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O bom, o mau e o feio

12/12/2010

A criminalidade do Rio de Janeiro. Já há algum tempo, eu vejo muitas pessoas dizendo que jamais voltariam – ou, as que nunca foram, jamais iriam – ao Rio de Janeiro. Eu, que fui para lá algumas vezes, e adoro, penso… “bah, mas perder aquele visual, aquele clima, aquele astral…”.

Sim, por que digam o que quiserem, mas a zona sul carioca é diferente. É. Ponto. Eu geralmente vou para a casa de amigos em Niterói, e um ou dois dias por vez, pego a balsa e tenho meus momentos “astrais” na Cidade Maravilhosa. Com outros amigos, com novos amigos ou mesmo sozinho… A questão, para mim, é que aquele dia, do passeio, é especial.

Quem diz que não iria ao Rio me pergunta: “Tu não tem medo da violência?”. Tenho, tenho muito medo. Uma das minhas preocupações é sempre a volta, que geralmente é à noite ou ao anoitecer (e aí tem uma amiga da Cidade a quem eu sempre serei muito grato). Contudo, adoro aquilo lá. Uma vez peguei uma daquelas vans.. Eu, o motora e o cara da porta. Pensei: “Pronto, morri”. Felizmente eles eram, naquele momento, gente honesta, e me deixaram onde combinamos pelo preço que combinamos.

Eis que de uns anos pra cá, o governador Sérgio Cabral resolveu limpar a Cidade. Visando a recepção à Copa do Mundo e à Olimpíada certamente, mas visando também cartaz político. As UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) merecem aplausos? Certamente que sim. A questão é que elas resolvem um problema da Cidade do Rio de Janeiro, mas não o problema todo.

Em fins de novembro o governo carioca resolveu retomar o controle sobre o “Complexo do Alemão”. Complexa, pois, é a análise disso.

Tanques de guerra – que, como já foi bem observado, os cariocas fotografam como se fosse exposição de arte -, armamento pesado, Marinha, Aeronáutica, Bope e a própria polícia militar. Tudo pronto? Então vamos!

Entraram.. patrolando, como tinham que ter feito desde 1500. Encontraram toneladas de drogas, contrabando e armas – algumas muito melhores que as deles – mas… pouquíssimos traficantes. De alto escalão então? ZERO.

É aí que entra o título do texto. O bom, nesta história, é a pacificação dos morros cariocas. Dá mais segurança para quem vive lá, ajuda a livrar (mas por si só não salva) uma geração interminável de crianças do mundo do tráfico, e melhora a segurança da cidade toda, dos turistas estrangeiros dos grandes eventos, a minha e a de quem disse que nunca iria ou numa voltaria.

O mau é que, ao não prender grandes traficantes e, ainda, ao avisar que “amanhã vamos entrar” (como adoram fazer), até resolveram um problema – já citado – mas, em relação ao crime organizado a diferença é nula. Ninguém desaparece no vento, nem num portal feito a Caverna do Dragão.

Se não pegaram, é porque para algum lugar eles foram. E aí, não me venham dizer que foi uma ação efetiva contra o tráfico de drogas porque não foi. Foi unicamente, e isso não desmerece o louvor à operação, uma ação de tomada de posse por parte do Estado do Rio de Janeiro de um território que nunca deveria ter saído do seu controle. Ponto.

É muito cinismo dizer que agora tudo é lindo e não existe mais tráfico. Ilusão. Os traficantes continuam por aí..

E essa de mandar os presos para longe, hein? Acre, Rondônia, Paraná… Bah, bela idéia… enquanto não inventarem o avião e, principalmente, o telefone celular, esses caras tão realmente fora de circulação!! (Ops!)

O feio? O feio é a macaquice da Rede Globo (e de qualquer outra emissora). Cenas ridículas das operações “ao vivo”. Isso sem contar com a repórter que entrou no túnel escoltada por três homens do Bope “fantasiados” pra fazer uma matéria que, no fundo, não disse NADA. Mostrou a entrada do túnel.. e? Tá faltando trabalho pros rapazes, é isso?

As pessoas confundem informação:

“os traficantes fugiram por túneis como este”, e close da câmera no túnel.

Com show business:

“foi neste túnel que o fulaninho de tal, bilionésimo quinto na hierarquia do tráfico, chefe do carinha que foi preso, escapou. Essa pegada aqui deve ser dele, e…” Mas hein?????

(E isso que até o Mr. M eles prenderam. Será que agora eles aprendem os truques certos?)

Só porque isso – graças a Deus – não é comum no Brasil, não quer dizer que precise tratar como uma novela do Gilberto Braga ou Linha Direta, né? O repórter quer fazer algo útil? Cobra! Vai no governador, vai no prefeito, vai no cara do Bope.

Eles vão.. mas vão pra dar tapinha nas costas, elogiar. Tem que ir – também – pra perguntar “E aí, e agora? Vão continuar atrás dos desgraçados ou vão ficar por aqui?”. Jornalismo de guerra – pois é este o caso – não é a mesma coisa que jornalismo geral, que vai falar de uma chuva ou sobre como um prédio desabou. Este sim, vai lá e descreve porque descrever faz diferença. Assim como jornalismo esportivo, que terça-feira tem que inventar qualquer porcaria porque não tem jogo. Jogo é jogo, mas guerra é guerra.

Enfim. Eu torço muito pelo sucesso das operações da segurança pública do Rio de Janeiro. Mas gostaria muito, também, que fosse feito algo de prático pelo problema em sua origem, não apenas em seu efeito mais visível e “assustador” (para o brasileiro médio).

No fim das contas, eu torço pelo fim de situações que geram sacadas inteligentes como a que disse um amigo meu semana passada quando fomos ver Tropa de Elite 2:

“Eu só vou ali no cinema ver o Jornal Nacional e já volto”.

3 comentários

  1. Perfeito…


  2. esse é o MEU jornalista… heheeheh parabéns!!!


  3. eu fico pensando, pra acabar de vez com o tráfico, tem que tirar os policiais corruptos. Eles ganham com o trafico, eles ajudam a fugir. Enquanto estiverem na corporação e os bandidos tiverem grana, um sempre levará vantagem com apoio do outro. Isso ainda acontece. O Morro de botafogo tem UPP, e também tem tráfico. E agora?? eu quero algo que resolva e isso não está na polícia, nem no governo, nem nas leis do estado. A solução está em outra reforma: a moral



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