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Vale a pena ver… de novo???

24/04/2009

Alguém aí está acompanhando a nova novela das 7? Caras e bocas. É, como todas as novelas do horário, um enredo babaquinha com ganchos esdrúxulos como o pai que foi sem nunca ter sido, o macaco-pintor e as alpinistas sociais.

Essa novela é uma versão romântica e lúdica de uma novela que está passando no Brasil desde a chegada de Cabral, que está no ar desde que Santos Dummont inventou o avião, e que é ambientada em Brasília desde 21 de abril de 1960.

Caras-de-pau e Bocas-na-botija

A história é parecida. Essa fala de um monte de babacas que afirmam que são (honestos) sem nunca terem sido e, feito macacos, pintam e bordam nas costas do povo. Enquanto estes babacas ficam cada vez mais ricos, os coadjuvantes (que se multiplicaram exponencialmente ao longo do enredo) se descobrem cada vez mais cegos. Cegos, aliás, como a personagem que, na novela global, propõe um debate de inclusão social muito positivo. Seria essa metáfora proposital?

Nos capítulos mais recentes: mensalão, dólares na cueca, grampos da Abin, sanguessugas, moeda verde, cartões corporativos, satiagraha e, é claro, a farra das passagens aéreas. Tá desatualizado? Calma.. pelo jeito essa novela tá longe do fim, e a maior parte do enredo já não tem nenhuma importância…

Falemos, pois, do capítulo mais recente: a farra das passagens. De repente, ninguém sabe bem como, se “descobriu” que os nobres congressistas se esbaldam distribuindo passagens aéreas para familiares, conhecidos e (ora, por que não?) celebridades.

Ocorre que a cota de passagens a que cada um tem direito, prevista na noma do Congresso Nacional é pessoal e transferível, certo? Afinal, se a mesma norma se omite sobre como não se pode usar a tal cota, então vale tudo, certo? Hehe.. só pra variar, errado…

Primeiro ponto: a cota é impessoal. Ou seja, não é da pessoa do congressista, mas da pessoa enquanto congressista. Se por acaso o bom senso e o respeito aos eleitores e ao dinheiro público não for suficiente para o semancol, é só lembrar do famoso princípio da moralidade administrativa.

Diz o artigo 37 da Constituição Federal: A administração pública (…) de qualquer dos Poderes da União (…) obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Segundo este princípio, todos os servidores públicos (do presidente da República ao faxineiro de uma prefeitura de interior) devem primar pelo uso racional e específico do patrimônio público ou do que dele derivar.

Segundo: obviamente, é intransferível. Nós elegemos uma única pessoa para nos representar e ter direito às – ainda por cima muitas vezes questionáveis – benesses do cargo, e não toda a sua família ou a Adriane Galisteu.

Nessa vale até generalizar: Tanto o presidente do Congresso Nacional e líder governista Michel Temer (PMDB-SP) quanto o corregedor-geral da Câmara e líder oposicionista ACM Neto (DEM-BA) admitiram ter feito “mau uso” da tal cota de passagens. Ou seja: não escapa ninguém!! (infelizmente, nem nós…).

Alguém lembra da época em que o ex-presidente Itamar Franco queria ressucitar o Fusca? Diziam, as más e espirituosas línguas que o então presidente queria “ressucitar o Fusca por que não sabia dirigir Brasília”. Pois é…

Pensando bem… este escândalo das passagens aéreas foi um ás do autor dessa grande novela, apenas talvez mal explorado. Afinal, existia – com o perdão do trocadilho – uma enorme pista sobre este desfecho desde abril de 1960. Todo mundo lembra que Brasília foi uma cidade pré-desenhada, certo?

Eu imagino que, na idéia (nada) original, o último capítulo seria assim:

Estourado o escândalo, o povo inerte se revolta silenciosamente, com aquele clima de “não vai mudar mesmo…”. Enquanto isso, a cena final começa dentro da Câmara enquanto os nobres congressistas (os tais babacas) iniciam mais uma votação de prioridade incerta e intenções não-sabidas. Baixa o som e a imagem começa a se afastar do plenário, saindo da janela da Câmara e subindo. É noite, e Brasília está iluminada.

A câmera continua seu movimento “pra trás”, se afastando cada vez mais. No final, vê-se a cidade da janela de um avião.. e qual não é a surpresa quando se tem a visão completa da cidade…

Ué.. queria que tivesse formato de quê? De um ônibus?

FIM
(Ou ao menos, deveria ser…)

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Com licença, por favor, obrigado (1)

19/03/2009

Caros leitores. Este texto ficou grande demais, então o publicarei em 2 posts. O primeiro hoje e o segundo nos próximos dias.

Em 2004, durante o Fórum Mundial de Educação, aqui em Porto Alegre, uma palestrante portuguesa me fez uma afirmação que, num primeiro momento eu achei ingênua da parte dela, mas na verdade era bastante profunda. Ela disse:

“Eu não entendo o Brasil”

“Legal”, eu pensei. Isso faz de nós 180 milhões e 1 pessoas que não entendem o Brasil. Próxima pergunta?….

Mas ela disse mais.. ela disse que não entendia como um país continental, que produz tudo o que se precisa (alimentos, roupas, manufaturados) e é campeão mundial em várias das matérias-primas básicas para qualquer país (podendo até exportá-las para países do chamado “primeiro mundo”) e, no entanto, na sua maioria, é pobre feito Angola.

Ela disse que a pobreza de países como Angola, para ela, era compreensível. Um país árido, onde tudo precisa ser importado, além de ter eternos conflitos sócio-políticos.. mas o Brasil?

Pois é, aí eu descobri que ela não estava sendo ingênua.. eu também não entendo o Brasil. Aliás, ninguém entende…

Eu tenho amigos, por exemplo, simplesmente desesperançados em relação ao nosso país. Que acreditam que não vai ter jeito, que vai ser sempre assim e tudo o mais.

Às vezes é difícil argumentar, muito difícil. Não por que eles sejam de alguma forma intransigentes, mas porque em algumas situações.. como ter esperança? Esperança em que?

Neste mesmo Fórum, o então Ministro da Educação Cristóvam Buarque disse: “No dia em que nossos professores ganharem tanto quanto nossos juízes, nossos juízes não vão ter tanto trabalho“.

É claro que a afirmação é utópica, espirituosa e quase cínica, partindo de um Ministro da Educação. Contudo, eu acredito nessa premissa. A educação, se não for a solução dos problemas brasileiros, é o único caminho por onde esses problemas podem ser resolvidos ou, ainda, minimamente “trabalhados”.

Um povo educado conhece seus direitos, tem valores, objetivo na vida e, quando for maioria, terá também melhores oportunidades.

É claro que educação não é sinônimo de consciência social, mas sem educação não há nenhuma consciência.

Em 2003 (e, por tanto, um ano antes do Fórum) eu entrevistei um importante jornalista aqui de Porto Alegre. O assunto era um caso de plágio que fora descoberto no New York Times na época. A idéia era saber a opinião da empresa em que ele trabalhava sobre o caso, mas também a dele. No meio da entrevista, acabamos falando sobre a necessidade ou não do diploma de jornalista, sobre o que ele disse o seguinte:

O diploma, da forma industrial como acontece hoje, não garante a qualidade do profissional. O que acontece é que, num país como o nosso, é impossível se exigir ainda menos estudo de alguém para qualquer coisa. Por isso, e não por questões ideológicas, eu sou a favor do diploma“.

E com isso eu concordo plenamente. Não só para jornalista, mas no geral. O diploma não é sinônimo de qualidade. E por que? Por que o nosso ensino é fraco, desde o fundamental até o nível superior.

Aí o problema, na verdade, passa a ser muito maior. É uma questão estrutural, do país, do sistema em si. São “várias variáveis”, e um dos impecílios para a solução destes problemas está justamente na questão da continentalidade do país.

É fácil para “um único” governo controlar e desenvolver um polvo de 27 tentáculos? Não, não é.. mas projetos com a intenção sincera de curar – e não apenas funcionarem como questionáveis paliativos -, ainda que, em parte, nossos problemas, já seria um belo começo, mas nem isso nós temos.

Está aí a proposta do novo sistema de cotas, que não me deixa mentir nem ter esperança… mas isso é assunto para o próximo post…

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Isso tem nome: é cambalacho!!

09/03/2009

PhotobucketEra uma vez os anos 1980. Era uma vez o Brasil. Atrasado social, econômica e politicamente, eis que depois de trinta anos o povo finalmente elegeria o seu presidente.

A decisão estava entre dois nomes, duas correntes, duas ideologias diretamente opostas.

De um lado, Lula, o líder das massas. Suas propostas prometiam, sem dizer diretamente, a “revolução socialista”. Era, no entender dele e dos que o apoiavam, o caminho para substituir a ditadura militar. Época que, aliás, pelos militares sempre foi e será chamada simplesmente de “A Revolução”.

Na outra corrente, Collor. A “novidade”. O jovem, atleta, obstinado e simpático candidato das elites. De um partido desconhecido ele crescera em cima de promessas de “mudanças realistas” e, apesar de tudo, era o favorito.

No último debate daquela eleição, entre várias questões das quais divergiam orgulhosa e completamente, uma delas chamava a atenção: Quem afinal NÃO tinha o – vergonhoso – apoio do então presidente José Sarney?


Debate Collor x Lula – 1989 

Aquela eleição, o “candidato das elites” venceu. Eleito, cumpriu algumas de suas promessas. O governo em si teve aspectos bons e ruins, mas ficou marcado pela corrupção.

Em 1992, denunciado pelo próprio irmão, Collor acabou sofrendo um processo de impeachment, sobre o qual Lula afirmou:


Milton Neves entrevista Lula em 1992 

Processado, o jovem presidente acabaria por renunciar antes de ser cassado. A renúncia não evitou, entretanto, que seus direitos políticos acabassem suspensos por oito anos. “Este não volta mais”, muitos pensaram.

Lula permaneceria como ícone máximo da oposição “ao governo” e às políticas “do governo” durante toda a década de 1990. Até que em 2002, finalmente, “a esperança venceu o medo”.

Era hora de Lula mostrar a que tinha vindo. A temida – por muitos - “revolução socialista” não veio, e o governo até teve um início promissor. Com o tempo foram surgindo, de todos os cantos, denúncias de corrupção ainda mais graves do que as que derrubaram Collor há uma década. O impeachment, ainda que cogitado, nunca chegou a ser proposto.

Veio a eleição de 2006. O presidente foi reeleito e, para surpresa daqueles mesmos muitos, Collor estava de volta ao centro do poder. Era senador da República!

O clímax dessa história (talvez não pelo seu valor histórico, mas pelo misto de tristeza e perplexidade que causa) aconteceu nos primeiros dias de março de 2009.

Collor disputou, com a senadora petista Ideli Salvati, presidência de uma importante comissão do Senado Federal. Ao contrário do que possa parecer, a vitória do senador – e, portanto, derrota petista – não foi uma derrota do governo.

Entenda:
O governo trocou o apoio de Collor na eleição do presidente do Senado pela presidência da comissão. A “jogada” foi orquestrada pelo grande favorecido. O ex-presidente da República e mais uma vez presidente do Senado José Sarney.


Collor é eleito presidente de comissão com o apoio de Sarney

Fim (ou au menos assim espero…)

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Quando dizem que o mundo dá voltas… não estão brincando….

Collor, que odiava Lula, que odiava Sarney, que odiava Collor, que odiava o Congresso, que odiava Lula que.. bem.. que $u$tentava o congresso, que $u$tenta Lula que.. no fim das contas… ama Collor e é amado por ele também.. e ambos amam Sarney.

Eu não sei o que me deixa mais triste. Se é o fato de que o jogo político transcende a questão partidária (no caso, o governo do PT articulando a derrota do próprio PT em nome de qualquer coisa) ou o fato de que Collor, escurraçado em 1992 para deleite do próprio PT, volta como um poderoso peão do xadrez “lulista”.

Não vem ao caso o que o PT defende ou se Collor foi injustiçado. A questão é simples. Antes até de ética (que seria pedir demais nessa lama da maracutaia brasileira), o que se pede é um mínimo de coerência.

Com certeza não foi o primeiro e não será o último “cambalacho” que os políticos brasileiros darão no povo. O que me deixa realmente desesperançado, contudo, é o fato de dois até então inimigos históricos declarados se unirem na mais pura desfaçatez.

É como imaginar Getúlio e Carlos Lacerda, Jango e os Militares, ou, em nível estadual, Borges de Medeiros e Assis Brasil.. se unindo para a elocupletação… Essas rivalidades poderiam ter todos os defeitos, mas enquanto rivalidades eram, antes de tudo, coerentes. A gente sabia com quem estava lidando e podia escolher um lado.

Dá vontade de desistir. Nem sei bem do que, mas dá. E ano que vem? Dilminha “paz e amor ou José FHC Serra?

Escolha difícil.

No fim das contas, Collor é que tinha razão quando definiu, ainda no debate de 1989, essas tristes e cínicas alianças políticas como cambalacho. A expressão, aliás, certamente foi utilizada por causa da novela de mesmo nome, transmitida poucos anos antes (1986) que mostrava diversos personagens se virando com o velho – e nem sempre ético -”jeitinho brasileiro”.

A explicação da expressão – e o porque de ela ter sido tão corretamente empregada pelo então “candidato das elites” – está na letra da música de abertura:

É tudo banana
Oh, eu acho que é do mesmo cacho
É tudo farinha
Oh, eu acho que é do mesmo saco

Uma hora tão por cima
Outra hora tão por baixo
E a gente vai lavando
Roupa suja no riacho
E a gente vai levando
Meu amor, cambalacho!!

Clique aqui para ver a abertura

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Jaboticabas (2)

23/10/2007

Depois de uma série de maus resultados, o presidente vascaíno Eurico-porque-tirei-uns-por-fora Miranda despediu o técnico Celso Roth e contratou… simplesmente…

Ele….

O camisa 11…

O herói do Tetra…


Romário!!!…………

E não é tudo… ele já se auto-escalou para o próximo jogo do time cruz-maltino.

É literalmente como se diz… que fim de carreira…

E é como a jaboticaba.. só tem no Brasil…

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Jaboticabas (1)

18/10/2007

Há não muito tempo eu li outro belo livro chamado “O Código da Vida”, sobre o qual vou falar mais pra frente.

Apenas para entrar no assunto de hoje, digo que o livro falava da história polítca brasileira de Jânio Quadros até o Lula.

Em vários momentos, contando coisas inacreditáveis sobre a nossa “elite”, o autor, Saulo Ramos, diz: “É como jaboticaba.. só tem no Brasil”.

Então, em homenagem a coisas que só se vê no Brasil… está criada a primeira seção do Impressão Digital. a “Jaboticabas” que, conforme explicação acima, falará de coisas diversas, que contando ninguém acredita… Vamos ao primeiro:

 Saiu na edição desta quinta-feira (18/10) do A Notícia:

Minas Gerais
Menino de 11 anos dirigia em rodovia

A PM de Pouso Alegre, no Sul de Minas, apreendeu um menino de 11 anos que dirigia em alta velocidade pela BR-459. Ele contou que havia fugido de casa depois de brigar com os pais e seguia com destino a São Paulo num Citröen C4 com placas do Rio. Ao passar por Santa Rita do Sapucaí, a criança teria fugido de PMs. Um empresário de 61 anos se apresentou como responsável pelo menino.

Uadarréu?? A coisa mais normal que tem aí, e talvez a única, é que o carro era de um mineiro, tava indo pra São Paulo com placas do Rio… ah bom…

Taí..

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