Archive for the ‘Beatles’ Category

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Mais que um beatle: John Lennon

11/12/2014

É certo que 90% das pessoas conhecem o beatle John Lennon, mas não conhecem John Lennon. É certo também que John Lennon não seria John Lennon se não fossem os Beatles. Mas é mais certo ainda que, por incrível que pareça, John Lennon não é apenas um beatle.

John Winston Lennon nasceu em Liverpool no dia 09 de outubro de 1940. Seus pais se separaram quando ele era criança, ele acabou crescendo morando com uma tia solteirona e conservadora e, quando estava se reaproximando da mãe, a perdeu de um modo estúpido e repentino.

Lennon era um cara muito autoconfiante, ao mesmo tempo que completamente inseguro. Meio como Kurt Cobain, mais tarde, ele queria o sucesso mas não queria o showbiz. Reparando, é possível ver um cara deslocado no mainstream desde o início dos Beatles.

Ao contrário de muitos fãs de Beatles que acreditam que o encontro com Yoko Ono em 1966 o destruiu, na verdade, aquele momento o libertou. Foi ali, durante a pausa que os Beatles deram entre o “Revolver” e o “Sgt. Peppers”, que o garoto de Liverpool entendeu que poderia ser o que quiser. Se uma artista plástica podia fazer coisas nonsense e ser respeitada por isso, por que ele não poderia fazer o que quisesse?

Ainda passaram alguns anos até que ele decidisse sair da banda, e ela se dissolvesse em brigas pessoais e judiciais. Contudo, a última década de sua vida, quase toda ao lado de Yoko, revelou um homem em paz consigo mesmo, com a criatividade em alta e ativista político como nunca (ainda que isto tenha iniciado ainda durante a vida com os “Fab Four”.´

É possível entender um pouco John Lennon prestando atenção em algumas de suas músicas.

A música mais famosa de John Lennon é um hino à paz, à compreensão e à união entre os povos. Apenas I(i)magine…

Outra muito famosa, e que toca incansavelmente nesta época de natal (a versão original, por favor. Nada de Simones e Paulos Ricardos), é outra obra prima de um mundo em paz.

Ao mesmo tempo em que expõe o auge de sua raiva, decepção e até mesmo arrependimento por sua vida “beatle”, Lennon trouxe, em “God”, (quase) toda a sua descrença no mundo, incluindo Deus e os Beatles.

Uma das mais belas e mais pesadas músicas de Lennon trouxe à tona, do seu âmago mais profundo, a complicada relação com seus pais.

A morte de Lennon marcou a todos. Quem viveu aquela época lembra do que estava fazendo naquele dia, e o que significou, tanto para si, quanto para o mundo. O seu assassinato, obra de um homem problemático que está quase comemorando 34 anos na cadeia, é tão inexplicável quanto o valor de sua obra, e o seu valor para a música do século XX.

Voltando às músicas, não se pode esquecer do outro grande hino à paz, uma das melhores traduções – junto com Imagine – de como é possível termos um mundo uno e próspero.

Na letra, resumidamente, cada um tem a sua religião, opinião, cor, crença, heróis mas, no fim, todos querem dar uma chance à paz.

Texto originalmente publicado em www.zodcast.com.br

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Um momento… inesquecível??

26/04/2012

Assim que a venda de ingressos pela internet foi iniciada eu comprei. Naquela madrugada, acordei as quatro e meia da manhã, sentei na frente do computador e comprei. Sem pensar nem terminar de acordar.

Ainda estava me recuperação pós-transplante (e ainda estou). Confirmada a compra do ingresso, comecei a planejar a viagem. Uns dias em Florianópolis, depois alguns em Joinville e terminar em Curitiba.

Durante os dias que antecederam o show os planos pra viagem mudaram. Agora, vou só pra Florianópolis e Joinville. Quando precisar, dou um pulo na capital paranaense.

Chegou o dia. Saí do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, e desci em Florianópolis (não sei o nome do terminal) pouco mais de meia hora depois. Consegui um bom negócio de táxi até a casa dos meus tios, em São José.

Primeiro dia, fiquei por lá conversando com o meu tio. Segundo dia fui até a Ilha. Amanhã é o dia do show…

Chegou o dia. Tudo converge para hoje… mas tem algo estranho…

Assim como o de Porto Alegre, o show foi SENSACIONAL. Simpático, absurdamente talentoso e arriscando palavras em português (com expressões tipicamente “manezinhas” desta vez), McCartney matou a pau.

Mrs. Valentine, Live and Let Die, Hey Jude, Something… Maybe I´m Amazed… incontáveis obras musicais…

A volta foi uma mão de obra. Da Ressacada (estádio do Avaí, local do show) para o Centro de Florianópolis, ainda na Ilha, e do Centro pra São José. Cheguei em casa e dormi… dormi e sonhei…

Sonhei muito… muito mesmo.

Sonhei tanto que, na verdade, não fui ao show. Na tarde do dia  marcado, já em Santa Catarina, eu decidi não ir à Ressacada. Assumi o prejuízo, mas priorizei a minha saúde. Meus joelhos estão doendo (e assim que voltar a Porto Alegre vou ver o que está havendo), e eu não conseguiria ficar tanto tempo em pé.

No final foi positivo, porque choveu muito e eu também não posso pegar chuva.

Não me arrependo da viagem e, apesar de lamentar, também não me arrependo de ter perdido o show. Quem sabe terei outra oportunidade, mas ontem realmente não dava.

Hope to see you another time, Sir. Paul McCartney!!

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O inverno está chegando…

17/03/2012

PhotobucketUm país insular, com formato semelhante ao da Inglaterra. Sete Reinos, distribuídos por todo o território. Lobos gigantes, estações sem tempo de duração nem prazo para acabar. Uma Muralha, construção que separa o extremo norte dos Reinos da Floresta. Famílias (Casas) aliadas e rivais, organizadas em “feudos de fidelidade” por tradição e alianças nas diversas guerras.

Treze anos antes dos fatos narrados no primeiro livro da série, uma guerra civil uniu os Sete Reinos em um só e levou Robert Baratheon, da Casa Baratheon, ao Trono de Ferro. O Rei Robert é casado com Cersei Lannister, uma mulher ambiciosa e que não mede esforços para alcançar seus objetivos.

PhotobucketQuando o rei perde sua Mão (uma espécie de primeiro-ministro) misteriosamente assassinada, ao invés de buscar o substituto em Porto Real, sede do império, resolve chamar seu amigo e aliado Eddard Stark (à direita, sentado no Trono de Ferro), governante de Winterfell, no Norte. A decisão não agrada a rainha, pois ela sabe que os Stark lutaram junto com os Barartheon na guerra civil. Além disso, Nedd e Robert são grandes e antigos amigos. A paz nos Sete Reinos começa a correr perigo e uma nova guerra civil se aproxima… Desta vez, definitiva.

Este é o enredo básico do primeiro livro da série “As Crônicas de Gelo e Fogo”, de George R. R. Martin. Um livro de fantasia, que lembra Tolkien, mas com um pano de fundo levemente histórico (a guerra Stark x Lennister remete à Guerra das Duas Rosas, entre os York e os Lancaster, no século XV).

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As três principais casas dos Sete Reinos no início da série

Serão 7 livros. Nos Estados Unidos já lançaram 5, e aqui 4. São livros grandes (não menos de 500 páginas), mas muito bem escritos. Como são muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, são sempre capítulos de poucas páginas (o que facilita a leitura) e que, ao invés de numerados ou com alguma frase como título, trazem sempre apenas o nome do personagem em destaque naquele pedaço.

Eu li o primeiro, chamado “Guerra dos Tronos”, em 2011, e estou lendo o segundo agora. Acho muito bons. O primeiro livro começa mais devagar, até porque precisa localizar o leitor em tudo o que está acontecendo, quem é quem e qual a relação entre as famílias, além de contar a história de como tudo chegou ao momento atual. Entretanto, antes mesmo do fim diversas situações e acontecimentos inesperados prendem a curiosidade do leitor a ponto de o segundo livro se tornar um objetivo antes mesmo de terminar o primeiro.

PhotobucketTambém em 2011 a HBO transformou a série em uma série de TV chamada “Guerra dos Tronos” (que é apenas o título do primeiro livro). A primeira temporada, que cobre o primeiro volume, tem 10 episódios (bem resumido, tanto no tamanho quanto na qualidade da simplificação) muito bem produzidos, rendendo inclusive um Globo de Ouro para Peter Dinklage, que interpretou o ótimo Tyrion Lannister (à direita).

Uma das minhas “resoluções de ano novo” é ler o segundo livro, chamado “A Fúria dos Reis”, antes da nova temporada começar, em abril. Estou próximo da metade deste, mas ele já começa bem mais ágil que o primeiro. Claro, agora já se conhece os personagens, e as tramas começam do ponto onde terminaram. O leitor, se veio do primeiro volume, já tem condições de entender as consequências qualquer coisa que acontece. Ou mesmo ter certeza de que ainda não se tem a mínima ideia de determinado fato ou acontecimento significa.

No segundo livro aparecem alguns personagens que só foram citados no primeiro. Isso também complica bastante as coisas, pois agora a situação fica cada vez mais complexa.

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George R. R. Martin era roteirista de TV, com diversos programas e séries produzidas tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. Sua mudança para a literatura se deveu, basicamente, ao fato de que ele sempre se decepcionava com o baixo número de personagens que uma produção televisiva permite (tanto por questões financeiras quanto de logística). Bom… se era um bilhão de personagens e tramas que ele queria, meus parabéns.

E, claro, com a história indiretamente baseada na Inglaterra, e sendo eu um beatlemaníaco, claro que eu haveria de encontrar uma relação entre o enredo e o quarteto de Liverpool. Reparem só:

Os Sete Reinos e os Beatles
George R. R. Martin – O autor da série é quase xará de George Martin (salvo pelos “R.” do sobrenome), o produtor de 90% das músicas do quarteto de Liverpool;
Lannister – Uma leve corruptela de “Lennon”, que dispensa explicações;
Stark – Quase igual a Starkey, sobrenome verdadeiro do baterista Ringo Starr.

Claro que enquanto eu escrevia este texto eu já lembrei de diversas outras coisas. Inclusive uma história “paralela” do primeiro livro, que sem dúvida deve ganhar muito em relevância a partir do segundo, mas que, neste texto, ia mais complicar do que ajudar o entendimento.

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A título de curiosidade: o terceiro livro se chama “Tormenta das Espadas”; o quarto “Festim dos Corvos”; e o quinto, em pré-venda no Brasil, “A Dança dos Dragões”. O sexto e o sétimo, previstos para se chamarem, respectivamente, “The Winds of Winter” (“Os ventos do inverno”, em tradução livre sem previsão de título em português) e “A Time for Wolves” (“Uma Era de Lobos”, também sem tradução oficial), ainda não foram lançados.

Vale lembrar ainda que eu comprei o primeiro livro por indicação do site Jovem Nerd (www.jovemnerd.com.br), que merece um texto específico, mas isso fica mais pra frente…

O inverno está chegando!

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Maybe I´m amazed…

13/03/2012

Conhecer alguma coisa tem um efeito caleidoscópico. No início, quando só se ouviu falar, esta coisa está lá, meio disforme, mas “de reconhecida existência”. Quando se presta atenção, o foco aumenta, e ganha nuances, detalhes, aspectos… Com o tempo, cada um desses pontos viram características que se abrem indefinidamente conforme nos interessamos pelo assunto…

PhotobucketPara mim, por exemplo, Paul McCartney foi, e é, assim. Quando eu era criança, tinha noção da existência dos Beatles principalmente por causa dos LPs do meu pai, e dos domingos de manhã em que eu acordava com ele tocando músicas do quarteto ao piano.

Com o passar dos anos, da minha adolescência, eu comecei a escutar com mais atenção, ir atrás… Nessa época, entretanto, o foco não era o Paul, mas os Beatles. Paul estava lá no “caleidoscópio dos Beatles”, existia, mas não me interessava ainda como “protagonista”. Ele era um dos quatro, basicamente.

Conforme eu me aprofundava nos fab-four, eu descobria que, mais que uma banda, eles eram quatro músicos, quatro pessoas. Conhecendo a história, descobri que os Beatles, enquanto banda, existiram por pouco menos de uma década. John Lennon morreu outros dez anos depois, mas até então Paul McCartney, George Harrison (falecido em 2001) e Ringo Starr estavam vivos. O que eles fizeram de lá pra cá?

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Foi então que eu fui atrás de conhecer cada um mais a fundo. Como todo o fã de Beatles com cerca de 30 anos no fim da primeira década do século XXI, eu lamentava muito nunca ter a oportunidade de vê-los ao vivo. Eu até considerava possível, um dia, ir até Buenos Aires, ou mesmo à Europa para ver um show do Paul… quem sabe um dia.

Só que em meados de 2010 começou um boato de que ele voltaria ao Brasil depois de quase 20 anos. Boatos como este sempre existiram, mas de repente a coisa começou a tomar forma e inclusive a possibilidade de ele vir a Porto Alegre foi aventada.

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Ele veio, e eu fui. Simplesmente sensacional. Nem só por eu ser, agora, um grande fã, mas ele foi de uma simpatia, inclusive falando algumas coisas em português: (“Ah, eu sou gaúcho” e “Para minha gatinha Linda”, num trocadilho ao anunciar a música “My Love”, em homenagem a Linda McCartney). Isso, claro, sem levar em conta que eu estava ali, com o “verdadeiro” Paul McCartney cantando All my Loving, Blackbird, Yesterday, Here Today, Jet e Band on the Run. Não gosto de ser piegas, mas, sem dúvida, um sonho de vida realizado.

Musicalmente, Paul McCartney era a metade da laranja de John Lennon. Enquanto o segundo era muito mais sentimento do que técnica, desde o início Macca tinha o talento, e a complementaridade dos dois gerou o que se tornaria, na minha opinião e na de muita gente, a maior banda de todos os tempos.

Os dois tinham uma coisa em comum. Apesar da infância feliz, os dois perderam a mãe na adolescência. Mary McCartney, mãe do Paul, faleceu antes mesmo de ele conhecer Lennon. Foi uma observação dele, ao visitá-la no hospital, que chamou a atenção dos médicos para a gravidade do quadro da mãe naquele momento. Infelizmente já não havia mais o que pudesse ser feito.

Esta seria a primeira das perdas que o marcaria profundamente. Por toda a vida ele comporia músicas em homenagem à mãe. Entre outras, Let it Be e Yesterday (em parte ele se direciona a ela)… A dureza deste momento, entretanto, formataria o caráter do jovem Paul.

McCartney traz em si uma característica que, ao mesmo tempo em que o tornou o músico sensacional que é, também é o seu maior defeito: o perfeccionismo. Essa meta incansável de buscar sempre o melhor, seja em família, atendendo fãs, compondo, tocando ou gravando canções certamente o levou a um desenvolvimento técnico incrível. Contudo, ele exigia dos outros este mesmo comprometimento e, muitas vezes, queria que as coisas acontecessem como ele gostaria. Conflitos sempre foram inevitáveis.

No começo dos Beatles isso não aparecia tanto, pois ele e John eram, talvez, a mais unida dupla de compositores que já existiu. Além disso, tudo ainda era meio que uma aventura, e o condutor era Brian Epstein, o empresário. Porém, com a morte de Epstein e a evolução da beatlemania, enquanto a música evoluía, eles também se individualizavam, e a saída para Paul foi assumir o gerenciamento da banda e colocar o seu perfeccionismo “a serviço” dos companheiros. Isso foi, sem dúvida não o único, mas um dos motivos do desgaste interno do grupo no fim dos anos 1960.

Uma curiosidade: Paul se registrava em hotéis como “Paul Ramon”. Anos mais tarde, isso seria a origem do nome dos Ramones. Banda que, musicalmente, nada tem a ver com os Fab-four. E para os desavisados: não, nenhum dos integrantes da banda de punk rock tinha como sobrenome “Ramone”.

PhotobucketAinda na época dos Beatles, Paul McCartney foi casado com Jane Austen. Um casamento quase de aparências. Ela, uma integrante da alta aristocracia inglesa, e ele, um dos maiores astros do Reino Unido e, quem sabe, do mundo. Só que a união logo se perdeu… e Paul conheceu Linda Eastmann, com quem também se casou e foi feliz por 30 anos.

Um dia Paul acordou com uma melodia na cabeça. Pronta, do início ao fim. Sentou ao piano e tocou. Mostrou ao seu pai – que lhe ensinou muito sobre música principalmente na infância – perguntando de onde a conhecia. Jim McCartney não a reconheceu. Mostrou a diversas pessoas, e nada. Compôs uma letra chamada “Scrambled Eggs” (“ovos mexidos”) e guardou.

Cerca de um ano depois, levou a composição ao estúdio já com uma nova letra e a apresentou ao grupo sugerindo que incluíssem seus instrumentos como achassem apropriado. Nenhum dos outros três incluiu nada, e ficou praticamente uma canção de voz e violão. Assim nasceu “Yesterday”, hoje a música mais regravada de todos os tempos.

Naquele tempo, John Lennon lutava internamente por nunca se sentir bem como um astro do pop (ele gostava dos Beatles, mas não gostava da “produtificação” de qualquer coisa que faziam). Paul McCartney, entretanto, estava em casa. Para ele, o sucesso e o respeito internacional eram resultado da qualidade do seu trabalho, e da sua eficiência. Aquilo era tudo que ele queria, e tomara que não acabasse nunca.

É, mas acabou. Um dia, depois de meses de desgaste entre os quatro, Lennon chegou ao estúdio e simplesmente disse: “Acabou, estou fora”. Os outros três não conseguiram convencê-lo a ficar, mas todos concordaram em manter segredo até o lançamento do próximo (e último) álbum. Pensado para se chamar “Get Back” (em tradução livre, “Volte!”), um tipo de retomada da banda aos áureos tempos, acabou se tornando “Let it Be” (Deixa estar).

O fim dos Beatles devastou Paul. Ele se mandou, com Linda e os filhos, para uma fazenda na Escócia. Deixou a barba crescer (bem mais do que na fase final do quarteto) e, entre outras atitudes de indiferença com a vida, deixou de tomar banho. O apoio de Linda foi fundamental, mas ela mesmo chegou a pensar em deixá-lo nessa época.

PhotobucketRecluso, fora do mundo e das notícias, Paul viveu alguns meses como um dos senhores feudais que há séculos dominaram aquela região. Não havia planos de voltar para a civilização, mas um dia a civilização chegou até ele.

Dois jornalistas da revista Life o encontraram e o fotografaram. Ele chegou a bateu em um deles, mas teve que se retratar. Depois de muita negociação, ele recuperou a foto e, em troca, aceitou conceder a entrevista que acabaria na capa da edição seguinte. Nesta entrevista, ele anunciou que estava saindo dos Beatles e partindo para a carreira solo.

Isso deixou John Lennon furioso pois, do jeito que Paul contara, parecia que ele, Paul, tinha tomado a iniciativa de acabar com a banda quando, na verdade, fora o último a decidir sair, no exato momento da entrevista. Até mesmo Ringo e George já haviam saído, mas convencidos a voltar..

Paul lançou “McCartney”, seu primeiro disco solo e que ele compôs, tocou todos os instrumentos, cantou e produziu sozinho, na Escócia. Como ainda era vinculado à Apple, teve que lançá-lo pelo selo que pertencia ao grupo. O detalhe é que ele não queria que os outros, e principalmente o atual administrador da Apple (contratado pelo quarteto quando ele fora voto vencido) ganhassem dinheiro com um trabalho caseiro e 100% McCartney. Essa situação gerou a guerra judicial entre os próprios Beatles, que durou boa parte dos anos 1970.

No ano seguinte, 1971, nascia o Wings. Paul era “Paul McCartney”, tinha o talento, o dinheiro e os equipamentos. Seu perfeccionismo (e, porque não, individualismo) o fizeram, algumas vezes, impor o que queria simplesmente porque queria. Não que o Wings não tenha produzido algumas das melhores músicas que existem (ou pelo menos, muitas músicas de qualidade indiscutível) mas, entre as “manias” de Paul, colocar a fotógrafa e esposa Linda McCartney aos teclados foi.. no mínimo.. uma excentricidade..


Maybe I´m Amazed – Wings

Claro que ela sempre foi fundamental para o Wings, tanto a partir da sua reconhecida evolução musical no decorrer dos anos quanto como companheira de Paul sempre, nos momentos bons e nos ruins. Ela muitas vezes foi a “tradutora” do perfeccionismo dele para os outros integrantes das diversas formações que a banda teve…

O Wings fez alguns grandes álbuns, gerou alguns clássicos do rock (Jet, Band on the Run, Ms. Vanderbilt, Silly Love Songs, entre outros) mas também fez alguns trabalhos praticamente descartados pela crítica e pelo público.

Paul McCartney e John Lennon – Em meados dos anos 1970, John Ono Lennon e Yoko Ono Lennon se separaram. No período, que mais tarde John chamou de “fim de semana perdido” (apesar de ter durado três ou quatro anos), Lennon deixou Yoko e Nova York e foi morar com May Pang em Los Angeles.

Certo dia Paul apareceu na Califórnia, vindo de Nova York e, conversando com o ex-parceiro lhe contou que Yoko disse que o aceitaria de volta, se ele se esforçasse. O conselho do velho amigo fez John voltar a morar perto do Central Park e cortejar Yoko até conseguir que voltassem.

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Paul e Linda McCartney, Ringo Starr, John e Yoko Ono Lennon

Tempo depois, numa noite de sábado em Nova York no final dos anos 1970, o programa Saturday Night Live (que até hoje é gravado ao vivo na cidade) brincou com os boatos de que haviam oferecido US$ 50 milhões por um único show dos Beatles reunidos. A oferta do SNL era US$ 25 mil. O que a equipe do programa não sabia era que, exatamente naquela noite os dois estavam em Nova York assistindo ao programa juntos. Chegaram a considerar aparecer de surpresa no estúdio, mas a ideia não vingou…

A morte de John, em 1980, foi outra grande perda de McCartney. Não que ele achasse, ou quisesse, que as coisas voltassem ao ponto em que estavam nos anos 1960. Apenas que a amizade dos dois foi tão profunda, tão intensa e importante que, mesmo longe ou com encontros bastante raros, Paul muitas vezes se confortava ao saber que John “estava lá..”. Compondo ou gravando, McCartney sempre levava em conta o que ele acreditava que Lennon estaria pensando. Em homenagem ao amigo, Paul compôs a belíssima “Here Today”.


Paul McCartney – Here Today em Porto Alegre

Em 1981, ao ser preso no Japão por porte de maconha, McCartney terminou com o Wings. Em 11 anos de estrada, a banda teve pelo menos 7 formações, todas resultantes, em algum nível, dos efeitos do perfeccionismo inalcançável de seu líder…

Para se ter uma ideia, eu nasci em 1978, um pouco antes do fim do Wings.. e só fui investir no caleidoscópio dos McCartney 20 anos depois, na época da morte de Linda..

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Biografia lançada em 2011 que eu li, e me aprofundei no caleidoscópio de McCartney

E a, até agora, última grande perda de Paul McCartney foi justamente a morte de Linda. Vítima de câncer, ela faleceu em 1998, nos Estados Unidos. Ele se casaria outras vezes, mas muitos acreditam que Linda será sempre a sua cara-metade.

Depois de Linda, em 2002 Paul casou com Heather Mills, o que talvez tenha sido o pior erro da sua vida, mas certamente o mais caro. Quando se conheceram, ela falava de missões de paz, e sobre uma infância difícil e sofrida. Depois de casada, ela passou se mostrar mais interessada na boa vida e no status que tinha por ser casada com McCartney.

Em 2007, no divórcio, ela voltou a mentir, dizendo inclusive que apanhava. Heather  pediu metade da fortuna. Não levou, mas absolutamente não saiu de mãos vazias. Algum tempo depois, diversas declarações de ex-amigos de Heather jogaram por terra as mentiras de “pobre menina doce”. Ela teve uma infância comum e não era engajada em nada…

PhotobucketComo, felizmente, Paul ainda está vivo, esta história termina, mas não acaba, no dia 07 de novembro de 2010. “Paul In Poa”. Sem dúvida o melhor show da minha vida, na companhia de grandes amigas, em uma experiência indescritível.

Além de tudo o que eu disse antes, é muito louco ver vídeos dos Beatles, em preto e branco nos anos 1960, ou mesmo hoje, notícias sobre Paul McCartney, e pensar que eu e ele estivemos no mesmo local, ao mesmo tempo, a poucos metros de distância. Eu sei que isso é coisa de fã, mas… bom, deve ser mesmo, por que eu sou um grande fã de Sir. James Paul McCartney.


Não poderia faltar: Live and Let Die e Hey Jude,
também do show de 2010 em Porto Alegre

Update!!! Confirmado show em Floripa no dia 25 e abril!! EU VOU!!!

Update 2!!! Comprado ingresso para o show em Floripa no dia 25 e abril!! EU VOU!!!

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Liverpool (1960´s) – Porto Alegre (2009)

12/04/2009

Eu já escrevi aqui sobre o show do Clapton que eu fui em 2001. Entre as várias razões para eu ir àquele show estava o fato de que o “Deus da guitarra” tinha convivido com os Beatles, tendo inclusive sido eternizado em uma de suas gravações “oficiais”.

Pois eis que, inesperadamente, no último final de semana de março de 2009 me surgiu uma oportunidade de ficar ainda mais próximo da “beatlemania”. Se não posso voltar no tempo, tenho que aproveitar as oportunidades que o tempo me dá ao me visitar, certo?

“The Beats” é uma banda argentina cover dos Beatles. Como muitas que existem por aí, é verdade, mas como poucas. Eles são orgulhosamente “xerox” dos fab-fours. Venceram um concurso internacional de bandas-sósia realizado em Liverpool, já tendo inclusive gravado no Abbey Road com a equipe de George Martin.

Um é sósia do John, outro do George, o terceiro do Ringo. O do Paul, por sinal, é canhoto como o próprio. Existe um quinto elemento que faz, nos teclados, os efeitos sonoros que não eram possíveis de se fazer ao vivo nos anos 1960.

O show é incrível. As músicas simplesmente idênticas às gravações. Na verdade, quem vai no show está pagando para ver os Beatles, para ter a oportunidade de ver um show de 45 anos atrás ao vivo. Para isso, a semelhança física e o talento dos “The Beats” são fundamentais.

Os detalhes da produção também são ótimos. Eles trocam de roupa umas cinco ou seis vezes durante o show. No início, todos de branco para cantar “All you need is love” (como na gravação que eu também já comentei aqui). Mais tarde, roupas de couro preto para cantar a fase inicial do “ié ié ié”. Em seguida, roupas psicodelicamente coloridas para a fase “Sargeant Peppers” (acima) além da fase dos ternos (ao lado) e, finalmente, roupas mais despojadas para o período final da banda.

Ponto para os argentinos também por não se resumir às canções mais famosas do quarteto de Liverpool. “I me mine” é um belo exemplo de músicas nem tão conhecidas (ou simplesmente desconhecidas) do grande público e que marcaram presença no Teatro do Sesi.

O show do “The Beats”, por si só, vale muito a pena. Foi a primeira vez que eu fui (mas não a primeira vez deles em Porto Alegre) e, se eles voltarem eu certamente vou de novo!!

E o que este show tinha de especial? Pete Best!

Para os desavisados: antes do sucesso, os Beatles (que, aliás, nem tinham esse nome) eram John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Stuart Sutcliffe e Pete Best. Stuart deixou a banda alguns anos antes do estrelato (e acabou morrendo antes disso também) mas Pete Best, o baterista, foi substituído no dia da gravação do primeiro disco (Please Please Me) e substituído, é claro, por Ringo Starr.

Os Beatles antes da fama. Pete Best é o primeiro da esquerda

Pois Pete Best, em pessoa, estava no show. É claro que, com 70 anos, ele não tocaria o show inteiro (até por que seu substituto, Ringo Starr, “estava” presente). Mesmo assim, Pete contou a sua história, e a história dos Beatles pré-sucesso. Como foi bem lembrado não me recordo por quem, dos que viveram aquela fase pré-sucesso nas noites de Hamburgo, apenas ele e McCartney estão vivos para contar.

Ele tocou duas músicas dos primórdios. De uma época em que os próprios Beatles faziam mais covers do que qualquer outra coisa.

A primeira música foi My Bonnie. Esta os Beatles gravaram como banda de apoio do então famoso cantor inglês Tony Sheridan. A canção, obviamente, não é deles, mas é a versão mais famosa até hoje.

A segunda música é um dos grandes clássicos do nascimento do rock´n roll. Criada por Chuck Berry, “Rock´n Roll Music” tem o ritmo, o clima e a temperatura da virada dos anos 1950 para 1960.


Os dois vídeos são do show em Porto Alegre 

Eu fui ao show com o meu pai. Tendo herdado (e superado, acredito, hehehe) o gosto por Beatles dele, nada mais justo. Apesar de a banda não existir mais há quase 40 anos, vale destacar que a maioria do público tinha por volta de 30 anos, ou seja, nunca viu o quarteto original de perto.

Isso, no mínimo, é um atestado da qualidade, do talento e da eternidade das músicas dos Beatles. Quer fazer um teste?

Responda: Que banda de hoje vai ter um grupo sósia em 2050 cujos shows vão lotar em todo o mundo com um público que, basicamente, ainda não nasceu?

É.. eu também não sei…

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Quatro vezes Hey Jude

16/03/2009

A música eu tenho certeza que todo mundo conhece. A história, será que sim?

Bom.. pra quem não sabe, é o seguinte:

Os Beatles já não iam bem internamente.. era 1968 e o fim se aproximava. John Lennon se apaixonara por Yoko Ono e tinha deixado Cintia (sua primeira esposa) com o filho Julian.

Na volta de uma das visitas à casa de Cintia, Paul McCartney, que, apesar das constantes brigas com o colega de banda, ainda mantinha contato com a – agora – antiga família de Lennon, começa a cantarolar uma música para Julian. Ele queria dizer ao menino que não se preocupasse, que a separação dos pais  não era culpa dele e nem que, por causa dela, eles o amassem menos.

Abaixo, deixo a letra original. Aos que preferem a tradução, aqui está.

Hey Jude
Lennon/McCartney
(na verdade, apenas McCartney)

Hey, Jude, don’t make it bad,
take a sad song and make it better
Remember, to let her into your heart,
then you can start, to make it better.

Hey, Jude, don’t be afraid,
you were made to go out and get her,
the minute you let her under your skin,
then you begin to make it better.

And anytime you feel the pain,
Hey, Jude, refrain,
don’t carry the world upon your shoulders.

For well you know that it’s a fool,
who plays it cool,
by making his world a little colder.
Da da da da da da da da…

Hey, Jude, don’t let me down,
you have found her now go and get her,
remember (Hey Jude) to let her into your heart,
then you can start to make it better.

So let it out and let it in,
Hey, Jude, begin,
you’re waiting for someone to perform with.
And don’t you know that is just you?
Hey, Jude, you’ll do,
the movement you need is on your shoulder.
Da da da da da da da da…

Hey, Jude, don’t make it bad,
take a sad song and make it better,
remember to let her under your skin,
then you’ll begin to make it better (better, better, better,better, better!)
Da, da, da, da da da, da da da, Hey Jude…
Da, da, da, da da da, da da da, Hey Jude…

Duas curiosidades:

Primeiro: Apesar de Paul nunca ter escondido a intenção com a letra, e de “Jude” ser até claramente uma simplificação de “Julian”, Lennon achava que a música era para ele. Um recado para ele “ir e ser feliz com Yoko”.

Segundo: Existe uma gravação – em vídeo – clásssica da música. Bom, pelo menos eu achava que era uma. Na verdade, existem quatro edições, supostamente, de um mesmo momento. Só que as imagens não batem em todos os momentos. Provavelmente foram várias “tomadas” num mesmo evento, o que ocasiona as pequenas diferenças.

As versões foram dos programas ingleses David Frost Show e  Smothers Brothers Show, a PV Version (que eu não sei o que é), e a versão que saiu no Anthology, e é a mais “famosa”. Segue aí…

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A lenda da rua Abbey

08/02/2009

Uma foto. É claro que era pra ser algo importante. Eles estavam produzindo a foto que seria a capa do Abbey Road, o novo – e último a ser gravado – álbum da banda mais badalada de todos os tempos (também é a melhor, mas aí já é opinião minha).

Qual a idéia? Sair do estúdio e atravessar a rua. Fotografar os quatro enquanto caminham pela faixa de pedestres. Simples, não?

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Sim. Mas foi uma capa histórica. Não apenas por ser o novo e tão esperado disco dos Beatles, mas pela série de detalhes que ela tem:

1) Alguém reparou que entre a cabeça do John e o “carro funerário” tem uma pessoa? Pois é, e ela se chama Paul Cole. Acontece que o próprio Cole só descobriu que estava na foto quando viu o disco nas lojas.. já imaginaram?

2) Alguém já ouviu falar na lenda da morte do Paul? Pois esta é a capa com o maior número de “evidências”, segundo os fãs da teoria. Vejamos 3 delas:

– Reparem nos 4. Paul, o suposto falecido, é o único com o pé direito à frente, além de estar descalço; John, de branco, seria o médico; Ringo, de preto, o padre; George, de jeans, o coveiro.

– Estão vendo o fusca branco à esquerda? Não dá pra ler nesta foto, mas a placa é: “28 IF”. Paul tinha 28 anos no dia da foto. Contudo, a lenda diz que ele “teria” 28 se (IF) estivesse vivo…

– à direita, um suposto carro funerário.

A lenda da morte do Paul McCartney foi tão forte que ele teve que ir a TV na época dizer que não estava morto. E 24 anos depois o próprio Paul fez uma brincadeira com a lenda. Para a foto de capa do seu disco ao vivo de 1993 ele fez uma brincadeira com a foto orginal:

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É a mesma foto. Os Beatles foram retirados digitalmente, assim como Cole e o “carro funerário”. Além disso, mudaram a placa do fusca que agora diz “51 IS”, ou seja, Paul McCartney TEM 51 anos no momento desta foto. Detalhe também no nome do disco: “Paul is live”, que pode ser traduzido como “Paul está vivo”.

É claro que uma capa dessas também renderia sátiras… e quem melhor para fazer isso do que a família mais louca da televisão?

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Reparem na riqueza de detalhes. As roupas, as poses, os olhares. Os carros, o “intruso” e até a placa do fusca estão lá (e dá pra ler direitinho o 28 “IF”). Mais uma produção genial de Matt Groening. (Para assistir a cena do desenho, clique aqui).

Se alguém acredita que Paul McCartney está morto desde os anos 1960, tudo bem. Pra mim ele ainda vai ser o último dos fab-four vivo. Ou, como disse a revista Veja quando o entrevistou: “ele já é pois Ringo Starr está apenas tecnicamente vivo

(obs 1: É óbvio que são inúmeras as sátiras aos Beatles. Navegando na internet se encontra, por exemplo, as capas do próprio Abbey Road, do Please Please Me (original) e do Rubber Soul (original) com bonecos de Lego no lugar do quarteto).

(obs 2: Acabei de encontrar este blog com diversas sátiras da Abbey Road).

(obs 3: Quer saber mais sobre o álbum?)

(obs 4: todas as fotos neste post são “clicáveis” para se ver elas em tamanho maior)

(obs 5: não vai comentar, não???)

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