Archive for the ‘Gente’ Category

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Mais que um beatle: John Lennon

11/12/2014

É certo que 90% das pessoas conhecem o beatle John Lennon, mas não conhecem John Lennon. É certo também que John Lennon não seria John Lennon se não fossem os Beatles. Mas é mais certo ainda que, por incrível que pareça, John Lennon não é apenas um beatle.

John Winston Lennon nasceu em Liverpool no dia 09 de outubro de 1940. Seus pais se separaram quando ele era criança, ele acabou crescendo morando com uma tia solteirona e conservadora e, quando estava se reaproximando da mãe, a perdeu de um modo estúpido e repentino.

Lennon era um cara muito autoconfiante, ao mesmo tempo que completamente inseguro. Meio como Kurt Cobain, mais tarde, ele queria o sucesso mas não queria o showbiz. Reparando, é possível ver um cara deslocado no mainstream desde o início dos Beatles.

Ao contrário de muitos fãs de Beatles que acreditam que o encontro com Yoko Ono em 1966 o destruiu, na verdade, aquele momento o libertou. Foi ali, durante a pausa que os Beatles deram entre o “Revolver” e o “Sgt. Peppers”, que o garoto de Liverpool entendeu que poderia ser o que quiser. Se uma artista plástica podia fazer coisas nonsense e ser respeitada por isso, por que ele não poderia fazer o que quisesse?

Ainda passaram alguns anos até que ele decidisse sair da banda, e ela se dissolvesse em brigas pessoais e judiciais. Contudo, a última década de sua vida, quase toda ao lado de Yoko, revelou um homem em paz consigo mesmo, com a criatividade em alta e ativista político como nunca (ainda que isto tenha iniciado ainda durante a vida com os “Fab Four”.´

É possível entender um pouco John Lennon prestando atenção em algumas de suas músicas.

A música mais famosa de John Lennon é um hino à paz, à compreensão e à união entre os povos. Apenas I(i)magine…

Outra muito famosa, e que toca incansavelmente nesta época de natal (a versão original, por favor. Nada de Simones e Paulos Ricardos), é outra obra prima de um mundo em paz.

Ao mesmo tempo em que expõe o auge de sua raiva, decepção e até mesmo arrependimento por sua vida “beatle”, Lennon trouxe, em “God”, (quase) toda a sua descrença no mundo, incluindo Deus e os Beatles.

Uma das mais belas e mais pesadas músicas de Lennon trouxe à tona, do seu âmago mais profundo, a complicada relação com seus pais.

A morte de Lennon marcou a todos. Quem viveu aquela época lembra do que estava fazendo naquele dia, e o que significou, tanto para si, quanto para o mundo. O seu assassinato, obra de um homem problemático que está quase comemorando 34 anos na cadeia, é tão inexplicável quanto o valor de sua obra, e o seu valor para a música do século XX.

Voltando às músicas, não se pode esquecer do outro grande hino à paz, uma das melhores traduções – junto com Imagine – de como é possível termos um mundo uno e próspero.

Na letra, resumidamente, cada um tem a sua religião, opinião, cor, crença, heróis mas, no fim, todos querem dar uma chance à paz.

Texto originalmente publicado em www.zodcast.com.br

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Tinha que ser o Chaves, mesmo!

29/11/2014

Ontem, quando uma amiga veio me contar pelo Facebook, eu não acreditei.

“- Morreu o Chaves!

– De novo?” –  eu perguntei, como quem passa reto pela “novidade”.

vilavaziaMas dessa vez era sério. Mesmo mais de duas décadas depois de parar de gravar as suas milhares de aventuras, o Chaves morreu ontem. Com o tempo, e conforme a notíciaia se confirmando e as pessoas iam postando, crescia um vazio em mim. É estranho, mas parece que perdi um amigo…

Inesquecíveis as manhãs dos anos 1980 quando assistir o programa era uma obrigação. Há trinta anos eu faço questão de rir das mesmas piadas, ver o seu Barriga entrar na vila, o o professor Girafales chegar com flores só para toda a cena se repetir… de novo e de novo.

recepçãoChaves é um personagem que conquistou o mundo pela simplicidade. Um menino simples, quase ingênuo, com muita fé nas pessoas e um coração enorme. Bolaños pode não ter sido santo, mas sem dúvida fez e faz um bem enorme a uma quantidade incalculável de pessoas.

E Bolaños não se restringia ao Chaves. Em sua longa carreira, Chespirito também criou tipos como o Chapolin (até anterior ao menino da Vila) e o doutor Chapatin, entre outros. Ele foi o criador do Chaves, mas também de todo aquele universo da vila. Chiquinha, Kiko, seu Madruga, Dona Florinda, Dona Clotilde, Seu Barriga, Nhonho.. quanta saudade…

Roberto Gómez Bolaños era chamado Chespirito (o pequeno Shakespeare) por sua genialidade, pela universalidade que seus trabalhos alcançavam sem forçar, apenas fazendo o básico muito, mas muito bem feito.

funeralDCRever Chaves é, e vai continuar sendo, lembrar da infância, de uma época em que, mais do que a situação sócio-econômica, a empatia com o programa estava no brincar, no rir da cara dos amigos, do ir pra escola e da pureza.

Eu não perco uma oportunidade de reencontrá-lo, mesmo que indiretamente. Há cerca de um ano tive a felicidade de ver os shows do Seu Barriga (Edgar Vivar) e Kiko (Carlos Villagrán) em Porto Alegre, e foi uma nostalgia incrível, ambos muito emocionantes. Tenho seis DVDs e algumas camisetas também.. e volta e meia cito por aí algumas frases clássicas…

E também no ano passado tive um longo papo com o mestre Bolaños, ao ler a sua auto-biografia “Sem Querer Querendo”. Foi ótimo conhecê-lo, Chespi, mas foi ainda melhor reencontrar a minha infância refletida na tua vida…

Como EdVivar teria dito ontem, “Chavinho, de todas as pancadas que você me deu nessa vida, essa foi a que doeu mais”.

noceuRoberto Gómez Bolaños. 1929 – 2014.

Texto originalmente publicado em www.zodcast.com.br

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Você é o que você lê (2)

02/07/2012

Impressão Digital 2E finalmente seguirei com a série sobre os livros que li, organizados de forma anual. Tendo como base sempre o meu aniversário. Já escrevi sobre os livros que li entre os dias 28 de outubro de 2007 e 28 de outubro de 2008. Agora, vamos do dia 28 de outubro de 2008 a 28 de outubro de 2009.

Pois bem, eu leio muito. Mesmo assim, às vezes eu acho que eu tenho tanta cultura (informação cultural) que tenho que cuidar para não ser pedante ou repetitivo. Eu leio para mim, de curioso, de “pesquisador”, de jornalista. Gosto de saber como, quando, porquê.. e onde?… Mas eu sei que nem todo mundo divide essa “febre” comigo.

Daí que algumas vezes eu estou conversando sobre qualquer assunto e lembro de algo que eu li.. não menos que de repente, lá vem o Fábio: “E tu sabe por que isso?”. Se o pobre mortal não sabe, lá vem a explicação….

Talvez para muitos isso seja uma característica minha. Boa ou má, algo que me identifica. Deve ter algo bom, porque as pessoas vêm às vezes me perguntar coisas “nada a ver”, e eu, se não sei a resposta, procuro. É meio que um serviço gratuito, hehehe. Na real, acho legal ter essa “característica”, e lamento pelos que não gostam.

Pois a lista iniciada quase cinco anos atrás, em outubro de 2007, segue ativa. Tendo  meus aniversários como referência (é assim que a lista está organizada), em 2008 foram 16; em 2009, 12; em 2010, 22; em 2011, 25; e, em 2012, até agora, 30 livros. Faltam quatro meses para ler mais seis e chegar a 3 livros por mês. Será que eu consigo?

A minha ideia original era, sempre no meu aniversário publicar um texto aqui no blog sobre os livros que eu li nos últimos 11 meses. Não deu. Vamos ver se até outubro eu consigo botar em dia, pelo menos, hehehe…

Buenas.. vamos à segunda parte. Livros lidos entre 28 de outubro de 2008 e 28 de outubro de 2009.

A América aos nossos pés (Eduardo Bueno) – Um livro com um texto nota 10 e uma imparcialidade nota 0. Bom, mas e quem disse que o Peninha Bueno alguma vez pretendeu ser imparcial? Nesta gremistíssima visita à vitoriosa campanha da Libertadores de 1983 (pulicada em 2008, aos 25 anos do primeiro título gremista na competição), o livro nos leva a uma epopeia de batalhas sangrentas, contra tudo e contra todos, num tempo em que a Libertadores era jogada a sério.

O primeiro capítulo do livro, aliás, ilustra o tom de toda a obra. É uma reunião dos libertadores da América José Francisco de San Martín, Jóse Artigas, Simón Bolívar – El Libertador, Bento Gonçalves e O’Highins, para decidir o futuro do torneio. A partir do segundo capítulo sim, relembramos a campanha de 1983, nos áureos tempos das batalhas campais por toda a América do Sul..

Médico de Homens e de Almas (Taylor Caldwell) – Uma das melhores “biografias” que eu li. Conta a história de Lucano (ou, em português, Lucas), autor de um dos evangelhos da Bíblia atual, mas o único que nunca conheceu Jesus. Já escrevi sobre ele aqui, mas vale ressaltar que é um livro muito gostoso de ler, mesmo tendo mais de 700 páginas. Uma viagem pelo Oriente Médio da época de Cristo, contemporânea ao início do cristianismo.

Anjos e Demônios (Dan Brown) – Para mim, até hoje o melhor livro do Dan Brown. Melhor que o mais famoso, “O Código Da Vinci” inclusive, sim. Uma profunda e imparcial discussão entre ciência e religião, trazendo elementos históricos da Igreja Católica e da arquitetura da cidade de Roma. O filme não fez jus ao livro, se bem que acho que nem teria como. Se quiser saber mais, leia aqui.

Eric Clapton – A Biografia (Eric Clapton) – Todos temos nossos ídolos. E todos quase sempre caímos na ilusão de acreditar que eles são seres superiores: felizes, ricos, saudáveis e bem resolvidos. Pois nesta incrível auto-biografia, Eric Clapton, ao mesmo tempo que passeia pelos seus 50 anos de música, nos leva pela sua desventurada experiência com as drogas e o alcoolismo.

Uma história dura, que esteve muitas vezes perto de um final abrupto, mas que graças à força de vontade de Clapton, “limpo” há mais de 20 anos, segue encantando plateias em todo o mundo. Momentos marcantes como a morte do filho e o relacionamento com o beatle George Harrison também estão lá, ajudando a abrilhantar ainda mais a história da música no século XX.

Noites Tropicais (Nelson Motta) – Pode nãõ parecer, mas é uma auto-biografia. Meio sem querer, e sem fazer alarde, Nelson Motta foi uma espécie de Forrest Gump brasileiro. Testemunha e, muitas vezes, personagem da história da música brasileira desde o surgimento da Bossa Nova e da Jovem Guarda, passando pela época dos Festivais, pela psicodelia dos anos 1970, o rock-Brasília do começo dos anos 1980 até o Rock In Rio 1985, com shows antológicos como Queen e Barão Vermelho. Também já fiz um texto sobre isso no blog.

Ministério do Silêncio (Lucas Figueiredo) – Muitos brasileiros 9praticamente todos na verdade), acreditam que existem muitas coisas escondidas nos corredores de Brasília que não se sabe nem nunca se saberá.

Bom… este livro do repórter Lucas Figueiredo demonstra que essas teorias conspiratórias são.. verdadeiras. Ao contar a história da Inteligência brasileira, desde o Dops de Getúlio Vargas, passando pelo Doi-Codi/SNI dos militares até a Abin de Lula e sua turma, a obra mostra que, em alguns momentos importantes da história brasileira, o povo e as instituições praticamente não passaram de fantoches que acreditavam estar agindo por conta própria. Triste realidade…

Luís XVI (Bernard Vincent) – A Revolução Francesa. Eita tópico complexo de se entender… Li o livro sobre o rei Luís XVI na esperança de entender um pouco melhor, e isso realmente consegui… mas são tantos lados, tantas “verdades”, que acho que será impossível chegar a uma conclusão. definitiva Bom, algo dá pra concluir: sem dúvida, foi uma revolução!

Este livro de Bernard Vincent tenta se focar na vida do Rei, mas isso seria impossível sem manter a contextualização histórica sempre próxima. Principalmente na virada que acontece quando ele vai para Versailles sem perceber, ainda, as mudanças que já estavam em curso e que o levariam a perder a cabeça (literalmente)…

Almanaque da TV (Bia Braune & Rixa) – Uma viagem pela história deste tubo infecto” (pelo menos até a chegada do plasma e do LCD). Não no sentido tecnológico, mas no cultural. Desde o começo com a TV Tupy de Chateaubriand, nos anos 1950, passando pela Excelsior, pela Record pré-IURD, Bandeirantes, Globo, SBT..

Programas, séries, personagens, bastidores e curiosidades que, de certa forma, não deixam de ser uma forma de acompanhar a história sócio-cultural do Brasil nos últimos 60 anos. Um ótimo livro pra quem busca entretenimento e nostalgia!

Cuba – Uma nova História (Richard Gott) -Foi o primeiro livro que eu li na minha tentativa de “entender abaixo da superfície” temas sempre recorrentes. Depois fiz o mesmo com a história da Inglaterra, da Rússia e da China. Claro que ainda há muito o que ser explorado, mas já consigo contextualizar tudo melhor, e este é o objetivo.

Pois o caso de Cuba é interessantísimo. Quando falamos na maior ilha da América Central, pensamos direto em Fidel Castro.  Pois o livro de Richard Gott nos conta a história desde o descobrimento, os séculos de domínio espanhol até a vitória norte-americana no final do século XIX. Só no final (faltando cerca de 50 páginas) é que chegamos a Fulgêncio Batista, o golpe e o socialismo de Fidel Castro. Ainda aí há muita história, como a crise dos mísseis e a relação de Castro com a U.R.R.S.

Acredito que uma boa definição para a história da ilha até os dias de hoje seja o título que escolhi para o texto que escrevi sobre o livro: Independência ou Cuba!

Breve História de Quase Tudo (Bill Bryson) – Partindo de uma dúvida totalmente banal, Bryson nos leva em uma viagem pela história da ciência. Meteorologia, química, física, biologia.. tudo em uma linguagem simples e muito bem escrita. Há muito mais a ser dito, e para isto, recomendo que leiam o texto que escrevi aqui.

Einstein – Sua vida, seu universo (Walter Isaacson) – Todos já ouviram falar da Teoria da Relatividade de Einstein. Mesmo que alguns não façam ideia do que é, do que significa ou do que representa, certamente já ouviu falar.

Pois Albert Einstein é muito mais do que isto. Ainda que, inegavelmente, sua teoria tenha revolucionado a ciência (como, anteriormente, somente Isaac Newton tenha sido capaz), o homem por trás do cientista é, também, interessantíssimo.

Einstein não decidiu ser cientista, mas quando viu não tinha mais saída. Dono de um curiosidade imensurável, o físico alemão chegou a vir ao Brasil (ao Ceará) para comprovar uma de suas teorias. O livro de Walter Isaacson (o mesmo que, mais recentemente, escreveu a biografia de Steve Jobs) nos mostra mais do que o teórico, mas também a pessoa, o homem que viveu intensamente a sua época, inclusive fugindo, por ser judeu, da Alemanha nazista durante a segunda guerra mundial.

Impossível resumir Einstein em três parágrafos. Se quiser mais, leia o texto que escrevi. Se quiser ainda mais… ora, leia o livro!!

Rua da Praia (Nilo Ruschel) – Eu adoro histórias da Porto Alegre antiga. Neste livro, Ruschel nos fala de uma cidade em pleno crescimento, com histórias e histórias de uma Rua da Praia que já não existe mais. Na época dominada por Cafés, mais tarde com lojas de departamentos. Uma bucólica cidade, com vida social ativa e, aos olhares de hoje, bastante romântica. Vale a pena viver Porto Alegre, em todas as épocas!!

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Não vi e não gostei!

29/06/2012

Impressão Digital 2Se há uma coisa que me incomoda profundamente é gente “automaticamente cult”. Sabe aquele tipo de gente que, como bem disse o Amarante do Los Hermanos numa famosa entrevista  “se é bom, faz sucesso, eu não gosto?”. Ridículo…

É. Só que eu já fiz isso… e volta-e-meia me pego fazendo assim. Dois casos que eu lembro agora:

Numa certa fase da minha faculdade, estava todo mundo enlouquecido com o filme “Cidade de Deus”. Eu, no “melhor” estilo não vi e não gostei, dizia que era ruim, que filme brasileiro só serve para mostrar pobreza, e blá blá blá.. Uma professora pediu uma resenha sobre o filme e eu, achando o trabalho “colégio” demais, argumentei contra o trabalho (com essa ideia de ser “modismo”) e – incrível – ganhei. Acabei fazendo sobre “Sleepers -A vingança adormecida“.

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Meses depois fui ver Cidade… Bah! É muito bom.. realmente, MUITO bom.. A questão da temática brasileira não está totalmente errada, mas isso é assunto para outro texto….

Impressão Digital 2A segunda vez que me lembro de ter sido traído pela teimosia foi com Maria Rita. Quando ela surgiu, pensei: “Ah.. filha da “nossa” (gaúcha) Elis Regina, com a voz igual.. mais uma vez, tentam criar um sucesso do nada. Que sem graça, canta igual a mãe, blé, blé, blé”.

A primeira vez que eu ouvi ela sabendo quem era, como muita gente eu acredito, foi com Encontros e Despedidas na abertura da novela Senhora do Destino. Bela música, sem dúvida, mas “Elis Regina” demais. Nem fui atrás…

No fim de 2009 um amigo elogiou Maria Rita. Lá fui eu discorrer os defeitos dela, sem ter parado pra prestar atenção… Ele disse: “é bom, cara… “. Passou mais um tempo, e um dia eu fui baixar “Não deixe o samba morrer”, da  Alcione, em mp3. Acabei encontrando a versão da Maria Rita, e resolvi baixar também. Hmmm… interessante… vamos ver mais então!

E baixei “Samba meu” dela. Um CD totalmente samba. Não que eu tenha gostado, mas tive que ir no show dela em Porto Alegre, e levei a minha mãe…

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Ela, além de cantar muito e ter sim, personalidade vocal, não nega as semelhanças com a mãe, e demonstra ter um carinho especial pela terra da Elis. Claro que pode ser, mas no show não me pareceu puxa-saquismo. Eram comentários simples, soltos, nada de discursos do tipo “Deus, como eu amo vocês”… E o “Samba Meu” é um disco fantástico, assim como o DVD…

Este ano (2012) ela rodou o país com shows em homenagem aos 30 anos morte da mãe. Ela esteve em Porto Alegre, mas por questões de saúde não pude ir…

Enfim, esses são dois exemplos  de ocasiões em que perdi de aproveitar algo por uma birra gratuita, mas certamente existem outros. E  isso me chateia justamente por que tem gente que usa o “não vi e não gostei” como bandeira, como diferenciação, como não gostar simplesmente “por que sim” fosse algo a se admirar. Eu acho isso ridículo, e odeio quando ajo assim…

Não que todos tenhamos de gostar de tudo, mas calma lá… Eu por exemplo, tinha birra com Paulo Coelho. Um dia respirei fundo, comprei um livro e li.  Ok, é uma merda mesmo… tanto que devo ter dado o livro pra alguém, por que nunca mais vi.

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Impressão Digital 2Contudo, entretanto, porém, todavia… Paulo Coelho, a pessoa. Tirando a parte pseudo-espiritualizada (ou até respeitando, mas sem se envolver) me parece uma pessoa interessante. Não só pela parceria com o grande Raul Seixas, nem apenas pela relação dele com o Jovem Nerd ou com o Stallone (que eu já citei aqui), mas pela história de vida e, afinal, por tudo o que ele representa para a nossa literatura e até para o Brasil, principalmente no contexto literário internacional, quer eu queira, quer não.

Recentemente comprei até a biografia dele, escrita pelo Fernando Morais Tá na fila, vou ler.. Pelo menos desta vez o texto não é dele…

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Cem Livros Sem Solidão

01/06/2012

101 livrosTodo o mundo sabe como eu gosto de ler. Sempre que eu vou mais de uma vez em algum lugar, o primeiro comentário é “Mas tu está sempre lendo…”. Sim, estou. E eu acho que esta impressão se torna maior pois, como eu leio mais de um livro ao mesmo tempo, volta-e-meia eu retorno a um lugar lendo livros diferentes com poucos dias de distância…

Pois no meu aniversário de 29 anos, em 2007, eu iniciei um “acompanhamento”. Comecei a anotar cada livro lido. Todos, desde o “The Beatles”, do Bob Spitz, que tem mais de 1000 páginas, até “Seu Madruga – Vila e Obra”, do Pablo Kaschner, que não passa de 200.

Eis que no dia 28 de maio de 2012 eu atingi a marca de 101 livros. Considerando que, do início até agora, não se fecham 5 anos, a média é maior do que 20 livros por ano. Foram, por acaso, exatos 55 meses, o que dá uma média de 1,84 livros por mês, ou aproximadamente 1 livro a cada 16,3 dias.

Grande parte destes livros são biografias ou romances históricos. Mas também tem muita ciência, alguns de religião, quadrinhos e até esportes. Autores, se destacam Richard Dawkins, George R.R. Martin, Bill Bryson, Walter Isaacson e Laurentino Gomes.

Uma coisa que me desespera é que tem algumas “Parte Um” nesta lista. Por exemplo:  “A Sociedade do Anel” (primeira parte de O Senhor dos Anéis, de J. R.R. Tolkien), “O Guia do Mochileiro das Galáxias” (primeiro de 5 livros de Douglas Adams). E eu tenho os outros livros das duas séries.. é “só” sentar e ler…

É claro que eu teria um monte para escrever sobre cada livro (e até já comecei, mas nunca fiz todos), mas vou deixar esta análise para comentários mais “gerais”.

Se for considerar “anualmente” (tendo a data do meu aniversário como referência, os números são: 16 (2007/2008), 12 (2008/2009), 22 (2009/2010), 25 (2010/2011) e 26 (2011 – até agora). Ou seja, a leitura vem ganhando “velocidade”, ehehe. Este será o segundo ano consecutivo que passei da média de 2 por mês, e talvez chegue a três.

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A lista completa está aqui. Mas vamos tentar, agora, destacar alguns livros por tema/estilo (alguns livros estão em mais de uma classificação):

Biografias:
Tim Maia – Nelson Motta
The Bealtes – Bob Spitz
Eric Clapton – A Biografia – Eric Clapton
Einstein – Sua vida, seu universo – Walter Isaacson
Nem vem que não tem (Wilson Simonal) – Ricardo Alexandre
John Lennon – Philip Norman
Carmen – Ruy Castro
Ayrton (Senna) – O herói revelado – Ernesto Rodrigues
Walt Disney – Neal Gabler
Bussunda – A vida do Casseta – Guilherme Fiúza
Steve Jobs – Walter Isaacson
O livro do Boni – Boni
Agassi – Autobiografia – André Agassi
Paul McCartney – Uma Vida – Peter James Carlin

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Religião:
Médico de Homens e de Almas – Taylor Caldwell
Anjos e Demônios – Dan Brown
Deus, um Delírio – Richard Dawkins
O vulto das torres – Lawrence Wright
A Tentação do Cristianismo – Luc Ferry e Lucien Jerphagnon
O Último Judeu – Noah Gordon
Uma Breve História do Cristianismo – Geoffrey Blainey

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Música:
Furacão Elis
Chega de Saudade – Ruy Castro
Tim Maia – Nelson Motta
The Bealtes – Bob Spitz
Eric Clapton – A Biografia – Eric Clapton
Beatlemania – Ricardo Pugialli
Noites Tropicais – Nelson Motta
Minha fama de mau – Erasmo Carlos
Dez, nota dez! – Denílson Monteiro
Nem vem que não tem (Wilson Simonal) – Ricardo Alexandre
John Lennon – Philip Norman
Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band – Clinton Heylin
Paul McCartney – Uma Vida – Peter James Carlin

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Beatles:
Beatlemania – Ricardo Pugialli
The Bealtes – Bob Spitz
John Lennon – Philip Norman
Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band – Clinton Heylin
Baby´s in black – Arne Bellstorf
Paul McCartney – Uma Vida – Peter James Carlin

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Ciência:
Volta ao mundo em 80 dias – Julio Verne
Viagem ao centro da Terra – Julio Verne
Breve História de Quase Tudo – Bill Bryson
Einstein – Sua vida, seu universo – Walter Isaacson
Deus, um Delírio – Richard Dawkins
A grande história da Evolução – Richard Dawkins
O Gene Egoísta – Richard Dawkins
Uma história da ciência – Michael Mosley e John Lynch
A Magia da Realidade – Richard Dawkins

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História de Porto Alegre/Rio Grande do Sul:
Loureiro da Silva – Carlito de Grandi
Flores da Cunha – Lauro Schirmer
História Ilustrada do Rio Grande do Sul – Vários autores
Rua da Praia – Nilo Ruschel
Alfândega de Porto Alegre – 200 anos de história – Márcio Ezequiel
A enchente de 41 – Rafael Guimaraens
Porto Alegre – Guia Histórico – Sérgio da Costa Franco
Diário de um repórter – Flávio Alcaraz Gomes
Porto Alegre – Brasil – Leonid Strelaiev

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História Geral:
1808 – Laurentino Gomes
Ministério do Silêncio – Lucas Figueiredo
Cuba – Uma nova História – Richard Gott
Luís XVI – Bernard Vincent
Primeira Guerra Mundial – Paulo Vicentini
Segunda Guerra Mundial – Paulo Vicentini
Viagem ao Brasil – Hans Staden
O vulto das torres – Lawrence Wright
1822 – Laurentino Gomes
Império à deriva – Patrick Wilken
Assim Morreu Tancredo – Antonio Britto
O Lado Negro de Camelot – Seymor Hersh
Médici – A Verdadeira História – General Agnaldo Del Nero Augusto
China – Uma nova história – John King Fairbank e Merle Goldman
O Forte – Bernard Cornwell
Império – Como os Britânicos Fizeram o Mundo Moderno – Neill Ferguson
Uma Breve História do Cristianismo – Geoffrey Blainey
O Século Soviético – Moshe Lewin
Dopaz – Tahiane Stochero

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Bom, dá pra ter uma ideia de onde sai tanta “cultura” (essa, claro, considerando a parte útil). Ainda assim, ao mesmo tempo que eu acho muito legal hoje ir a uma livraria e passar pelas estantes e dizer: “Li, li… li… li, li, li..”, é desesperador também passar e, considerando apenas obras que me interessariam, passar dizendo: “Não li, não… também não… nain nain… ih… também não.. não, nem este… not… ei, alguém sabe onde eu consigo um isqueiro, talvez um lança-chamas?”.

O livro da brincadeira do título, aliás, é um dos desafios até agora intransponíveis. Eu li dois livros do Garcia Marquez: “Ninguém Escreve ao Coronel”, que é baseado na história real do avô dele, e “Viver para Contar”, que é como uma autobiografia (e eu li antes de começar a anotar). Tentei ler “Cem Anos..” mas não consegui.

Não que seja ruim, bem pelo contrário, mas é um livro que exige muita atenção pois, entre outras características, são várias gerações, e muitos “patriarcas” têm o mesmo nome. Isso confunde e, se tu parar de ler e voltar tempos depois, provavelmente já te perdeu….

Outro “desafio” é “Inferno”, da trilogia “Divina Comédia”, de Dante Alighieri. É uma obra fantástica, na qual ele encontra vários personagens (reais) históricos espalhados pelos círculos do inferno (e, quanto mais profundo o círculo, maiores os pecados em vida). Contudo, a versão que eu tenho é em poesia, e isso dificulta a compreensão às vezes, pois tu tem que ir lendo e “montando” a história na cabeça. E “Inferno” é só o primeiro, ainda tem o “Purgatório” e o “Paraíso”…

Bom, é isso. Já estou terminando o 102 e já sei qual vai ser o 103. Mais cinco anos para chegar a 200? É esperar pra ver…

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Até quando?

24/05/2012

Pra começar, uma pequena introdução ao assunto para os que não acompanharam os fatos que me levaram a escrever este texto:

O cantor, compositor, escritor e artista Gabriel o Pensador foi convidado para ser o Patrono da 27ª Feira do Livro de Bento Gonçalves, que foi realizada em maio na cidade serrana.

Alguns meses antes, após a reclamação de um “poeta” gaúcho sobre o cachê que seria dado ao Gabriel teoricamente por ser o Patrono do evento, o próprio Gabriel decidiu abrir mão do dinheiro, cancelando a distribuição de livros e o show que faria na cidade (inclusos no custo do teórico cachê), e anunciou que sua participação estava mantida e seria mais simples (sem livros nem show), porém de graça. O rapper esteve presente inclusive à abertura da Feira, e tudo transcorreu naturalmente, sem a presença do injuriado “poeta”.

Encerrando o assunto, Gabriel lançou, na abertura da Feira, o clipe da sua nova música, “Linhas Tortas”, onde fala da sua relação com a literatura e sobre a polêmica.

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Agora sim, começando…

A polêmica que envolveu o Gabriel O Pensador está inserida em algumas discussões que eu considero importantes.

Pra começar, Bento Gonçalves é uma linda cidade do interior do Rio Grande do Sul e, antes de ter a Feira do Livro como um evento-símbolo da cidade, submerso em tradições como é o caso de Porto Alegre, a realiza com o propósito prático, primordial e direto de ser um mecanismo para incentivar seus cidadãos, de todas as idades e classes sociais, à leitura.

Impressão Digital 2Pensando nisto, este ano a Prefeitura convidou Gabriel O Pensador para ser o Patrono. Além da presença ilustre, a possibilidade de distribuir livros para as crianças do município e o show que seria realizado seriam acréscimos interessantes ao evento. É claro que tudo isto teria custo, mas a prefeitura optou por assumi-los.

Como o próprio Gabriel diz na música recém-lançada, “na Feira eu vendo livro, no show eu vendo ingresso”. Sim, pois ambos são parte do trabalho dele, e ambos devem e merecem ser remunerados. Um certo “escritor” gaúcho, no entanto, achou – muito ingenuamente na minha opinião -, que o valor (mais de R$ 160 mil) publicado no Diário Oficial como direcionado pela Prefeitura de Bento Gonçalves ao patrono da Feira fosse 100% o seu cachê.

Ingenuidade, para dizer o mínimo. Meu caro escritor, a primeira atitude que todos SEMPRE devemos (ou deveríamos) ter quando recebemos qualquer informação é mandar o Tico chamar o Teco e tentar entender, por dois segundos, o que está acontecendo. Não dói, eu garanto.

Ao ser chamado, o Teco perguntaria ao seu irmão:”Peraí, cara.. cento e sessenta vezes?“

E continuaria: “Não é assim, meu. Se te oferecem um dinheiro para fazer alguma coisa… e oferecem 160 vezes mais para outra pessoa fazer basicamente a mesma coisa… Alguma coisa esta errada. Será que é para fazer a mesma coisa? Repara… não é o dobro, nem três vezes mais, nem dez vezes. São CENTO E SESSENTA vezes.”, ressaltaria o pequeno neurônio.

E eu adicionaria: Para quem mesmo? De onde? Será que não tem outros serviços e custos aí?

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Vale ainda uma pequena lembrança ao reclamante: O que te fizeram, na tua opinião oferecendo pouco dinheiro ou te subvalorizando dentro da tua visão míope sobre o dinheiro que seria pago ao Gabriel, foi um CONVITE para participar do evento, não uma convocação. Como se diz em Florianópolis (o sotaque é importante aqui): “Se queres, queres, se não queres, dizes”.

Tá ruim o dinheiro, o evento não é interessante, tá com frieira? Agradece, declina e segue a tua vida, rapá…

É fundamental cada um saber o seu lugar, o que deve ser dito, como e quando deve ser dito.

Durante a polêmica, teve gente que veio dizer “e porque não chamaram um escritor gaúcho?”. Bom, pois eu inverto a pergunta: “Por que chamar um escritor gaúcho?”. Não que não se deva, mas a pergunta é pertinente e direta. Por que, por qual razão?

Se houver uma razão ótimo, sou totalmente favorável. Mas “gaúcho” não é sinônimo de qualidade. Temos muitos ótimos escritores, sem dúvida, mas também temos “escritores”, e é claro existem vários ótimos escritores fora do Rio Grande do Sul também.

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O que levou Bento Gonçalves a convidar o Gabriel O Pensador não foi muito diferente do que a levaria a convidar um gaúcho (o que certamente já aconteceu, mais de uma vez, nas 26 edições anteriores). A questão é que houve um propósito, um objetivo, em chamar especificamente o Gabriel. E o Gabriel, assim como o “escritor”, foi apenas convidado e aceitou. Até porque o tamanho do “cachê”, no fim das contas, não tinha nada a ver com a participação dele como Patrono…

Impressão Digital 2A distribuição de livros gratuitos para as crianças carentes do município e o show, também gratuito para o público, certamente estão sim, inseridos no contexto de literatura e, porque não, de alfabetização literária, tão importantes e totalmente condizentes com o perfil de um evento como este, principalmente quando realizado numa cidade do interior.

Existia a questão da visibilidade que uma presença nacional traria ao município? Sim, mas o que há de errado nisso? Bento Gonçalves vive, além da área vinícola, fortemente do turismo. Por que não ligar uma coisa à outra?

Tem outra coisa, da qual inclusive o Gabriel também fala na música. Às vezes parece que é feio um artista (e aí se incluem escritores, desenhistas, músicos e muitos outros) receberem dinheiro pelo seu trabalho. Parece que as pessoas acham que por que não houve trabalho braçal, esforço físico ou por que no final não restou um produto material, sólido, finalizado, não houve trabalho. Pois houve, e houve muito. Trabalho intelectual é tão importante e difícil quanto trabalho braçal.

Ou pede para um marceneiro escrever um poema, desenhar uma charge ou compor uma canção. Vai sair ruim não por ele ser marceneiro, mas porque não é a dele… Deixem, pois, o marceneiro “marceneirando” e os compositores compondo e os escritores escrevendo…

Mais uma coisa que me incomoda é a quantidade de gente que entra em polêmicas sem saber bem do que está falando. Entra, se indigna, sai berrando… 15 minutos depois lê mais sobre o assunto, vê que tinha entendido errado (ou nem tinha entendido) e fica..”Aaaaaiiihhnnn… pois é, mas aí tá certo…”. Pô! Te informa antes, criatura! Custa?

Já acho um saco quando vem de gente “leiga” que, no fundo, não tem obrigação de saber do que tá falando (apesar de que era só buscar a informação correta, geralmente acessível, ao invés de reagir feito um estilingue à primeira coisa que ver na frente), mas o que me mata mesmo é quando alguém que deveria saber do que está falando abre o berreiro.

Tipo… sei lá… um escritor reclamar do cachê do Patrono de uma Feira do Livro sem saber do que está falando. Pode reclamar, mas, como vale pro mané, te informa antes!! Jogar merda no ventilador pra ganhar mídia é ridículo…

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Todo mundo sabe que sou fã do Gabriel. Sou mesmo, há quase 20 anos (o primeiro disco dele é de 1993). Contudo, nem por ser ele ou por eu ser fã, mas pra mim a atitude dele foi exemplar, do início ao fim. Não se envolveu na polêmica, não discutiu. “O problema é dinheiro? Fica com o dinheiro. Mas eu vou aceitar o convite que me fizeram, pois o público da Feira não tem nada a ver com isso” (com essa pequeneza, eu acrescentaria).

Talvez às vezes o Gabriel se expresse por linhas tortas, mas sempre com atitudes coerentes. É uma pena, para a população de Bento Gonçalves, que não se tenha feito a distribuição de livros afinal…

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Eu li “Diário Noturno”, o livro de crônicas e poesias do Gabriel. Como sempre, ele fala da vida, das dúvidas e dele mesmo. É um ótimo livro, bastante lúdico também. O outro, cujo título é “Um garoto chamado Rorbeto” (assim mesmo, com o “r” no lugar errado) fala, inclusive, de inclusão social e preconceito infantil.. totalmente condizente com o público que seria “atingido” pela distribuição…

Impressão Digital 2No fim, o “escritor” quis aparecer, quis fazer escândalo feito a Dona Bela da Escolinha do Professor Raimundo, e acabou prejudicando muito mais do que ajudando. Enquanto isso, o Gabriel foi à Feira, participou, interagiu e fez a sua parte. Além de ter aproveitado para lançar o clipe e a música “Linhas tortas”, que fala claramente da polêmica sem se direcionar a ninguém…

É…. vai ver, no final, o tal “escritor” só pensa… naquilo ($$$$$$)….

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Tarantino é o meu Woody Allen

25/03/2012

Quentin Tarantino - ID2Essa semana eu assisti, com muito atraso, a Jackie Brown. Terceiro filme do Quentin Tarantino, lançado em 1997. Na época, do filme eu tinha assistido apenas Pulp Fiction, do mesmo diretor.

Achei muito bom, mas pensava, do alto dos meus 19 anos, que ele seria só mais um daqueles diretorezinhos que inventam uma nova “fórmula” e ficam repetindo-a, repetindo-a, repetindo-a.. mudando só o cenário e os atores…

E não é que eu tinha razão sobre os atores? Só que não dá pra chamar o que caracteriza o cinema do Tarantino de simplesmente de “fórmula”. É mais uma linguagem cinematográfica, pois envolve fotografia, edição, produção, estilo de roteiro até elenco. Sim, Tarantino tem um estilo tão característico que existe até um curta metragem com Selton Mello e Seu Jorge que discute a relação entre os principais filmes do diretor.

Voltando a Jackie Brown. Como eu estava com aquela ideia de “modinha” na cabeça, em nenhum momento me animei a ir ao cinema, locar ou, mais recentemente, baixar o filme…

O tempo passou, e eu acabei comprando, por acaso num balaio de DVDs qualquer, “Cães de Aluguel”.  Mais tarde descobri que não  se tratava só de outro filme do Tarantino, como era o seu primeiro longa-metragem.

Cães de Aluguel - ID2

Gostei bastante de Cães de Aluguel. Steve Buscemi (Mr. Pink), Harvey Keitel (Mr. White), Tim Roth (Mr. Orange), o próprio Tarantino (Mr. Brown) atuando.. Os codinomes eram a cereja do bolo. Criminosos que eram, só se conheciam pelo aliás, para não haver um dedo-duro.

Harvey Keitel - ID2Tarantino afirmou certa vez que deve este seu primeiro longa, e toda a sua carreira, a Harvey Keitel que, ao topar fazer o filme “no escuro”, sem conhecê-lo, acabou trazendo credibilidade ao projeto, possibilitando o grande elenco, o sucesso do filme e tudo o que veio depois…

Cães de aluguel é, talvez, entre os filmes realmente bons, a produção mais barata de todos os tempos (proporcionalmente ao custo médio de se fazer um filme em cada época, é claro). E quem viu o filme sabe que, conforme a história se desenvolve, ele vai ficando ainda mais barato…

Já sabia que Pulp Fiction, que eu já tinha visto, era o segundo, e comecei a fazer relações. Opa.. tá ficando interessante…

Pulp Fiction - ID2O primeiro grande destaque de Pulp Fiction, e muitas vezes faz com que todos que o assistam simplesmente amem-o ou odeiem-no é o roteiro fora da ordem cronológica. Ele é contado em “capítulos” e, ao final, cabe ao expectador juntar as peças. Para compreender bem o filme é necessário assisti-lo mais de uma vez.

O elenco é bem mais “blockbuster” do que o do filme anterior. John Travolta, Samuel L. Jackson, Uma Thurman e Bruce Willis e a volta de Harvey Keitel, só pra ficar em alguns…

O terceiro filme que eu vi do Tarantino não foi seu terceiro longa-metragem. Cronologicamente o próximo seria Jackie Brown, que eu só vi esta semana (em 2012).

Levei mais de uma década, mas em 2009 fui ao cinema assistir Bastardos Inglórios. O filme, que digamos é uma “releitura” da Segunda Guerra Mundial (e não estou falando no sentido interpretativo de causas e consequências), tem como destaques no elenco Brad Pitt e Christoph Waltz.

Bastardos Inglórios - ID2

Um filme de guerra com a inconfundível assinatura do diretor. Como Pulp Fiction, montado em capítulos, mas dessa vez são menos, e não fogem tanto da ordem cronológica.

No ano seguinte comprei de uma amiga o box de Kill Bill. Outro filme que, na verdade, nunca havia me interessado profundamente. Mas, como sou colecionador de DVDs, e ela fez uma “precinha” camarada, comprei.

Kill Bill - ID2

É um filme em duas partes, lançadas respectivamente em 2003 e 2004. Esses sim, me surpreenderam. Uma Thurman, novamente trabalhando com Tarantino, está ótima no papel da “Noiva”. As lutas, apesar de claramente coreografadas, enchem os olhos e dão o tom do filme. Lucy Liu, Daryl Hannah - ID2Daryl Hannah (pra mim, a eterna sereia de “Splash”) e David Carradine também estão ótimos.

Aliás, pesquisando sobre Tarantino no IMDB.com, descobri que a parte 3 da série já foi anunciada. Será? Mas… mas… tem como?

Ok. Agora me convenci. Tarantino é bom mesmo. Quatro filmes muito bons. Divertidos, inteligentes, ótimos roteiros, elenco variado (apesar das repetições) e nenhum comprometendo o todo.

Neste ponto eu já me considerava um fã do Tarantino, daqueles que fica, e estou, esperando o próximo filme.

E assim segui.. até o fim de março quando, acessando um serviço de locadora online de DVDs, descobri que Jackie Brown estava disponível para ser assistida online. Eu ainda tinha algumas restrições por ser o filme após Pulp Fiction mas.. vamos lá!

Jackie Brown - ID2

Muito bom! É incrível como Tarantino consegue fazer um longa metragem de duas horas e meia com apenas seis atores em atuações muito acima da média:

Robert De Niro - ID2Jackie Brown (Pam Grier, ótima como a protagonista que confunde a todos, inclusive quem está assistindo), Ordell Robbie (Samuel L. Jackson, sempre fantástico), Max Cherry (Robert Foster, o coadjuvante que rouba a cena em alguns momentos), Bridget Fonda (linda, e tendo a honra de contracenar com… ), Robert De Niro (na foto, e como sempre, superbo. Pra mim, ele e Al Pacino são os Midas da Hollywood atual) e Michael Keaton (muito bom como o policial que quer pegar L. Jackson).

Hoje, Tarantino é meu diretor favorito. Não que eu não goste do Scorcese, do Coppola, do Spielberg ou do Peter Jackson, não é isso. Mas eu sei que posso esperar ótimos filmes do Tarantino, numa linguagem única e, para mim, muito interessante.

A film by Quentin Tarantino - ID2

Woody Allen, por exemplo. Já sei que é meio sem sentido e sem razão, mas não consigo perder um certo ranço com ele. Tenho um amigo que é um grande fã, já vi alguns filmes dele (e já até escrevi sobre Vicky Cristina Barcelona, que gostei muito, aqui no blog), mas… não sei… não consigo… rsrs…

Pois e é exatamente por isso, por serem os dois diretores mais “amem ou odeiem” do cinema atual, e por Allen ser hoje, merecidamente, muito mais respeitado e cult do que Tarantino,  do qual eu sou bem mais fã, que eu digo.

Tarantino é o meu Woody Allen.

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