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O poeta e a cidade (Fim)

18/04/2009

Encerrando a história contada aqui…

Cai a tarde e, antes de voltar para o Hotel Majestic, o poeta resolve ir até o Gasômetro. Atravessa mais uma vez o Mercado Público e, do outro lado, encontra, novamente, o Muro da Mauá.

Quintana morava há pouco tempo em Porto Alegre quando, no início da década de 1940, uma enchente no Rio Guaíba invadiu o centro da cidade. Ironicamente, ainda que por poucos dias, a Rua da Praia voltou a estar na beira do rio. Para evitar novas enchentes o governo municipal constrói o chamado “muro da Mauá”, chamado assim por causa da avenida que o acompanha. Nunca mais se soube de subidas consideráveis do leito do rio. O muro, entretanto, ainda peca por separar o centro da cidade de seu berço, por onde há séculos chegaram os açorianos.

Os “triângulos” acima do muro são tudo o que é possível ver do Cais do Porto. Para ver mais ou mesmo admirar o rio e o horizonte, só se o poeta for a lugares mais altos como o seu quarto no Majestic.

Ao final do muro, a Usina do Gasômetro. Outrora esta foi uma usina de energia termoelétrica que abastecia toda a cidade. Hoje é um espaço cultural, e um ótimo local para se admirar o pôr-do-sol no rio

Quando o sol começa a se por e ganhar seus tons avermelhados sob o céu cada vez mais escuro, Quintana, sentado à beira do rio sorri mais uma vez, pois apenas um poeta pode entender a beleza que existe nas pequenas coisas, nos detalhes e nos dias mais simples. Mal sabe o poeta que, anos depois da sua morte, ele próprio faria parte da paisagem que tanto admirou naquele e em tantos outros domingos primaveris…

O Mapa

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…
(E nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moca bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso…

Mário Quintana 

FIM

 

Leia também
O poeta e a cidade (I)
O poeta e a cidade (II)
O poeta e a cidade (III)
O poeta e a cidade (IV)
O poeta e a cidade (V)

Aqui termina a poética aventura de Mario Quintana pelas ruas do centro de Porto Alegre. O que um dia pretendeu ser uma matéria para jornal, acabou virando um pequeno conto em homenagem a minha cidade e um de seus maiores poetas. A partir de hoje o conto estará publicado na íntegra aqui, com um link fixo no menu à direita. Obrigado pela atenção!

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