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Eu não sou de Krypton…

16/01/2010

… mas às vezes também acho que não sou terráqueo. De onde será que eu sou?? Marte? Alfa-centaury? Ou quem sabe… do Planeta Atlântida!!

É!!!! Vem aí a edição 2010 do Planeta Atlântida! No RS, que será em 5 e 6 de fevereiro, e em SC, que, por sinal, termina hoje.

Como já estou numa fase meio balzaca (já bati a barreira dos 30), não tenho muito a intenção de ir (mas… quem sabe). O fato, porém, é que fui em MUITOS, com muitas histórias pra contar….

A última acho que foi ali por 2004, mas até então, se não tinha ido em todos, tinha ido na maioria. Isso, aliás, contando com as edições catarinenses.

Impossível lembrar de todas as histórias. Impossível, também, escrever sobre todas ou organizá-las de forma cronológica. Por isso vou contar algumas resumidamente… vamos lá!

199? – Não sei se foi 1996 ou 1997. Gabriel o Pensador, show de manhã. Não sei se era desorganizado, se os shows duravam mais ou se eram mais shows. Mas quando o Gabriel entrou no palco já era dia.. show SHOW… sou muito fã do cara, desde antes!

1998 - Show do Tim Maia. Esse ano eu fui nos dois “Planetas”, e em ambos teve show do Tim. O detalhe é que o de SC acabou sendo o último show da carreira do “síndico”. Ele sairia no meio do show seguinte, em Niterói, passando mal, para não voltar mais.

1998 – Neste mesmo Planeta SC, eu fui com minha grande amiga Ana Paula. Terminados os shows, voltei de ônibus para o centro de Floripa, e daí para Balneário Camboriu, no velho “catarinão”. Quando cheguei em casa, uma nova moradora: a Dolly.. a incrivelmente silenciosa poodle que está com a gente até hoje!

1999 – Eu e a galera no Planeta RS. Entre nós, uma médica recém-formada, amiga de alguém e metida a besta. Nós sentados no gramado até que, lá pelas tantas, o bungee-jump arrebenta, e o cara que estava pulando desaba e cai no colchão de ar.

Um dos caras sai correndo pra ver o que houve. Logo depois ele volta, desanimado:  ”Não aconteceu nada.. ele tá no Pronto Atendimento tirando uns xerox”.. A galera não entendeu o que ele queria dizer, até que a “médica” se emputeceu e disse: “Radiografia, seu animal!!”.. A gargalhada foi geral… hahahaha..

2001 – Planeta RS. Nesse eu fui com um amigo de faculdade. Quer dizer: eu fui, mas ele não. Passou mal na estrada e acabou “vetado pelo departamento médico”. Eu bebi horrores e, no fim, fui pra casa de praia dele como previsto. No meio da noite acordei.. sabe? Meio bêbado.. olhei em volta e não reconheci o lugar.

De repente eu começo a ouvir vozes falando espanhol. Por um milésimo de segundo, eu fiquei a-pa-vo-ra-do.  ”Mas onde diabos eu estou???” Aí lembrei: na casa do tal amigo, que ainda não tinha chegado. Ocorre que a mãe dele é uruguaia, e estava conversando com a avó dele, na língua pátria.. delas… ufa!!

1999 (?) – Planeta SC. Fui com a minha irmã, na mesma indiada de 1998. Pior: por que ela quis, para ver 2 bandas que eu não tinha grande interesse: Rappa e Raimundos.  Tava obviamente P.. da cara. Lá pelas tantas.. ok, vou me divertir então.  Foi então que minha irmã pediu pra eu pagar um piercing pra ela. Ainda que achasse… “desnecessário”, paguei. A cara da minha mãe na volta valeu a viagem, hahahaa..

Planeta Atlântida é isso aí. É festa, é galera, é chuva, é indiada, mas, principalmente, é música!!

Brincadeiras à  parte, eu nem sei se a Cassia Eller tocou em alguma edição, mas isso deve ser “o que os astrônomos diriam se tratar…de um outro Planeta!

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Carta para o meu melhor amigo

01/01/2010

Feliz 2010, galera!

Para celebrar o novo ano, publico uma carta que escrevi no primeiro ano de faculdade (2000). Entre diversas referências musicais ao longo do texto estão diversas canções que estavam em voga na época e/ou que eu gostava – e gosto. O importante era que eu estava escrevendo para eu mesmo ler dali a 10 anos, ou seja, em 2010.

Com 21 anos, eu estava numa fase de grandes mudanças. Tinha acabado de começar jornalismo e sentia como se tivesse a vida toda pela frente…

Olhando agora, o Daniel, bixo da Famecos, ficaria bem feliz de saber do resultado desta louca primeira década do século XXI. O curioso é que, em pleno século XXI, tão falada época da comunicação em tempo real, essa carta deveria levar 10 anos pra ser entregue.

E não é que a carta chegou??

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Olá, Daniel

Como você está? Eu estou bem. Bem, na verdade, ainda é cedo para afirmar isso. Você sabe, mas estou caminhando e cantando e seguindo a canção…

Não sei se você vai se lembrar de mim, mas estou aqui, em pleno ano 2000, aprendendo com meus primeiros erros. O tempo não pára, e às vezes isso é muito cruel. Contudo, se você (eu) está lendo isso, é porque, de alguma forma, nenhum de nós desistiu.

Eu não sei quanto a você, mas ainda lembro de muitas coisas “inúteis” ou que me causam sofrimento. Como você sabe, somos dos anos 70, e vivemos a “Geração Coca-Cola”, cantada por Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. Você lembra da Legião Urbana? Hoje, eles são imortais, deuses da música brasileira, apesar de o Renato Russo ter falecido há alguns anos.

Exagerado. É assim que eu me considero na maioria das vezes. Se é verdade que vale quanto pesa, certas coisas pesam – hoje – muito mais do que deveriam.

Eu tenho sido meio burro, é verdade. Às vezes acho que crio problemas só para ter que enfrentá-los. Mas, por acaso, meu caro detetive, sabe o porquê disso? Isso tudo é por você, para que quando você estiver lendo isso, tudo isso que eu falo seja passado e, se tudo der certo, terá sido um passado mais que perfeito.

Hoje faz pouco mais de um ano que eu resolvi mudar, e a cada dia eu vivo, ou tomo, mais uma dose dessas mudanças. Vivo entre tangos e tragédias, em busca do romance ideal.

Talvez, quem sabe, este seja o meu erro. Eu vivo hoje de volta para o futuro, sem pensar, na verdade, no hoje. Espero que agora, quando estarei lendo isso no final da primeira década do novo milênio, eu já tenha encontrado a única balada do amor inabalável, que é a minha auto-estima, meu amor próprio.

Bem, Daniel – é assim que você gosta de ser chamado, não é? -, boa sorte. Espero sinceramente que consigas aquilo que queres, pois sei que tens capacidade pra isso. Nos vemos em 10 anos!!! Um abraço!

Fábio Daniel Lunardi Jacques
Porto Alegre, ano 2000

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A África do Sul é logo ali…

05/12/2009

Muito bem. Realizado o sorteio, será que tem como adivinharmos o que vai acontecer? Será que o Brasil ganhará o Hexa, depois do salto alto de 2006?

Eu digo a mesma coisa que disse 4 anos atrás. O Brasil só perde pra si mesmo. Em 2006 perdeu pra França num jogo que, mais do que no lance decisivo, foi displicente durante os 90 minutos. “Daqui a pouco a gente marca, somos melhores, todo mundo sabe…”…

Desta vez eu acho que isso não vai acontecer. Acho que a maior qualidade do Dunga como técnico da seleção foi exatamente a humildade. A seleção atual respeita todos os adversários, e por isso, tem obtido grandes resultados.

Vou fazer um exercício – potencialmente inútil – de futurologia.  Como os grupos foram definidos ontem à tarde, e baseado em questões históricas e no que se tem lido sobre as seleções, vou tentar chegar a um panorama dos classificados da primeira fase. Num outro texto (mais pra frente) vou dar prosseguimento ao raciocínio, com os enfrentamentos das quartas de final e quem sabem ir adiante…

Vamos lá então…

Grupo A - África do Sul, México, Uruguai e França
Os favoritos aqui, apesar da canalhice do Thierry Henry na repescagem contra a Irlanda, são os franceses. Como segunda força do grupo, levando em conta a Copa das Confederações e o fato de ser país sede, a África do Sul tem chances.
Entre México e Uruguai, acho que os centro-americanos têm tido anos melhores ultimamente, até mais presentes em Copas. Segunda vaga, então, entre os mexicanos e os bafana-bafana. Vaga decidida no jogo de abertura, classificam-se, França em 1° e  África do Sul em segundo.

Grupo B – Argentina, Nigéria, Coréia do Sul e Grécia
Belo grupo dos nossos hermanos. Se a Argentina for sem a velha soberba, se classifica fácil. Nigéria, que sempre complica pros nossos vizinhos, sairá em segundo e a Grécia seria a zebra, dependendo do salto alto portenho e da sua própria capacidade. Difícil. Argentina em 1°, Nigéria em 2°.

Grupo C – Inglaterra, Estados Unidos, Argélia e Eslovênia
Teoricamente, grupo fácil para a Inglaterra. Segunda vaga deve ficar com os norte-americanos, que jogaram de igual para igual com os melhores na Copa das Confederações este ano, apesar da goleada sofrida para o Brasil na final. A surpresa pode ser a Eslovênia, que eu não sei como joga. Inglaterra em 1°, Estados Unidos em 2°.

Grupo D – Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana
A zebra sempre pode pintar e eliminar um grande na primeira fase como a França (então atual campeã) em 2002.  Mesmo assim, aqui a Alemanha passeia… e a segunda vaga fica entre Sérvia e Gana.. Como a Sérvia vem como um país em crescimento em vários esportes desde que a Iugoslávia foi desmembrada (depois foi “Sérvia e Montenegro”, e agora apenas “Sérvia”), eu aposto neles. A África já tem os donos da casa e os nigerianos como representantes na segunda fase. Classificados: Alemanha 1°, Sérvia em 2°.

Grupo E – Holanda, Dinamarca, Japão e Camarões
O “carrossel holandês” foi cabeça-de-chave no lugar da França, e pegou um grupo complicado. Dinamarca é um time europeu médio, mas chato de se vencer. Camarões, o mais tradicional dos times africanos, de bobo não tem nada. Holandeses e camaroneses nas oitavas. Europeus em 1°, africanos em 2°.

Grupo F – Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia
Infelizmente, a busca do penta italiano começa bem. A Eslováquia, pra mim, é uma incógnita e a Nova Zelândia, uma certeza. Aposto “tranquilo” em Itália (1°) e Paraguai (2°).

Grupo G – Brasil, Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal
Aí está… Eu acho, e o Dunga falou ontem, que o fato de não ser um grupo fácil é positivo. Costa do Marfim pela qualidade que apresentou nas eliminatórias e, principalmente, Portugal pela força e tradição, são adversários respeitáveis. Brasil (1°) faz o dever de casa, 9 pontos. Segundo lugar, aposto na “zebra” Costa do Marfim (2°).
Piada do@kibeloco: A Coréia do Sul promete ir ao STJD se o Brasil entrar com reservas contra a Coréia do Norte. Hehehe.. Se a moda pega..

Grupo H – Espanha, Suiça, Honduras e Chile
A fúria espanhola, atual campeã européia, entra como uma das favoritas. Torço para que sejam o 1° do grupo H pois, caso sejam o 2°, já enfrentam os brazucas na segunda fase. Para a segunda vaga, a Suiça – que conseguiu a proeza de sair da Copa de 2006 sem fazer nem tomar gols em 3 jogos (3 empates em 0 a 0) disputa com o Chile. Parelho, e acho que os chilenos, com um futebol mais alegre, mais dinâmico, vencem. Espanha (1°) e Chile (2°).

Feito! Segundo o vidente pai Fábio, os cruzamentos ficariam assim:

1) França x Nigéria
2) Inglaterra x Sérvia
3) Holanda x Paraguai
4) Brasil x Chile
5) Argentina x África do Sul
6) Alemanha x Estados Unidos
7) Itália x Camarões
8) Espanha x Costa do Marfim

Depois os cruzamentos são: 1×2, 3×4, 5×6, 7×8 e assim sucessivamente, com os vencedores se enfrentando nesta ordem.

Estatisticamente (já que futurologia é inútil, vamos ser totalmente inúteis):
Dos 13 europeus, se classificaram 7 (França, Inglaterra, Sérvia, Holanda, Alemanha, Itália e Espanha)
Dos 5 sul-americanos, se classificaram 4 (Brasil, Argentina, Paraguai e Chile).
Dos 6 africanos, se classificaram 4 (África do Sul, Camarões e Costa do Marfim e Nigéria).
Dos 3 centro-americanos, se classificou 1.
Dos 5 asiáticos e da oceania, nenhum classificado.

Razoável. Surpresa, talvez, pelos 4 africanos. Considerando os grupos, entretanto, acho que é por aí mesmo. Das oitavas, os jogos mais complicados acho que serão os da França, Alemanha e  Espanha. Mas isso é esperar pra ver…

Para fechar esta análise, vale lembrar as palavras do profeta Fernando Vanucci, minutos após o tetra italiano em 2006, bêbado no seu programa:


“Se é fácil perder, perder como nós perdemos é muito mais difícil..”

Mais pra frente, vamos tentar fazer a sequencia da Copa. Mas aí sim, será futurologia PURA!!

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Bah.. tô fu (2)

02/12/2009

Quase meio ano depois, aqui estou eu para, conforme prometido, falar das músicas do Pato Fu. Vou fazer um texto por disco, de tempos em tempos.. (prometo demorar menos para os próximos).

Pois vamos começar, do começo. Em 1993 a banda mineira lançava o primeiro disco: “Rotomusic de liquidificapum”

Na minha opinião, um ponto positivo e um negativo. Positivo pois logo no título do álbum e na música de abertura (homônima) eles dizem a que vieram.

O recado é mais ou menos: “A gente faz o que a gente gosta, pode agradar e pode não agradar”. E não na posição anti-pop do Los Hermanos, por exemplo, mas simplesmente “fazemos porque gostamos”.

Eles mesmos, por sinal, se definem, hoje, como uma banda “pop”.

O ponto negativo é que, na minha opinião, muito pouco do que o Pato Fu poderia e pode fazer foi mostrado neste disco. Tem algumas boas músicas, mas certamente outros álbuns são bem melhores.

Vamos a lista de músicas então:

“Rotomusic de Liquidificapum” (John Ulhoa/Fernanda Takai) – 7:34
Pra mim, essa é a música do recado. “É o seguinte. A gente tava afim de tocar assim, e tocamos”. A falta de conexão entre as partes lembra a – falta de – estrutura de Revolution 9, dos Beatles. (A qual, por sinal, eu não gosto).
Rotomusic, entretanto, é até dançante, com algumas coisas de uma banda de rock em palco, bateria pesada, vários “uôôs”… além do tema dos “Flintstones” como música incidental. É uma iniciação ao que viria por aí neste e nos discos seguintes…

“Sítio do Pica-Pau Amarelo” (Gilberto Gil) – 3:23
Nesta que é a primeira “versão Pato Fu” de uma música de terceiros, o início é irreconhecível. Com quase 1 minuto de música entram os acordes “clássicos” do tema do infantil e a letra, exceto o refrão, segue quase como a original… A interpretação e a melodia, no caso, não. Eu acho uma boa releitura. Pra mim, é como se um adulto tivesse feito uma versão para uma canção originalmente tão… lúdica. Deu no que deu.. rsrs..

“O Processo de Criação Vai de 10 Até 100 Mil” (John Ulhoa) – 4:12
Essa música de nome estranhíssimo (“claro, Fábio, por que “Rotomusic” é bem comum…”) é igualmente nonsense. A letra, admito, transcende a minha filosofia. Contudo, a conclusão da música tem a ver comigo pois, no final das contas, é “assim” comigo também (ouça a música para entender).

“Meu Coração É uma Privada” (John Ulhoa) – 2:55
A primeira música do John que eu ouvi foi “Licitação”, do álbum “Televisão de Cachorro” (chegaremos lá..). Foi uma das coisas que me fez não ir a fundo em “Pato Fu” no início. Ele tem um estilo meio.. punk rock, sei lá.. que não me agradava muito. Depois que ouvi mais músicas dele (como esta), passei a entender melhor o seu estilo e até o seu “humor”. Aqui ele canta: “se você encostar… sua orelha no meu peito… vai ouvir um barulhinho chuá, chuá..” pra explicar o título da música. Então tá…

“Minhas Férias” (John Ulhoa) – 4:34
Mais uma música estranha do John, falando do esforço do dia-a-dia, e de que, de uma forma ou de outro a gente tá vivo e merece férias. Ou não?

“Meu Pai, Meu Irmão” (John Ulhoa) – 3:36
Eu realmente não entendo o John. É um leve rock, daqueles bons de acompanhar na air guitar, mas talvez se fosse em inglês faria mais sentido. Ou em japonês… em javanês.. talvez em hebraico… sei lá…

“Hino Nacional do Pato Fu” (John Ulhoa) – 1:16
A letra mais profunda de todas. Numa coisa meio nacional-futebolística, nada melhor do que um hino para celebrar a própria banda. De qualquer forma, essa música é a cara do Pato Fu, hehehe. Alguém consegue imaginar quais são as únicas duas palavras do hino?

“G.R.E.S” (John Ulhoa/Rubinho Troll) – 4:13
Eu conhecia essa música desde muito antes de saber como ela se chamava. E até então não conseguia entender do que eles não gostavam afinal. Dez? Três? Res? Quando eu vi o nome entendi que era um “bem humorado” protesto anti-carnavalesco. Com o qual eu concordo em grande parte.. (ainda não é lei gostar de carnaval, é?)

“Gimme 30″ (John Ulhoa) – 3:50
Mais uma criação de John Ulhoa. Essa, pelo menos, vem com partes em italiano (que ajuda a desculpar a falta de sentido). Sem muito o que dizer, o ritmo é bom, bem Pato Fu, mas a letra.. sei lá, entende?

“O Mundo ainda não está pronto” (John Ulhoa/Rubinho Troll) – 6:13
Essa é a melhor música do álbum. De um modo bem “patofúlico”, é como um protesto para o excesso de importância que coisas externas e secundárias costumam ter na vida da gente, quando o fundamental, e mais simples, é deixado de lado…
A frase inicial já passa a idéia, com ironia e cinismo: “Quem acha que o mundo é tudo na vida infelizmente não sabe de nada“.
Numa segunda parte, a doce voz da Fernanda pedindo mais atenção às coisas simples da vida como uma “menina quente e macia” ao invés do mundo alucinado de hoje..
A verdade é que as coisas boas estão aí, é só aproveitar. Vai ver é mesmo como diz o título da música… “o mundo ainda não está pronto”.

“Eu Sou o Umbigo do Mundo” (Ricardo Koctus) – 3:37
Egocentrismo. De uma forma poética e, claro, irônica, a música fala sobre pessoas que só olham e só pensam em si mesmo esquecendo do resto. Acontece que acabam se tornando invisíveis e se afogam cada vez mais no seu “mundinho particular”. Um bom rock´n roll, com uma temática bem “Pato Fu”.

“Amor em Carne e Osso” (John Ulhoa) – 1:53
Para fechar o disco, “a apresentação oficial” da doce e linda voz da Fernanda Takai(sim, sou fã). A verdade é que todos nós sonhamos com o “‘acordo” que ela fez com o amor, seja ele o sentimento ou uma pessoa “de carne e osso”. Felizes os que conseguem concretizá-lo…

Acho que é isso aí. Olhando agora, apesar da entrada triunfal com “Rotomusic” como faixa 1, acho que o disco melhora muito da metade pro final. No segundo, Gol de Quem?, ótimas surpresas, e o começo do meu arrependimento por ter demorado tanto para descobrir os mineiros…

Aguardemmmmm!!!

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A raposa otimista

28/11/2009

Cinco (inacreditáveis) anos atrás eu escrevi sobre “Lucky Man”, o livro autobiográfico de Michael J. Fox (ver IMDB), no qual ele contava como um garoto do interior do Canadá se tornou um astro, e como a descoberta da doença de Parkinson, na virada dos anos 1990 mudou a sua vida.

Pois eis que eu encontrei, na Feira do Livro de Porto Alegre 2009, o livro que, de certa forma é a continuação daquele. O título, e a mensagem é:  ”Um otimista incorrigível” (“Always Looking up: the adventures of an incurable optimist”, no original, em inglês).

Não é exatamente uma continuação pois, enquanto aquele é estritamente biográfico, este se propõe a refletir sobre a relação do J. Fox com a doença. E não é nada de “ó, estou morrendo, pobre de mim”. Ao contrário.

Como o próprio título diz, o livro é otimista. Mostra como o ator encara, vive e confronta a doença diariamente. A organização dele também não é cronológica, mas em quatro grandes capítulos: Trabalho, política, fé e família.

Na introdução, ele fala da sua rotina com a doença, descrevendo em detalhes assustadores a luta diária para executar, sem o devido controle muscular, atividades corriqueiras como escovar os dentes.

Em relação a trabalho, ele conta como foi a mudança da vida de ator de filmes (como a trilogia De Volta para o Futuro) e seriados (de Caras e Caretas a Spin City) de sucesso para o de presidente de uma fundação que tem, como ele gosta de ressaltar, um único objetivo: fechar. A Michael J. Fox Foundation for Parkinson´s Research (Fundação Michael J. Fox para a pesquisa do Parkinson) foi criada com o intuito de incentivar pesquisas para encontrar a cura da doença. No dia que este objetivo for alcançado, ela fecha.

Na política, ele fala sobre o jogo de interesses que cerca a questão da pesquisa com células-tronco, principalmente nos Estados Unidos. Grande parte do livro, por exemplo, se passa no longo governo George W. Bush, que era contrário às pesquisas. A briga de bastidores, incluindo o episódio no qual ele foi acusado inclusive de fingir ter os tremores da doença para sensibilizar cidadãos e eleitores norte-americanos é um dos pontos mais interessantes do livro.

No que diz respeito a fé, além de falar de si e de sua visão própria de Deus, conta também de sua relação com o judaísmo, que é a religião de sua Tracy Pollan e seus filhos.

Na parte de família ele fala de seus pais, sua infância e “a grande viagem”. Também fala de Tracy, e seus filhos Sam, Aquinnah, e Schuyler e  Esmée e de seus irmãos, principalmente K.C., com quem era muito ligado e quem acabou perdendo cedo…

Eu sei que é piégas, é um lugar-comum e tal. Mas Michael J. Fox merece ser admirado pela forma de encarar o mundo. Portador de uma doença degenerativa que muitas vezes acaba com o ânimo de qualquer um e mudou sua vida completamente. Mudou sim, mas acabar nunca. E, ao contrário do que talvez alguns pensem, o caso dele é bem grave. Não desistir e, mais do que isso, olhar sempre para o que se tem e o que se pode ter, nunca apenas para o ideal.

E, com o perdão do trocadilho, com pouco mais de 1.60 ele pode ser pequeno como um rato, mas é esperto como uma raposa.

Aproveite e leia abaixo algumas
curiosidades sobre o livro

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A raposa otimista – curiosidades

14/11/2009

Como o texto sobre o livro Um otimista incorrigível ficou grande, resolvi fazer um segundo post para as curiosidades sobre o livro e Michael J. Fox

A primeira:

Para os desavisados, Michael J. Fox empresta a voz para o Pequeno Stuart Little nos filmes do ratinho. Então, na foto ao lado, enquanto no fundo à esquerda, nós temos o Dr. Gregory House (sim, é o Hugh Laurie), na mão do menino temos Michael J. Fox. Curioso, né? Ok.. curioso e inútil.. rsrsrs…

A segunda:
Fox fez participações em séries depois que largou Spin City (onde foi substituido por Charlie Sheen). Achei este vídeo que mostra as melhores participações dele em Scrubs. Infelizmente não tem legendas, mas de qualquer forma dá pra ver os “tiques” da doença, que foram usados no personagem (que tinha transtorno obsessivo-compulsivo).

Por fim: saindo da votação que acabaria por eleger Barack Obama, em 2008, Michael J. Fox foi entrevistado por uma estudante de 10 anos. Nada demais se, ao invés de responder a última pergunta (sobre em quem ele tinha votado naquele pleito), ele não tivesse apenas aberto a jaqueta e mostrado a camiseta abaixo.

 

O detalhe é que a menina olhou para a camiseta sem reagir, e não por não ter achado graça… Como J. Fox logo concluiu, alguém com 10 anos em 2008 provavelmente jamais ouviu falar na trilogia, quanto menos entender o “trocadilho” do símbolo…

E ainda sobre a camiseta: no dia do anúncio oficial da vitória de Obama, em janeiro de 2009, eu

escrevi um texto no qual fiz (com – e a partir da – minha própria falta do que fazer) essa mesma brincadeira com o logo (clique aqui).

 

Links interessantes:

Michael J. Fox Parkinson Foundation – http://www.michaeljfox.org/
Michael J. Fox on IMDB – http://www.imdb.com/name/nm0000150/

Textos do Impressão Digital relacionados:
Barack to the Future
Uma raposa sortuda/


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Update!!!

Michael J. Fox foi o entrevistado das páginas amarelas da revista Veja esta semana. Leia aqui a entrevista, (obs: a revista erra ao dizer que o livro lançado é a biografia)

Como destaque, eu achei fantástico o que ele disse sobre saber conviver com uma doença ou condição de vida incurável:

O mais importante é aprender a viver o momento. Tenho uma teoria: imagine uma pessoa doente ou que sofreu um acidente e vive com medo de que o pior cenário se materialize. Esse medo se torna uma obsessão que toma conta de sua mente. Se, por infelicidade, o pior cenário se tornar real, essa pessoa viverá o mesmo drama duas vezes. Claro que devemos ser realistas e aceitar as circunstâncias, mas acho que, mesmo diante de uma situação dramática, há muitos motivos para ter pensamentos positivos .

E na entrevista ele também lembra dos casos de Muhammad Ali (outro portador de Parkinson), Lance Armstrong e Christopher Reeve (que ficou paraplégico num acidente de cavalo), com quem conviveu muito nos últimos anos.

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De repente 31…

02/11/2009

É amigo… 31 anos..

Na verdade, o aniversário foi quarta-feira passada, já é notícia velha. Mas, por questões de agenda, eu acabei celebrando entre amigos apenas ontem. Como era domingo de feriadão, nem todos os convidados puderam parecer(e nem por isso são menos especiais).

Foi ótimo, muito bom mesmo. Na mesa com alguns amigos de muitos anos (alguns com quase duas décadas de amizade) e uma  muito recente mas, sem dúvida, já bastante especial.

É viagem, mas eu adoro “receber” amigos. Não é nem exatamente pelo aniversário, mas por encontrar algumas pessoas especiais na correria do dia a dia. (Acho até que eu já falei isso ano passado, ehehehe).

O ruim de fazer 31 anos é que, talvez por que a vida já está tomando um rumo e, claro, por ser com amigos de tempos, as histórias são sobre o passado e não sobre o futuro, hahaha.. E pior, não são questões de cinco ou seis anos atrás. Geralmente, dez, quinze ou mais. Lembrar de coisas e “tecnologias” que não existem mais, ou falar de como se fazia sem algumas coisas banais de hoje.

Não é nem que eu me sinta o Matusalém por causa disso, não. Ao contrário, isso serve para me lembrar que, ainda que ainda seja jovem, eu não cheguei aí ontem, hehehe.. Já estou na estrada faz um tempinho…

O 31° ano de vida foi incrível. Até diferente do 30°, que também foi muito bom, mas este foi um ano de amadurecimento de lados práticos da vida. Se nos 30 eu celebrava a conquista da tão buscada auto-estima, nos 31 eu celebro o encaminhamento da vida profissional, a possibilidade de colocar em prática toda teoria do meu potencial. Entre erros e acertos, acho que estou indo bastante bem.. Aprendendo muito, é verdade, mas bastante bem.

Os 32 (o ano que iniciou semana que vem e vai até a Feira do Livro de Porto Alegre de 2010) será, no melhor estilo “Campanha da CNBB”, o ano do lado pessoal. Sem descuidar do que eu conquistei até aqui no profissional, no pessoal (e sem descuidar da saúde), vou me focar no pessoal.

Sem teorias, sem porquês sim ou porquês não. Eu sei a direção, e o caminho eu vou encontrar.

Era isso. Este texto não tem a intenção de ter pé ou cabeça. É apenas um pequeno reflexo, balanço, do último ano. Aos meus amigos que estiveram presentes ontem, meu muito obrigado. A estes e aos que não foram (em parte por ser um domingo de feriadão) meu mais sincero “tamo aí galera!!”.

E, como já passou o dia da criança.. Feliz Natal pra todo mundo!!

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O dia que acabou com a piada

03/10/2009

Pra ser sincero, nem eu acreditava.

Quando o Rio se candidatou para sediar as Olimpíadas de 2004, o slogan era:

Olimpíadas 2004: Rio candidato

… e uma brincadeira completava:

Olimpíadas 2060: o Rio ainda tenta!

Ontem, vendo a decisão do COI, eu achava, como a mídia brasileira chegou a afirmar, que Chicago fosse a favorita. Quando a cidade americana, berço de Barack Obama, foi a primeira eliminada, eu pensei: “ôpa.. êpa.. peraí..quem sabe? ? ?”

As razões eram simples. O COI sempre procura alternar suas sedes. 2008 foi em Pequim (talvez a cidade mais próxima de Tóquio possível, considerando as com envergadura olímpica) e 2012 será em Londres (ridiculamente perto de Madri). (Como disse “auspiciosamente” um amigo meu, Tóquio ainda tem a desvantagem de ser longe pra caramba!!).

Pois o Rio ganhou. O Rio de Janeiro teve uma sexta-feira baiana, mas aqui no sul o dia foi praticamente normal. Via twitter e na imprensa geral é que foi possível ler muitas pessoas bradando o apocalipse “olimpíadas da roubalheira”, “lugar de olimpíada é na Europa”, “olimpíadas apenas maquiam os problemas do Brasil”, “arrependei-vos, aí vem o Paulo Coelho de ponta-cabeça!”.

Ok, quanto ao último, eu concordo.

Mas de resto acho que é síndrome de vira-lata. Vai ter roubalheira? Com certeza vai. Tanto na preparação para os jogos de 2016 quanto na já confirmada Copa de 2014. A questão é: se não houvesse jogos nem Copa, também haveria roubalheira.

Eu acho que o sentido das duas conquistas está no fato de que o Brasil tem condições de sediar eventos deste porte. Segurança? Não sei. Mas infra-estrutura, se não tem, a FIFA e o COI confiam que terá. Além, é claro, de um peso político já mais relevante no cenário mundial.

Eu não estou esquecendo do tráfico de drogas do Rio de Janeiro, das chacinas e da falta de segurança. Eu só acho que se for pra esperar esses problemas se resolverem para fazer algo deste tipo, fecha o Rio de Janeiro por que isso não vai acontecer.

Não estou dizendo que agora tudo vai dar certo, o Brasil vai entrar no Primeiro Mundo e não-sei-o-que. Estou dizendo que dez anos atrás, por exemplo, o Brasil sediar uma olimpíada era motivo de piada. Hoje é realidade.

Eu acho que os que gostam de reclamar têm que mudar seu ponto de vista. Não está bom? Não, não está bom. Mas está melhor do que nunca, e, ainda que por caminhos tortuosos, a tendência é melhorar.

Até parece que os jogos serão amanhã… Não, serão em 2016. Eu estarei às portas dos 38 anos de idade. O país será outro, nós seremos outros, o esporte brasileiro será outro. (O problema é que o presidente, se tudo se encaminhar como está, será o mesmo, de volta).

Falando em esporte. O valor que os jogos podem ter para o desenvolvimento do esporte brasileiro são incalculáveis. Copa do Mundo é futebol, e de futebol o Brasil vai bem.

Agora, esportes olímpicos o Brasil vai mal. Tirando o vôlei, vela, judô, atletismo (algumas vezes)  e uma ou outra coisa eventual, vamos muito mal. E esporte é cidadania, é saúde, é educação, é auto-estima. Por que não acreditar que temos, ao sediar uma olimpíada, a chance de gerar uma onda de investimentos em esporte que depois se perpetue? A partir do momento que começar a dar dinheiro não para.

Foi assim com o vôlei nos anos 80, mas não foi assim com o tênis na era Guga Kuerten. Aí nós já temos um bom e um mau exemplo. Temos 7 anos até 2016, e eu prefiro acreditar.

E a emoção no anúncio de ontem, em Copenhagen, foi significativa. Na minha opinião, ainda que o elemento político seja indissociável, a emoção de Lula e Pelé com a vitória ontem foi, eu acredito, de fundo pessoal. Tenho ressalvas pessoais a ambos, mas é inegável que eles estavam presentes num momento que muitos, como eu já repeti, consideravam – e consideram – inviável, impossível, ilógico.

E não falo do presidente e do multi-campeão de futebol. Falo de dois brasileiros que já estiveram aqui onde nós estamos, de birra com os governantes que não levavam o Brasil a lugar nenhum.

E já que eu falei em twitter, o senador e ex-ministro da educação Cristovam Buarque fez uma ressalva, essa sim, bastante apropriada:

@Sen_Cristovam Há dinheiro para a Copa, Olimpíadas e PAC. Não há desculpas para não haver dinheiro para a educação - Perfeito!

É isso. Parabéns Rio de Janeiro, parabéns Brasil. Não conquistamos nada se não a chance de fazer deste um país melhor, um povo melhor. Espero que aproveitemos!

Até o Rio 2016!!

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Por que sim não é resposta

25/09/2009

Bill Bryson estava sobrevoando o Oceano Atlântico. Distraído, olhava pela janela do avião, pensando no que tinha para fazer naquela viagem. De repente, lá embaixo, uma coisa lhe chamou a atenção. No ponto onde estava, tudo o que via era a água salgada do mar. Foi então que ele reparou que não sabia algo aparentemente óbvio. Por que cargas d´água – com o perdão do trocadilho – a água do mar é salgada?

Ao chegar nos Estados Unidos, resolveu se informar. E, desta dúvida aparentemente trivial, nasceu “Breve história de quase tudo” (A short story of nearly everything, Companhia das Letras, 2005). Em dois anos de intensa pesquisa, Bryson decidiu explicar o óbvio, para leigos.

Como sempre acontece na ciência, a resposta a uma pergunta traz novas perguntas. Respondida a questão do sal, pergunta: Qual a idade da Terra? Como se sabe?

A resposta dessa pergunta leva o leitor a um passeio pela história da geologia, que é o ponto de partida para uma longa viagem na companhia de diversas personalidades da história da ciência. Vejamos alguns, mais ou menos ordenados por área de atuação: Newton, Halley, Hubble, Einstein, Darwin, Mendel, Richter, Celsius, Fahrenheit, Kelvin, Mendeleev, Lavoisier, Pasteur, Parkinson e Linus Pauling.

Da idade do planeta para a geologia. Da geologia para a química, e da química para a meteorologia. Da meteorologia para o espaço. Distâncias, idade, forma, órbitas, presença ou não de atmosfera.

Vencido – da forma que é possível – o espaço, vamos para o nano-mundo. Uma célula tem, em média, aproximadamente dois centésimos de milímetro e, mesmo assim, é formada por zilhares de moléculas. Outra: no núcleo desta célula (portanto, num espaço que corresponde a uma pequena parte de dois centésimos de milímetro) existem moléculas de DNA que têm, cada uma, aproximadamente dois metros de extensão. Como isso é possível? Essa é a legítima pergunta cuja resposta é: só Deus sabe…

O que faz com que, até hoje, de todos os confins conhecidos do universo, apenas a Terra tenha vida ? Aliás.. o que define vida? Neanderthal, Cro-Magon, homo sapiens. O homem veio do macaco?

Um trecho interessante, e que dá a noção de o quão desimportante é a presença humana para o planeta, é a seguinte:

“É quase impossível para nós, cujo tempo na Terra se limita a umas poucas décadas animadas, conceber quão remota foi a explosão cambriana. Se você pudesse voltar no tempo à velocidade de um ano por segundo, levaria cerca de meia-hora para atingir a época de Cristo, e um pouco mais de três semanas para retroceder até os primórdios da vida humana. Mas seriam necessários vinte anos para chegar à aurora da vida. Ou seja, aquilo já faz muito tempo, e o mundo era um lugar diferente”(p.332).

Em outra parte:

“Se você imagina os cerca de 4,5 bilhões de anos da história da Terra comprimidos em um dia terrestre normal, a vida começa muito cedo, em torno das quatro da madrugada, com o surgimento dos primeiros organismos unicelulares simples, mas depois não avança mais nas próximas dezesseis horas. Somente quase às oito e meia da noite, com cinco sextos do dia já decorridos, a Terra consegue exibir ao universo algo além de uma cobertura irrequieta de micróbios.

Finalmente as primeiras plantas marinhas aparecem, seguidas vinte minutos mais tarde da primeira medusa e da enigmática fauna de Ediacaran (…). Às 21h04 entram em cena os trilobites (a nado), seguidos mais ou menos imediatamente pelas criaturas bem formadas de Burgess Shale. Pouco antes das 22 horas, plantas começam a brotar em terra firme. Logo após, faltando duas horas para o fim do dia, despontam os primeiros animais terrestres.
Graças a uns dez minutos de bom tempo, Às 22h24 a Terra é coberta pelas grandes florestas carboníferas cujos resíduos fornecem todo o nosso carvão, e os primeiros insetos com asas se fazem notar. Os dinossauros entram em cena pouco antes das 23 horas e dominam por cerca de 45 minutos.

Faltando 21 minutos para a meia-noite, os dinos desaparecem, e a era dos mamíferos começa. Os seres humanos emergem um minuto e dezessete segundos antes da meia-noite. Nesta escala, toda a história registrada não duraria mais que alguns segundos, e a vida de cada um de nós não duraria mais que um instante.”

É mole?

O livro não pretende trazer respostas definitivas – até por que isso nem seria possível. Contudo, ele se torna uma pequena enciclopédia que explica, de forma leve e profunda, como diabos (com que sorte e com que azar) viemos parar aqui.

Para quem gostaria de saber mais sobre tudo, mas não sabe por onde começar, eu o recomendo. Eu mesmo li ele lentamente, numa média de 30 páginas por dia, sempre que possível.

É o tipo de livro que muda.. ou, digamos, aperfeiçoa, a visão que se tem de mundo. Seja qual for o nosso entendimento sobre a vida, “Breve história” apresenta tantas nuances que é impossível não entender melhor ou repensar alguns conceitos que se tem.

Como o próprio livro diz, temos a mania egocêntrica de achar que a vida tem uma razão, e que a razão do universo é o ser humano. Arrogantemente, muitas vezes acreditamos que a nossa existência enquanto seres humanos é o objetivo e o  sentido do cosmos.

Sem ter esse objetivo o livro estraçalha essa presunção. Somos apenas um estágio. Perigoso e a perigo; nocivo e salutar; eterno e efêmero. O que importa é que nós somos hoje. Não fomos ontem e não se sabe se seremos amanhã (aliás, muito provavelmente não seremos).

Mas afinal, por que existimos?

A resposta mais próxima da realidade, no fim das contas, é a simples e inexplicável: Por que sim.

E, neste caso, “por que sim” é sim, a resposta.

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Nove/Nove/Nove!!!

09/09/2009

Vejam só a que ponto nós chegamos!

Bom. Pelo menos, vejamos a que ponto eu cheguei (pra efeito desse blog, pelo menos, é o que importa).

Nove de setembro de 2009. Para a grande maioria dos mortais, significa que está é uma quarta-feira como qualquer outra. Um dia 9 de setembro que vem depois de um dia 8 e antes de um dia 10. De dois mil e nove? Ah sim, legal. E daí?

Para meia-dúzia de matemáticos e/ou desocupados, é uma data cabalística cheia de sentidos misteriosos que explica a dicotomia entre o bem e o mal, entre a criação e o fim do mundo.

Para mim, é uma data simbólica, que vai ficar marcada.

Nove Assessoria em ComunicaçãoPor quê? Por alguns motivos. O mais óbvio, e talvez o mais emblemático deles esteja aqui: http://www.novecomunicacao.com.br

A minha empresa. Minha e de um grande amigo e sócio, é bem verdade. O caso é que depois de muitos anos de idéias, projetos e idealismos, eu botei o pé no chão e estou começando a andar. É apenas o começo deste caminho, mas é um começo bem promissor. É uma atividade que me deixa muito bem, muito feliz e que, no fim, parece que eu nasci para fazer (não sei se pelo talento, mas certamente pelo prazer).

A minha segurança pessoal. Definitivamente, essa eu conquistei. Tenho dias mais, outros menos, mas no geral posso dizer que estou bem, estável e tranquilo. Os leitores mais antigos do blog têm uma noção de o quão longa foi esta caminhada, mas eu consegui! E chegar aqui, entendendo e me entendendo da forma como estou, faz toda a dura subida ter valido a pena.

A subida vale a pena. Isso virou meio que uma filosofia de vida para mim. Eu tenho procurado traçar objetivos grandes, ousados, distantes. Audaciosos até. Mas tento, se não enxergar, pelo menos construir o caminho até lá. Alguns caminhos acabam me levando para outros lados, mas tudo tem, graças a Deus, dado certo no final.

Mesmo quando o caminho, no fim das contas, não é o que a gente esperava no início, o lugar para onde ele leva é sempre melhor do que o lugar de onde partimos.

Eu tenho um grande objetivo na vida. Mais um. É uma dessas grandes oportunidades que, às vezes, caem do céu quando a gente menos espera. Acaso? Presente divino? Destino? Mega Sena?

Nenhuma das anteriores. É “apenas” vida, no melhor sentido da palavra. E como tudo na vida, ao mesmo tempo em que acontece naturalmente, é preciso.. como diria Roberto.. Saber viver.

Eu sei viver. E sei que vou conquistar tudo o que eu quero. Na vida, tudo dura o tempo que merece. Por isso, eu quero – e acredito – que os frutos que estou plantando neste dia 9 de setembro de 2009 durarão, digamos… para sempre.

E, num momento “slogan do McDonald´s”: Amo muito tudo isso.

Um bom dia 9 de setembro de 2009 para todos e, em especial, para nós!!

(obs: acho que acabaram os trens…)