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Michael Jackson (1958-2009)

27/06/2009

A notícia da semana foi a morte do Michael Jackson. Talvez comercialmente ele já estivesse morto há mais de uma década, e nem dá para dizer que a morte dele foi exatamente uma comoção mundial.

O que marca a morte de Michael Jackson não é o que ele é hoje, mas o que ele foi, quem ele foi e o que ele representa. É como se se dissesse: “Lembra do cara que, na infância, era dos Jackson 5, depois na carreira solo gravou Thriller – o disco mais vendido da história – e ainda fez o histórico clipe de Black or White? Pois é.. morreu.”

É claro que essas são três das milhares de curiosidades, características e dos diferenciais de Jackson. O “moonwalk”, por exemplo. Eu já vi e cansei de ver, mas agora ele morreu e eu ainda não sei como ele fazia. Fato!


Michael Jackson – Billie Jean

Eu era criança, mas lembro que tive, na época, o Thriller. Este não só foi como é e, considerando a superação da tecnologia, será para sempre o disco mais vendido da história. Não estou falando de produto fonográfico (pois certamente existirão outros que poderão vender mais), mas o DISCO mais vendido da história é o Thriller.

Acha pouco? Num mundo com Elvis, Beatles, Stones e qualquer outra coisa que se pensar. O disco mais vendido é de 1982. Nenhuma das maciças campanhas publicitárias sobre lançamentos musicais dos anos 90/2000 foram capazes de superar a marca. Nenhuma!

Michael Jackson é um símbolo dos anos 1980. A música e a cultura daquela época foi fortemente influenciada pelo seu estilo. Tanto é verdade que o cinema já usou Michael Jackson para fazer referência aos anos 1980 em 2015:


Cena de De Volta para o Futuro 2 (e o que vocês esperavam?)

Digam o que quiserem, mas ele foi, sem dúvida, um grande cantor e um excelente dançarino. O último showman vivo. Aliás, talvez o único de sempre.  ”O rei do pop” foi o maior de uma época, e não porque alguém queria dizer, mas porque ele era.

A comparação que era feita em vida entre ele e Madonna, por exemplo, é historicamente inócua. Em algumas épocas Madonna fez tanto ou mais sucesso que Michael Jackon, sim. Mas sua relevância histórica acaba aí.

Quem não morria de medo do clipe de Thriller? Da insuperável risada maquiavélica de Vincent Price no final? (Bom, ok.. talvez quem tivesse mais do que 5 ou 6 anos não tivesse medo disso).


Michael Jackson – Thriller (letra)

Muitos dirão que “todos viram santos ao morrer”. “Mais um texto em homenagem só porque ele morreu”. Eu responderei: sim e não.

É claro que não dá para ignorar os mistérios de Michael Jackson. Como alguém vira branco? Afinal, ele era culpado ou inocente das acusações de abuso sexual infantil?

Como sempre, em nenhum momento eu estou dizendo que ele era santo, e nem acho que isso seja o que deve passar para a história. Mas os erros não superam e definitivamente não eliminam os acertos. Não quero entrar aqui numa discussão sociológica, então deixo essa parte com cada um.

No auge do sucesso, Michael Jackson foi um grande amigo do beatle Paul McCartney. Tanto é verdade que no próprio Thriller eles gravaram “The girl is mine” (a garota é minha) em que ambos debatem e duelam sobre o amor de uma garota. É uma bela música, quem tiver curiosidade eu sugiro que procure (Não achei o clipe no Youtube).

Durante anos, Michael Jackson foi proprietário dos direitos sobre as músicas dos Beatles. Eu não sei bem se ele ainda é, nunca tive uma informação definitiva sobre isso. Também já ouvi dizer que ele e o Paul teriam rompido relações por isso. Pode ser que sim, não sei.

Mas nem só de Thriller viveu Michael Jackson. Longe de ser um artista de um disco só, foram inúmeros os sucessos em mais de 30 anos de carreira solo. Vale lembrar dois clipes em especial: um pelo marco que representou e o outro pela mensagem.

O primeiro é o já citado Black or White, com a participação do super-astro-meteóricamente-ostra Macaulay Culkin. O menino, aliás, acabaria vivendo na vida real o nome – em português – do maior sucesso de sua carreira: “Esqueceram de Mim”.


Michael Jackson – Black or White (letra)

O segundo, talvez seja o que fez menos sucesso de tudo o que eu mostrei até aqui. Contudo, é um clipe belíssimo de uma música fantástica. Antes da febre “ecologicista” atual, a música chamava a atenção para a devastação da natureza, num vídeo muitas vezes impactante. O nome é simplesmente “Earth Song” ou “A canção da Terra”.


Michael Jackson – Earth Song (letra)

Uma curiosidade aos desavisados: a música da abertura do Video Show, da Rede Globo, é do Michael Jackson. Chama-se: “Don´t stop til you get enough” (veja aos 2:33).


Michael Jackson – Don´t stop til you get enough (letra)

Por fim: “We are the World”. Uma constelação de artistas cantando pelo continente pobre. Música composta por Michael Jackson e Lionel Richie, num evento organizado pelo próprio Jackson.


Michael Jackson – We are the World  (letra)

É impossível resumir Michael Jackson em um texto. O mundo perde sim, um dos seus grandes talentos. É uma era da música que se acaba. O símbolo de uma geração que se vai.

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Um, dois, três, Jaaaaaaa!!!

22/06/2009

Era uma vez uma garota chamada Julia Nunes. Neta de portugueses, 18 anos. Morando numa cidadezinha do interior ela passa 8 meses do ano estudando na capital e 4 em casa. Para se comunicar com os pais ela usa o que tem: A webcam do quarto que divide com as amigas na faculdade.

Depois de várias conversas via web, ela decide começar a fazer covers de músicas famosas tocando violão e uquelele (um parente próximo do nosso “cavaquinho”). Algo diferente, e para mostrar aos pais que está tudo bem longe de casa. E entre os covers vem Queen, Beatles, Weezer… E assim, quase por acaso, o mundo ganha mais um talento.

Apesar do nome e da ascendência, Julia é norte-americana e vive no interior do estado de Nova York. Aos 20 anos, tem 2 CDs de composições próprias gravados (por uma gravadora própria, independente) e mais de 100 mil fãs no youtube. Ela faz shows por todos os Estados Unidos e já esteve também na Inglaterra.

Sem qualquer publicidade ou apoio de gravadora. Apenas vontade, sorte, youtube – sinal dos tempos – e, é claro, talento.


Julia Nunes – Accidentally in Love (Counting Crows)

Ela faz todos os sons. Toca a percussão, a “flauta”, o uquelele e faz os efeitos vocais. No fim do vídeo, aparecem ela e a irmã comentando um vídeo que fizeram no Youtube em homenagem a ela.

Em outro vídeo, da música “It´s raining men” (“Estão chovendo homens”) , ela abre dizendo: “Bom, esta certamente não é uma canção sobre monogamia”:


Julia Nunes – It´s Raining Men (The Weather Girls)

Curiosidades:  O texto no início do vídeo conta que ela tinha recém feito 19 anos, e ao final celebra os 419 fãs que tinha na época no Youtube (os mesmos que hoje passam de 100 mil).


Julia Nunes – The Beatles – All My Loving

Neste ela faz um agradecimento aos fãs, mostrando, no decorrer do vídeo, cartas e mensagens recebidas de diversas partes do mundo (e isso não é exagero).

Por fim, duas composições próprias.


Julia Nunes – Maybe I Will

O clipe oficial de Maybe I Will. O único vídeo que não se trata basicamente de ela e os instrumentos. Foi feito apenas com fotografias, na técnica que se chama “stop-motion”, muito em moda atualmente na internet. As fotos levaram dois dias para serem tiradas. No final, ela e a colega de quarto que tiraram as fotos comentam alguns detalhes…

Também dá pra notar que numa parte do vídeo as fotos foram ordenadas de trás pra frente, pois não tem como ela “desfazer” o que ela “desfaz”.. hehehe…


Julia Nunes – First Impressions

Essa foi uma das primeiras músicas compostas por ela. O vídeo é de 2007, e logo no início ela avisa que ainda não escolheu o nome. Depois ela passaria a chama-la de “First Impressions” (Primeiras Impressões).

Bom, é impossível colocar todos os vídeos. Acho que até aqui dá pra ter uma idéia do carisma, da criatividade e, é claro, do talento da Julia. Além de tudo, ela é muito bonita. E é uma beleza simples, natural, e que se mantém nos diversos “momentos”.

Como eu comentei, ela tem 2 CDs gravados e mais de 100 mil fãs inscritos no seu canal do Youtube. Os CDs, aliás, têm os criativos nomes de “I wrote these” (”eu escrevi estes”, para dizer que é de músicas próprias) e  ”Left, Right, Wrong” que, em tradução livre seria “Esquerdo, Direito, Errado”, num trocadilho com os dois sentidos da palavra “right”.

Quem tiver interesse, pode procura-la no site dela (www.julianunes.com), no Youtube (www.youtube.com/jaaaaaaa), no Facebook ou no MSN Spaces.

Ah sim. Num dos vídeos do Youtube ela explica por que “jaaaaaaa”. Basicamente era um apelido de escola, “pegando o meu nome e tirando as letras do meio”.

No fim, é como dizia uma antiga propaganda: nada substitui o talento.

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Cada um por Si(monal)

15/06/2009

Wilson Simonal. Um artista como poucos. É claro que a minha avaliação pode ser e é prejudicada por eu só ter conhecido ele de ouvir falar. Quando eu nasci, no fim dos anos 1970 ele já não fazia mais sucesso. Não que não merecesse, estivesse morto ou qualquer coisa assim, mas um provável e infeliz engano o levou ao ostracismo nacional em vida..

Um cara divertido. Simplíssimo, com cara de malandro, jeito de malandro e ingenuidade de malandro. Com uma voz surpreendente e um carisma que poucas pessoas no mundo têm, Wilson Simonal regia massas com uma facilidade incrível.

No palco, enquanto dizia para uma parte da platéia cantar “assim” e outra cantar “assado” (e sempre ao “alho e óleo, sem champignon”. Ou seja, com leveza, sem berrar) ele não estava controlando ninguém. Estava conversando com uns amigos, talvez brincando de jogral. O detalhe é que eram, digamos, 30 mil “amigos” lotando o Maracanãzinho…

Pilantragem. Uma mistura de samba com sei-lá-o-que, que Simonal transformou num estilo musical. As músicas não pareciam lá muito desenvolvidas artisticamente falando, mas eram dançantes e tinham a honra de disputar mercado com o ié-ié-ié de Roberto Carlos e companhia.

“Meu limão, meu limoeiro”, “Mamãe passou açúcar em mim” (com a sensacional versão em inglês: “Mother sprayed sugar on me”), “Nem vem que não tem” e, é claro, a famosa versão monossilábica de “País Tropical”, de Jorge Benjor, são alguns dos grandes sucessos do artista.

Às vezes é chato e pode até soar preconceituoso, mas Simonal é mais um dos vários artistas e personalidades (do Brasil e do mundo) que, antes de qualquer coisa, era, sempre foi e – até que o pensamento geral mude – continuará sendo… um negro.

Apesar e com consciência disso, Simonal fazia um sucesso estrondoso na virada dos anos 1960 aos 1970. Ele mesmo “brincava” com a questão do preconceito, mais para não deixar esquecerem que ele era sim, um negro, e nem por isso menos talentoso ou adorado.

Fez um dueto histórico com a cantora americana Sarah Vaughan e prestou uma homenagem ao então recém-assassinado Martin Luther King (numa canção que dedicou ao filho, Wilson Simoninha). Ele não chegava a ser um ativista, mas nunca esqueceu suas raízes e de sua origem pobre.

Foi convidado e aceitou viajar  com a seleção brasileira para a Copa de 1970, no México, como amuleto. Em 1971, entretanto, foi expurgado.


Trailer do documentário:
“Simonal: Ninguém sabe o duro que dei”

O fato: Simonal ganhava rios de dinheiro. Tinha patrocínios polpudos e fazia shows arrasadores. Num determinado dia, ele descobriu que estava sem grana, zerado, quebrado. Não teve dúvidas: mandou uns “amigos” darem uma coça no seu contador.

Os tais amigos – que prestavam serviço também ao Dops – fizeram o solicitado. Torturaram o contador até que ele confessasse (sinceramente ou não) o roubo.

O problema: a esposa do contador deu queixa na Polícia Civil. Simonal acabou processado.

O erro: no depoimento ao delegado, Simonal disse que tinha amigos no Dops, como quem quer dizer que nada aconteceria a ele.

Agravantes: o sucesso “alegre e despreocupado” em pleno AI-5, a viagem com a vitoriosa seleção brasileira de Médici ao México em 1970 e o ufanismo de músicas como “País Tropical” não depunham exatamente a favor da sua neutralidade do cantor.

Verdade ou mentira? Agora não vem mais ao caso. O fato é que, no auge da repressão pós-AI-5, aquele foi o comentário mais infeliz possível. Zilhares de pessoas sumiam na mão do Dops, e a nova fama de dedo-duro acabou instantaneamente com a carreira de Simonal.

No primeiro show após o depoimento, foi vaiado e não conseguiu cantar. Foi limado, “esquecido”. Nem a esquerda, nem a classe musical, nem a direita. Ninguém levantou o dedo para contestar nada. Dali em diante, Simonal foi ignorado solenemente pelas massas e por todos.

Um dos grandes destaques do documentário é a entrevista exclusiva com o tal contador. O filme não se propõe a explicar ou defender um lado, mas a mostrar o que aconteceu antes, naquele momento e nos anos que se seguiram até a morte do artista, aos 62 anos, em 2000.

Eu nasci poucos anos depois disso, e mesmo assim levei ainda outros 30 para conhecer – superficialmente – Wilson Simonal.

Nos anos 1990, Wilson Simoninha – o filho – começava a fazer sucesso. Simonal ia aos shows sempre escondido, pois não queria prejudicar a carreira do filho… Aquilo que poderia ser o final feliz de uma carreira de sucesso (curtir o sucesso dos filhos) acabou sendo um final melancólico e, de qualquer forma, injustificado…

Na minha opinião, se fosse verdade o fato de ele ser informante do Dops, por que o governo também o deixou no ostracismo? E, como bem lembra Chico Anysio no filme, alguém conhece alguém que conheça alguém “entregue” pelo Simonal?

Outra coisa: existe mais alguém que tenha sido limado do convívio social em vida? Outro dedo-duro, torturador, político ou militante de esquerda? Artista, talvez? Acho que não… por que SÓ Simonal? Mesmo depois da ditadura, com anistias e parafernalhas, todos voltaram.. menos ele. Por quê?

Nos anos 1990 ele até conseguiu um documento do governo atestando não haver registros de seu nome nos arquivos do Dops e demais órgãos de repressão… mas aí, além de ser tarde, ninguém deu bola.

“Vivemos em uma imprensa que toma
o indício como sintoma,
o sintoma como fato,
o fato como julgamento,
o julgamento como condenação
e a condenação como linchamento”

Esse comentário de Artur da Távola no documentário mostra bem a pressa com que a imprensa brasileira – de ontem e de hoje – procura “resolver” os problemas do país. No caso de Simonal a culpa nem foi só da imprensa (ou do Pasquim, o qual Ziraldo e Jaguar tentam defender), mas parte da responsabilidade cabe a ela sim.

No documentário alguns amigos se dizem arrependidos de não ter levantado a voz a favor de Simonal. Eu acho compreensível, levando em conta o clima pesado e bipolar que o Brasil vivia na época. Vozes desconhecidas e isoladas dificilmente conseguiriam mais do que prejudicar a si próprios…

Os filhos (Simoninha e seu irmão, Max de Castro, também presentes do documentário) ressaltam que agora não importa encontrar “culpados”. A vida segue e, em todo o caso, Simonal já se foi…

Fui assistir ao documentário na semana passada com uma grande amiga que não gosta desse tipo de filme, mas disse que adorou “Simonal”. Dirigido por Claudio Manoel (sim, o “Seu Creysson do Casseta e Planeta), Micael Langer e Calvito Leal, “Simonal: Ninguém sabe o duro que dei” conta bem a história do biografado.

Depoimentos de Pelé, Chico Anysio, Toni Tornado, Nelson Motta, Miéle, Jaguar e Ziraldo, entre outros, fazem do filme um importante registro de uma parte da história do Brasil e da música brasileira.

Ele não era “da canhota”, como se referia – ironica e, talvez, irresponsavelmente – aos “da esquerda”. Também não há nada que prove -além de depoimentos de interessados – o fato de que ele seria “da direita”. Ele era, acima de tudo, Wilson Simonal.

Ingênuo? Mau caráter? No fundo, nunca se saberá.

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Ler deveria ser proibido

11/06/2009

Hoje estou sempre lendo 3 ou 4 livros ao mesmo tempo. Me dedicando sempre a um, mas três ou quatro no meio. Sempre pego um livro novo antes de terminar todos. Já tentei fazer diferente, mas não consigo, hehehe….

Neste momento eu estou lendo, “oficialmente”: uma biografia do Imperador Augusto (em inglês); “Mein Kampf” (o famoso livro doutrinário e pseudo-auto-biográfico de Adolf Hitler); “Caos” (de James Gleck). Além desses, tenho parados no meio: “Insultos Impressos” (sobre a história da imprensa brasileira na época da independência) e “Uma breve história sobre tudo”, que é um livro muito interessante que tenta colocar tudo (ciência, natureza, curiosidades) numa linguagem didática e quase lúdica.

Legal, né? Talvez.. mas também é perigosíssimo. Faz um tempo que eu vi um vídeo que me alertou para os perigos da leitura. Eu nunca tinha pensado nisso, e realmente fiquei preocupado. Tentei parar. De verdade, tentei… mas é inútil. É por isso que eu chamo de vício, é mais forte do que eu.

Depois do texto sobre como comecei a me viciar, fiquei preocupado com a possibilidade de outros acabarem indo pelo mesmo caminho, estimulados pelo prazer que eu expresso ao falar disso. Por isso resolvi colocar o tal vídeo aqui, chamando muito a atenção para os perigos desse vício tão perigoso.


Já imaginaram???? (pra quem quiser o texto, clique aqui)

Noves fora, agora é sério.

Leiam! Não por obrigação ou porque quem lê seja melhor do que quem não lê. Não. Leiam porque é bom. Faz bem pra alma, pra auto-estima e para a vida. Não precisa ler de tudo. Algumas pessoas lêem só romances, outras apenas livros técnicos, outros clássicos da literatura.

Não importa. Como dizia uma antiga campanha de televisão (que eu acho que já citei aqui): “Ler também é um exercício”.

Ler nos faz ter contato com outras visões de mundo. Mesmo que o livro não fale sobre isso, a forma de uma pessoa (no caso, o autor) se expressar mostra, ainda que indiretamente, seus valores. E é tendo contato com valores distintos (e não necessariamente diferentes) aos nossos que compreendemos melhor os mundos e, é claro, as diferenças.

No vídeo citado, encontram-se, entre outras pessoas, Nelson Mandela, Steven Spielberg, Albert Einstein, Jorge Amado, Martin Luther King, Stephen Hawking (o físico) e Mahatma Gandhi.

Nenhuma dessas pessoas acordou um dia e pensou: “Eu vou ali mudar o mundo e já volto”.

Não. Elas simplesmente aconteceram. É claro que algumas queriam fazer cada vez mais o melhor de si, outras queriam defender o seu povo e suas crenças, e outras ainda “apenas” tinham um talento incrível para a escrita ou para as artes. Contudo, antes de querer fazer o melhor para si ou para os outros, ou ainda antes de ser bom na escrita eles todos leram. E, pode saber, leram muito.

Alguns leram tanto que depois escreveram. E o que eles escreveram ou fizeram acabaram se tornando alguns dos pilares da nossa sociedade. Tudo o que conhecemos ou acreditamos foi, em algum momento, descoberto, dito ou feito por alguém. E, se for alguém dos últimos 500 anos, pode saber que essa pessoa leu. E leu muito.

O vídeo tem razão. Ler é mesmo um círculo vicioso. Pode transformar “ninguém” em “alguém”. Ao ler, as pessoas pensam. Pensando, elas podem falar ou mesmo escrever sobre tal assunto. Falando e sendo ouvidas, ou escrevendo e sendo lidas, elas podem atiçar curiosidades e gerar novos leitores. E esses, mais tarde, podem reiniciar o círculo infinitamente…

Eu admiro talentos. Admiro quem toca instrumentos musicais, quem pinta, quem dança, quem desenha ou quem pratica esportes. O meu talento, por todas essas, é a escrita. Só que o que me separa de qualquer outra pessoa não é nada mais do que leitura. É algo que imprescinde apenas tempo e vontade. A coordenação motora necessária, por exemplo, é quase zero. (Tem que saber segurar o livro, ok).

Isso me lembrou de uma música. Aliás, um poema do Arnaldo Antunes, que ele mesmo musicou. Chama-se “Saiba” e fala mais ou menos disso:


Saiba – Arnaldo Antunes (letra)

Todos somos, sempre fomos e seremos identicamente humanos. Exatamente iguais e, dentro das suas possibilidades, com as mesmas capacidades. É bem verdade que, em alguns casos, a ignorância – o “não saber” – é uma dádiva, mas não vamos exagerar, né?

Leitura. O Cebola que me desculpe, mas esse é o meu plano infalível.

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A turma do Limoeiro

07/06/2009

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Sábias palavras do poeta Casimiro de Abreu. Eu costumo dizer – brincando, mas se fosse possível bem que eu gostaria de estar falando sério – que eu sinto saudades do tempo que o meu problema era a raiz quadrada de 49. Ou, mais tarde, minha maior dificuldade era saber que gases nobres e metais não reagem (ou será que reagem?).

Não importa. O que importa é que entre aritméticas e químicas, eu brincava. E brincava MUITO. Na época de colégio eu não era um grande estudante. Pegava recuperações, matava aula, jogava futebol.. enfim… uma criança normal, graças a Deus.

Uma das minhas maiores paixões atuais nasceu nessa época. A leitura. Antes mesmo de saber que Machado de Assis existia – e que,  mais importante, não era o instrumento de trabalho de um lenhador chamado Assis -, meu mundo literário girava em torno dos planos infalíveis do Cebolinha, hehehe.

É, tenho muitas saudades desse tempo. Contudo – má notícia para a minha nostalgia – eu cresci. Eis que, desde o ano passado, a boa notícia é que eles também!

Confesso que fui um dos que olhou beeeeeeeem atravessado na primeira vez que ouvi falar da idéia. “Uma revista da turma da Mônica adolescente? E em formato de mangá japonês? Ah pronto… os caras não sabem quando ficar quietos, só querem saber de ganhar dinheiro e avacalhar com a infância da gente…”

Eu fiquei quase triste. Realmente achei que os personagens seriam destruídos ou que não fariam juz ao que me acompanhou na infância. Será que o Maurício tinha ficado gagá? (Não seria sem tempo, hehehe…)

Comprei o primeiro número, em setembro do ano passado. Gostei.. não é mau.. comprei o segundo. É, legal.. comprei o terceiro… Tri bom.. vamos lá……. Bom, já comprei os 10 primeiros e tô esperando sair o 11°…

No fim das contas, eu gosto justamente por que tem toda essa questão da nostalgia. Ainda que as histórias sejam diferentes, o clima lúdico se manteve intacto. Parece que estou vendo a continuação de um filme que eu não via há muito tempo…

O texto é leve, bem humorado. E, realmente, a idéia de ser em mangá acabou dando uma identidade interessante para o projeto. O estilo “desordenado” de enquadramento, além de modernizar a linguagem, ajuda também a diferenciar do original. Isso, eu acredito, também acaba sendo causa do sucesso da revista pois elimina uma possível sensação de “mais do mesmo”.

Gosto também pois vejo com bastante clareza os valores que são passados ao público-alvo da revista. Ainda que isso já acontecesse antigamente, eu não notava. Hoje eu acho que isso, num produto genuinamente nacional, é maravilhoso.

A atualização dos personagens também foi bem feita. A Mônica cresceu, não é mais tão baixinha nem gordinha, mas continua dentuça e se irritando por qualquer coisa. O Cebolinha (”Cebola”), que é todo metido com tecnologia, ganhou um pouco de cabelo, foi a uma fonoaudióloga e agora só fala “elado” quando fica nervoso (geralmente por causa das meninas e, quase sempre, por causa de uma certa menina).

O Cascão aprendeu a tomar banho, mas continua não sendo grande fã. É o mais “descolado”, o skatista, fã de esportes radicais. A Magali também tá magrinha, mas come com a mesma facilidade de sempre.

Além disso, já apareceram personagens como Anjo (o “Anjinho”), Astro (”o astronauta”), o Franja (”Franjinha”) e também vilões como o Poeira Cósmica (o antigo “Capitão Feio”) e até personagens secundários das histórias de antigamente já voltaram para – inutilmente – tentar se vingar da Mônica.

Apesar de o próprio Mauricio de Souza ter negado a idéia de fazer, por exemplo, o Chico Bento crescer, certamente esta revistinha ainda dará frutos.  Quem sabe mesmo novas revistas, desenhos, filmes, produtos de marketing, enfim…

Afinal, hoje esta é a revistinha mais vendida do país, com mais de 250 mil exemplares por edição. Foi feito pra ganhar dinheiro? Sim, pois afinal de graça ninguém faz nada. Contudo, sinto muito. O meu dinheiro eles vão continuar ganhando…

Eu “lecomendo”!

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“Bah.. tô fu” (1)

02/06/2009

Primeiro comentário. O nome dela. Ah.. outra vez este nome. Eu já escrevi sobre pelo menos duas homônimas dela neste blog. Dessa vez, contudo, é uma coisa mais “tranquila” do que nas citações anteriores, hehehe…

Takai. Fernanda… Takai. Vocalista do Pato Fu. Para mim, a voz mais linda do país. Doce, feminina, sem ser demasiadamente melosa ou insegura. Muitas vezes forte e até rouca. Mais do que uma qualidade, um talento de uma grande artista.

Acho que todo mundo sabe quem é o Pato Fu. Tanto por músicas próprias como “Perdendo Dentes”, “Qualquer Bobagem” e “Depois” quanto por ótimas versões de músicas como”Ando Meio Desligado” (Mutantes) e “Eu Sei” (Legião Urbana). 

Eu não lembro bem quando conheci os mineiros. Lembro que em 1995 eu passei uns dias nas casas dos meus primos em Caxias do Sul e que, na volta, tinha gravado uma fita cassete com músicas do Pato Fu (Sobre o Tempo, Qualquer Bobagem), além de Titãs (Igreja) e outras mais antigas…

Eu achei interessante. Sem dúvida o “excesso” de sons eletrônicos assusta um pouco e, principalmente no caso de Sobre o Tempo, o excesso de repetições em rádio e TV compromete a paciência e o interesse em ir mais a fundo.

Poucos anos depois, copiei o CD “Televisão de Cachorro”. Um ótimo disco (que hoje eu considero ainda melhor), mas que naquele momento ainda não chegava a me animar a conhecer a banda a fundo…

Vieram outras músicas: “Eu”, “Perdendo Dentes”, “Ando Meio Desligado” (como eu disse, ótima versão, porém tema da péssima novela “Um Anjo Caiu do Céu”). Há coisa de uns 2 ou 3 anos eu comprei o DVD MTV ao vivo deles. Não era caro, tinha algumas músicas que eu conhecia, vinha com o CD junto e contava com a participação especial dos maestros Kraunus e Pletskaya (a dupla do espetáculo porto-alegrense “Tangos e Tragédias”).

Valeu a pena. Conheci mais meia dúzia de músicas muito boas e totalmente desconhecidas pra mim. “Capetão 66.6 FM”, “Menti pra Você” e a 100% patofúlica “Rotomusic de Liquidificapum”.

E vim com esse conhecimento superficial até uns 2 meses atrás.  Um dia, pensando na vida, resolvi descobrir o que se deu com o Pato Fu, de quem eu nunca mais tinha ouvido falar. Será que acabou?

Acabou nada. Desde que eu “nunca mais tinha ouvido falar” já saíram 2 discos. Baixei a discografia, joguei no mp4 e saí ouvindo.

Nas primeiras “audições”, volta-se ao início deste texto. A voz dela é apaixonante. Ano passado eu baixei o CD solo em que ela canta Nara Leão. É incrível… E conforme se ouve mais vezes a diversidade musical do Pato Fu, mais incrível se torna, pois ela muda tom, muda ritmo, muda timbre.. e a voz permanece.. inconfundível…

São incontáveis as músicas, os detalhes e as qualidades do Pato Fu. É uma banda de música basicamente autoral, mesmo quando faz versões (nesses casos, ou ela encaixa perfeitamente na musicalidade do grupo, ou a versão se torna quase outra música).

Impossível falar de tudo num post só. Para fechar essa primeira parte, vejamos dois detalhes: Primeiro, as músicas de terceiros gravadas (em covers ou versões) pelo Pato Fu:

-> Ana Carolina – Nada pra Mim (original do Pato Fu, composta pelo John)
-> Beatles – O-bla-di-o-bla-dá
-> Gilberto Gil – Sítio do Picapau Amarelo
-> Ira! – Tolices
-> Legião Urbana – Eu sei
-> Mutantes – Ando Meio Desligado
-> Nelson Gonçalves – A volta do boêmio
-> Música de Natal – Anoiteceu
E, como música incidental: o tema dos Flintstones (em ”Rotomusic”).

Por fim, o por que de “Pato Fu”. Quando eu conheci, eu achava que poderia ser um trocadilho com “Bah, tô fu..” ou qualquer coisa do gênero (uma interjeição de raiva ou espanto). Depois me toquei que “bah” é meio.. digamos… “mineiro de menos”, hehehe…

Já ouvi outras versões, mas a verdade é que o nome saiu de uma antiga tirinha do Garfield. Desta para ser exato:

Clique para ampliar

Gato Fu.. Pato Fu.. potatoes, potatoes….

No próximo texto sobre a banda… uma análise das músicas. Não vai ser uma a uma, mas são muitas para comentar… Não perca!!! hehehehe….

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Einstein e o equilíbrio cósmico

12/05/2009

Albert Einstein. É claro que todo mundo já ouviu, leu ou conhece este nome. Provavelmente o maior cientista do século XX, mas certamente o mais pop.

Um dos livros que eu li recentemente foi “Einstein – Sua vida, seu universo”, de  Walter Isaacson. Uma biografia bastante centrada na pessoa antes (por trás ou além) do cientista.

Na virada para o século XX, um jovem alemão – e judeu, mas isso só ganha importância mais tarde –  se impressiona com uma bússola. 

Da simples idéia de que o mundo é um enorme imã aquele jovem revolucionaria o mundo pós-newtoniano antes dos 30 anos.

As teorias da relatividade são, basicamente, duas. Uma “especial”, para corpos em inércia (parados ou em movimento constante) e uma “geral” para todo o qualquer tipo de corpo e/ou movimento.

A “especial” eu conhecia (e acho que muita gente conhece). Ela diz basicamente que corpos em velocidades diferentes têm noções diferentes do tempo. As implicações práticas disso são várias, mas na “vida real”, para isso fazer diferença, o corpo mais “rápido” teria que viajar à velocidade da luz. Sabe aquela sensação de que quando você está fazendo 2o coisas ao mesmo tempo o tempo passa mais rápido? Bom.. na verdade, não está de todo errado…

A segunda teoria, a “geral”, é bem mais complexa. Primeiro, é preciso entender os conceitos de espaço-tempo. E não espaço em metros e tempo em minutos. É preciso entender o conceito filosófico-científico mesmo e aí.. pobre de mim. Sem brincadeira, li umas 6 vezes as páginas em que o autor – tenta – explicar esta teoria. Quando finalmente acreditei ter entendido fiquei feliz por um segundo. No segundo seguinte, entretanto, descobri que não faço a MÍNIMA idéia da utilidade prática dela. E tipo, foi ela – mais do que a anterior – que redefiniu todo o entendimento do homem sobre o mundo. Foi ela que transformou Albert Einstein em Albert Einstein. E foi ela que… bom, vamos mudar de assunto?

Einstein era, obviamente, um homem inteligentíssimo. Passou a vida entre livros, fórmulas, teorias e – poucos – experimentos. Ele fazia a teoria, a comprovava matematicamente, e buscava pessoas que as pudessem experimenta-las na prática. Cada vez isso foi ficando mais fácil, pois ele foi sendo reconhecido. Uma curiosidade: a teoria da relatividade geral foi comprovada a partir da observação de um eclipse, com fotos tiradas em Sobral-CE, Brasil.

Como físico, Einstein tinha uma visão muito particular de Deus. No seu entendimento, Ele não poderia ser “assim” ou “assado”, como defendia esta ou aquela religião. Como cientista, não era razoável – segundo o próprio – acreditar, por exemplo, na idéia de um ser metafísico que teria criado o mundo “com as próprias mãos”.

Afinal, a constante expansão do universo foi uma das teorias comprovadas de Einstein. Como e porque, então, este ser onisciente criaria “vida” neste pequeno, insignificante e isolado planetinha azul? E para quê todo o resto?

Não que Einstein não acreditava em Deus. Acreditava sim, e muito. Só que o Deus de Einstein estava na ciência. Na beleza das coisas simples, na complexa simplicidade matemática de todas as coisas do universo. Para ele, Deus não fora o criador, nem tão pouco era o juiz. Deus.. simplesmente.. era!

Até a questão do livre arbítrio Einstein questionava. Somos livres para fazermos o que quisermos, certo? Certíssimo, relativamente.

Olhando de dentro, da perspectiva de um ser humano, o Homem é sim, livre para fazer o que bem entende. É a sua consciência que vai determinar se ele vai salvar ou destruir o planeta com suas atitudes, por exemplo. Excluindo-se questões sócio-culturais, ou colocando-as como algo comum a todos (já que todos nós estamos inseridos em algum “código cultural”), o homem é 100% livre. Pode se curvar a regras sociais, religiosas ou culturais, mas no fim, também o faz por que PODE fazer.

Agora, se pensarmos na Terra como uma pequena parte do imensurável universo que segue se expandindo, e cujas galáxias seguem se movendo num eterno e misterioso balé no vácuo, nossa existência é quase insignificante. Planetas, galáxias, sistemas solares, estrelas, constelações e buracos-negros com milésimos do tamanho da Terra ou mesmo com zilhares de vezes o seu volume seguem seu percurso sem sofrer, aparentemente, NENHUMA influência de qualquer coisa que o homem possa sonhar fazer.

É como se, para Einstein, o universo fosse um grande ecossistema. O “equilíbrio cósmico”. Nós somos o piolho da ameba que está encrustada na casca do tatu, e achamos que podemos tudo… como bons, arrogantes e presunçosos que somos.

Para Einstein, ser tão insignificante não era o importante. O importante era se saber parte deste “pequeno todo” chamado humanidade, e fazer o bem para o bem dele. Foi assim durante as Grandes Guerras, quando um pacifista Albert Einstein defendeu a desmilitarização mundial e, depois da ascenção do Nazismo, a formação de um governo de coalizão internacional para evitar conflitos. Este conceito, aliás, ajudou a criar a ONU, mas o resultado foi bem diferente do que o cientista esperava.

Albert Einstein, alemão, cientista, e, principalmente, curioso profissional, foi sem dúvida uma das grandes personalidades do século XX, e também de toda a História.

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Brasil de Ayrton Senna

01/05/2009

Um herói. Um dos últimos, quem sabe o único Herói brasileiro. É incrível o poder que, mesmo 15 anos após sua morte, a história, a carreira e o nome de Ayrton Senna ainda têm no Brasil.

Mais incrível ainda: A morte de Ayrton, que hoje completa 15 anos, já faz mais tempo do que durou toda a sua carreira. Eu mesmo me surpreendo ao pensar que tinha simplórios 15 anos quando ele morreu. Parece uma coisa tão presente mas, se contarmos que o primeiro título dele foi 6 anos antes.. aí sim eu não era ninguém.

“O fato de ser brasileiro só me enche de orgulho.”
Ayrton Senna (1960 – 1994)  

Uma coisa pessoal, mas que eu vou guardar pra sempre. A minha primeira “matéria”, ainda como “bixo” na faculdade de jornalismo, foi uma biografia dele. Por sinal, foi com um colega que se tornaria um grande amigo com quem mantenho contato hoje e, certamente, manterei para sempre. O texto se perdeu e, antes que alguém pergunte ou fique triste com isso, digo que foi um alívio. Reli uns anos depois, e era triste… (tanto o texto quanto a matéria que terminava, é claro, com a morte do piloto).

Tenho duas biografias do Ayrton. Segundo um outro colega, ainda me falta a definitiva. Mesmo assim, sou e serei um de eternos fãs de “Da Silva” (como era conhecido antes da F1). Me lembro, por exemplo, do título de 1988, naquela corrida inesquecível em Suzuka.


Histórica corrida em Suzuka, da largada ao título em 8 minutos

O rei de Mônaco: O GP de Mônaco de 1984 onde um estreante Ayrton Senna na mediana Toleman surpreendeu chegando à segunda posição quando a corrida foi interrompida pela chuva. Detalhe: valeram a metade dos pontos e, ao final da temporada, Niki Lauda superou Alain Prost, vencedor em Mônaco,  por meio ponto. Uma segunda colocação de pontos integrais em Mônaco teria dado o título ao francês.

Depois daquele GP, Senna venceria 6 vezes (1987, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993) nas ruas de Montecarlo. Em 1985, abandono por estouro do motor quando liderava. Em 1986, 3º lugar. Em 1988 ele bateria sozinho, liderando a prova. Com o segundo lugar em 1984, estes foram os 10 anos de Senna em Mônaco.. tá bom para você?

“O importante é ganhar. Tudo e sempre. Essa história 
que o importante é competir não passa de demagogia.”
Ayrton Senna (1960 – 1994)  

A relação de Senna com Suzuka: O primeiro título foi em 1988, no GP do vídeo acima. Em 1989, no mesmo circuito, o polêmico fim de temporada em que Prost acabou favorecido. No GP japonês seguinte, em 1990, viria o troco, na primeira curva e no mesmo Prost. O tri em 1991, na inesquecível chegada em que ele deixou o amigo e companheiro de Mclaren Gerard Berger ultrapassá-lo na última curva e vencer.

A foto histórica:

Photobucket

Portugal, 1986. Ayrton Senna (1988, 1990, 1991), que odiava Alain Prost (1985, 1986, 1989, 1993) que odiava Nigel Mansell (1992), que odiava Nelson Piquet (1981, 1983, 1987), que odiava Ayrton Senna. O que mais? Onze títulos mundiais. Dois tri-campeões, um tetra e um campeão. Nos 13 anos entre 1981 e 1993, apenas em 1982 (Keke Rosberg) e 1984 (Niki Lauda, graças ao GP de Mônaco) o título não ficou com um deles. Tente fazer isso hoje. Não vai conseguir se tentar pelo número de títulos, nem pelo talento, nem de jeito nenhum.

“A Fórmula 1 é um tempo perdido se não for para vencer.”
Ayrton Senna (1960 – 1994)  

Pole-positions: Em 10 anos e 3 GPs (161 GPs no total), Ayrton Senna largou 65 vezes na primeira posição no grid. Isso significa que 2 a cada 5 corridas que disputou em toda a carreira, Senna largou na frente. Esse recorde foi quebrado por Michael Schumacher, que fez 3 a mais (68) em 15 anos e com uma Ferrari sem adversários por mais da metade deste tempo.

É… acho que dá pra entender por que não haverá outro Ayrton Senna. Alguns desses números parecem coisa de personagem de filme, mas são reais. A rara morte de Senna, na pista, ao vivo para o mundo o torna ainda mais mítico. Ele certamente não estaria correndo em 2009 mas… será que Schumacher teria sido o Michael Schumacher que conhecemos hoje se Senna ainda tivesse corrido algumas temporadas?

“O dia que chegar, chegou. Pode ser hoje ou daqui a
50 anos. A única coisa certa e que ela vai chegar.” 
Ayrton Senna (1960 – 1994) , sobre a morte 

Impossível saber. Para nós, fica a mensagem de um homem que tinha sim o talento, mas tinha a determinação também.

“O dia que chegar, chegou. Pode ser hoje ou daqui a 50 anos. A única coisa certa e que ela vai chegar.”
“A Fórmula 1 é um tempo perdido se não for para vencer.”
“O fato de ser brasileiro só me enche de orgulho.” (Ayrton Senna)
“Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo.” (Ayrton Senna)
“O importante é ganhar. Tudo e sempre. Essa história que o importante é competir não passa de demagogia.” (Ayrton Senna)

“Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total 
buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo.”
Ayrton Senna (1960 – 1994) 

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Independência ou Cuba!

27/04/2009

Naquele dia eu saí de casa decidido: vou procurar um livro sobre Cuba! Não sobre Fidel, não sobre Che Guevara, sobre Cuba! Eu nasci já dentro da (época da) “revolução cubana”, mas tinha curiosidade de saber: afinal, o que é Cuba? Por que é tão importante? Fidel Castro, ok.. mas quem? Como? E, afinal.. eles foram ou não foram um estado norte-americano?

Encontrei. Nunca tinha ouvido falar, mas depois de procurar muito em toda a livraria (nos setores de “história”, “américa latina”, “literatura estrangeira”, “biografias”) eu encontrei “Cuba – Uma Nova História”, do jornalista inglês Richard Gott.

Fiquei bastante interessado no livro. Ele se propunha a analisar Cuba desde o descobrimento o início do século XXI. E, sendo um autor inglês, imaginei que não haveria “parcialidade” na análise.

Pra começar, como eu pensava, a colonização espanhola na Ilha sempre foi basicamente de exploração, como a portuguesa no Brasil. A diferença básica é que, por ser um país muito menor, não demorou e a “importação” de negros trouxe “problemas” pra minoria branca.

No fim do século XIX, um complexo jogo de interesses levou Cuba a uma posição de “semi-independência”. Eram independentes da Espanha, mas legalmente dependentes do governo norte-americano graças a uma emenda incluída, por Washington, na primeira constituição da república cubana.

A crise de 1929 também “ajudou”. As exportações de açúcar – tradicional monocultura cubana até então – caíram a quase zero, o que gerou diversos grupos armados de guerrilha que buscavam a “verdadeira liberdade”.

É neste contexto que, duas décadas depois “surge” Fidel Castro. A idéia básica era: acabar com a interferência americana. Como? Tirando Fulgêncio Batista do poder com a Revolução. A guerrilha vai até 1959, quando Fulgêncio deixa o poder e Fidel, acompanhado por Che Guevara, assume o governo da Ilha.

Ao contrário do que muitos pensam – e outros querem fazer acreditar – Fidel Castro não é comunista. Na verdade, ele é “fidelista”. O comunismo russo foi o caminho que o general encontrou para fazer valer seus interesses, que tinham como principal objetivo manter seu país longe do alcance norte-americano sendo quase vizinho de Miami. Tanto é verdade que o comunismo acabou, e “Fidel” não…


O líder soviético Nikita Kruschev e o presidente
norte-americano John F. Kennedy

O fracasso da invasão americana à Baía dos Porcos em 1961 e, principalmente, a crise dos mísseis em 1962 – onde Kruschev (URSS) e Kennedy (EUA) jogaram com o destino do mundo e Cuba, no fim, serviu apenas como tabuleiro – explicam, de certa forma, como os Estados Unidos “permitiram” que um país menor que a Flórida (e, para efeito de comparação, do tamanho do Acre) se mantivesse “intacto”, ainda que abertamente contrário aos seus interesses.

É interessante destacar que Che Guevara, por sinal, não é o amigo de infância de Fidel que se pinta hoje. O argentino (de quem eu já falei aqui) ajudou Fidel e participou de guerras na África e na América do Sul sempre no seu idealista projeto pessoal de “fim do imperialismo”. Por outro lado, Che sim, acreditava no comunismo.

O fim dos anos 1980 marcam o fim da Guerra Fria com a “vitória” do capitalismo sobre o comunismo e o esfacelamento da União Soviética. A década de 1990 foi um período muito conturbado em Cuba, em que o país lutou interna e externamente para se manter “livre” e redefinir seu papel na nova geo-política internacional.

No fim da primeira década do século XXI, este papel ainda não está bem definido. Para Richard Gott, entretanto, ainda que Cuba nunca tenha sido um país “independente” (pois mudou das mãos espanholas para as americanas e para as russas), não haverá grandes mudanças na Ilha nos próximos anos. Fidel, no poder há 50 anos, há muito já não seria o dono do poder, mas um dos seus principais líderes e, mais do que isso, um grande símbolo cubano.

Segundo Gott, a mudança que todos esperam para o dia da morte de Fidel já aconteceu e, no melhor estilo “mudar não mudando”, ninguém notou. A questão é que, apesar de tudo, o povo cubano tem um imenso orgulho de sua história de lutas e revoluções. Isso, na opinião do autor de Cuba transcende o que olhando de fora pode parecer uma ditadura opressiva e manipuladora.

Quer dizer que Cuba é um país feliz? Uma utópica disneylândia? É claro que não. Mas a análise de que a Cuba atual serve, em certa medida, aos interesses de quem domina, lá dentro, o país hoje, não pode estar de toda errada.

Neste contexto, as recentemente anunciadas mudanças nas políticas norte-americanas em relação a Ilha são, ao meu ver, uma tentativa de “matar a revolução de sede”. Abrir o mercado de comunicação norte-americano à Cuba atende à premissa de que, depois dos descobrimentos na Idade Média (Espanha) e da guerra tecnológica do século XX (União Soviética), no novo século quem tem a informação tem o poder.

Já que não se pode obrigá-los, façamos com que eles queiram o que nós entendemos como ideal sócio-econômico. No fundo, no fundo… mudam as mãos, mas o pescoço é o mesmo.

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Vale a pena ver… de novo???

24/04/2009

Alguém aí está acompanhando a nova novela das 7? Caras e bocas. É, como todas as novelas do horário, um enredo babaquinha com ganchos esdrúxulos como o pai que foi sem nunca ter sido, o macaco-pintor e as alpinistas sociais.

Essa novela é uma versão romântica e lúdica de uma novela que está passando no Brasil desde a chegada de Cabral, que está no ar desde que Santos Dummont inventou o avião, e que é ambientada em Brasília desde 21 de abril de 1960.

Caras-de-pau e Bocas-na-botija

A história é parecida. Essa fala de um monte de babacas que afirmam que são (honestos) sem nunca terem sido e, feito macacos, pintam e bordam nas costas do povo. Enquanto estes babacas ficam cada vez mais ricos, os coadjuvantes (que se multiplicaram exponencialmente ao longo do enredo) se descobrem cada vez mais cegos. Cegos, aliás, como a personagem que, na novela global, propõe um debate de inclusão social muito positivo. Seria essa metáfora proposital?

Nos capítulos mais recentes: mensalão, dólares na cueca, grampos da Abin, sanguessugas, moeda verde, cartões corporativos, satiagraha e, é claro, a farra das passagens aéreas. Tá desatualizado? Calma.. pelo jeito essa novela tá longe do fim, e a maior parte do enredo já não tem nenhuma importância…

Falemos, pois, do capítulo mais recente: a farra das passagens. De repente, ninguém sabe bem como, se “descobriu” que os nobres congressistas se esbaldam distribuindo passagens aéreas para familiares, conhecidos e (ora, por que não?) celebridades.

Ocorre que a cota de passagens a que cada um tem direito, prevista na noma do Congresso Nacional é pessoal e transferível, certo? Afinal, se a mesma norma se omite sobre como não se pode usar a tal cota, então vale tudo, certo? Hehe.. só pra variar, errado…

Primeiro ponto: a cota é impessoal. Ou seja, não é da pessoa do congressista, mas da pessoa enquanto congressista. Se por acaso o bom senso e o respeito aos eleitores e ao dinheiro público não for suficiente para o semancol, é só lembrar do famoso princípio da moralidade administrativa.

Diz o artigo 37 da Constituição Federal: A administração pública (…) de qualquer dos Poderes da União (…) obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Segundo este princípio, todos os servidores públicos (do presidente da República ao faxineiro de uma prefeitura de interior) devem primar pelo uso racional e específico do patrimônio público ou do que dele derivar.

Segundo: obviamente, é intransferível. Nós elegemos uma única pessoa para nos representar e ter direito às – ainda por cima muitas vezes questionáveis – benesses do cargo, e não toda a sua família ou a Adriane Galisteu.

Nessa vale até generalizar: Tanto o presidente do Congresso Nacional e líder governista Michel Temer (PMDB-SP) quanto o corregedor-geral da Câmara e líder oposicionista ACM Neto (DEM-BA) admitiram ter feito “mau uso” da tal cota de passagens. Ou seja: não escapa ninguém!! (infelizmente, nem nós…).

Alguém lembra da época em que o ex-presidente Itamar Franco queria ressucitar o Fusca? Diziam, as más e espirituosas línguas que o então presidente queria “ressucitar o Fusca por que não sabia dirigir Brasília”. Pois é…

Pensando bem… este escândalo das passagens aéreas foi um ás do autor dessa grande novela, apenas talvez mal explorado. Afinal, existia – com o perdão do trocadilho – uma enorme pista sobre este desfecho desde abril de 1960. Todo mundo lembra que Brasília foi uma cidade pré-desenhada, certo?

Eu imagino que, na idéia (nada) original, o último capítulo seria assim:

Estourado o escândalo, o povo inerte se revolta silenciosamente, com aquele clima de “não vai mudar mesmo…”. Enquanto isso, a cena final começa dentro da Câmara enquanto os nobres congressistas (os tais babacas) iniciam mais uma votação de prioridade incerta e intenções não-sabidas. Baixa o som e a imagem começa a se afastar do plenário, saindo da janela da Câmara e subindo. É noite, e Brasília está iluminada.

A câmera continua seu movimento “pra trás”, se afastando cada vez mais. No final, vê-se a cidade da janela de um avião.. e qual não é a surpresa quando se tem a visão completa da cidade…

Ué.. queria que tivesse formato de quê? De um ônibus?

FIM
(Ou ao menos, deveria ser…)