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Até quando?

24/05/2012

Pra começar, uma pequena introdução ao assunto para os que não acompanharam os fatos que me levaram a escrever este texto:

O cantor, compositor, escritor e artista Gabriel o Pensador foi convidado para ser o Patrono da 27ª Feira do Livro de Bento Gonçalves, que foi realizada em maio na cidade serrana.

Alguns meses antes, após a reclamação de um “poeta” gaúcho sobre o cachê que seria dado ao Gabriel teoricamente por ser o Patrono do evento, o próprio Gabriel decidiu abrir mão do dinheiro, cancelando a distribuição de livros e o show que faria na cidade (inclusos no custo do teórico cachê), e anunciou que sua participação estava mantida e seria mais simples (sem livros nem show), porém de graça. O rapper esteve presente inclusive à abertura da Feira, e tudo transcorreu naturalmente, sem a presença do injuriado “poeta”.

Encerrando o assunto, Gabriel lançou, na abertura da Feira, o clipe da sua nova música, “Linhas Tortas”, onde fala da sua relação com a literatura e sobre a polêmica.

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Agora sim, começando…

A polêmica que envolveu o Gabriel O Pensador está inserida em algumas discussões que eu considero importantes.

Pra começar, Bento Gonçalves é uma linda cidade do interior do Rio Grande do Sul e, antes de ter a Feira do Livro como um evento-símbolo da cidade, submerso em tradições como é o caso de Porto Alegre, a realiza com o propósito prático, primordial e direto de ser um mecanismo para incentivar seus cidadãos, de todas as idades e classes sociais, à leitura.

Impressão Digital 2Pensando nisto, este ano a Prefeitura convidou Gabriel O Pensador para ser o Patrono. Além da presença ilustre, a possibilidade de distribuir livros para as crianças do município e o show que seria realizado seriam acréscimos interessantes ao evento. É claro que tudo isto teria custo, mas a prefeitura optou por assumi-los.

Como o próprio Gabriel diz na música recém-lançada, “na Feira eu vendo livro, no show eu vendo ingresso”. Sim, pois ambos são parte do trabalho dele, e ambos devem e merecem ser remunerados. Um certo “escritor” gaúcho, no entanto, achou – muito ingenuamente na minha opinião -, que o valor (mais de R$ 160 mil) publicado no Diário Oficial como direcionado pela Prefeitura de Bento Gonçalves ao patrono da Feira fosse 100% o seu cachê.

Ingenuidade, para dizer o mínimo. Meu caro escritor, a primeira atitude que todos SEMPRE devemos (ou deveríamos) ter quando recebemos qualquer informação é mandar o Tico chamar o Teco e tentar entender, por dois segundos, o que está acontecendo. Não dói, eu garanto.

Ao ser chamado, o Teco perguntaria ao seu irmão:”Peraí, cara.. cento e sessenta vezes?“

E continuaria: “Não é assim, meu. Se te oferecem um dinheiro para fazer alguma coisa… e oferecem 160 vezes mais para outra pessoa fazer basicamente a mesma coisa… Alguma coisa esta errada. Será que é para fazer a mesma coisa? Repara… não é o dobro, nem três vezes mais, nem dez vezes. São CENTO E SESSENTA vezes.”, ressaltaria o pequeno neurônio.

E eu adicionaria: Para quem mesmo? De onde? Será que não tem outros serviços e custos aí?

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Vale ainda uma pequena lembrança ao reclamante: O que te fizeram, na tua opinião oferecendo pouco dinheiro ou te subvalorizando dentro da tua visão míope sobre o dinheiro que seria pago ao Gabriel, foi um CONVITE para participar do evento, não uma convocação. Como se diz em Florianópolis (o sotaque é importante aqui): “Se queres, queres, se não queres, dizes”.

Tá ruim o dinheiro, o evento não é interessante, tá com frieira? Agradece, declina e segue a tua vida, rapá…

É fundamental cada um saber o seu lugar, o que deve ser dito, como e quando deve ser dito.

Durante a polêmica, teve gente que veio dizer “e porque não chamaram um escritor gaúcho?”. Bom, pois eu inverto a pergunta: “Por que chamar um escritor gaúcho?”. Não que não se deva, mas a pergunta é pertinente e direta. Por que, por qual razão?

Se houver uma razão ótimo, sou totalmente favorável. Mas “gaúcho” não é sinônimo de qualidade. Temos muitos ótimos escritores, sem dúvida, mas também temos “escritores”, e é claro existem vários ótimos escritores fora do Rio Grande do Sul também.

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O que levou Bento Gonçalves a convidar o Gabriel O Pensador não foi muito diferente do que a levaria a convidar um gaúcho (o que certamente já aconteceu, mais de uma vez, nas 26 edições anteriores). A questão é que houve um propósito, um objetivo, em chamar especificamente o Gabriel. E o Gabriel, assim como o “escritor”, foi apenas convidado e aceitou. Até porque o tamanho do “cachê”, no fim das contas, não tinha nada a ver com a participação dele como Patrono…

Impressão Digital 2A distribuição de livros gratuitos para as crianças carentes do município e o show, também gratuito para o público, certamente estão sim, inseridos no contexto de literatura e, porque não, de alfabetização literária, tão importantes e totalmente condizentes com o perfil de um evento como este, principalmente quando realizado numa cidade do interior.

Existia a questão da visibilidade que uma presença nacional traria ao município? Sim, mas o que há de errado nisso? Bento Gonçalves vive, além da área vinícola, fortemente do turismo. Por que não ligar uma coisa à outra?

Tem outra coisa, da qual inclusive o Gabriel também fala na música. Às vezes parece que é feio um artista (e aí se incluem escritores, desenhistas, músicos e muitos outros) receberem dinheiro pelo seu trabalho. Parece que as pessoas acham que por que não houve trabalho braçal, esforço físico ou por que no final não restou um produto material, sólido, finalizado, não houve trabalho. Pois houve, e houve muito. Trabalho intelectual é tão importante e difícil quanto trabalho braçal.

Ou pede para um marceneiro escrever um poema, desenhar uma charge ou compor uma canção. Vai sair ruim não por ele ser marceneiro, mas porque não é a dele… Deixem, pois, o marceneiro “marceneirando” e os compositores compondo e os escritores escrevendo…

Mais uma coisa que me incomoda é a quantidade de gente que entra em polêmicas sem saber bem do que está falando. Entra, se indigna, sai berrando… 15 minutos depois lê mais sobre o assunto, vê que tinha entendido errado (ou nem tinha entendido) e fica..”Aaaaaiiihhnnn… pois é, mas aí tá certo…”. Pô! Te informa antes, criatura! Custa?

Já acho um saco quando vem de gente “leiga” que, no fundo, não tem obrigação de saber do que tá falando (apesar de que era só buscar a informação correta, geralmente acessível, ao invés de reagir feito um estilingue à primeira coisa que ver na frente), mas o que me mata mesmo é quando alguém que deveria saber do que está falando abre o berreiro.

Tipo… sei lá… um escritor reclamar do cachê do Patrono de uma Feira do Livro sem saber do que está falando. Pode reclamar, mas, como vale pro mané, te informa antes!! Jogar merda no ventilador pra ganhar mídia é ridículo…

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Todo mundo sabe que sou fã do Gabriel. Sou mesmo, há quase 20 anos (o primeiro disco dele é de 1993). Contudo, nem por ser ele ou por eu ser fã, mas pra mim a atitude dele foi exemplar, do início ao fim. Não se envolveu na polêmica, não discutiu. “O problema é dinheiro? Fica com o dinheiro. Mas eu vou aceitar o convite que me fizeram, pois o público da Feira não tem nada a ver com isso” (com essa pequeneza, eu acrescentaria).

Talvez às vezes o Gabriel se expresse por linhas tortas, mas sempre com atitudes coerentes. É uma pena, para a população de Bento Gonçalves, que não se tenha feito a distribuição de livros afinal…

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Eu li “Diário Noturno”, o livro de crônicas e poesias do Gabriel. Como sempre, ele fala da vida, das dúvidas e dele mesmo. É um ótimo livro, bastante lúdico também. O outro, cujo título é “Um garoto chamado Rorbeto” (assim mesmo, com o “r” no lugar errado) fala, inclusive, de inclusão social e preconceito infantil.. totalmente condizente com o público que seria “atingido” pela distribuição…

Impressão Digital 2No fim, o “escritor” quis aparecer, quis fazer escândalo feito a Dona Bela da Escolinha do Professor Raimundo, e acabou prejudicando muito mais do que ajudando. Enquanto isso, o Gabriel foi à Feira, participou, interagiu e fez a sua parte. Além de ter aproveitado para lançar o clipe e a música “Linhas tortas”, que fala claramente da polêmica sem se direcionar a ninguém…

É…. vai ver, no final, o tal “escritor” só pensa… naquilo ($$$$$$)….

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O acrobata literário

21/05/2012

Recentemente terminei de ler “Acrobacias no Crepúsculo”, livro do meu professor, colega jornalista e amigo Tibério Vargas Ramos.

Acrobacias no Crepúsculo - Tibério Vargas Ramos

Em março, quando soube que o escritor Tibério Vargas Ramos faria uma sessão de autógrafos do livro em Porto Alegre, fiz questão de prestigiar. Não só por ter sido meu professor, mas um professor importante, que muito me ensinou e ajudou a formar o jornalista que sou hoje, e o que ainda serei.

A obra, que eu não sei o quanto tem de ficção e o quanto tem de realidade, conta – a partir de dois pontos de vista – a história de um reservista da Aeronáutica, desde a juventude na fictícia cidade de Imperatriz, na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, até a maturidade, com filhos, netos e um longo passado.

Integrante da aeronáutica de perfil aventureiro, destemido e “moderninho” para os costumes de uma cidade do interior gaúcho nos anos 50, Atagiba Neto se casa com Ana Maria, filha do velho Tubino, conhecido fazendeiro e criador de gado da região.

O segundo ponto de vista da narrativa só entra na história, cronologicamente, bem mais tarde, dando um sopro de vida ao já maduro oficial reformado.

O livro traz um tom, digamos, bucólico. Não sei se o termo é bem este, mas o texto traz longas descrições de locais, costumes, conceitos sociais, fatos e lembranças que vão montando o quebra-cabeça da fronteira em meados do século XX. Uma coisa meio Érico Veríssimo em “O Continente”. Passada a primeira parte, e com os personagens devidamente identificados, começa o romance em si, e a aula de literatura.

Impressão Digital 2A escrita joga com os pontos de vista, ora com o narrador falando em primeira pessoa no masculino, hora no feminino, conforme o personagem que representa naquele trecho. E a mudança, muitas vezes, ocorre de um parágrafo para o outro, sem aviso. Longe de significar um problema, o texto é tão bem construído que vale a analogia apresentada no título desta crítica. Puro talento do autor…

Entendido o “funcionamento” da obra, o livro engole o leitor de uma forma doce, pelo tom suave e nostálgico, porém profunda. Diversos personagens (a ex-mulher e os filhos dele, o irmão dela, o tatuador, entre outros) orbitam este universo tornando a história cada vez mais intrincada e interessante.

Nesta primeira edição são exatas 200 páginas em 31 capítulos que se dissolvem com facilidade em uma história linear – apesar de nem sempre cronológica. Para mim também foi um prazer viajar pelos costumes, valores e anseios do Rio Grande do Sul dos anos 50, e pela Porto Alegre de hoje, que me é tão cara e conhecida.

A sensualidade, a busca pela “juventude”, as novidades tecnológicas e até mesmo as histórias (estórias?) que viram lenda com o passar dos anos estão ali, tornando o romance ainda mais verossímil, mais próximo do leitor.

No final ainda há uma surpresa que, na verdade, depois descobri, já havia deixado suas pistas. Um dos pontos altos do livro, aliás, é saber como terminar. No decorrer da obra são tantas histórias correndo simultâneas, se cruzando que, conforme a parte que falta do livro começa a diminuir, vem a pergunta: “Será que tem fim?”, ou ainda “Será que é satisfatório?”.

Eu pensei que iria ser de final aberto, ou quem sabe interpretativo… Bem, é claro que o final deixa janelas para interpretações. Não do final em si, mas sobre o sentido da história, do livro e da vida…

Pois o final é conclusivo, e bem conclusivo. Ainda que sempre haja mais o que contar, o fim do livro não deixa dúvidas sobre o que aconteceu, ou o que teria acontecido. Tudo se encerra com maestria no surpreendente final.

Agora pensando.. quem sabe se, no fim das contas, não estamos todos, dia a dia, fazendo  nossas acrobacias no crepúsculo…

Parabéns, Tibério!

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Lambda Lambda, Lambda!!!

21/03/2012

Jovem NerdNão, este texto não é sobre fraternidades universitárias norte-americanas, nem sobre a série Porky´s dos anos 1980. É sobre o Jovem Nerd. Um site (se é que dá para resumir assim) “especializado” em cultura Nerd.

As aspas cabem neste caso pois, como ser realmente especializado em algo tão amplo quanto a cultura nerd? São tantas coisas juntas e misturadas. Entretenimento, filmes clássicos (e não necessariamente clássicos no sentido “comum”), cenas, personagens (reais e/ou ficcionais), jogos (principalmente RPGs), músicas, livros, imagens, símbolos, iconografias e até mesmo momentos históricos que seria que seria, e é impossível, alguém ser realmente especialista nisso (exceção, talvez, pelo Bluehand).

Um detalhe importante: eles não são defensores ou mesmo militantes da cultura Nerd. Não, tudo é tratado com muito sarcasmo, bom humor e ironia, sem deixar de ser sério e cheio de cultura, no sentido… cultural da palavra (tipo assim.. cultura cultural, sabe?). Cultura…

Eu conheci o Jovem Ner d em dezembro de 2010 através de um link da “Vadiagem Malemolente”, do Jacaré Banguela. Eu só fui entender mais tarde, mas o link era para a último episódio da primeira temporada do NerdOffice, o vídeocast do JN. Logo depois eles entraram em férias, e só voltaram em meados de janeiro. Eu aproveitei pra fuçar no, na época, blog. Conheci o NerdTour (e a viagem deles, com a família, para a Disney), o NerdCast e a Nerd Store. Vi outras edições do NerdOffice que, até ali era, disparada, a minha área favorita no site.

Allotoni e Azaghal
Alottoni e Deive Pazos, os criadores do Jovem Nerd

A dupla – Alexandre Ottoni e Deive Pazos. Dois amigos, que um dia começaram, meio de brincadeira, a fazer um blog sobre a cultura nerd. Deive se tornou “Azaghal”, o ácido, sarcástico e, muitas vezes, o indiferente à parte demasiadamente pop do mundo nerd, mas no fundo um cara boa gente e muito legal. Alexandre Ottoni (acredito que “Alottoni” já fosse o seu apelido por ser uma corruptela do nome dele), o Jovem Nerd, se tornou o “amigo”. Sempre sorrindo, o mais empolgado e, muitas vezes, impressionado com tudo o que rola neste mundo, digamos, meta-pop.

Com eles vieram também, a Portuguesa, esposa de Azaghal, e a Sra. Jovem Nerd, que dispensa explicações. Fazem parte da família ainda a Amanda (Dubox) e o Almôndega (André), filhos da Portuguesa.

Em janeiro de 2011, comecei a acompanhar o site diariamente. Logo na abertura do primeiro NerdOffice, o Jovem Nerd (Allotoni) diz: “Bem vindo à segunda temporada do NerdOffice! Começou o penúltimo ano da sua vida, aproveite!’

Talvez pareça um comentário meio catastrófico.. bom,  e é mesmo, mas numa referência às teorias do fim do mundo este ano, 2012. Apenas um trocadilho? Uma gag? Uma pequena trollada? Não sei… mas um exemplo simples do humor nerd…

Guerra dos TronosO Nerd Office – Em um dos primeiros NerdOffices que eu assisti, veio uma sugestão de leitura. “Guerra dos Tronos”, de George R.R. Martin. Um romance de fantasia sobre a luta por um reino dividido em sete (resumindo mal e porcamente, mas se quiser saber mais, leia o post abaixo ou clique aqui). Já se anunciava que seria o primeiro de uma série, cada um com pelo menos 600 páginas. Comprei o primeiro, li e gostei. A partir dali comecei a prestar atenção também às dicas do (site) Jovem Nerd.

Pouco depois, em outro NerdOffice, a dupla anunciava a publicação, pela editora Record, do livro “A Batalha do Apocalipse”, do escritor e amigo deles, Eduardo Spohr. Eu não sabia ainda, mas na verdade era uma segunda publicação da obra. Em 2009, eles próprios haviam editado o livro, chegando a criar a Nerd Books apenas para isto.

A temática do livro traz a guerra entre os anjos do céu e do inferno. Gabriel, Lúcifer, Deus (que, na obra, ainda dorme no sétimo dia da criação) e muitos outros anjos, arcanjos, querubins entre diversas divindades. Novamente me interessei, comprei e li.

Agora sou fã do texto e do estilo de Spohr, que ainda lançou depois ‘Filhos do Éden’, que se passa dentro do mesmo universo, mas com outros personagens e outro contexto. Este eu tenho, mas ainda não li.

NerdOffice também é cultura – Nem só de dicas literárias vive o “vlog” semanal do Jovem Nerd. Cultura Nerd é sempre o prato principal. Criado com a intenção de debater os fatos nerds da última semana, o programa cresceu, chegando ao final de sua segunda temporada (2011) com um editor de vídeo contratado: Anderson Gaveta, da Gaveta Filmes.

Jovem NerdIdade Média – Entre as atrações mais interessantes que eu vi nos NerdOffices estiveram: a viagem que os nerds fizeram, com Eduardo Spohr e amigos, para a Europa, passando por diversas cidades fora do circuito tradicional de grandes cidades e capitais. Destaque para castelos medievais conservados, com suas masmorras e penhascos, e pelo passeio em Toledo, na Espanha, de onde Azaghal trouxe uma linda espada medieval legítima.

Vida extraterrestre – Outra coisa muito interessante foi, numa das muitas vezes que a Nasa anunciou que se descobriu “um planeta com possibilidade de vida fora da Terra”, o NerdOffice tentou demonstrar o tempo que levaria, hoje, para chegarmos ao tal planeta e verificarmos isso com nossos próprios olhos. Simplesmente impraticável, pra dizer o mínimo.

A Caneta Chaos – A terceira, e talvez mais surpreendente foi a história da caneta Chaos. Algum tempo antes daquele NerdOffice, o Jovem Nerd gravou um NerdCast (podcast, do qual falarei mais adiante) com o escritor Paulo Coelho. No meio da conversa, o Mago comentou conhecer pessoalmente Sylvester Stallone. Diante da reação histérica da dupla, Coelho decidiu ligar para o ator americano. Ao vivo ele não conseguiu, mas mais tarde, numa ligação gravada (e apresentada em NerdOffice posterior), Stallone diz, a pedido de Paulo Coelho, “Hello, Jovem Nerd”.

Caneta Montegrappa Chaos

Como todo o nerd (e eu também teria feito), os dois se emocionaram como crianças, mesmo cientes de que, nem por isso, o Rambo,o Rocky ou mesmo o Falcão teria agora a mínima ideia de quem eram eles.

Mais um tempo depois, Paulo Coelho leu uma notícia que dizia que a fábrica italiana de canetas Montegrappa lançara uma edição especial, limitada, de uma caneta desenhada por Sylvester Stallone. Isso, nas palavras de Azaghal, “ligou o alarme Sylvester Stallone – Jovem Nerd, no Paulo Coelho”. O Mago consegui uma das canetas e as enviou para os Nerds, com a condição de que eles não ficassem com ela, mas repassassem a um de seus fãs.

Paulo Coelho, Jovem Nerd e Sylvester Stallone
Paulo Coelho, Jovem Nerd e Sylvester Stallone

Azaghal ficara enlouquecido pelo objeto e a promoção consistiu em responder à pergunta: “Por que eu mereço a caneta Chaos mais que o Azaghal?”. Eu participei, obviamente, e não ganhei, mais obviamente ainda…

Você está ouvindo… NerdCast… no Jovem Nerd – Mais ou menos na época da promoção da caneta Chaos eu comecei a ouvir mais atentamente ao NerdCast. Também semanal, mas bem mais antigo que o NerdOffice, o podcast do Jovem Nerd traz cada semana um assunto diferente, discutido pela dupla e alguns amigos que se revezam. Quase sempre tem um profundo conhecedor do assunto tratado, alguns bons fãs do tema, e a maioria que não faz a menor ideia de onde está.

NerdCast

Mesmo assim , o programa, que costuma ter cerca de uma hora de duração, é sempre muito interessante. Entre os mais de 300 assuntos já debatidos estão: De Volta para o Futuro, Beatles, Tin Tin, Evolução (a teoria científica), RPG, Chaves, Blogueiros, etc.

A Nerdstore – Além do NerdOffice e do NerdCast, existe também a NerdStore, que é, como o nome diz, a loja do Jovem Nerd. Lá eles vendem diversas camisetas e canecas exclusivas entre outros produtos. Desde o início eu queria comprar algo lá, mas algo que não fosse “comprar por comprar”. A paciência valeu a pena: no fim de 2011 foi lançada a camiseta BTTF Blueprint. Cheia de referências ao meu filme favorito, fui obrigado a adquiri-la!!

NerdStore

Valeu a pena! E vale ressaltar que todo o processo de estoque, embalamento, envio e monitoramento é feito pela própria “turma” do Jovem Nerd, dentro da “sede da empresa”.


PBHa
Mais dicas literárias
– Em seguida, a terceira dica literária do NerdOffice que eu segui. “Protocolo Bluehand – Alienígenas”. O livro, escrito por Eduardo Spohr, Jovem Nerd e Azaghal, é simplesmente um guia para sobreviver a um ataque alienígena. Nada do que está ali, entretanto, foi inventado por eles. São teorias e registros de supostas aparições e abduções extraterrestres registradas pelo mundo ao longo do tempo. É uma boa leitura, e agora eu estou preparado! Pode vir, kriptoniano!

A última – até agora – dica literária do NerdOffice que eu segui foi o livro chamado “O Forte”, de Bernard Cornwell. Conta a história real de uma batalha da Guerra da Independência dos Estados Unidos, no fim do século XVIII.  É um dos poucos livros de não-ficção do autor, e que terminam em si. Cornwell tem outras obras, geralmente trilogias, focadas mais na Idade Média.

É isso. Acho que minha tentativa de explicar o que é o Jovem Nerd ficou… interessante. Tem muito mais, outras áreas, outras histórias, outros participantes dos NerdCasts que meceriam ser citados. Mas aí vira um dossiê, e não um texto de fã.

É um blog (ou, depois da atualização, seria um site?) muito bom, com humor inteligente e muita cultura. Diferente de outros blogs, que nem por isso deixam de ser bons no que se propõe, o humor não é “gratuito”, e a meta é divertir, mas com conteúdo. Tipo assim… como eu poderia ilustrar… tipo… tipo… o Impressão Digital 2! O meu blog!

“Aham, Fábio… senta lá….”

 

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O inverno está chegando…

17/03/2012

PhotobucketUm país insular, com formato semelhante ao da Inglaterra. Sete Reinos, distribuídos por todo o território. Lobos gigantes, estações sem tempo de duração nem prazo para acabar. Uma Muralha, construção que separa o extremo norte dos Reinos da Floresta. Famílias (Casas) aliadas e rivais, organizadas em “feudos de fidelidade” por tradição e alianças nas diversas guerras.

Treze anos antes dos fatos narrados no primeiro livro da série, uma guerra civil uniu os Sete Reinos em um só e levou Robert Baratheon, da Casa Baratheon, ao Trono de Ferro. O Rei Robert é casado com Cersei Lannister, uma mulher ambiciosa e que não mede esforços para alcançar seus objetivos.

PhotobucketQuando o rei perde sua Mão (uma espécie de primeiro-ministro) misteriosamente assassinada, ao invés de buscar o substituto em Porto Real, sede do império, resolve chamar seu amigo e aliado Eddard Stark (à direita, sentado no Trono de Ferro), governante de Winterfell, no Norte. A decisão não agrada a rainha, pois ela sabe que os Stark lutaram junto com os Barartheon na guerra civil. Além disso, Nedd e Robert são grandes e antigos amigos. A paz nos Sete Reinos começa a correr perigo e uma nova guerra civil se aproxima… Desta vez, definitiva.

Este é o enredo básico do primeiro livro da série “As Crônicas de Gelo e Fogo”, de George R. R. Martin. Um livro de fantasia, que lembra Tolkien, mas com um pano de fundo levemente histórico (a guerra Stark x Lennister remete à Guerra das Duas Rosas, entre os York e os Lancaster, no século XV).

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As três principais casas dos Sete Reinos no início da série

Serão 7 livros. Nos Estados Unidos já lançaram 5, e aqui 4. São livros grandes (não menos de 500 páginas), mas muito bem escritos. Como são muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, são sempre capítulos de poucas páginas (o que facilita a leitura) e que, ao invés de numerados ou com alguma frase como título, trazem sempre apenas o nome do personagem em destaque naquele pedaço.

Eu li o primeiro, chamado “Guerra dos Tronos”, em 2011, e estou lendo o segundo agora. Acho muito bons. O primeiro livro começa mais devagar, até porque precisa localizar o leitor em tudo o que está acontecendo, quem é quem e qual a relação entre as famílias, além de contar a história de como tudo chegou ao momento atual. Entretanto, antes mesmo do fim diversas situações e acontecimentos inesperados prendem a curiosidade do leitor a ponto de o segundo livro se tornar um objetivo antes mesmo de terminar o primeiro.

PhotobucketTambém em 2011 a HBO transformou a série em uma série de TV chamada “Guerra dos Tronos” (que é apenas o título do primeiro livro). A primeira temporada, que cobre o primeiro volume, tem 10 episódios (bem resumido, tanto no tamanho quanto na qualidade da simplificação) muito bem produzidos, rendendo inclusive um Globo de Ouro para Peter Dinklage, que interpretou o ótimo Tyrion Lannister (à direita).

Uma das minhas “resoluções de ano novo” é ler o segundo livro, chamado “A Fúria dos Reis”, antes da nova temporada começar, em abril. Estou próximo da metade deste, mas ele já começa bem mais ágil que o primeiro. Claro, agora já se conhece os personagens, e as tramas começam do ponto onde terminaram. O leitor, se veio do primeiro volume, já tem condições de entender as consequências qualquer coisa que acontece. Ou mesmo ter certeza de que ainda não se tem a mínima ideia de determinado fato ou acontecimento significa.

No segundo livro aparecem alguns personagens que só foram citados no primeiro. Isso também complica bastante as coisas, pois agora a situação fica cada vez mais complexa.

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George R. R. Martin era roteirista de TV, com diversos programas e séries produzidas tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. Sua mudança para a literatura se deveu, basicamente, ao fato de que ele sempre se decepcionava com o baixo número de personagens que uma produção televisiva permite (tanto por questões financeiras quanto de logística). Bom… se era um bilhão de personagens e tramas que ele queria, meus parabéns.

E, claro, com a história indiretamente baseada na Inglaterra, e sendo eu um beatlemaníaco, claro que eu haveria de encontrar uma relação entre o enredo e o quarteto de Liverpool. Reparem só:

Os Sete Reinos e os Beatles
George R. R. Martin – O autor da série é quase xará de George Martin (salvo pelos “R.” do sobrenome), o produtor de 90% das músicas do quarteto de Liverpool;
Lannister – Uma leve corruptela de “Lennon”, que dispensa explicações;
Stark – Quase igual a Starkey, sobrenome verdadeiro do baterista Ringo Starr.

Claro que enquanto eu escrevia este texto eu já lembrei de diversas outras coisas. Inclusive uma história “paralela” do primeiro livro, que sem dúvida deve ganhar muito em relevância a partir do segundo, mas que, neste texto, ia mais complicar do que ajudar o entendimento.

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A título de curiosidade: o terceiro livro se chama “Tormenta das Espadas”; o quarto “Festim dos Corvos”; e o quinto, em pré-venda no Brasil, “A Dança dos Dragões”. O sexto e o sétimo, previstos para se chamarem, respectivamente, “The Winds of Winter” (“Os ventos do inverno”, em tradução livre sem previsão de título em português) e “A Time for Wolves” (“Uma Era de Lobos”, também sem tradução oficial), ainda não foram lançados.

Vale lembrar ainda que eu comprei o primeiro livro por indicação do site Jovem Nerd (www.jovemnerd.com.br), que merece um texto específico, mas isso fica mais pra frente…

O inverno está chegando!

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Maybe I´m amazed…

13/03/2012

Conhecer alguma coisa tem um efeito caleidoscópico. No início, quando só se ouviu falar, esta coisa está lá, meio disforme, mas “de reconhecida existência”. Quando se presta atenção, o foco aumenta, e ganha nuances, detalhes, aspectos… Com o tempo, cada um desses pontos viram características que se abrem indefinidamente conforme nos interessamos pelo assunto…

PhotobucketPara mim, por exemplo, Paul McCartney foi, e é, assim. Quando eu era criança, tinha noção da existência dos Beatles principalmente por causa dos LPs do meu pai, e dos domingos de manhã em que eu acordava com ele tocando músicas do quarteto ao piano.

Com o passar dos anos, da minha adolescência, eu comecei a escutar com mais atenção, ir atrás… Nessa época, entretanto, o foco não era o Paul, mas os Beatles. Paul estava lá no “caleidoscópio dos Beatles”, existia, mas não me interessava ainda como “protagonista”. Ele era um dos quatro, basicamente.

Conforme eu me aprofundava nos fab-four, eu descobria que, mais que uma banda, eles eram quatro músicos, quatro pessoas. Conhecendo a história, descobri que os Beatles, enquanto banda, existiram por pouco menos de uma década. John Lennon morreu outros dez anos depois, mas até então Paul McCartney, George Harrison (falecido em 2001) e Ringo Starr estavam vivos. O que eles fizeram de lá pra cá?

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Foi então que eu fui atrás de conhecer cada um mais a fundo. Como todo o fã de Beatles com cerca de 30 anos no fim da primeira década do século XXI, eu lamentava muito nunca ter a oportunidade de vê-los ao vivo. Eu até considerava possível, um dia, ir até Buenos Aires, ou mesmo à Europa para ver um show do Paul… quem sabe um dia.

Só que em meados de 2010 começou um boato de que ele voltaria ao Brasil depois de quase 20 anos. Boatos como este sempre existiram, mas de repente a coisa começou a tomar forma e inclusive a possibilidade de ele vir a Porto Alegre foi aventada.

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Ele veio, e eu fui. Simplesmente sensacional. Nem só por eu ser, agora, um grande fã, mas ele foi de uma simpatia, inclusive falando algumas coisas em português: (“Ah, eu sou gaúcho” e “Para minha gatinha Linda”, num trocadilho ao anunciar a música “My Love”, em homenagem a Linda McCartney). Isso, claro, sem levar em conta que eu estava ali, com o “verdadeiro” Paul McCartney cantando All my Loving, Blackbird, Yesterday, Here Today, Jet e Band on the Run. Não gosto de ser piegas, mas, sem dúvida, um sonho de vida realizado.

Musicalmente, Paul McCartney era a metade da laranja de John Lennon. Enquanto o segundo era muito mais sentimento do que técnica, desde o início Macca tinha o talento, e a complementaridade dos dois gerou o que se tornaria, na minha opinião e na de muita gente, a maior banda de todos os tempos.

Os dois tinham uma coisa em comum. Apesar da infância feliz, os dois perderam a mãe na adolescência. Mary McCartney, mãe do Paul, faleceu antes mesmo de ele conhecer Lennon. Foi uma observação dele, ao visitá-la no hospital, que chamou a atenção dos médicos para a gravidade do quadro da mãe naquele momento. Infelizmente já não havia mais o que pudesse ser feito.

Esta seria a primeira das perdas que o marcaria profundamente. Por toda a vida ele comporia músicas em homenagem à mãe. Entre outras, Let it Be e Yesterday (em parte ele se direciona a ela)… A dureza deste momento, entretanto, formataria o caráter do jovem Paul.

McCartney traz em si uma característica que, ao mesmo tempo em que o tornou o músico sensacional que é, também é o seu maior defeito: o perfeccionismo. Essa meta incansável de buscar sempre o melhor, seja em família, atendendo fãs, compondo, tocando ou gravando canções certamente o levou a um desenvolvimento técnico incrível. Contudo, ele exigia dos outros este mesmo comprometimento e, muitas vezes, queria que as coisas acontecessem como ele gostaria. Conflitos sempre foram inevitáveis.

No começo dos Beatles isso não aparecia tanto, pois ele e John eram, talvez, a mais unida dupla de compositores que já existiu. Além disso, tudo ainda era meio que uma aventura, e o condutor era Brian Epstein, o empresário. Porém, com a morte de Epstein e a evolução da beatlemania, enquanto a música evoluía, eles também se individualizavam, e a saída para Paul foi assumir o gerenciamento da banda e colocar o seu perfeccionismo “a serviço” dos companheiros. Isso foi, sem dúvida não o único, mas um dos motivos do desgaste interno do grupo no fim dos anos 1960.

Uma curiosidade: Paul se registrava em hotéis como “Paul Ramon”. Anos mais tarde, isso seria a origem do nome dos Ramones. Banda que, musicalmente, nada tem a ver com os Fab-four. E para os desavisados: não, nenhum dos integrantes da banda de punk rock tinha como sobrenome “Ramone”.

PhotobucketAinda na época dos Beatles, Paul McCartney foi casado com Jane Austen. Um casamento quase de aparências. Ela, uma integrante da alta aristocracia inglesa, e ele, um dos maiores astros do Reino Unido e, quem sabe, do mundo. Só que a união logo se perdeu… e Paul conheceu Linda Eastmann, com quem também se casou e foi feliz por 30 anos.

Um dia Paul acordou com uma melodia na cabeça. Pronta, do início ao fim. Sentou ao piano e tocou. Mostrou ao seu pai – que lhe ensinou muito sobre música principalmente na infância – perguntando de onde a conhecia. Jim McCartney não a reconheceu. Mostrou a diversas pessoas, e nada. Compôs uma letra chamada “Scrambled Eggs” (“ovos mexidos”) e guardou.

Cerca de um ano depois, levou a composição ao estúdio já com uma nova letra e a apresentou ao grupo sugerindo que incluíssem seus instrumentos como achassem apropriado. Nenhum dos outros três incluiu nada, e ficou praticamente uma canção de voz e violão. Assim nasceu “Yesterday”, hoje a música mais regravada de todos os tempos.

Naquele tempo, John Lennon lutava internamente por nunca se sentir bem como um astro do pop (ele gostava dos Beatles, mas não gostava da “produtificação” de qualquer coisa que faziam). Paul McCartney, entretanto, estava em casa. Para ele, o sucesso e o respeito internacional eram resultado da qualidade do seu trabalho, e da sua eficiência. Aquilo era tudo que ele queria, e tomara que não acabasse nunca.

É, mas acabou. Um dia, depois de meses de desgaste entre os quatro, Lennon chegou ao estúdio e simplesmente disse: “Acabou, estou fora”. Os outros três não conseguiram convencê-lo a ficar, mas todos concordaram em manter segredo até o lançamento do próximo (e último) álbum. Pensado para se chamar “Get Back” (em tradução livre, “Volte!”), um tipo de retomada da banda aos áureos tempos, acabou se tornando “Let it Be” (Deixa estar).

O fim dos Beatles devastou Paul. Ele se mandou, com Linda e os filhos, para uma fazenda na Escócia. Deixou a barba crescer (bem mais do que na fase final do quarteto) e, entre outras atitudes de indiferença com a vida, deixou de tomar banho. O apoio de Linda foi fundamental, mas ela mesmo chegou a pensar em deixá-lo nessa época.

PhotobucketRecluso, fora do mundo e das notícias, Paul viveu alguns meses como um dos senhores feudais que há séculos dominaram aquela região. Não havia planos de voltar para a civilização, mas um dia a civilização chegou até ele.

Dois jornalistas da revista Life o encontraram e o fotografaram. Ele chegou a bateu em um deles, mas teve que se retratar. Depois de muita negociação, ele recuperou a foto e, em troca, aceitou conceder a entrevista que acabaria na capa da edição seguinte. Nesta entrevista, ele anunciou que estava saindo dos Beatles e partindo para a carreira solo.

Isso deixou John Lennon furioso pois, do jeito que Paul contara, parecia que ele, Paul, tinha tomado a iniciativa de acabar com a banda quando, na verdade, fora o último a decidir sair, no exato momento da entrevista. Até mesmo Ringo e George já haviam saído, mas convencidos a voltar..

Paul lançou “McCartney”, seu primeiro disco solo e que ele compôs, tocou todos os instrumentos, cantou e produziu sozinho, na Escócia. Como ainda era vinculado à Apple, teve que lançá-lo pelo selo que pertencia ao grupo. O detalhe é que ele não queria que os outros, e principalmente o atual administrador da Apple (contratado pelo quarteto quando ele fora voto vencido) ganhassem dinheiro com um trabalho caseiro e 100% McCartney. Essa situação gerou a guerra judicial entre os próprios Beatles, que durou boa parte dos anos 1970.

No ano seguinte, 1971, nascia o Wings. Paul era “Paul McCartney”, tinha o talento, o dinheiro e os equipamentos. Seu perfeccionismo (e, porque não, individualismo) o fizeram, algumas vezes, impor o que queria simplesmente porque queria. Não que o Wings não tenha produzido algumas das melhores músicas que existem (ou pelo menos, muitas músicas de qualidade indiscutível) mas, entre as “manias” de Paul, colocar a fotógrafa e esposa Linda McCartney aos teclados foi.. no mínimo.. uma excentricidade..


Maybe I´m Amazed – Wings

Claro que ela sempre foi fundamental para o Wings, tanto a partir da sua reconhecida evolução musical no decorrer dos anos quanto como companheira de Paul sempre, nos momentos bons e nos ruins. Ela muitas vezes foi a “tradutora” do perfeccionismo dele para os outros integrantes das diversas formações que a banda teve…

O Wings fez alguns grandes álbuns, gerou alguns clássicos do rock (Jet, Band on the Run, Ms. Vanderbilt, Silly Love Songs, entre outros) mas também fez alguns trabalhos praticamente descartados pela crítica e pelo público.

Paul McCartney e John Lennon – Em meados dos anos 1970, John Ono Lennon e Yoko Ono Lennon se separaram. No período, que mais tarde John chamou de “fim de semana perdido” (apesar de ter durado três ou quatro anos), Lennon deixou Yoko e Nova York e foi morar com May Pang em Los Angeles.

Certo dia Paul apareceu na Califórnia, vindo de Nova York e, conversando com o ex-parceiro lhe contou que Yoko disse que o aceitaria de volta, se ele se esforçasse. O conselho do velho amigo fez John voltar a morar perto do Central Park e cortejar Yoko até conseguir que voltassem.

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Paul e Linda McCartney, Ringo Starr, John e Yoko Ono Lennon

Tempo depois, numa noite de sábado em Nova York no final dos anos 1970, o programa Saturday Night Live (que até hoje é gravado ao vivo na cidade) brincou com os boatos de que haviam oferecido US$ 50 milhões por um único show dos Beatles reunidos. A oferta do SNL era US$ 25 mil. O que a equipe do programa não sabia era que, exatamente naquela noite os dois estavam em Nova York assistindo ao programa juntos. Chegaram a considerar aparecer de surpresa no estúdio, mas a ideia não vingou…

A morte de John, em 1980, foi outra grande perda de McCartney. Não que ele achasse, ou quisesse, que as coisas voltassem ao ponto em que estavam nos anos 1960. Apenas que a amizade dos dois foi tão profunda, tão intensa e importante que, mesmo longe ou com encontros bastante raros, Paul muitas vezes se confortava ao saber que John “estava lá..”. Compondo ou gravando, McCartney sempre levava em conta o que ele acreditava que Lennon estaria pensando. Em homenagem ao amigo, Paul compôs a belíssima “Here Today”.


Paul McCartney – Here Today em Porto Alegre

Em 1981, ao ser preso no Japão por porte de maconha, McCartney terminou com o Wings. Em 11 anos de estrada, a banda teve pelo menos 7 formações, todas resultantes, em algum nível, dos efeitos do perfeccionismo inalcançável de seu líder…

Para se ter uma ideia, eu nasci em 1978, um pouco antes do fim do Wings.. e só fui investir no caleidoscópio dos McCartney 20 anos depois, na época da morte de Linda..

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Biografia lançada em 2011 que eu li, e me aprofundei no caleidoscópio de McCartney

E a, até agora, última grande perda de Paul McCartney foi justamente a morte de Linda. Vítima de câncer, ela faleceu em 1998, nos Estados Unidos. Ele se casaria outras vezes, mas muitos acreditam que Linda será sempre a sua cara-metade.

Depois de Linda, em 2002 Paul casou com Heather Mills, o que talvez tenha sido o pior erro da sua vida, mas certamente o mais caro. Quando se conheceram, ela falava de missões de paz, e sobre uma infância difícil e sofrida. Depois de casada, ela passou se mostrar mais interessada na boa vida e no status que tinha por ser casada com McCartney.

Em 2007, no divórcio, ela voltou a mentir, dizendo inclusive que apanhava. Heather  pediu metade da fortuna. Não levou, mas absolutamente não saiu de mãos vazias. Algum tempo depois, diversas declarações de ex-amigos de Heather jogaram por terra as mentiras de “pobre menina doce”. Ela teve uma infância comum e não era engajada em nada…

PhotobucketComo, felizmente, Paul ainda está vivo, esta história termina, mas não acaba, no dia 07 de novembro de 2010. “Paul In Poa”. Sem dúvida o melhor show da minha vida, na companhia de grandes amigas, em uma experiência indescritível.

Além de tudo o que eu disse antes, é muito louco ver vídeos dos Beatles, em preto e branco nos anos 1960, ou mesmo hoje, notícias sobre Paul McCartney, e pensar que eu e ele estivemos no mesmo local, ao mesmo tempo, a poucos metros de distância. Eu sei que isso é coisa de fã, mas… bom, deve ser mesmo, por que eu sou um grande fã de Sir. James Paul McCartney.


Não poderia faltar: Live and Let Die e Hey Jude,
também do show de 2010 em Porto Alegre

Update!!! Confirmado show em Floripa no dia 25 e abril!! EU VOU!!!

Update 2!!! Comprado ingresso para o show em Floripa no dia 25 e abril!! EU VOU!!!

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A raposa otimista

28/11/2009

Cinco (inacreditáveis) anos atrás eu escrevi sobre “Lucky Man”, o livro autobiográfico de Michael J. Fox (ver IMDB), no qual ele contava como um garoto do interior do Canadá se tornou um astro, e como a descoberta da doença de Parkinson, na virada dos anos 1990 mudou a sua vida.

Pois eis que eu encontrei, na Feira do Livro de Porto Alegre 2009, o livro que, de certa forma é a continuação daquele. O título, e a mensagem é:  ”Um otimista incorrigível” (“Always Looking up: the adventures of an incurable optimist”, no original, em inglês).

Não é exatamente uma continuação pois, enquanto aquele é estritamente biográfico, este se propõe a refletir sobre a relação do J. Fox com a doença. E não é nada de “ó, estou morrendo, pobre de mim”. Ao contrário.

Como o próprio título diz, o livro é otimista. Mostra como o ator encara, vive e confronta a doença diariamente. A organização dele também não é cronológica, mas em quatro grandes capítulos: Trabalho, política, fé e família.

Na introdução, ele fala da sua rotina com a doença, descrevendo em detalhes assustadores a luta diária para executar, sem o devido controle muscular, atividades corriqueiras como escovar os dentes.

Em relação a trabalho, ele conta como foi a mudança da vida de ator de filmes (como a trilogia De Volta para o Futuro) e seriados (de Caras e Caretas a Spin City) de sucesso para o de presidente de uma fundação que tem, como ele gosta de ressaltar, um único objetivo: fechar. A Michael J. Fox Foundation for Parkinson´s Research (Fundação Michael J. Fox para a pesquisa do Parkinson) foi criada com o intuito de incentivar pesquisas para encontrar a cura da doença. No dia que este objetivo for alcançado, ela fecha.

Na política, ele fala sobre o jogo de interesses que cerca a questão da pesquisa com células-tronco, principalmente nos Estados Unidos. Grande parte do livro, por exemplo, se passa no longo governo George W. Bush, que era contrário às pesquisas. A briga de bastidores, incluindo o episódio no qual ele foi acusado inclusive de fingir ter os tremores da doença para sensibilizar cidadãos e eleitores norte-americanos é um dos pontos mais interessantes do livro.

No que diz respeito a fé, além de falar de si e de sua visão própria de Deus, conta também de sua relação com o judaísmo, que é a religião de sua Tracy Pollan e seus filhos.

Na parte de família ele fala de seus pais, sua infância e “a grande viagem”. Também fala de Tracy, e seus filhos Sam, Aquinnah, e Schuyler e  Esmée e de seus irmãos, principalmente K.C., com quem era muito ligado e quem acabou perdendo cedo…

Eu sei que é piégas, é um lugar-comum e tal. Mas Michael J. Fox merece ser admirado pela forma de encarar o mundo. Portador de uma doença degenerativa que muitas vezes acaba com o ânimo de qualquer um e mudou sua vida completamente. Mudou sim, mas acabar nunca. E, ao contrário do que talvez alguns pensem, o caso dele é bem grave. Não desistir e, mais do que isso, olhar sempre para o que se tem e o que se pode ter, nunca apenas para o ideal.

E, com o perdão do trocadilho, com pouco mais de 1.60 ele pode ser pequeno como um rato, mas é esperto como uma raposa.

Aproveite e leia abaixo algumas
curiosidades sobre o livro

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A raposa otimista – curiosidades

14/11/2009

Como o texto sobre o livro Um otimista incorrigível ficou grande, resolvi fazer um segundo post para as curiosidades sobre o livro e Michael J. Fox

A primeira:

Para os desavisados, Michael J. Fox empresta a voz para o Pequeno Stuart Little nos filmes do ratinho. Então, na foto ao lado, enquanto no fundo à esquerda, nós temos o Dr. Gregory House (sim, é o Hugh Laurie), na mão do menino temos Michael J. Fox. Curioso, né? Ok.. curioso e inútil.. rsrsrs…

A segunda:
Fox fez participações em séries depois que largou Spin City (onde foi substituido por Charlie Sheen). Achei este vídeo que mostra as melhores participações dele em Scrubs. Infelizmente não tem legendas, mas de qualquer forma dá pra ver os “tiques” da doença, que foram usados no personagem (que tinha transtorno obsessivo-compulsivo).

Por fim: saindo da votação que acabaria por eleger Barack Obama, em 2008, Michael J. Fox foi entrevistado por uma estudante de 10 anos. Nada demais se, ao invés de responder a última pergunta (sobre em quem ele tinha votado naquele pleito), ele não tivesse apenas aberto a jaqueta e mostrado a camiseta abaixo.

O detalhe é que a menina olhou para a camiseta sem reagir, e não por não ter achado graça… Como J. Fox logo concluiu, alguém com 10 anos em 2008 provavelmente jamais ouviu falar na trilogia, quanto menos entender o “trocadilho” do símbolo…

E ainda sobre a camiseta: no dia do anúncio oficial da vitória de Obama, em janeiro de 2009, eu escrevi um texto no qual fiz (com – e a partir da – minha própria falta do que fazer) essa mesma brincadeira com o logo (clique aqui).

Links interessantes:

Michael J. Fox Parkinson Foundation – http://www.michaeljfox.org/
Michael J. Fox on IMDB – http://www.imdb.com/name/nm0000150/

Textos do Impressão Digital relacionados:
Barack to the Future
Uma raposa sortuda/


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Update!!!

Michael J. Fox foi o entrevistado das páginas amarelas da revista Veja esta semana. Leia aqui a entrevista, (obs: a revista erra ao dizer que o livro lançado é a biografia)

Como destaque, eu achei fantástico o que ele disse sobre saber conviver com uma doença ou condição de vida incurável:

O mais importante é aprender a viver o momento. Tenho uma teoria: imagine uma pessoa doente ou que sofreu um acidente e vive com medo de que o pior cenário se materialize. Esse medo se torna uma obsessão que toma conta de sua mente. Se, por infelicidade, o pior cenário se tornar real, essa pessoa viverá o mesmo drama duas vezes. Claro que devemos ser realistas e aceitar as circunstâncias, mas acho que, mesmo diante de uma situação dramática, há muitos motivos para ter pensamentos positivos .

E na entrevista ele também lembra dos casos de Muhammad Ali (outro portador de Parkinson), Lance Armstrong e Christopher Reeve (que ficou paraplégico num acidente de cavalo), com quem conviveu muito nos últimos anos.

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Por que sim não é resposta

25/09/2009

Bill Bryson estava sobrevoando o Oceano Atlântico. Distraído, olhava pela janela do avião, pensando no que tinha para fazer naquela viagem. De repente, lá embaixo, uma coisa lhe chamou a atenção. No ponto onde estava, tudo o que via era a água salgada do mar. Foi então que ele reparou que não sabia algo aparentemente óbvio. Por que cargas d´água – com o perdão do trocadilho – a água do mar é salgada?

Ao chegar nos Estados Unidos, resolveu se informar. E, desta dúvida aparentemente trivial, nasceu “Breve história de quase tudo” (A short story of nearly everything, Companhia das Letras, 2005). Em dois anos de intensa pesquisa, Bryson decidiu explicar o óbvio, para leigos.

Como sempre acontece na ciência, a resposta a uma pergunta traz novas perguntas. Respondida a questão do sal, pergunta: Qual a idade da Terra? Como se sabe?

A resposta dessa pergunta leva o leitor a um passeio pela história da geologia, que é o ponto de partida para uma longa viagem na companhia de diversas personalidades da história da ciência. Vejamos alguns, mais ou menos ordenados por área de atuação: Newton, Halley, Hubble, Einstein, Darwin, Mendel, Richter, Celsius, Fahrenheit, Kelvin, Mendeleev, Lavoisier, Pasteur, Parkinson e Linus Pauling.

Da idade do planeta para a geologia. Da geologia para a química, e da química para a meteorologia. Da meteorologia para o espaço. Distâncias, idade, forma, órbitas, presença ou não de atmosfera.

Vencido – da forma que é possível – o espaço, vamos para o nano-mundo. Uma célula tem, em média, aproximadamente dois centésimos de milímetro e, mesmo assim, é formada por zilhares de moléculas. Outra: no núcleo desta célula (portanto, num espaço que corresponde a uma pequena parte de dois centésimos de milímetro) existem moléculas de DNA que têm, cada uma, aproximadamente dois metros de extensão. Como isso é possível? Essa é a legítima pergunta cuja resposta é: só Deus sabe…

O que faz com que, até hoje, de todos os confins conhecidos do universo, apenas a Terra tenha vida ? Aliás.. o que define vida? Neanderthal, Cro-Magon, homo sapiens. O homem veio do macaco?

Um trecho interessante, e que dá a noção de o quão desimportante é a presença humana para o planeta, é a seguinte:

“É quase impossível para nós, cujo tempo na Terra se limita a umas poucas décadas animadas, conceber quão remota foi a explosão cambriana. Se você pudesse voltar no tempo à velocidade de um ano por segundo, levaria cerca de meia-hora para atingir a época de Cristo, e um pouco mais de três semanas para retroceder até os primórdios da vida humana. Mas seriam necessários vinte anos para chegar à aurora da vida. Ou seja, aquilo já faz muito tempo, e o mundo era um lugar diferente”(p.332).

Em outra parte:

“Se você imagina os cerca de 4,5 bilhões de anos da história da Terra comprimidos em um dia terrestre normal, a vida começa muito cedo, em torno das quatro da madrugada, com o surgimento dos primeiros organismos unicelulares simples, mas depois não avança mais nas próximas dezesseis horas. Somente quase às oito e meia da noite, com cinco sextos do dia já decorridos, a Terra consegue exibir ao universo algo além de uma cobertura irrequieta de micróbios.

Finalmente as primeiras plantas marinhas aparecem, seguidas vinte minutos mais tarde da primeira medusa e da enigmática fauna de Ediacaran (…). Às 21h04 entram em cena os trilobites (a nado), seguidos mais ou menos imediatamente pelas criaturas bem formadas de Burgess Shale. Pouco antes das 22 horas, plantas começam a brotar em terra firme. Logo após, faltando duas horas para o fim do dia, despontam os primeiros animais terrestres.
Graças a uns dez minutos de bom tempo, Às 22h24 a Terra é coberta pelas grandes florestas carboníferas cujos resíduos fornecem todo o nosso carvão, e os primeiros insetos com asas se fazem notar. Os dinossauros entram em cena pouco antes das 23 horas e dominam por cerca de 45 minutos.

Faltando 21 minutos para a meia-noite, os dinos desaparecem, e a era dos mamíferos começa. Os seres humanos emergem um minuto e dezessete segundos antes da meia-noite. Nesta escala, toda a história registrada não duraria mais que alguns segundos, e a vida de cada um de nós não duraria mais que um instante.”

É mole?

O livro não pretende trazer respostas definitivas – até por que isso nem seria possível. Contudo, ele se torna uma pequena enciclopédia que explica, de forma leve e profunda, como diabos (com que sorte e com que azar) viemos parar aqui.

Para quem gostaria de saber mais sobre tudo, mas não sabe por onde começar, eu o recomendo. Eu mesmo li ele lentamente, numa média de 30 páginas por dia, sempre que possível.

É o tipo de livro que muda.. ou, digamos, aperfeiçoa, a visão que se tem de mundo. Seja qual for o nosso entendimento sobre a vida, “Breve história” apresenta tantas nuances que é impossível não entender melhor ou repensar alguns conceitos que se tem.

Como o próprio livro diz, temos a mania egocêntrica de achar que a vida tem uma razão, e que a razão do universo é o ser humano. Arrogantemente, muitas vezes acreditamos que a nossa existência enquanto seres humanos é o objetivo e o  sentido do cosmos.

Sem ter esse objetivo o livro estraçalha essa presunção. Somos apenas um estágio. Perigoso e a perigo; nocivo e salutar; eterno e efêmero. O que importa é que nós somos hoje. Não fomos ontem e não se sabe se seremos amanhã (aliás, muito provavelmente não seremos).

Mas afinal, por que existimos?

A resposta mais próxima da realidade, no fim das contas, é a simples e inexplicável: Por que sim.

E, neste caso, “por que sim” é sim, a resposta.

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Ler deveria ser proibido

11/08/2009

Hoje estou sempre lendo 3 ou 4 livros ao mesmo tempo. Me dedicando sempre a um, mas três ou quatro no meio. Sempre pego um livro novo antes de terminar todos. Já tentei fazer diferente, mas não consigo, hehehe….

Neste momento eu estou lendo, “oficialmente”: uma biografia do Imperador Augusto (em inglês); “Mein Kampf” (o famoso livro doutrinário e pseudo-auto-biográfico de Adolf Hitler); “Caos” (de James Gleck). Além desses, tenho parados no meio: “Insultos Impressos” (sobre a história da imprensa brasileira na época da independência) e “Uma breve história sobre tudo”, que é um livro muito interessante que tenta colocar tudo (ciência, natureza, curiosidades) numa linguagem didática e quase lúdica.

Legal, né? Talvez.. mas também é perigosíssimo. Faz um tempo que eu vi um vídeo que me alertou para os perigos da leitura. Eu nunca tinha pensado nisso, e realmente fiquei preocupado. Tentei parar. De verdade, tentei… mas é inútil. É por isso que eu chamo de vício, é mais forte do que eu.

Depois do texto sobre como comecei a me viciar, fiquei preocupado com a possibilidade de outros acabarem indo pelo mesmo caminho, estimulados pelo prazer que eu expresso ao falar disso. Por isso resolvi colocar o tal vídeo aqui, chamando muito a atenção para os perigos desse vício tão perigoso.


Já imaginaram???? (pra quem quiser o texto, clique aqui)

Noves fora, agora é sério.

Leiam! Não por obrigação ou porque quem lê seja melhor do que quem não lê. Não. Leiam porque é bom. Faz bem pra alma, pra auto-estima e para a vida. Não precisa ler de tudo. Algumas pessoas lêem só romances, outras apenas livros técnicos, outros clássicos da literatura.

Não importa. Como dizia uma antiga campanha de televisão (que eu acho que já citei aqui): “Ler também é um exercício”.

Ler nos faz ter contato com outras visões de mundo. Mesmo que o livro não fale sobre isso, a forma de uma pessoa (no caso, o autor) se expressar mostra, ainda que indiretamente, seus valores. E é tendo contato com valores distintos (e não necessariamente diferentes) aos nossos que compreendemos melhor os mundos e, é claro, as diferenças.

No vídeo citado, encontram-se, entre outras pessoas, Nelson Mandela, Steven Spielberg, Albert Einstein, Jorge Amado, Martin Luther King, Stephen Hawking (o físico) e Mahatma Gandhi.

Nenhuma dessas pessoas acordou um dia e pensou: “Eu vou ali mudar o mundo e já volto”.

Não. Elas simplesmente aconteceram. É claro que algumas queriam fazer cada vez mais o melhor de si, outras queriam defender o seu povo e suas crenças, e outras ainda “apenas” tinham um talento incrível para a escrita ou para as artes. Contudo, antes de querer fazer o melhor para si ou para os outros, ou ainda antes de ser bom na escrita eles todos leram. E, pode saber, leram muito.

Alguns leram tanto que depois escreveram. E o que eles escreveram ou fizeram acabaram se tornando alguns dos pilares da nossa sociedade. Tudo o que conhecemos ou acreditamos foi, em algum momento, descoberto, dito ou feito por alguém. E, se for alguém dos últimos 500 anos, pode saber que essa pessoa leu. E leu muito.

O vídeo tem razão. Ler é mesmo um círculo vicioso. Pode transformar “ninguém” em “alguém”. Ao ler, as pessoas pensam. Pensando, elas podem falar ou mesmo escrever sobre tal assunto. Falando e sendo ouvidas, ou escrevendo e sendo lidas, elas podem atiçar curiosidades e gerar novos leitores. E esses, mais tarde, podem reiniciar o círculo infinitamente…

Eu admiro talentos. Admiro quem toca instrumentos musicais, quem pinta, quem dança, quem desenha ou quem pratica esportes. O meu talento, por todas essas, é a escrita. Só que o que me separa de qualquer outra pessoa não é nada mais do que leitura. É algo que imprescinde apenas tempo e vontade. A coordenação motora necessária, por exemplo, é quase zero. (Tem que saber segurar o livro, ok).

Isso me lembrou de uma música. Aliás, um poema do Arnaldo Antunes, que ele mesmo musicou. Chama-se “Saiba” e fala mais ou menos disso:


Saiba – Arnaldo Antunes (letra)

Todos somos, sempre fomos e seremos identicamente humanos. Exatamente iguais e, dentro das suas possibilidades, com as mesmas capacidades. É bem verdade que, em alguns casos, a ignorância – o “não saber” – é uma dádiva, mas não vamos exagerar, né?

Leitura. O Cebola que me desculpe, mas esse é o meu plano infalível.

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A turma do Limoeiro

07/06/2009

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Sábias palavras do poeta Casimiro de Abreu. Eu costumo dizer – brincando, mas se fosse possível bem que eu gostaria de estar falando sério – que eu sinto saudades do tempo que o meu problema era a raiz quadrada de 49. Ou, mais tarde, minha maior dificuldade era saber que gases nobres e metais não reagem (ou será que reagem?).

Não importa. O que importa é que entre aritméticas e químicas, eu brincava. E brincava MUITO. Na época de colégio eu não era um grande estudante. Pegava recuperações, matava aula, jogava futebol.. enfim… uma criança normal, graças a Deus.

Uma das minhas maiores paixões atuais nasceu nessa época. A leitura. Antes mesmo de saber que Machado de Assis existia – e que,  mais importante, não era o instrumento de trabalho de um lenhador chamado Assis -, meu mundo literário girava em torno dos planos infalíveis do Cebolinha, hehehe.

É, tenho muitas saudades desse tempo. Contudo – má notícia para a minha nostalgia – eu cresci. Eis que, desde o ano passado, a boa notícia é que eles também!

Confesso que fui um dos que olhou beeeeeeeem atravessado na primeira vez que ouvi falar da idéia. “Uma revista da turma da Mônica adolescente? E em formato de mangá japonês? Ah pronto… os caras não sabem quando ficar quietos, só querem saber de ganhar dinheiro e avacalhar com a infância da gente…”

Eu fiquei quase triste. Realmente achei que os personagens seriam destruídos ou que não fariam juz ao que me acompanhou na infância. Será que o Maurício tinha ficado gagá? (Não seria sem tempo, hehehe…)

Comprei o primeiro número, em setembro do ano passado. Gostei.. não é mau.. comprei o segundo. É, legal.. comprei o terceiro… Tri bom.. vamos lá……. Bom, já comprei os 10 primeiros e tô esperando sair o 11°…

No fim das contas, eu gosto justamente por que tem toda essa questão da nostalgia. Ainda que as histórias sejam diferentes, o clima lúdico se manteve intacto. Parece que estou vendo a continuação de um filme que eu não via há muito tempo…

O texto é leve, bem humorado. E, realmente, a idéia de ser em mangá acabou dando uma identidade interessante para o projeto. O estilo “desordenado” de enquadramento, além de modernizar a linguagem, ajuda também a diferenciar do original. Isso, eu acredito, também acaba sendo causa do sucesso da revista pois elimina uma possível sensação de “mais do mesmo”.

Gosto também pois vejo com bastante clareza os valores que são passados ao público-alvo da revista. Ainda que isso já acontecesse antigamente, eu não notava. Hoje eu acho que isso, num produto genuinamente nacional, é maravilhoso.

A atualização dos personagens também foi bem feita. A Mônica cresceu, não é mais tão baixinha nem gordinha, mas continua dentuça e se irritando por qualquer coisa. O Cebolinha (“Cebola”), que é todo metido com tecnologia, ganhou um pouco de cabelo, foi a uma fonoaudióloga e agora só fala “elado” quando fica nervoso (geralmente por causa das meninas e, quase sempre, por causa de uma certa menina).

O Cascão aprendeu a tomar banho, mas continua não sendo grande fã. É o mais “descolado”, o skatista, fã de esportes radicais. A Magali também tá magrinha, mas come com a mesma facilidade de sempre.

Além disso, já apareceram personagens como Anjo (o “Anjinho”), Astro (“o astronauta”), o Franja (“Franjinha”) e também vilões como o Poeira Cósmica (o antigo “Capitão Feio”) e até personagens secundários das histórias de antigamente já voltaram para – inutilmente – tentar se vingar da Mônica.

Apesar de o próprio Mauricio de Souza ter negado a idéia de fazer, por exemplo, o Chico Bento crescer, certamente esta revistinha ainda dará frutos.  Quem sabe mesmo novas revistas, desenhos, filmes, produtos de marketing, enfim…

Afinal, hoje esta é a revistinha mais vendida do país, com mais de 250 mil exemplares por edição. Foi feito pra ganhar dinheiro? Sim, pois afinal de graça ninguém faz nada. Contudo, sinto muito. O meu dinheiro eles vão continuar ganhando…

Eu “lecomendo”!

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