Posts de Maio, 2009

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Einstein e o equilíbrio cósmico

12/05/2009

Albert Einstein. É claro que todo mundo já ouviu, leu ou conhece este nome. Provavelmente o maior cientista do século XX, mas certamente o mais pop.

Um dos livros que eu li recentemente foi “Einstein – Sua vida, seu universo”, de  Walter Isaacson. Uma biografia bastante centrada na pessoa antes (por trás ou além) do cientista.

Na virada para o século XX, um jovem alemão – e judeu, mas isso só ganha importância mais tarde –  se impressiona com uma bússola. 

Da simples idéia de que o mundo é um enorme imã aquele jovem revolucionaria o mundo pós-newtoniano antes dos 30 anos.

As teorias da relatividade são, basicamente, duas. Uma “especial”, para corpos em inércia (parados ou em movimento constante) e uma “geral” para todo o qualquer tipo de corpo e/ou movimento.

A “especial” eu conhecia (e acho que muita gente conhece). Ela diz basicamente que corpos em velocidades diferentes têm noções diferentes do tempo. As implicações práticas disso são várias, mas na “vida real”, para isso fazer diferença, o corpo mais “rápido” teria que viajar à velocidade da luz. Sabe aquela sensação de que quando você está fazendo 2o coisas ao mesmo tempo o tempo passa mais rápido? Bom.. na verdade, não está de todo errado…

A segunda teoria, a “geral”, é bem mais complexa. Primeiro, é preciso entender os conceitos de espaço-tempo. E não espaço em metros e tempo em minutos. É preciso entender o conceito filosófico-científico mesmo e aí.. pobre de mim. Sem brincadeira, li umas 6 vezes as páginas em que o autor – tenta – explicar esta teoria. Quando finalmente acreditei ter entendido fiquei feliz por um segundo. No segundo seguinte, entretanto, descobri que não faço a MÍNIMA idéia da utilidade prática dela. E tipo, foi ela – mais do que a anterior – que redefiniu todo o entendimento do homem sobre o mundo. Foi ela que transformou Albert Einstein em Albert Einstein. E foi ela que… bom, vamos mudar de assunto?

Einstein era, obviamente, um homem inteligentíssimo. Passou a vida entre livros, fórmulas, teorias e – poucos – experimentos. Ele fazia a teoria, a comprovava matematicamente, e buscava pessoas que as pudessem experimenta-las na prática. Cada vez isso foi ficando mais fácil, pois ele foi sendo reconhecido. Uma curiosidade: a teoria da relatividade geral foi comprovada a partir da observação de um eclipse, com fotos tiradas em Sobral-CE, Brasil.

Como físico, Einstein tinha uma visão muito particular de Deus. No seu entendimento, Ele não poderia ser “assim” ou “assado”, como defendia esta ou aquela religião. Como cientista, não era razoável – segundo o próprio – acreditar, por exemplo, na idéia de um ser metafísico que teria criado o mundo “com as próprias mãos”.

Afinal, a constante expansão do universo foi uma das teorias comprovadas de Einstein. Como e porque, então, este ser onisciente criaria “vida” neste pequeno, insignificante e isolado planetinha azul? E para quê todo o resto?

Não que Einstein não acreditava em Deus. Acreditava sim, e muito. Só que o Deus de Einstein estava na ciência. Na beleza das coisas simples, na complexa simplicidade matemática de todas as coisas do universo. Para ele, Deus não fora o criador, nem tão pouco era o juiz. Deus.. simplesmente.. era!

Até a questão do livre arbítrio Einstein questionava. Somos livres para fazermos o que quisermos, certo? Certíssimo, relativamente.

Olhando de dentro, da perspectiva de um ser humano, o Homem é sim, livre para fazer o que bem entende. É a sua consciência que vai determinar se ele vai salvar ou destruir o planeta com suas atitudes, por exemplo. Excluindo-se questões sócio-culturais, ou colocando-as como algo comum a todos (já que todos nós estamos inseridos em algum “código cultural”), o homem é 100% livre. Pode se curvar a regras sociais, religiosas ou culturais, mas no fim, também o faz por que PODE fazer.

Agora, se pensarmos na Terra como uma pequena parte do imensurável universo que segue se expandindo, e cujas galáxias seguem se movendo num eterno e misterioso balé no vácuo, nossa existência é quase insignificante. Planetas, galáxias, sistemas solares, estrelas, constelações e buracos-negros com milésimos do tamanho da Terra ou mesmo com zilhares de vezes o seu volume seguem seu percurso sem sofrer, aparentemente, NENHUMA influência de qualquer coisa que o homem possa sonhar fazer.

É como se, para Einstein, o universo fosse um grande ecossistema. O “equilíbrio cósmico”. Nós somos o piolho da ameba que está encrustada na casca do tatu, e achamos que podemos tudo… como bons, arrogantes e presunçosos que somos.

Para Einstein, ser tão insignificante não era o importante. O importante era se saber parte deste “pequeno todo” chamado humanidade, e fazer o bem para o bem dele. Foi assim durante as Grandes Guerras, quando um pacifista Albert Einstein defendeu a desmilitarização mundial e, depois da ascenção do Nazismo, a formação de um governo de coalizão internacional para evitar conflitos. Este conceito, aliás, ajudou a criar a ONU, mas o resultado foi bem diferente do que o cientista esperava.

Albert Einstein, alemão, cientista, e, principalmente, curioso profissional, foi sem dúvida uma das grandes personalidades do século XX, e também de toda a História.

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Brasil de Ayrton Senna

01/05/2009

Um herói. Um dos últimos, quem sabe o único Herói brasileiro. É incrível o poder que, mesmo 15 anos após sua morte, a história, a carreira e o nome de Ayrton Senna ainda têm no Brasil.

Mais incrível ainda: A morte de Ayrton, que hoje completa 15 anos, já faz mais tempo do que durou toda a sua carreira. Eu mesmo me surpreendo ao pensar que tinha simplórios 15 anos quando ele morreu. Parece uma coisa tão presente mas, se contarmos que o primeiro título dele foi 6 anos antes.. aí sim eu não era ninguém.

“O fato de ser brasileiro só me enche de orgulho.”
Ayrton Senna (1960 – 1994)  

Uma coisa pessoal, mas que eu vou guardar pra sempre. A minha primeira “matéria”, ainda como “bixo” na faculdade de jornalismo, foi uma biografia dele. Por sinal, foi com um colega que se tornaria um grande amigo com quem mantenho contato hoje e, certamente, manterei para sempre. O texto se perdeu e, antes que alguém pergunte ou fique triste com isso, digo que foi um alívio. Reli uns anos depois, e era triste… (tanto o texto quanto a matéria que terminava, é claro, com a morte do piloto).

Tenho duas biografias do Ayrton. Segundo um outro colega, ainda me falta a definitiva. Mesmo assim, sou e serei um de eternos fãs de “Da Silva” (como era conhecido antes da F1). Me lembro, por exemplo, do título de 1988, naquela corrida inesquecível em Suzuka.


Histórica corrida em Suzuka, da largada ao título em 8 minutos

O rei de Mônaco: O GP de Mônaco de 1984 onde um estreante Ayrton Senna na mediana Toleman surpreendeu chegando à segunda posição quando a corrida foi interrompida pela chuva. Detalhe: valeram a metade dos pontos e, ao final da temporada, Niki Lauda superou Alain Prost, vencedor em Mônaco,  por meio ponto. Uma segunda colocação de pontos integrais em Mônaco teria dado o título ao francês.

Depois daquele GP, Senna venceria 6 vezes (1987, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993) nas ruas de Montecarlo. Em 1985, abandono por estouro do motor quando liderava. Em 1986, 3º lugar. Em 1988 ele bateria sozinho, liderando a prova. Com o segundo lugar em 1984, estes foram os 10 anos de Senna em Mônaco.. tá bom para você?

“O importante é ganhar. Tudo e sempre. Essa história 
que o importante é competir não passa de demagogia.”
Ayrton Senna (1960 – 1994)  

A relação de Senna com Suzuka: O primeiro título foi em 1988, no GP do vídeo acima. Em 1989, no mesmo circuito, o polêmico fim de temporada em que Prost acabou favorecido. No GP japonês seguinte, em 1990, viria o troco, na primeira curva e no mesmo Prost. O tri em 1991, na inesquecível chegada em que ele deixou o amigo e companheiro de Mclaren Gerard Berger ultrapassá-lo na última curva e vencer.

A foto histórica:

Photobucket

Portugal, 1986. Ayrton Senna (1988, 1990, 1991), que odiava Alain Prost (1985, 1986, 1989, 1993) que odiava Nigel Mansell (1992), que odiava Nelson Piquet (1981, 1983, 1987), que odiava Ayrton Senna. O que mais? Onze títulos mundiais. Dois tri-campeões, um tetra e um campeão. Nos 13 anos entre 1981 e 1993, apenas em 1982 (Keke Rosberg) e 1984 (Niki Lauda, graças ao GP de Mônaco) o título não ficou com um deles. Tente fazer isso hoje. Não vai conseguir se tentar pelo número de títulos, nem pelo talento, nem de jeito nenhum.

“A Fórmula 1 é um tempo perdido se não for para vencer.”
Ayrton Senna (1960 – 1994)  

Pole-positions: Em 10 anos e 3 GPs (161 GPs no total), Ayrton Senna largou 65 vezes na primeira posição no grid. Isso significa que 2 a cada 5 corridas que disputou em toda a carreira, Senna largou na frente. Esse recorde foi quebrado por Michael Schumacher, que fez 3 a mais (68) em 15 anos e com uma Ferrari sem adversários por mais da metade deste tempo.

É… acho que dá pra entender por que não haverá outro Ayrton Senna. Alguns desses números parecem coisa de personagem de filme, mas são reais. A rara morte de Senna, na pista, ao vivo para o mundo o torna ainda mais mítico. Ele certamente não estaria correndo em 2009 mas… será que Schumacher teria sido o Michael Schumacher que conhecemos hoje se Senna ainda tivesse corrido algumas temporadas?

“O dia que chegar, chegou. Pode ser hoje ou daqui a
50 anos. A única coisa certa e que ela vai chegar.” 
Ayrton Senna (1960 – 1994) , sobre a morte 

Impossível saber. Para nós, fica a mensagem de um homem que tinha sim o talento, mas tinha a determinação também.

“O dia que chegar, chegou. Pode ser hoje ou daqui a 50 anos. A única coisa certa e que ela vai chegar.”
“A Fórmula 1 é um tempo perdido se não for para vencer.”
“O fato de ser brasileiro só me enche de orgulho.” (Ayrton Senna)
“Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo.” (Ayrton Senna)
“O importante é ganhar. Tudo e sempre. Essa história que o importante é competir não passa de demagogia.” (Ayrton Senna)

“Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total 
buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo.”
Ayrton Senna (1960 – 1994)