo real, essa carta deveria levar 10 anos pra ser entregue.

E não é que a carta chegou??

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Olá, Daniel

Como você está? Eu estou bem. Bem, na verdade, ainda é cedo para afirmar isso. Você sabe, mas estou caminhando e cantando e seguindo a canção…

Não sei se você vai se lembrar de mim, mas estou aqui, em pleno ano 2000, aprendendo com meus primeiros erros. O tempo não pára, e às vezes isso é muito cruel. Contudo, se você (eu) está lendo isso, é porque, de alguma forma, nenhum de nós desistiu.

Eu não sei quanto a você, mas ainda lembro de muitas coisas “inúteis” ou que me causam sofrimento. Como você sabe, somos dos anos 70, e vivemos a “Geração Coca-Cola”, cantada por Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. Você lembra da Legião Urbana? Hoje, eles são imortais, deuses da música brasileira, apesar de o Renato Russo ter falecido há alguns anos.

Exagerado. É assim que eu me considero na maioria das vezes. Se é verdade que vale quanto pesa, certas coisas pesam – hoje – muito mais do que deveriam.

Eu tenho sido meio burro, é verdade. Às vezes acho que crio problemas só para ter que enfrentá-los. Mas, por acaso, meu caro detetive, sabe o porquê disso? Isso tudo é por você, para que quando você estiver lendo isso, tudo isso que eu falo seja passado e, se tudo der certo, terá sido um passado mais que perfeito.

Hoje faz pouco mais de um ano que eu resolvi mudar, e a cada dia eu vivo, ou tomo, mais uma dose dessas mudanças. Vivo entre tangos e tragédias, em busca do romance ideal.

Talvez, quem sabe, este seja o meu erro. Eu vivo hoje de volta para o futuro, sem pensar, na verdade, no hoje. Espero que agora, quando estarei lendo isso no final da primeira década do novo milênio, eu já tenha encontrado a única balada do amor inabalável, que é a minha auto-estima, meu amor próprio.

Bem, Daniel – é assim que você gosta de ser chamado, não é? -, boa sorte. Espero sinceramente que consigas aquilo que queres, pois sei que tens capacidade pra isso. Nos vemos em 10 anos!!! Um abraço!

Fábio Daniel Lunardi Jacques
Porto Alegre, ano 2000

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