Posts de Agosto, 2009

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Ler deveria ser proibido

11/08/2009

Hoje estou sempre lendo 3 ou 4 livros ao mesmo tempo. Me dedicando sempre a um, mas três ou quatro no meio. Sempre pego um livro novo antes de terminar todos. Já tentei fazer diferente, mas não consigo, hehehe….

Neste momento eu estou lendo, “oficialmente”: uma biografia do Imperador Augusto (em inglês); “Mein Kampf” (o famoso livro doutrinário e pseudo-auto-biográfico de Adolf Hitler); “Caos” (de James Gleck). Além desses, tenho parados no meio: “Insultos Impressos” (sobre a história da imprensa brasileira na época da independência) e “Uma breve história sobre tudo”, que é um livro muito interessante que tenta colocar tudo (ciência, natureza, curiosidades) numa linguagem didática e quase lúdica.

Legal, né? Talvez.. mas também é perigosíssimo. Faz um tempo que eu vi um vídeo que me alertou para os perigos da leitura. Eu nunca tinha pensado nisso, e realmente fiquei preocupado. Tentei parar. De verdade, tentei… mas é inútil. É por isso que eu chamo de vício, é mais forte do que eu.

Depois do texto sobre como comecei a me viciar, fiquei preocupado com a possibilidade de outros acabarem indo pelo mesmo caminho, estimulados pelo prazer que eu expresso ao falar disso. Por isso resolvi colocar o tal vídeo aqui, chamando muito a atenção para os perigos desse vício tão perigoso.


Já imaginaram???? (pra quem quiser o texto, clique aqui)

Noves fora, agora é sério.

Leiam! Não por obrigação ou porque quem lê seja melhor do que quem não lê. Não. Leiam porque é bom. Faz bem pra alma, pra auto-estima e para a vida. Não precisa ler de tudo. Algumas pessoas lêem só romances, outras apenas livros técnicos, outros clássicos da literatura.

Não importa. Como dizia uma antiga campanha de televisão (que eu acho que já citei aqui): “Ler também é um exercício”.

Ler nos faz ter contato com outras visões de mundo. Mesmo que o livro não fale sobre isso, a forma de uma pessoa (no caso, o autor) se expressar mostra, ainda que indiretamente, seus valores. E é tendo contato com valores distintos (e não necessariamente diferentes) aos nossos que compreendemos melhor os mundos e, é claro, as diferenças.

No vídeo citado, encontram-se, entre outras pessoas, Nelson Mandela, Steven Spielberg, Albert Einstein, Jorge Amado, Martin Luther King, Stephen Hawking (o físico) e Mahatma Gandhi.

Nenhuma dessas pessoas acordou um dia e pensou: “Eu vou ali mudar o mundo e já volto”.

Não. Elas simplesmente aconteceram. É claro que algumas queriam fazer cada vez mais o melhor de si, outras queriam defender o seu povo e suas crenças, e outras ainda “apenas” tinham um talento incrível para a escrita ou para as artes. Contudo, antes de querer fazer o melhor para si ou para os outros, ou ainda antes de ser bom na escrita eles todos leram. E, pode saber, leram muito.

Alguns leram tanto que depois escreveram. E o que eles escreveram ou fizeram acabaram se tornando alguns dos pilares da nossa sociedade. Tudo o que conhecemos ou acreditamos foi, em algum momento, descoberto, dito ou feito por alguém. E, se for alguém dos últimos 500 anos, pode saber que essa pessoa leu. E leu muito.

O vídeo tem razão. Ler é mesmo um círculo vicioso. Pode transformar “ninguém” em “alguém”. Ao ler, as pessoas pensam. Pensando, elas podem falar ou mesmo escrever sobre tal assunto. Falando e sendo ouvidas, ou escrevendo e sendo lidas, elas podem atiçar curiosidades e gerar novos leitores. E esses, mais tarde, podem reiniciar o círculo infinitamente…

Eu admiro talentos. Admiro quem toca instrumentos musicais, quem pinta, quem dança, quem desenha ou quem pratica esportes. O meu talento, por todas essas, é a escrita. Só que o que me separa de qualquer outra pessoa não é nada mais do que leitura. É algo que imprescinde apenas tempo e vontade. A coordenação motora necessária, por exemplo, é quase zero. (Tem que saber segurar o livro, ok).

Isso me lembrou de uma música. Aliás, um poema do Arnaldo Antunes, que ele mesmo musicou. Chama-se “Saiba” e fala mais ou menos disso:


Saiba – Arnaldo Antunes (letra)

Todos somos, sempre fomos e seremos identicamente humanos. Exatamente iguais e, dentro das suas possibilidades, com as mesmas capacidades. É bem verdade que, em alguns casos, a ignorância – o “não saber” – é uma dádiva, mas não vamos exagerar, né?

Leitura. O Cebola que me desculpe, mas esse é o meu plano infalível.