Arquivo da categoria ‘Pessoal’

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Um momento… inesquecível??

26/04/2012

Assim que a venda de ingressos pela internet foi iniciada eu comprei. Naquela madrugada, acordei as quatro e meia da manhã, sentei na frente do computador e comprei. Sem pensar nem terminar de acordar.

Ainda estava me recuperação pós-transplante (e ainda estou). Confirmada a compra do ingresso, comecei a planejar a viagem. Uns dias em Florianópolis, depois alguns em Joinville e terminar em Curitiba.

Durante os dias que antecederam o show os planos pra viagem mudaram. Agora, vou só pra Florianópolis e Joinville. Quando precisar, dou um pulo na capital paranaense.

Chegou o dia. Saí do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, e desci em Florianópolis (não sei o nome do terminal) pouco mais de meia hora depois. Consegui um bom negócio de táxi até a casa dos meus tios, em São José.

Primeiro dia, fiquei por lá conversando com o meu tio. Segundo dia fui até a Ilha. Amanhã é o dia do show…

Chegou o dia. Tudo converge para hoje… mas tem algo estranho…

Assim como o de Porto Alegre, o show foi SENSACIONAL. Simpático, absurdamente talentoso e arriscando palavras em português (com expressões tipicamente “manezinhas” desta vez), McCartney matou a pau.

Mrs. Valentine, Live and Let Die, Hey Jude, Something… Maybe I´m Amazed… incontáveis obras musicais…

A volta foi uma mão de obra. Da Ressacada (estádio do Avaí, local do show) para o Centro de Florianópolis, ainda na Ilha, e do Centro pra São José. Cheguei em casa e dormi… dormi e sonhei…

Sonhei muito… muito mesmo.

Sonhei tanto que, na verdade, não fui ao show. Na tarde do dia  marcado, já em Santa Catarina, eu decidi não ir à Ressacada. Assumi o prejuízo, mas priorizei a minha saúde. Meus joelhos estão doendo (e assim que voltar a Porto Alegre vou ver o que está havendo), e eu não conseguiria ficar tanto tempo em pé.

No final foi positivo, porque choveu muito e eu também não posso pegar chuva.

Não me arrependo da viagem e, apesar de lamentar, também não me arrependo de ter perdido o show. Quem sabe terei outra oportunidade, mas ontem realmente não dava.

Hope to see you another time, Sir. Paul McCartney!!

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Na primavera ou em qualquer das estações…

22/04/2012

Hoje eu estou aqui para falar de um grande amigo. De um irmão, no sentido mais sincero e fraterno da palavra. É certo se dizer que amigo é a família que a gente escolhe, e, com certeza, este tá escalado como titular na minha.

Nos conhecemos, oficialmente, em 1994, ainda no Segundo Grau (hoje Ensino Médio). Nunca fomos colegas, nem naquela época. Se dependesse disso, aliás, talvez hoje fossemos pouco mais do que antigos conhecidos.

Em 1996, no entanto, por circunstâncias que hoje somam uma série de coincidências, convivemos semanalmente voltando da universidade onde estudávamos. Ele cursava Direito, e eu, Informática. A “convivência” era no ônibus, na volta da faculdade às quintas feiras. Neste dia fazíamos educação física logo depois do almoço, e voltávamos juntos. Nos reconhecíamos do colégio e começamos a conversar.

Não dá pra saber exatamente quando, mas ali a amizade começou a crescer e tomar forma. Findo o primeiro semestre, acabou a rotina rodoviária, mas a amizade já tinha criado raízes. Tanto que no início de 1997 eu fazia parte de um grupo de jovens católicos e, quando me perguntaram se eu gostaria de chamar alguém para participar, ele foi o primeiro, e no final o único, a quem eu chamei.

Também em 1997 fomos pra praia, no carnaval. Uma viagem rápida, mas marcante e simbolicamente importante desta então incipiente amizade. Muitas outras “praias” vieram e certamente virão…

Eu costumo dizer que a consolidação desta amizade foi durante os anos de 1998 e 1999. No primeiro ano ele passou por algumas coisas complicadas, e eu ajudei no que pude. No ano seguinte foi a minha vez, e ele sempre esteve lá. A minha, inclusive, resultou na minha troca de faculdade. Hoje, para mim, aquele foi um momento crucial, fundamental e do qual absolutamente não me arrependo.

Isso, claro, é olhando agora, em perspectiva. Naquele momento era fundamental atravessar as dificuldades, encará-las, e para isso ter um amigo por perto seria maravilhoso. E eu, felizmente, tive.

A partir do ano 2000, quando eu mudei de faculdade, nossa amizade deixou de ser diária, mas certamente ficou cada vez mais forte. Incontáveis histórias, passeios, indiadas e aventuras. Assaltos, bebedeiras, aniversários, festas, mais praia, mais indiadas (vide ida a Tramandaí.. a ida em si, principalmente). Bom, é impossível lembrar de tudo.
É uma amizade já com uma estrada, mas ainda muito simples. Às vezes basta um almoço lá de vez em quando para colocar o papo em dia, e sentir novamente como se nunca tivéssemos deixado de nos falar.

Uma das coisas que mais me dá orgulho, aliás, é o fato, e a honra, de eu ser seu padrinho de casamento. Dele, e da minha querida e especialíssima cunhada e amiga.

Como os melhores amigos possíveis, nós gostamos de muita coisa em comum, pensamos da mesma forma em várias, e discordamos em algumas. Mas no fundamental, que é o respeito à individualidade, de opinião, atitude e visão de mundo de cada um, somos idênticos. Não há nada que discordemos totalmente, mas temos a capacidade de ouvir, entender e aconselhar um ao outro como só os melhores amigos sabem fazer.

Pela contagem oficial, estamos completando 18 anos de estrada, rumo a duas décadas. Contar o tempo não é, de forma alguma, o mais importante. Contudo, é também motivo de orgulho saber que estamos juntos na estrada há tanto tempo…

Rodrigo Fritsch, meu irmão. Este não é o primeiro e certamente não será o último texto que te escrevo. Como todos os outros, contudo, é 100% sincero e um pequeno gesto que costumo fazer àqueles que são, para mim, mais do que especiais. Meus parabéns, e que tudo corra bem contigo hoje e sempre.

Fábio Jacques
23 de abril de 2012

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Maybe I´m amazed…

13/03/2012

Conhecer alguma coisa tem um efeito caleidoscópico. No início, quando só se ouviu falar, esta coisa está lá, meio disforme, mas “de reconhecida existência”. Quando se presta atenção, o foco aumenta, e ganha nuances, detalhes, aspectos… Com o tempo, cada um desses pontos viram características que se abrem indefinidamente conforme nos interessamos pelo assunto…

PhotobucketPara mim, por exemplo, Paul McCartney foi, e é, assim. Quando eu era criança, tinha noção da existência dos Beatles principalmente por causa dos LPs do meu pai, e dos domingos de manhã em que eu acordava com ele tocando músicas do quarteto ao piano.

Com o passar dos anos, da minha adolescência, eu comecei a escutar com mais atenção, ir atrás… Nessa época, entretanto, o foco não era o Paul, mas os Beatles. Paul estava lá no “caleidoscópio dos Beatles”, existia, mas não me interessava ainda como “protagonista”. Ele era um dos quatro, basicamente.

Conforme eu me aprofundava nos fab-four, eu descobria que, mais que uma banda, eles eram quatro músicos, quatro pessoas. Conhecendo a história, descobri que os Beatles, enquanto banda, existiram por pouco menos de uma década. John Lennon morreu outros dez anos depois, mas até então Paul McCartney, George Harrison (falecido em 2001) e Ringo Starr estavam vivos. O que eles fizeram de lá pra cá?

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Foi então que eu fui atrás de conhecer cada um mais a fundo. Como todo o fã de Beatles com cerca de 30 anos no fim da primeira década do século XXI, eu lamentava muito nunca ter a oportunidade de vê-los ao vivo. Eu até considerava possível, um dia, ir até Buenos Aires, ou mesmo à Europa para ver um show do Paul… quem sabe um dia.

Só que em meados de 2010 começou um boato de que ele voltaria ao Brasil depois de quase 20 anos. Boatos como este sempre existiram, mas de repente a coisa começou a tomar forma e inclusive a possibilidade de ele vir a Porto Alegre foi aventada.

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Ele veio, e eu fui. Simplesmente sensacional. Nem só por eu ser, agora, um grande fã, mas ele foi de uma simpatia, inclusive falando algumas coisas em português: (“Ah, eu sou gaúcho” e “Para minha gatinha Linda”, num trocadilho ao anunciar a música “My Love”, em homenagem a Linda McCartney). Isso, claro, sem levar em conta que eu estava ali, com o “verdadeiro” Paul McCartney cantando All my Loving, Blackbird, Yesterday, Here Today, Jet e Band on the Run. Não gosto de ser piegas, mas, sem dúvida, um sonho de vida realizado.

Musicalmente, Paul McCartney era a metade da laranja de John Lennon. Enquanto o segundo era muito mais sentimento do que técnica, desde o início Macca tinha o talento, e a complementaridade dos dois gerou o que se tornaria, na minha opinião e na de muita gente, a maior banda de todos os tempos.

Os dois tinham uma coisa em comum. Apesar da infância feliz, os dois perderam a mãe na adolescência. Mary McCartney, mãe do Paul, faleceu antes mesmo de ele conhecer Lennon. Foi uma observação dele, ao visitá-la no hospital, que chamou a atenção dos médicos para a gravidade do quadro da mãe naquele momento. Infelizmente já não havia mais o que pudesse ser feito.

Esta seria a primeira das perdas que o marcaria profundamente. Por toda a vida ele comporia músicas em homenagem à mãe. Entre outras, Let it Be e Yesterday (em parte ele se direciona a ela)… A dureza deste momento, entretanto, formataria o caráter do jovem Paul.

McCartney traz em si uma característica que, ao mesmo tempo em que o tornou o músico sensacional que é, também é o seu maior defeito: o perfeccionismo. Essa meta incansável de buscar sempre o melhor, seja em família, atendendo fãs, compondo, tocando ou gravando canções certamente o levou a um desenvolvimento técnico incrível. Contudo, ele exigia dos outros este mesmo comprometimento e, muitas vezes, queria que as coisas acontecessem como ele gostaria. Conflitos sempre foram inevitáveis.

No começo dos Beatles isso não aparecia tanto, pois ele e John eram, talvez, a mais unida dupla de compositores que já existiu. Além disso, tudo ainda era meio que uma aventura, e o condutor era Brian Epstein, o empresário. Porém, com a morte de Epstein e a evolução da beatlemania, enquanto a música evoluía, eles também se individualizavam, e a saída para Paul foi assumir o gerenciamento da banda e colocar o seu perfeccionismo “a serviço” dos companheiros. Isso foi, sem dúvida não o único, mas um dos motivos do desgaste interno do grupo no fim dos anos 1960.

Uma curiosidade: Paul se registrava em hotéis como “Paul Ramon”. Anos mais tarde, isso seria a origem do nome dos Ramones. Banda que, musicalmente, nada tem a ver com os Fab-four. E para os desavisados: não, nenhum dos integrantes da banda de punk rock tinha como sobrenome “Ramone”.

PhotobucketAinda na época dos Beatles, Paul McCartney foi casado com Jane Austen. Um casamento quase de aparências. Ela, uma integrante da alta aristocracia inglesa, e ele, um dos maiores astros do Reino Unido e, quem sabe, do mundo. Só que a união logo se perdeu… e Paul conheceu Linda Eastmann, com quem também se casou e foi feliz por 30 anos.

Um dia Paul acordou com uma melodia na cabeça. Pronta, do início ao fim. Sentou ao piano e tocou. Mostrou ao seu pai – que lhe ensinou muito sobre música principalmente na infância – perguntando de onde a conhecia. Jim McCartney não a reconheceu. Mostrou a diversas pessoas, e nada. Compôs uma letra chamada “Scrambled Eggs” (“ovos mexidos”) e guardou.

Cerca de um ano depois, levou a composição ao estúdio já com uma nova letra e a apresentou ao grupo sugerindo que incluíssem seus instrumentos como achassem apropriado. Nenhum dos outros três incluiu nada, e ficou praticamente uma canção de voz e violão. Assim nasceu “Yesterday”, hoje a música mais regravada de todos os tempos.

Naquele tempo, John Lennon lutava internamente por nunca se sentir bem como um astro do pop (ele gostava dos Beatles, mas não gostava da “produtificação” de qualquer coisa que faziam). Paul McCartney, entretanto, estava em casa. Para ele, o sucesso e o respeito internacional eram resultado da qualidade do seu trabalho, e da sua eficiência. Aquilo era tudo que ele queria, e tomara que não acabasse nunca.

É, mas acabou. Um dia, depois de meses de desgaste entre os quatro, Lennon chegou ao estúdio e simplesmente disse: “Acabou, estou fora”. Os outros três não conseguiram convencê-lo a ficar, mas todos concordaram em manter segredo até o lançamento do próximo (e último) álbum. Pensado para se chamar “Get Back” (em tradução livre, “Volte!”), um tipo de retomada da banda aos áureos tempos, acabou se tornando “Let it Be” (Deixa estar).

O fim dos Beatles devastou Paul. Ele se mandou, com Linda e os filhos, para uma fazenda na Escócia. Deixou a barba crescer (bem mais do que na fase final do quarteto) e, entre outras atitudes de indiferença com a vida, deixou de tomar banho. O apoio de Linda foi fundamental, mas ela mesmo chegou a pensar em deixá-lo nessa época.

PhotobucketRecluso, fora do mundo e das notícias, Paul viveu alguns meses como um dos senhores feudais que há séculos dominaram aquela região. Não havia planos de voltar para a civilização, mas um dia a civilização chegou até ele.

Dois jornalistas da revista Life o encontraram e o fotografaram. Ele chegou a bateu em um deles, mas teve que se retratar. Depois de muita negociação, ele recuperou a foto e, em troca, aceitou conceder a entrevista que acabaria na capa da edição seguinte. Nesta entrevista, ele anunciou que estava saindo dos Beatles e partindo para a carreira solo.

Isso deixou John Lennon furioso pois, do jeito que Paul contara, parecia que ele, Paul, tinha tomado a iniciativa de acabar com a banda quando, na verdade, fora o último a decidir sair, no exato momento da entrevista. Até mesmo Ringo e George já haviam saído, mas convencidos a voltar..

Paul lançou “McCartney”, seu primeiro disco solo e que ele compôs, tocou todos os instrumentos, cantou e produziu sozinho, na Escócia. Como ainda era vinculado à Apple, teve que lançá-lo pelo selo que pertencia ao grupo. O detalhe é que ele não queria que os outros, e principalmente o atual administrador da Apple (contratado pelo quarteto quando ele fora voto vencido) ganhassem dinheiro com um trabalho caseiro e 100% McCartney. Essa situação gerou a guerra judicial entre os próprios Beatles, que durou boa parte dos anos 1970.

No ano seguinte, 1971, nascia o Wings. Paul era “Paul McCartney”, tinha o talento, o dinheiro e os equipamentos. Seu perfeccionismo (e, porque não, individualismo) o fizeram, algumas vezes, impor o que queria simplesmente porque queria. Não que o Wings não tenha produzido algumas das melhores músicas que existem (ou pelo menos, muitas músicas de qualidade indiscutível) mas, entre as “manias” de Paul, colocar a fotógrafa e esposa Linda McCartney aos teclados foi.. no mínimo.. uma excentricidade..


Maybe I´m Amazed – Wings

Claro que ela sempre foi fundamental para o Wings, tanto a partir da sua reconhecida evolução musical no decorrer dos anos quanto como companheira de Paul sempre, nos momentos bons e nos ruins. Ela muitas vezes foi a “tradutora” do perfeccionismo dele para os outros integrantes das diversas formações que a banda teve…

O Wings fez alguns grandes álbuns, gerou alguns clássicos do rock (Jet, Band on the Run, Ms. Vanderbilt, Silly Love Songs, entre outros) mas também fez alguns trabalhos praticamente descartados pela crítica e pelo público.

Paul McCartney e John Lennon – Em meados dos anos 1970, John Ono Lennon e Yoko Ono Lennon se separaram. No período, que mais tarde John chamou de “fim de semana perdido” (apesar de ter durado três ou quatro anos), Lennon deixou Yoko e Nova York e foi morar com May Pang em Los Angeles.

Certo dia Paul apareceu na Califórnia, vindo de Nova York e, conversando com o ex-parceiro lhe contou que Yoko disse que o aceitaria de volta, se ele se esforçasse. O conselho do velho amigo fez John voltar a morar perto do Central Park e cortejar Yoko até conseguir que voltassem.

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Paul e Linda McCartney, Ringo Starr, John e Yoko Ono Lennon

Tempo depois, numa noite de sábado em Nova York no final dos anos 1970, o programa Saturday Night Live (que até hoje é gravado ao vivo na cidade) brincou com os boatos de que haviam oferecido US$ 50 milhões por um único show dos Beatles reunidos. A oferta do SNL era US$ 25 mil. O que a equipe do programa não sabia era que, exatamente naquela noite os dois estavam em Nova York assistindo ao programa juntos. Chegaram a considerar aparecer de surpresa no estúdio, mas a ideia não vingou…

A morte de John, em 1980, foi outra grande perda de McCartney. Não que ele achasse, ou quisesse, que as coisas voltassem ao ponto em que estavam nos anos 1960. Apenas que a amizade dos dois foi tão profunda, tão intensa e importante que, mesmo longe ou com encontros bastante raros, Paul muitas vezes se confortava ao saber que John “estava lá..”. Compondo ou gravando, McCartney sempre levava em conta o que ele acreditava que Lennon estaria pensando. Em homenagem ao amigo, Paul compôs a belíssima “Here Today”.


Paul McCartney – Here Today em Porto Alegre

Em 1981, ao ser preso no Japão por porte de maconha, McCartney terminou com o Wings. Em 11 anos de estrada, a banda teve pelo menos 7 formações, todas resultantes, em algum nível, dos efeitos do perfeccionismo inalcançável de seu líder…

Para se ter uma ideia, eu nasci em 1978, um pouco antes do fim do Wings.. e só fui investir no caleidoscópio dos McCartney 20 anos depois, na época da morte de Linda..

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Biografia lançada em 2011 que eu li, e me aprofundei no caleidoscópio de McCartney

E a, até agora, última grande perda de Paul McCartney foi justamente a morte de Linda. Vítima de câncer, ela faleceu em 1998, nos Estados Unidos. Ele se casaria outras vezes, mas muitos acreditam que Linda será sempre a sua cara-metade.

Depois de Linda, em 2002 Paul casou com Heather Mills, o que talvez tenha sido o pior erro da sua vida, mas certamente o mais caro. Quando se conheceram, ela falava de missões de paz, e sobre uma infância difícil e sofrida. Depois de casada, ela passou se mostrar mais interessada na boa vida e no status que tinha por ser casada com McCartney.

Em 2007, no divórcio, ela voltou a mentir, dizendo inclusive que apanhava. Heather  pediu metade da fortuna. Não levou, mas absolutamente não saiu de mãos vazias. Algum tempo depois, diversas declarações de ex-amigos de Heather jogaram por terra as mentiras de “pobre menina doce”. Ela teve uma infância comum e não era engajada em nada…

PhotobucketComo, felizmente, Paul ainda está vivo, esta história termina, mas não acaba, no dia 07 de novembro de 2010. “Paul In Poa”. Sem dúvida o melhor show da minha vida, na companhia de grandes amigas, em uma experiência indescritível.

Além de tudo o que eu disse antes, é muito louco ver vídeos dos Beatles, em preto e branco nos anos 1960, ou mesmo hoje, notícias sobre Paul McCartney, e pensar que eu e ele estivemos no mesmo local, ao mesmo tempo, a poucos metros de distância. Eu sei que isso é coisa de fã, mas… bom, deve ser mesmo, por que eu sou um grande fã de Sir. James Paul McCartney.


Não poderia faltar: Live and Let Die e Hey Jude,
também do show de 2010 em Porto Alegre

Update!!! Confirmado show em Floripa no dia 25 e abril!! EU VOU!!!

Update 2!!! Comprado ingresso para o show em Floripa no dia 25 e abril!! EU VOU!!!

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O Pelé dos rins (2)

09/03/2012

Este texto é a conclusão da história iniciada por “Para o que der e vier” e, é claro, “O Pelé dos rins (1)”.

Terça-feira, 06 de março de 2012. O dia da alta.

PhotobucketLogo pela manhã, o médico veio e perguntou se teria alguém para buscar a medicação para mim no SUS. O processo de alta era longo, e incluía buscar a medicação especial e trazer para conferência. Meu pai veio, pegou a receita, levou no SUS e voltou. Detalhe: segundo o médico, cada um dos dois remédios que pegamos (e, sem dúvida, SEMPRE pegaremos) no SUS custam mais de R$ 1.000,00 a caixa!!!

Enquanto meu pai corria a cidade, eu recebi orientações do medico, da enfermeira, da nutricionista e de uma assistente social.

Depois do SUS meu pai ainda teria que ir a um posto de saúde buscar o resto e, caso fosse necessário, comprar o que faltasse numa farmácia popular. Por ironia, quando meu pai voltou do SUS vieram dizer que eu estava liberado. O fundamental eram os dois remédios do SUS, pois os outros certamente seriam encontrados (como foram). E o hospital estava precisando do leito…

Depois de mais uma pequena burocracia, saímos. Eu, é claro, de máscara. Passamos no posto de saúde, na farmácia, e casa! Foram 21 dias onde, aparentemente, tudo deu certo. Foi muito bom, o atendimento é ótimo, mas não pretendo repetir a experiência.. e, de preferência, em circunstância nenhuma!

Uma nova vida se inicia. Agora, quem precisa de paciência sou eu.

O principal “vilão” causador das mudanças é, ao mesmo tempo um dos heróis. Um dos remédios para a rejeição baixa a minha imunidade. Esse efeito, inclusive, ajuda a fazer o organismo “aceitar” o rim…

Por causa disso, algumas coisas tiveram que mudar. A mais triste: não posso mais conviver com cachorros. A Dolly, cadelinha aqui de casa, está presa na cozinha. Pode sair pra passear, mas não passa mais da cozinha. Eu, por outro lado, tenho a casa “liberada” pra me movimentar, com exceção da cozinha. Com cuidado, claro. Pelo certo não deveria ter tapetes, plantas nem cortinas pela casa, mas vou com máscara…

Essa é uma solução temporária, a definitiva está em debate… O certo é que o meu afastamento de cães não é por tempo limitado… E hoje foi bastante triste ouvir a Dolly chorando durante a noite.. Afinal, ela sempre dormiu com a gente, e teve a casa toda pra brincar…

PhotobucketQuarta-feira, dia 2 da nova vida. Segui me adaptando aos remédios, horários, decorando, aprendendo. Cuidando muito da higiene (quase neuroticamente). Eu acho importante ser xiita nesta fase, pois além de fazer a minha parte para que tudo dê certo, com o tempo vai se aprendendo e “abrindo” limites… Mas estes primeiros meses são fundamentais…

Sobre o peso. Me pesei numa balança aqui de casa e, segundo ela, estou 1,5kg acima do que a balança do hospital marcava. Ok este será o novo peso oficial, e vamos seguir baixando…

Uma coisa muito legal deste momento foi o apoio da família e dos amigos. Eu sempre acreditei que amigo não é necessariamente aquele que está contigo todos os dias. Por mais que se queira, isso muitas vezes não é possível. Seja pelas atribulações do dia a dia daqueles que moram na mesma cidade quanto, no mundo dos contatos virtuais, pela distância que a internet “diminui”, mas não resolve.

Durante os últimos 10 dias de internação, eu acho, eu escrevi um boletim diário no Facebook, sempre contando as novidades do dia anterior, falando algumas besteiras (que não poderiam faltar) e coisas inúteis. O retorno foi sempre muito bom, e sem dúvida isso ajuda a passar pelo “isolamento”.

É isso. Agora tem alguns dias (semanas, talvez?) de recuperação em casa, depois a alta total. Alta total com dois detalhes:

Primeiro, é alta mas os cuidados serão eternos… nada vai mudar depois que eu estiver apto à vida normal. Vai ser necessário um rearranjo de horários, com o tempo a medicação vai baixar.. mas terminar, nunca! E não falo com tristeza, falo ciente da missão que tenho. Como me disseram no hospital, a medicina fez e está fazendo tudo o que pode, o resto vai ser comigo!!

Segundo. O INSS… ah, o INSS. Minha perícia está marcada para o dia 16 de maio. Até lá, férias compulsórias pro menino… Ou seja, quando os médicos me liberarem pra trabalhar, eu volto mas não volto. Confuso, mas é. Claro que eu vou procurar alternativas, mas no momento não vejo o que possa ser feito, pelo menos em relação ao meu trabalho “oficial”…

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Bom, agora eu sou craque. Além de ter a forma física do Ronaldo Fenômeno, tenho uma coisa similar ao Rei do Futebol. Afinal, se Pelé é o atleta de Três Corações, eu agora sou o jornalista de três rins.

Vida que segue!

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O Pelé dos rins (1)

08/03/2012

Este texto é continuação de “Para o que e vier”, e fala sobre o período de internação hospitalar. No final de semana publicarei a terceira e última parte, sobre o começo da nova vida…

Segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012. Fiz a última hemodiálise naquela manhã. Internamos, eu e a minha mãe, à tarde. Aquela já não era a primeira internação visando o transplante. Três semanas antes nós já havíamos estado ali, mas um adiamento nos mandou pra casa e agora estávamos de volta.

PhotobucketEu não sei por que, mas estava um pouco mais nervoso desta vez. Da outra vez parecia que era só mais uma visita aos médicos que há anos vêm me acompanhando. Agora… de alguma forma… eu sentia diferente. Tinha a sensação do desafio sem saber (e, em muitos aspectos, sem ter ideia) do que viria pela frente. Entretanto, como tudo havia sido feito exatamente para este dia, então, que venha! Chegou o dia 14, data da cirurgia. Nenhum novo adiamento? Ok.

Passado o transplante eu acordei, ainda no dia 14, deitado na UTI, e totalmente “grog”. Minha irmã me contou que ela estava lá (eu me lembro em flashes) e me perguntou “Tudo bem, Dani?”, e eu disse, lentamente, “Tuuudo…”. Num estilo meio, se ela tivesse me perguntado uma raiz quadrada, a capital do país ou onde eu estava ou quem descobriu o Brasil, a resposta seria: “Tuuuudo…”.

Foram quatro dias de UTI. Deitado direto por quase 100 horas, com a sonda para urinar, e sem “precisar” do “no. 2”. Para mim, que estava em recuperação, era monótono, mas eu não teria forças para me mexer muito mais que aquilo mesmo…

A UTI é um lugar.. “pitoresco”. Enquanto eu estava ali – caso nada desse errado, como felizmente não deu – apenas para iniciar a recuperação, alguns estavam ali há meses e, inclusive, um receptor de transplante entre-vivos de fígado faleceu naqueles dias (e o hospital decidiu não fazer mais esta cirurgia. Fígado, agora, só de doador cadáver).

Minha mãe também estava na UTI, mas saiu em ainda menos dias que eu. Quando eu saí, conseguiram me colocar no mesmo quarto que ela. Ficamos alguns dias juntos. Nesse tempo a recuperação dela, claro, estava bem melhor que a minha. Eu tinha dificuldade até para, estando deitado, me sentar (levantar então, nem pensar). Ela já caminhava, ainda que com dores. Logo ela melhorou mais um pouco e teve alta.

PhotobucketFiquei alguns dias sozinho. Praticamente num SPA. Alimentação de três em três horas, remédios quase na mesma frequência, além de a equipe à disposição caso eu precisasse de algo.

A minha recuperação hospitalar, felizmente, foi sempre progressiva. Tudo evoluindo, devagar e sempre. A primeira vitória foi tirar a sonda. Vitória parcial, pois tive que continuar colhendo urina até ser liberado (e só quem já fez isso sabe como é chato)…

Ainda sobre usar o banheiro, no início tomar banho era uma operação de guerra. Como eu não podia ficar muito tempo de pé (pois o rim novo ainda incomodava bastante), usava um banquinho. E como os pontos eram muito recentes, nada de chuveiro, tinha que ser na “mangueirinha”.

Primeiro, sentado, eu molhava o corpo todo. Em seguida, dá-lhe sabonete… Depois, mais água, para enxaguar. Depois o shampoo. Mesma coisa: água, shampoo e água novamente. O detalhe é que, não sei se por não ter feito nenhuma força (zero) com os braços por alguns dias, cada vez que eu botava as mãos na cabeça, parecia que eu tava levantando o Himalaia.

Meu novo (e segundo) companheiro de quarto é um caso a parte. Um cara gente boa, mas que, me parece, não tinha bem noção do que estava fazendo num hospital. Primeiro, quando tinha fome ele simplesmente descia até o mercado (fora do Hospital, claro) e comprava porcarias pra comer. Depois, ao invés de guardar a urina como solicitado, ele simplesmente eliminava e dizia que tinha “esquecido”. Boa e longa estadia pra ti, meu caro…

Depois tirei o acesso, que é basicamente um cateter para medicações intra-venosas (mal sabia eu que ele voltaria…). Os movimentos foram voltando, dia-a-dia, enquanto o peso ia caindo…

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O acesso é o que está próximo ao pulso, com a seringa escondida pelo curativo.
Os outros foram coletas para exames de sangue

Isso, aliás, foi a melhor notícia. Entre as inesperadas, claro. Ocorre que, entre as medicações que um transplantado recebe, uma das direcionadas à rejeição possui corticóides. E o efeito “visível” desta substância é uma sensação constante de fome. Constante. Simplesmente constante. Se eu estou com fome agora? Sim.

Claro que, no hospital não existe alternativa. Tu só vai comer o que eles te entregarem. Mesmo assim, 10kg em menos de 20 dias pós-operatório foi uma marca interessante. É claro que o desafio vem depois da alta, com sensação de fome e acesso à geladeira…

Me trocaram de quarto pois o meu companheiro estava com suspeita de tuberculose. Felizmente, para ele, não se confirmou…

No novo quarto, um novo colega. Apesar de ele mesmo se dizer alguém sem paciência, é uma boa companhia. Conversamos bastante e não tivemos nenhum problema para compartilhar a “área comum” do quarto (ligar ou desligar a TV ou o ar-condicionado, abrir ou fechar a janela, etc.). E ele até que se esforçou para disfarçar a falta de paciência.. mas às vezes ficava de birra com os enfermeiros… hehehe..

Quando estavam se completando os 15 dias previstos de internação, e a minha expectativa de alta começava, vieram com a novidade: “Tu vai fazer uma biópsia”. “Ok, então eu vou…”

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A biópsia serve para verificar como estão as coisas (certamente existem detalhes que o tecido responde e a urina ou o sangue, por exemplo, não). O problema é que o resultado levava quatro dias, e isso significava mais uma semana de hospital… “Tudo bem, é do jogo, mas já me diverti bastante aqui, viu?…”

Como o resultado da biópsia sairia, teoricamente, no sábado, eu sabia que antes de segunda-feira não tinha conversa. Então o negócio era relaxar, curtir e deixar o tempo passar…

Eis que, na quinta, a novidade. Veio a enfermeira e perguntou: “Tá usando acesso?”. Eu disse que não. Ela disse: “Agora tá…”. Foi lá e colocou de novo…

Antes da alta era necessário que eu usasse uma outra medicação intra-venosa para ficar reagindo no organismo por um tempo depois da alta (os comprimidos são imediatamente absorvidos). Ok.. mas eu preferi quando me colocaram o acesso enquanto eu estava anestesiado…

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Foram 3 dias com sessões de duas horas de “metilpredinisona”. Era para o acesso ter ficado paradinho nos três dias, mas no meio de um deles eu fui tomar banho e acabei mexendo. Hoje, parece que eles estavam procurando petróleo no meu braço, de tantos furos…

Na segunda-feira, me disseram que sairia o resultado da biópsia e, até quarta, eu estaria liberado. Ouvi, registrei, mas não me deixei criar expectativas. Vamos esperar.. (no caso, até a publicação da parte final….)

Clique aqui e leia a conclusão desta sensacional história: O Pelé dos rins (2)

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Para o que der e vier…

07/03/2012

Eu não lembro direito quando tive o primeiro contato com a ideia de que eu realmente teria que fazer um transplante. Eu sei da insuficiência desde criança, mas no início era uma ideia muito vaga, que foi evoluindo…

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Onde está Wally?

Depois o transplante se tornou algo que aconteceria algum dia, mas era impossível dizer quando…

Foi na época em que eu morei em Joinville (provavelmente em 2007), entretanto, que eu soube que o “teria que fazer transplante” estava mudando de tempo verbal…

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Mesmo que a ideia sempre tenha estado lá é claro que é uma notícia de impacto. Além de todo o processo que se iniciou naquele dia (toneladas de medicação, a fístula, a dieta direcionada, etc.), existia o transplante em si. A cirurgia. Receber um rim.

Desde o início, minha postura foi “temos que fazer, então vamos fazer”. Não vou dizer que fui santo e fiz tudo direitinho de lá pra cá, mas em nenhum momento deixei de encarar as limitações como algo necessário, ainda que às vezes desagradável.

O tempo passou, eu voltei para Porto Alegre em 2008 e aqui participei de um grupo de testes de um novo medicamento, onde eu fazia exames de pressão arterial e de sangue periódicos para acompanhar os resultados da pesquisa e monitorar todo o resto (nível de cálcio, potássio, ferro, sal, etc.).

Em janeiro de 2011 os índices chegaram ao limite:

“Diálise pra ti, guri”, disseram.

Ok, vamos lá. Comprei um notebook pra passar o tempo, juntei um catatau de livros e DVDs e me fui. Três vezes por semana, quatro horas por dia. Tive a sorte de fazer a diálise numa clínica muito boa, com uma equipe dedicada e muito atenciosa. Fizemos inclusive alguns eventos extra-clínica e um amigo-secreto no final do ano.

Enquanto eu fazia a diálise, começaram os testes com a minha mãe. A compatibilidade já havia sido constatada lá em 2007, mas agora era necessário verificar as condições dos rins dela. Tanto o que ela me doaria quanto o que ficaria com ela. Afinal, ela também ficaria com apenas um, e a ideia é só haver um transplantado receptor na família…

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Lá por outubro de 2011 veio a notícia. Estamos liberados pra cirurgia. E aí começou uma nova etapa que, como me foi sugerido pelo meu amigo Daniel Wildt, virá amanhã, em um novo texto, que talvez também seja “quebrado” em mais de um. Não pretendia fazer isso, mas é melhor mesmo, até para quem lê..

Então… até amanhã com a segunda parte! Bom dia!

Clique aqui e leia a segunda parte: O Pelé dos rins

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Alguma coisa está fora da ordem….

27/04/2010

Eu estou passando por um grande momento. GRANDE momento. A minha empresa está andando, eu me sinto profissionalmente muito valorizado e isso traz um reconhecimento pessoal incrível. Mesmo que o retorno financeiro ainda não seja o ideal, acho que estou construindo – ou começando a colher os frutos de – uma credibilidade que é fundamental para que este “detalhe” seja resolvido.

No lado pessoal, eu estou atingindo o equilíbrio. E não digo no sentido de estar mal e, aos poucos, melhorando. Não. Estive mal, por muitos anos. Há alguns, contudo, eu estou MUITO bem. Feliz comigo, com objetivos, sonhos e trabalhando – em todos os sentidos – por eles.

Só que nem só de dias maníacos – no sentido bipolar do termo – se vive a vida. Tenho meus momentos baixos. Algumas semanas atrás tive um momento de mau humor repentino que nem eu me reconheci, mas aceitei e fui em frente. Acredito que, felizmente, quem teve que me aguentar naquele dia soube entender e vai seguir comigo…

No lado dos relacionamentos.. ah, o lado dos relacionamentos. Pra não dizer que não falta nada, falta isso. “Só” isso. A virada de 2009 para 2010 foi bastante intensa neste campo. De setembro pra cá mudei uma certa atitude e me dispus a conhecer pessoas novas. Conheci várias, fiquei com algumas e acabei sozinho. Antes que pareça melancólico, tudo ia bem quando eu descobri que nunca encontraria o que procuro fazendo o que estava fazendo.

E o que me fez enxergar isso, quem diria, foi alguém que eu conheci do modo “tradicional”, numa dessas festas da vida. Não houve, na verdade, nada de concreto nem de mim em relação a esta pessoa, mas a percepção de que existem pessoas como ela – e que por isso eu não precisaria me habituar com “meias-afinidades” – é que fez com que esta “nova atitude” acabasse poucos meses após começar.

Ok, sem meias-afinidades. Então, qual é a saída? A mais óbvia, simples e complexa possível: ser eu mesmo e manter as opções abertas. Contudo, isso é uma via de duas mãos, e a corrente só acende a luz se, em algum momento, os dois lados estiverem conectados. Ocorre que.. não sendo algo material, visível.. como saber se, afinal, os lados estão conectados ? (Tá, eu sei essa resposta também…)

Eu estou conectado. Aliás, não. Eu SOU conectado. Às vezes eu só gostaria de não ser tanto…

Chamem-me de Erick. Atrapalhado, cavaleiro de meia-tigela. Corajoso enquanto o Vingador não aparece, e quase sempre inteligente. Aqui estou eu, mais uma vez, na frente do portal que pode me levar (de volta) para o meu mundo. A pergunta é: será que esta é realmente a saída? E será que eu preciso passar correndo, ou indo passo a passo eu acabarei passando por ele (o portal) sem notar?

Desta vez não há resposta certa. Há apenas uma vontade imensa de voltar para aquela maldita montanha-russa….

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Eu não sou de Krypton…

16/01/2010

… mas às vezes também acho que não sou terráqueo. De onde será que eu sou?? Marte? Alfa-centaury? Ou quem sabe… do Planeta Atlântida!!

É!!!! Vem aí a edição 2010 do Planeta Atlântida! No RS, que será em 5 e 6 de fevereiro, e em SC, que, por sinal, termina hoje.

Como já estou numa fase meio balzaca (já bati a barreira dos 30), não tenho muito a intenção de ir (mas… quem sabe). O fato, porém, é que fui em MUITOS, com muitas histórias pra contar….

A última acho que foi ali por 2004, mas até então, se não tinha ido em todos, tinha ido na maioria. Isso, aliás, contando com as edições catarinenses.

Impossível lembrar de todas as histórias. Impossível, também, escrever sobre todas ou organizá-las de forma cronológica. Por isso vou contar algumas resumidamente… vamos lá!

199? – Não sei se foi 1996 ou 1997. Gabriel o Pensador, show de manhã. Não sei se era desorganizado, se os shows duravam mais ou se eram mais shows. Mas quando o Gabriel entrou no palco já era dia.. show SHOW… sou muito fã do cara, desde antes!

1998 - Show do Tim Maia. Esse ano eu fui nos dois “Planetas”, e em ambos teve show do Tim. O detalhe é que o de SC acabou sendo o último show da carreira do “síndico”. Ele sairia no meio do show seguinte, em Niterói, passando mal, para não voltar mais.

1998 – Neste mesmo Planeta SC, eu fui com minha grande amiga Ana Paula. Terminados os shows, voltei de ônibus para o centro de Floripa, e daí para Balneário Camboriu, no velho “catarinão”. Quando cheguei em casa, uma nova moradora: a Dolly.. a incrivelmente silenciosa poodle que está com a gente até hoje!

1999 – Eu e a galera no Planeta RS. Entre nós, uma médica recém-formada, amiga de alguém e metida a besta. Nós sentados no gramado até que, lá pelas tantas, o bungee-jump arrebenta, e o cara que estava pulando desaba e cai no colchão de ar.

Um dos caras sai correndo pra ver o que houve. Logo depois ele volta, desanimado:  ”Não aconteceu nada.. ele tá no Pronto Atendimento tirando uns xerox”.. A galera não entendeu o que ele queria dizer, até que a “médica” se emputeceu e disse: “Radiografia, seu animal!!”.. A gargalhada foi geral… hahahaha..

2001 – Planeta RS. Nesse eu fui com um amigo de faculdade. Quer dizer: eu fui, mas ele não. Passou mal na estrada e acabou “vetado pelo departamento médico”. Eu bebi horrores e, no fim, fui pra casa de praia dele como previsto. No meio da noite acordei.. sabe? Meio bêbado.. olhei em volta e não reconheci o lugar.

De repente eu começo a ouvir vozes falando espanhol. Por um milésimo de segundo, eu fiquei a-pa-vo-ra-do.  ”Mas onde diabos eu estou???” Aí lembrei: na casa do tal amigo, que ainda não tinha chegado. Ocorre que a mãe dele é uruguaia, e estava conversando com a avó dele, na língua pátria.. delas… ufa!!

1999 (?) – Planeta SC. Fui com a minha irmã, na mesma indiada de 1998. Pior: por que ela quis, para ver 2 bandas que eu não tinha grande interesse: Rappa e Raimundos.  Tava obviamente P.. da cara. Lá pelas tantas.. ok, vou me divertir então.  Foi então que minha irmã pediu pra eu pagar um piercing pra ela. Ainda que achasse… “desnecessário”, paguei. A cara da minha mãe na volta valeu a viagem, hahahaa..

Planeta Atlântida é isso aí. É festa, é galera, é chuva, é indiada, mas, principalmente, é música!!

Brincadeiras à  parte, eu nem sei se a Cassia Eller tocou em alguma edição, mas isso deve ser “o que os astrônomos diriam se tratar…de um outro Planeta!

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Carta para o meu melhor amigo

01/01/2010

Feliz 2010, galera!

Para celebrar o novo ano, publico uma carta que escrevi no primeiro ano de faculdade (2000). Entre diversas referências musicais ao longo do texto estão diversas canções que estavam em voga na época e/ou que eu gostava – e gosto. O importante era que eu estava escrevendo para eu mesmo ler dali a 10 anos, ou seja, em 2010.

Com 21 anos, eu estava numa fase de grandes mudanças. Tinha acabado de começar jornalismo e sentia como se tivesse a vida toda pela frente…

Olhando agora, o Daniel, bixo da Famecos, ficaria bem feliz de saber do resultado desta louca primeira década do século XXI. O curioso é que, em pleno século XXI, tão falada época da comunicação em tempo real, essa carta deveria levar 10 anos pra ser entregue.

E não é que a carta chegou??

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Olá, Daniel

Como você está? Eu estou bem. Bem, na verdade, ainda é cedo para afirmar isso. Você sabe, mas estou caminhando e cantando e seguindo a canção…

Não sei se você vai se lembrar de mim, mas estou aqui, em pleno ano 2000, aprendendo com meus primeiros erros. O tempo não pára, e às vezes isso é muito cruel. Contudo, se você (eu) está lendo isso, é porque, de alguma forma, nenhum de nós desistiu.

Eu não sei quanto a você, mas ainda lembro de muitas coisas “inúteis” ou que me causam sofrimento. Como você sabe, somos dos anos 70, e vivemos a “Geração Coca-Cola”, cantada por Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. Você lembra da Legião Urbana? Hoje, eles são imortais, deuses da música brasileira, apesar de o Renato Russo ter falecido há alguns anos.

Exagerado. É assim que eu me considero na maioria das vezes. Se é verdade que vale quanto pesa, certas coisas pesam – hoje – muito mais do que deveriam.

Eu tenho sido meio burro, é verdade. Às vezes acho que crio problemas só para ter que enfrentá-los. Mas, por acaso, meu caro detetive, sabe o porquê disso? Isso tudo é por você, para que quando você estiver lendo isso, tudo isso que eu falo seja passado e, se tudo der certo, terá sido um passado mais que perfeito.

Hoje faz pouco mais de um ano que eu resolvi mudar, e a cada dia eu vivo, ou tomo, mais uma dose dessas mudanças. Vivo entre tangos e tragédias, em busca do romance ideal.

Talvez, quem sabe, este seja o meu erro. Eu vivo hoje de volta para o futuro, sem pensar, na verdade, no hoje. Espero que agora, quando estarei lendo isso no final da primeira década do novo milênio, eu já tenha encontrado a única balada do amor inabalável, que é a minha auto-estima, meu amor próprio.

Bem, Daniel – é assim que você gosta de ser chamado, não é? -, boa sorte. Espero sinceramente que consigas aquilo que queres, pois sei que tens capacidade pra isso. Nos vemos em 10 anos!!! Um abraço!

Fábio Daniel Lunardi Jacques
Porto Alegre, ano 2000

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De repente 31…

02/11/2009

É amigo… 31 anos..

Na verdade, o aniversário foi quarta-feira passada, já é notícia velha. Mas, por questões de agenda, eu acabei celebrando entre amigos apenas ontem. Como era domingo de feriadão, nem todos os convidados puderam parecer(e nem por isso são menos especiais).

Foi ótimo, muito bom mesmo. Na mesa com alguns amigos de muitos anos (alguns com quase duas décadas de amizade) e uma  muito recente mas, sem dúvida, já bastante especial.

É viagem, mas eu adoro “receber” amigos. Não é nem exatamente pelo aniversário, mas por encontrar algumas pessoas especiais na correria do dia a dia. (Acho até que eu já falei isso ano passado, ehehehe).

O ruim de fazer 31 anos é que, talvez por que a vida já está tomando um rumo e, claro, por ser com amigos de tempos, as histórias são sobre o passado e não sobre o futuro, hahaha.. E pior, não são questões de cinco ou seis anos atrás. Geralmente, dez, quinze ou mais. Lembrar de coisas e “tecnologias” que não existem mais, ou falar de como se fazia sem algumas coisas banais de hoje.

Não é nem que eu me sinta o Matusalém por causa disso, não. Ao contrário, isso serve para me lembrar que, ainda que ainda seja jovem, eu não cheguei aí ontem, hehehe.. Já estou na estrada faz um tempinho…

O 31° ano de vida foi incrível. Até diferente do 30°, que também foi muito bom, mas este foi um ano de amadurecimento de lados práticos da vida. Se nos 30 eu celebrava a conquista da tão buscada auto-estima, nos 31 eu celebro o encaminhamento da vida profissional, a possibilidade de colocar em prática toda teoria do meu potencial. Entre erros e acertos, acho que estou indo bastante bem.. Aprendendo muito, é verdade, mas bastante bem.

Os 32 (o ano que iniciou semana que vem e vai até a Feira do Livro de Porto Alegre de 2010) será, no melhor estilo “Campanha da CNBB”, o ano do lado pessoal. Sem descuidar do que eu conquistei até aqui no profissional, no pessoal (e sem descuidar da saúde), vou me focar no pessoal.

Sem teorias, sem porquês sim ou porquês não. Eu sei a direção, e o caminho eu vou encontrar.

Era isso. Este texto não tem a intenção de ter pé ou cabeça. É apenas um pequeno reflexo, balanço, do último ano. Aos meus amigos que estiveram presentes ontem, meu muito obrigado. A estes e aos que não foram (em parte por ser um domingo de feriadão) meu mais sincero “tamo aí galera!!”.

E, como já passou o dia da criança.. Feliz Natal pra todo mundo!!

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