
Com licença, por favor, obrigado (1)
19/03/2009Caros leitores. Este texto ficou grande demais, então o publicarei em 2 posts. O primeiro hoje e o segundo nos próximos dias.
Em 2004, durante o Fórum Mundial de Educação, aqui em Porto Alegre, uma palestrante portuguesa me fez uma afirmação que, num primeiro momento eu achei ingênua da parte dela, mas na verdade era bastante profunda. Ela disse:
“Eu não entendo o Brasil”
“Legal”, eu pensei. Isso faz de nós 180 milhões e 1 pessoas que não entendem o Brasil. Próxima pergunta?….
Mas ela disse mais.. ela disse que não entendia como um país continental, que produz tudo o que se precisa (alimentos, roupas, manufaturados) e é campeão mundial em várias das matérias-primas básicas para qualquer país (podendo até exportá-las para países do chamado “primeiro mundo”) e, no entanto, na sua maioria, é pobre feito Angola.
Ela disse que a pobreza de países como Angola, para ela, era compreensível. Um país árido, onde tudo precisa ser importado, além de ter eternos conflitos sócio-políticos.. mas o Brasil?
Pois é, aí eu descobri que ela não estava sendo ingênua.. eu também não entendo o Brasil. Aliás, ninguém entende…
Eu tenho amigos, por exemplo, simplesmente desesperançados em relação ao nosso país. Que acreditam que não vai ter jeito, que vai ser sempre assim e tudo o mais.
Às vezes é difícil argumentar, muito difícil. Não por que eles sejam de alguma forma intransigentes, mas porque em algumas situações.. como ter esperança? Esperança em que?
Neste mesmo Fórum, o então Ministro da Educação Cristóvam Buarque disse: “No dia em que nossos professores ganharem tanto quanto nossos juízes, nossos juízes não vão ter tanto trabalho“.
É claro que a afirmação é utópica, espirituosa e quase cínica, partindo de um Ministro da Educação. Contudo, eu acredito nessa premissa. A educação, se não for a solução dos problemas brasileiros, é o único caminho por onde esses problemas podem ser resolvidos ou, ainda, minimamente “trabalhados”.
Um povo educado conhece seus direitos, tem valores, objetivo na vida e, quando for maioria, terá também melhores oportunidades.
É claro que educação não é sinônimo de consciência social, mas sem educação não há nenhuma consciência.
Em 2003 (e, por tanto, um ano antes do Fórum) eu entrevistei um importante jornalista aqui de Porto Alegre. O assunto era um caso de plágio que fora descoberto no New York Times na época. A idéia era saber a opinião da empresa em que ele trabalhava sobre o caso, mas também a dele. No meio da entrevista, acabamos falando sobre a necessidade ou não do diploma de jornalista, sobre o que ele disse o seguinte:
“O diploma, da forma industrial como acontece hoje, não garante a qualidade do profissional. O que acontece é que, num país como o nosso, é impossível se exigir ainda menos estudo de alguém para qualquer coisa. Por isso, e não por questões ideológicas, eu sou a favor do diploma“.
E com isso eu concordo plenamente. Não só para jornalista, mas no geral. O diploma não é sinônimo de qualidade. E por que? Por que o nosso ensino é fraco, desde o fundamental até o nível superior.
Aí o problema, na verdade, passa a ser muito maior. É uma questão estrutural, do país, do sistema em si. São “várias variáveis”, e um dos impecílios para a solução destes problemas está justamente na questão da continentalidade do país.
É fácil para “um único” governo controlar e desenvolver um polvo de 27 tentáculos? Não, não é.. mas projetos com a intenção sincera de curar – e não apenas funcionarem como questionáveis paliativos -, ainda que, em parte, nossos problemas, já seria um belo começo, mas nem isso nós temos.
Está aí a proposta do novo sistema de cotas, que não me deixa mentir nem ter esperança… mas isso é assunto para o próximo post…

Com Licença, Por Favor e Obrigada… falta esta educação para a maioria dos brasileirosm e isto infelizmente não depende de classe social!
Mas com certeza precisamos de boas instituições de ensino primarias e secundárias! A mas ai tu já sabe podemos divagar sobre o assunto durante muito tempo!