Posts de agosto \28\UTC 2011

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Veni, vidi, vici

28/08/2011

PhotobucketUm dos melhores filmes que eu já vi na vida, sem dúvida, é “Planeta dos Macacos” (1968), com Charlton Heston. Eu tive a sorte de assistir sem saber o final e ser surpreendido por uma das mais incríveis cenas finais da história do cinema.

Ocorre que, Hollywood está com algumas manias “perigosas” Uma delas: fazer “remakes”. Nessa onda saiu, em 2001, a versão Tim Burton do clássico sessentista. É um bom filme, mas nem se compara ao original. Até porque, o final por exemplo, deixa mais perguntas do que respostas. E Tim Burton mesmo, tem muitos filmes melhores que o seu “Planeta dos Macacos”.

Pois a série sobre o mundo dominado por símios entrou também em uma outra “moda” hollywoodiana. A das chamadas “Prequels’. Em tradução livre “pré-sequência”, ou “sequência anterior”. Basicamente produções que buscam explicar “como aconteceu?”. O que existia antes da situação de um determinado filme? Como se chegou lá?

Eu admito que tinha certo receio com esta ideia. Estamos em outra época, outra cultura, outra tecnologia. Considerando ainda a temática do filme, as explicações poderiam variar tanto que a ideia original se perdesse na megalomania do cinema blockbuster dos anos 2000. Sei lá.. perigo!

As primeiras críticas que eu li (com cuidado para não saber demais, visto a surpresa do primeiro filme) eram positivas. Diziam que a produção honrava a série original, com boa dose de aventura e efeitos especiais de primeira. Fui conferir.

O filme inicia na selva, numa caçada de contrabandistas – acredito eu –  a macacos que depois são vendidos/confiscados por laboratórios. Acho que esta cena define toda a história. A conquista, a “virada”, nada mais é do que uma vingança contra atitude humana de se achar dono da natureza e tratar animais… bem, como animais.

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A história gira em torno de César. Um filhote de chimpanzé que, devido a uma droga usada numa pesquisa para cura do Alzheimer, desenvolve capacidades de comunicação e coordenação motora muito superiores ao comum. Contudo, diversos pequenos detalhes demonstram que, mesmo para os humanos que o adotaram, ele nunca será mais do que “um macaco inteligente”.

O cientista Will Rodman (James Franco), e seu pai Charles (o ótimo John Lithgow) “protagonizam” o filme no lado humano. E é justamente ao tentar salvar Charles – com o excesso de “zelo” causado pela sua forma “primitiva” de defesa – que César será levado a uma jaula, num local onde encontrará diversos outros símios, mas todos “normais”. E lá, cansado dos excessos e desrespeitos dos humanos, é que ele decidirá liderar a rebelião.

Os grandes destaques do filme ficam por conta de Andy Serkis – que interpreta César através de técnicas de motion capture – e da cena do embate na Golden Gate Bridge. Ação complexa, mas muito bem executada.

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Vale ainda ressaltar as referências ao filme original. Entre as quais, a partida da viagem do astronauta Taylor (personagem de Charlton Heston no filme de 1968) e diálogos inteiros como “Tire suas patas imundas de mim, seu macaco sujo e maldito“.

Do ponto de vista de César, o filme é uma busca pela liberdade. Em nenhum momento se entende que o objetivo seja “acabar com a humanidade”. Não, a questão aqui – ainda – não é conquista ou extermínio, mas apenas liberdade. Como o imperador romano de quem recebe o nome, César conquista a liderança do seu grupo pela inteligência, e não necessariamente pela força.

O final não traz uma cena emblemática como o original, mas deixa uma grande pergunta em aberto  (na cena extra que aparece entre os créditos). Ao contrário do que geralmente acontece, entretanto, o filme conclui a sua proposta e deixa espaço para mais ação sem forçar a barra. Existe história para desenvolver a trama até que se chegue, afinal, no Planeta dos Macacos.

* o título significa: “Vim, vi e venci”, proferida por Julio César

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Música de “gente grande”

21/08/2011

Acabei de chegar do show “Música de Brinquedo”, do Pato Fu. Por falta de companhia, fui sozinho. Não me arrependo, valeu muito a pena!!

Como o show é do disco que traz alguns clássicos da música nacional e internacional, gravados com arranjos especiais e apenas instrumentos de brinquedo, o público é diferente do que se esperaria de um show da banda mineira. Muitos casais de pais com crianças – vindo pela sonoridade lúdica e surpreendidos pela presença ativa dos bonecos da Companhia Giramundo, e muita gente com seus 30/40 anos – onde eu me encaixava, vindo pelas músicas de já certa idade, além do próprio Pato Fu. Photobucket

Pato Fu – Há algum tempo eu admiro todos eles pelo talento musical e potencial criativo (além de ser um grande fã da voz da Fernanda Takai), mas hoje minha admiração se estendeu para o lado pessoal. Principalmente o John, que eu tinha certa ressalva por ele ser o autor das músicas mais sonoricamente “pirotécnicas”, se mostrou ser um cara muito legal, de paz. Eles absolutamente não têm aquela postura de “vocês estão aqui por nossa causa, de nada”.

Não. Eles estão no palco fazendo o que gostam, e curtindo que as pessoas estão curtindo também (diferente da arrogância de outras bandas, e da indiferença gelada do Los Hermanos, por exemplo). Até nas pausas entre as músicas, a Fernanda e o John buscam interação com o público com brincadeiras obviamente combinadas, mas que alimentam a cumplicidade com o público

Momentos do show – Quando foram tocar “Live and Let Die“, começaram dizendo que iam tocar uma música que era complexa pois o arranjo tinha sido feito “para agradar um beatle”.

“Que tocou com os Beatles”, ressaltou o perspicaz John (Ulhoa, no caso).

É claro que eles falavam de Paul Mccartney, o autor da música. Aproveitando o assunto,  Fernanda contou que no ano passado veio a Porto Alegre assistir ao inesquecível show de Macca nas terras tupiniquins (onde eu também estava!). Vale destacar ainda a pirotecnia com confetes e serpentinas na hora da bateria e a animação das crianças com a parte de ressaltar o “Diiiiiieee”. Vem gente com bom gosto musical por aí…

Na hora de “Ovelha Negra“, Fernanda pediu para a platéia imitar ovelhas. Ao “bééé” sonoro e grave, John respondeu:

“Ok, belos bodes… mas ovelha, tem?”.

Depois, explicou a diferença: “tom mais feminino, cantado pelos dois sexos e com sustenido”. Para explicar o que era sustenido, usou parte do texto da dupla Tangos e Tragédias (que inclusive participa do Acústico MTV do Pato Fu):

“Sustenido é.. manter o som: pensam que esse “bééé” se estanca por aqui? Não, pois ele se estende, se estende e se estende…”.

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Eu fico com a pureza da resposta das crianças… - Quem não conhece o disco, eu recomendo. Aliás, eu recomendo toda a discografia do Pato Fu mas, pra quem quer novidade na música nacional, “Música de Brinquedo” é uma boa dica. Ao contrário do que muitos pensam – e muitos teimosamente pensam -, os mineiros não são amadores. Ao contrário, são músicos profissionais, de enorme qualidade, e que tem cultura musical variada, inúmeras influências nas mais diversas matizes musicais.

O próprio disco Música de Brinquedo mostra o ecletismo da banda: de “Sonifera Ilha”, dos Titãs, passando por “Frevo Mulher”, do Zé Ramalho e “Todos Estão Surdos”, de Roberto e Erasmo Carlos, até chegar a “Live and Let Die”, “Twiggy Twiggy” e “Love me Tender”. Enfim, vale conhecer o disco, e a banda!

No fim do show, depois do bis, os cinco integrantes da banda, os dois músicos convidados e os artistas da Giramundo se enfileiraram no palco para agradecer ao público. Saindo do teatro, ainda ouvi um menino dizer, surpreso:

“Olha mãe, eram fantoches…”


Leia mais sobre o Pato Fu:
Bah.. tô fu (3)
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