
Interrompemos a nossa programação…
26/09/2010O meu dia tem uma certa rotina.
Acordo, tomo café, saio para trabalhar. Trabalho, almoço, volto pro trabalho. Seis da tarde: tchau farroupilha. Volto pra casa. Aí varia um pouco… Ou vou pra internet, ou dou uma volta, ou vou ler.. Assisto o Jornal Nacional (às vezes de costas, por causa da posição do computador, hehehe) e aí…
E aí, nos últimos 30 dias, sempre uma surpresa, e sempre a mesma. Quando o Bonner diz “boa noite” eu já estou pensando em Betes, Claras e Totós (sim, eu assisto Passione).. só pra, dois segundos depois, ser lembrado – pela própria TV – do “maldito” horário político.
Noves fora, existem prós e contras na obrigatoriedade do horário político. Não é uma questão resolvida, do tipo “tirem e deu”, como a maioria acha que pensa. Não.
Alguém nega que a campanha só começa MESMO quando começam os programas? Ainda que o disse-me-disse venha de 2009, e que o prazo legal comece em julho, é só depois da programação de rádio e TV ser avacalhada pelo horário gratuito que o povo se toca do que tá acontecendo… Agora, tira o horário político, vamos votar em quem?

A má utilização por parte dos partidos e a obrigatoriedade de ser no horário nobre num país democrático eu até concordo que sejam pontos questionáveis. Contudo, que tem que haver uma forma de todos terem a chance de ter alguma noção do que está acontecendo.

Abre parênteses. Vale dizer que a má utilização (assim como a qualidade dos eleitos) vai muito de quem vota. Quem se informa (e se forma, mas isso é outra discussão), teoricamente vota melhor, o que melhora a qualidade dos eleitos, e isso acabará melhorando a qualidade dos programas. É um círculo vicioso..
Na política, como qualquer canal de TV ou prestação de serviço, o nivelamento é por baixo: quanto menos qualidade se exigir, menos se recebe de volta. fecha parênteses.
Aos maníacos tecnológicos – até certo ponto, como este que voz fala – eu digo: a internet (com seus twitters, facebooks, iPads e smartphones) não tem todo esse alcance ainda. Até acho que para a próxima eleição presidencial ela esteja mais “diluída” na campanha, mas hoje é tudo muito novidade, acesso bastante restrito (dentro do universo de 130 milhões de eleitores) e também com presença bastante superficial (e optativa).

Eu até entendo os que dizem que é uma questão de direito, e não de dever, ter acesso a informação. Contudo, quando falamos de eleições, antes de estar falando de direito à informação, estamos falando de cidadania.
Não estou defendendo aqui que todos vejam os horários políticos. Não, a nossa democracia nos garante o direito de não assistir. Contudo, acho que é função do governo sim, garantir que todos tenham condições de ter uma visão “menos pior” do todo, e não deixar apenas cada um com o seu achismo e deu. Eu mesmo mudei pelo menos um dos meus votos da eleição da próxima semana “graças” ao horário político.

É importante ressaltar, antes que eu seja criticado por isso, que não estou fazendo apologia a qualquer coisa DESTA eleição, estou falando da existência do programa eleitoral gratuito em si. Afinal, quem me conhece sabe que eu não estou satisfeito com o rumo que a eleição está tomando segundo as pesquisas… e é claro que o horário político é determinante nesta tendência.
Existem vários aspectos paralelos à esta discussão. A qualidade das casas legislativas (e, também, das executivas), o caso Tiririca, a eleição presidencial 2010, voto obrigatório… enfim, incontáveis. Eu prometo que tratarei cada uma delas!
Nem que seja nos próximos quatro anos….
