Cinco (inacreditáveis) anos atrás eu escrevi sobre “Lucky Man”, o livro autobiográfico de Michael J. Fox (ver IMDB), no qual ele contava como um garoto do interior do Canadá se tornou um astro, e como a descoberta da doença de Parkinson, na virada dos anos 1990 mudou a sua vida.
Pois eis que eu encontrei, na Feira do Livro de Porto Alegre 2009, o livro que, de certa forma é a continuação daquele. O título, e a mensagem é: ”Um otimista incorrigível” (“Always Looking up: the adventures of an incurable optimist”, no original, em inglês).
Não é exatamente uma continuação pois, enquanto aquele é estritamente biográfico, este se propõe a refletir sobre a relação do J. Fox com a doença. E não é nada de “ó, estou morrendo, pobre de mim”. Ao contrário.
Como o próprio título diz, o livro é otimista. Mostra como o ator encara, vive e confronta a doença diariamente. A organização dele também não é cronológica, mas em quatro grandes capítulos: Trabalho, política, fé e família.
Na introdução, ele fala da sua rotina com a doença, descrevendo em detalhes assustadores a luta diária para executar, sem o devido controle muscular, atividades corriqueiras como escovar os dentes.
Em relação a trabalho, ele conta como foi a mudança da vida de ator de filmes (como a trilogia De Volta para o Futuro) e seriados (de Caras e Caretas a Spin City) de sucesso para o de presidente de uma fundação que tem, como ele gosta de ressaltar, um único objetivo: fechar. A Michael J. Fox Foundation for Parkinson´s Research (Fundação Michael J. Fox para a pesquisa do Parkinson) foi criada com o intuito de incentivar pesquisas para encontrar a cura da doença. No dia que este objetivo for alcançado, ela fecha.
Na política, ele fala sobre o jogo de interesses que cerca a questão da pesquisa com células-tronco, principalmente nos Estados Unidos. Grande parte do livro, por exemplo, se passa no longo governo George W. Bush, que era contrário às pesquisas. A briga de bastidores, incluindo o episódio no qual ele foi acusado inclusive de fingir ter os tremores da doença para sensibilizar cidadãos e eleitores norte-americanos é um dos pontos mais interessantes do livro.
No que diz respeito a fé, além de falar de si e de sua visão própria de Deus, conta também de sua relação com o judaísmo, que é a religião de sua Tracy Pollan e seus filhos.
Na parte de família ele fala de seus pais, sua infância e “a grande viagem”. Também fala de Tracy, e seus filhos Sam, Aquinnah, e Schuyler e Esmée e de seus irmãos, principalmente K.C., com quem era muito ligado e quem acabou perdendo cedo…
Eu sei que é piégas, é um lugar-comum e tal. Mas Michael J. Fox merece ser admirado pela forma de encarar o mundo. Portador de uma doença degenerativa que muitas vezes acaba com o ânimo de qualquer um e mudou sua vida completamente. Mudou sim, mas acabar nunca. E, ao contrário do que talvez alguns pensem, o caso dele é bem grave. Não desistir e, mais do que isso, olhar sempre para o que se tem e o que se pode ter, nunca apenas para o ideal.
E, com o perdão do trocadilho, com pouco mais de 1.60 ele pode ser pequeno como um rato, mas é esperto como uma raposa.







