Posts de abril \27\UTC 2010

h1

Alguma coisa está fora da ordem….

27/04/2010

Eu estou passando por um grande momento. GRANDE momento. A minha empresa está andando, eu me sinto profissionalmente muito valorizado e isso traz um reconhecimento pessoal incrível. Mesmo que o retorno financeiro ainda não seja o ideal, acho que estou construindo – ou começando a colher os frutos de – uma credibilidade que é fundamental para que este “detalhe” seja resolvido.

No lado pessoal, eu estou atingindo o equilíbrio. E não digo no sentido de estar mal e, aos poucos, melhorando. Não. Estive mal, por muitos anos. Há alguns, contudo, eu estou MUITO bem. Feliz comigo, com objetivos, sonhos e trabalhando – em todos os sentidos – por eles.

Só que nem só de dias maníacos – no sentido bipolar do termo – se vive a vida. Tenho meus momentos baixos. Algumas semanas atrás tive um momento de mau humor repentino que nem eu me reconheci, mas aceitei e fui em frente. Acredito que, felizmente, quem teve que me aguentar naquele dia soube entender e vai seguir comigo…

No lado dos relacionamentos.. ah, o lado dos relacionamentos. Pra não dizer que não falta nada, falta isso. “Só” isso. A virada de 2009 para 2010 foi bastante intensa neste campo. De setembro pra cá mudei uma certa atitude e me dispus a conhecer pessoas novas. Conheci várias, fiquei com algumas e acabei sozinho. Antes que pareça melancólico, tudo ia bem quando eu descobri que nunca encontraria o que procuro fazendo o que estava fazendo.

E o que me fez enxergar isso, quem diria, foi alguém que eu conheci do modo “tradicional”, numa dessas festas da vida. Não houve, na verdade, nada de concreto nem de mim em relação a esta pessoa, mas a percepção de que existem pessoas como ela – e que por isso eu não precisaria me habituar com “meias-afinidades” – é que fez com que esta “nova atitude” acabasse poucos meses após começar.

Ok, sem meias-afinidades. Então, qual é a saída? A mais óbvia, simples e complexa possível: ser eu mesmo e manter as opções abertas. Contudo, isso é uma via de duas mãos, e a corrente só acende a luz se, em algum momento, os dois lados estiverem conectados. Ocorre que.. não sendo algo material, visível.. como saber se, afinal, os lados estão conectados ? (Tá, eu sei essa resposta também…)

Eu estou conectado. Aliás, não. Eu SOU conectado. Às vezes eu só gostaria de não ser tanto…

Chamem-me de Erick. Atrapalhado, cavaleiro de meia-tigela. Corajoso enquanto o Vingador não aparece, e quase sempre inteligente. Aqui estou eu, mais uma vez, na frente do portal que pode me levar (de volta) para o meu mundo. A pergunta é: será que esta é realmente a saída? E será que eu preciso passar correndo, ou indo passo a passo eu acabarei passando por ele (o portal) sem notar?

Desta vez não há resposta certa. Há apenas uma vontade imensa de voltar para aquela maldita montanha-russa….

h1

Será.. só imaginação?

03/04/2010

Em tempos de Fresno, Strike, NXZero e Inimigos da HP eu fico pensando..  Será que a música piorou ou eu cresci? Não é possível que, no meu tempo, a música fosse tão ruim assim… ou é?

Eu acho que não. Essa semana, por exemplo, um dos ícones da minha geração, Renato Manfredini Russo, faria 50 anos. É estranho dizer “da minha geração”, mas considerando que ele morreu há quase 14 anos.. a juventude atual não o conheceu. Portanto, é sim “da minha geração”…

Renato Russo

Renato Russo não está mais entre nós e, graças ao bom senso de alguns (Dado Villa-lobos e Marcelo Bonfá talvez?), a Legião Urbana também não existe mais. Contudo, nada do que existe hoje no Brasil se compara a eles. Se qualidade músical é algo relativo e pessoal, nenhuma dessas bandas do século XXI no pop-rock brasileiro tem a relevância ou o respeito geral que Renato Russo tinha. Eu, particularmente, não sei o nome de nenhum dos integrantes de quaisquer das bandas que eu citei no início deste texto (fico satisfeito (e não feliz) por ter me lembrado do nome das bandas).

O Legião é, em grande parte, fruto da redemocratização do país. Do vulcão musical que foi Brasília no início dos anos 80 (que, mais tarde, foi para o Rio de Janeiro e, depois, para Minas Gerais). Paralamas do Sucesso e Capital Inicial também são ícones deste “movimento”, mas nem Herbert Vianna nem Dinho Ouro Preto são considerados do nível de Renato Russo.

Quando querem transformar / Dignidade em doença
Quando querem transformar / Inteligência em traição
Quando querem transformar / Estupidez em recompensa
Quando querem transformar / Esperança em maldição:
É o bem contra o mal  / E você de que lado está??

(1965 (Duas Tribos) – álbum: As Quatro Estações (1989))

O livrinho da coletânea “Mais do mesmo”, lançado postumamente em 1998, dizia algo como “várias músicas que cantarolamos sem saber bem de onde vêm até que descobrirmos ser tudo Legião Urbana”. Grande verdade. Principalmente as mais clássicas como “Eduardo e Mônica”, “Faroeste Caboclo”, “Pais e filhos”, “Quase sem querer”, “Tempo perdido” e “Será”.. pareciam estar desde sempre na mente das pessoas, muitas vezes antes de se saber de quem eram.

Discografia da Legião Urbana

Esqueci de alguma? Não, esqueci de várias. Geração Coca-cola, Vinte e Nove, Dezesseis, Monte Castelo, Química, Canção do Senhor da Guerra, Eu sei, Que país é este, Há tempos, Índios… (e ainda faltam dezenas…).

O próprio Renato Russo brincava com a simplicidade das suas músicas. No disco ao vivo “Como é que se diz eu te amo” (2001, gravado em 1994) ele diz: “Legião Urbana: como aprender várias músicas com apenas 3 acordes”. Sobre o suposto papel de líder da Geração Coca-cola, no mesmo disco, ele diz: “As pessoas acham que eu sei todas as respostas, mas eu não sei qual é a pergunta…”.

Renato Russo nunca compôs “pra galera”. Ele expressava o que sentia de uma forma muitas vezes crua e cruel. Mesmo as suas diversas canções que contam histórias sempre têm algo para dizer. Com quem ele falava? Para mim, com ninguém. Ocorre que ele poetizava angústias de toda uma geração, ou talvez, de uma época. Várias frases de músicas dele são, para mim e para muita gente, verdadeiros mantras. É incrível que uma mesma pessoa tenha conseguido transformar em poesia dúvidas, angústias e medos tão comuns e, ao mesmo tempo, tão íntimos e complexos.

Legião Urbana

Uma coisa é verdade. Tocar Legião Urbana é fim de festa. No fim dos anos 1990 era até piada… Se, numa festa, alguém colocasse Legião, não que alguém questionasse a qualidade musical, mas era hora de acender a luz e ir embora. Legião é poesia, não dança. É algo introspectivo, para saraus, jantares, conversas de bar…  não para festas.

Se lembra quando a gente / chegou um dia a acreditar
que tudo era pra sempre /  sem saber
que o pra sempre, sempre acaba.
(Por enquanto – Legião Urbana (1985))

Faz tempo que eu não paro para ouvir Legião Urbana. Contudo, como eu citei acima, volta e meia me pego cantarolando alguma música, ou dizendo alguma frase que, quando paro pra pensar, é de outra música da Legião.

Por razões óbvias, há mais de uma década não sai nada novo da Legião (exceto regravações), mas mesmo assim, eu já me peguei entendendo uma música “nova”.. Mesmo as que eu passei a vida inteira escutando, mas nunca tinha parado pra ouvir… Poucas bandas têm essa capacidade…

Agora eu estava procurando uma frase para terminar este texto, e fui atrás de frases do Renato. Grandessíssimo erro. Nas frases, encontrei as músicas. E é impossível não citar outras vááárias… Vou fechar citando uma das frases, para mim, mais emblemáticas do Legião:

“Toda a dor vem do desejo de não sentirmos dor”
(Quando o sol bater na janela do seu quarto – As Quatro Estações (1985))

Mais uma vez, uma grande verdade. Muitas coisas doem. Tanto fisica, mental ou espiritualmente. Grande parte delas, entretanto, doem mais justamente por que a dor, com o perdão do trocadilho, dói. A vontade de que pare de doer, e a aparente eternidade da dor é que a tornam, muitas vezes, tão mortal. Além disso, ao passo em que os momentos felizes passam num piscar de olhos, os tristes parecem intermináveis.

Concluo, com profundo alívio, que a resposta da pergunta inicial deste texto é mesmo não. Não, não é só imaginação. Por mais que eu não conheça praticamente ninguém da cena do pop-rock atual até por não prestar mais atenção, é inegável que – tirando elogios do Faustão – nenhum deles se destaca nesse mar de celebridades instantâneas… Por quê? Bem…

Quem um dia irá dizer que existe razão
nas coisas feitas pelo coração
E quem irá dizer que não existe razão?
(Eduardo e Mônica – Dois (1985))

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 213 other followers