
A turma do Limoeiro
07/06/2009Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Sábias palavras do poeta Casimiro de Abreu. Eu costumo dizer – brincando, mas se fosse possível bem que eu gostaria de estar falando sério – que eu sinto saudades do tempo que o meu problema era a raiz quadrada de 49. Ou, mais tarde, minha maior dificuldade era saber que gases nobres e metais não reagem (ou será que reagem?).
Não importa. O que importa é que entre aritméticas e químicas, eu brincava. E brincava MUITO. Na época de colégio eu não era um grande estudante. Pegava recuperações, matava aula, jogava futebol.. enfim… uma criança normal, graças a Deus.
Uma das minhas maiores paixões atuais nasceu nessa época. A leitura. Antes mesmo de saber que Machado de Assis existia – e que, mais importante, não era o instrumento de trabalho de um lenhador chamado Assis -, meu mundo literário girava em torno dos planos infalíveis do Cebolinha, hehehe.

É, tenho muitas saudades desse tempo. Contudo – má notícia para a minha nostalgia – eu cresci. Eis que, desde o ano passado, a boa notícia é que eles também!

Confesso que fui um dos que olhou beeeeeeeem atravessado na primeira vez que ouvi falar da idéia. “Uma revista da turma da Mônica adolescente? E em formato de mangá japonês? Ah pronto… os caras não sabem quando ficar quietos, só querem saber de ganhar dinheiro e avacalhar com a infância da gente…”
Eu fiquei quase triste. Realmente achei que os personagens seriam destruídos ou que não fariam juz ao que me acompanhou na infância. Será que o Maurício tinha ficado gagá? (Não seria sem tempo, hehehe…)
Comprei o primeiro número, em setembro do ano passado. Gostei.. não é mau.. comprei o segundo. É, legal.. comprei o terceiro… Tri bom.. vamos lá……. Bom, já comprei os 10 primeiros e tô esperando sair o 11°…
No fim das contas, eu gosto justamente por que tem toda essa questão da nostalgia. Ainda que as histórias sejam diferentes, o clima lúdico se manteve intacto. Parece que estou vendo a continuação de um filme que eu não via há muito tempo…
O texto é leve, bem humorado. E, realmente, a idéia de ser em mangá acabou dando uma identidade interessante para o projeto. O estilo “desordenado” de enquadramento, além de modernizar a linguagem, ajuda também a diferenciar do original. Isso, eu acredito, também acaba sendo causa do sucesso da revista pois elimina uma possível sensação de “mais do mesmo”.
Gosto também pois vejo com bastante clareza os valores que são passados ao público-alvo da revista. Ainda que isso já acontecesse antigamente, eu não notava. Hoje eu acho que isso, num produto genuinamente nacional, é maravilhoso.
A atualização dos personagens também foi bem feita. A Mônica cresceu, não é mais tão baixinha nem gordinha, mas continua dentuça e se irritando por qualquer coisa. O Cebolinha (“Cebola”), que é todo metido com tecnologia, ganhou um pouco de cabelo, foi a uma fonoaudióloga e agora só fala “elado” quando fica nervoso (geralmente por causa das meninas e, quase sempre, por causa de uma certa menina).
O Cascão aprendeu a tomar banho, mas continua não sendo grande fã. É o mais “descolado”, o skatista, fã de esportes radicais. A Magali também tá magrinha, mas come com a mesma facilidade de sempre.
Além disso, já apareceram personagens como Anjo (o “Anjinho”), Astro (“o astronauta”), o Franja (“Franjinha”) e também vilões como o Poeira Cósmica (o antigo “Capitão Feio”) e até personagens secundários das histórias de antigamente já voltaram para – inutilmente – tentar se vingar da Mônica.

Apesar de o próprio Mauricio de Souza ter negado a idéia de fazer, por exemplo, o Chico Bento crescer, certamente esta revistinha ainda dará frutos. Quem sabe mesmo novas revistas, desenhos, filmes, produtos de marketing, enfim…
Afinal, hoje esta é a revistinha mais vendida do país, com mais de 250 mil exemplares por edição. Foi feito pra ganhar dinheiro? Sim, pois afinal de graça ninguém faz nada. Contudo, sinto muito. O meu dinheiro eles vão continuar ganhando…
Eu “lecomendo”!

Pra variar, ótimo texto… Tb achei qeu ia ser uma porcaria, e como boa brasileira, deixo o pré conceito tomar conta de mim, e não fui verificar a fundo a história, mas depois de teus comentários, acho que vou dar uma lidinha, pra lembrar os velhos tempos…
Vlw…
Bjinhos
Adorei! Imagina só a “Turma da Mônica” grande! hmmm Amava os gibis da turminha. Rs E adorava nas férias comprar o Almanacão.. Fazer jogo dos sete erros e ler vááárias historinhas! Engraçado que nunca gostei dos gibis da Disney na época. eheheh Enfim, quando vi o projeto dos personagens grandes,olhei com desconfiança. Assim como a grande maioria das pessoas que perteceram a esta geração e não concebe os quadrinhos “crescidos”. Não sei se curtiria as novas histórias. Mas nostalgia, com certeza, sentiria ao ler um exemplar!
Beijão Fabitus…
Fábio!!! Amei o site! E amei o post! Vou ver se eu compro a revista! Me senti como tu, por isso nem comprei, vou ver se agora leio! :)
Beijoooooo :******