Posts de Março, 2009

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… é pra ESSAS coisas?!?!?

21/03/2009

Amigos.

Acho que é uma das coisas mais simples, mais importantes e mais difíceis de explicar na vida. São indispensáveis, sem dúvida. Como se diz, é a família que a gente escolhe..

De um amigo de verdade você aceita elogios, críticas, discordâncias, questionamentos e até mesmo acusações, com ou sem fundamento. Afinal, se ele estiver certo, está no papel dele. Se ele não estiver, também está no papel dele…

Existem brincadeiras que exigem um certo – e incerto – grau de amizade para serem feitas. Tem coisas que entre dois amigos marcariam para sempre uma sólida amizade, mas entre conhecidos ou estranhos podem acabar em caso de polícia…

Um exemplo disso é a “Prank war” (guerra de pegadinhas, em tradução livre) entre Amir e Streeter. Os leitores costumazes (e antigos) do blog vão lembrar do Amir dos vídeos da Vimeo. O Streeter, apesar de não aparecer naqueles vídeos, é da mesma turma…

Pois bem. Nessa “guerra de pegadinhas”, pelo menos dois episódios ilustram bem a força de uma amizade.

No primeiro, Amir descobre que Streeter vai assistir um jogo do New York Yankees com a namorada. E o que ele faz? Aproveitando que, nos intervalos do jogo, o telão do estádio exibe recados dos torcedores, ele manda um recado para a namorada do Streeter. Bem… mais do que um recado, um pedido de casamento!! O detalhe é que ele (o Streeter) não sabe que vai pedir…

Sacanagem pouca é bobagem…

Pois eis que o troco vem meses depois. A situação é quase a inversa. Amir vai a um jogo de basquete universitário, e Streeter, combinando com a organização do jogo, faz com que Amir seja “sorteado” para, no intervalo, tentar um arremesso valendo US$ 500 mil. Detalhe: o arremesso é do meio da quadra e Amir estará vendado.

Enquanto Amir está assinando os papéis para fazer a tentativa, Streeter vai até a quadra e pede para o público vibrar independente do resultado do arremesso. Vejam o resultado…

Com amigos como esses, quem precisa de inimigos? São brincadeiras muito engraçadas para quem assiste, mas não deve ser a melhor experiência para quem vive, hehehe.. tem que ser MUITO amigo…

Eu, felizmente, tenho amigos com quem eu acredito que poderia fazer este tipo de brincadeira.. mas, sei lá, prefiro não arriscar, sabe como é…

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Com licença, por favor, obrigado (1)

19/03/2009

Caros leitores. Este texto ficou grande demais, então o publicarei em 2 posts. O primeiro hoje e o segundo nos próximos dias.

Em 2004, durante o Fórum Mundial de Educação, aqui em Porto Alegre, uma palestrante portuguesa me fez uma afirmação que, num primeiro momento eu achei ingênua da parte dela, mas na verdade era bastante profunda. Ela disse:

“Eu não entendo o Brasil”

“Legal”, eu pensei. Isso faz de nós 180 milhões e 1 pessoas que não entendem o Brasil. Próxima pergunta?….

Mas ela disse mais.. ela disse que não entendia como um país continental, que produz tudo o que se precisa (alimentos, roupas, manufaturados) e é campeão mundial em várias das matérias-primas básicas para qualquer país (podendo até exportá-las para países do chamado “primeiro mundo”) e, no entanto, na sua maioria, é pobre feito Angola.

Ela disse que a pobreza de países como Angola, para ela, era compreensível. Um país árido, onde tudo precisa ser importado, além de ter eternos conflitos sócio-políticos.. mas o Brasil?

Pois é, aí eu descobri que ela não estava sendo ingênua.. eu também não entendo o Brasil. Aliás, ninguém entende…

Eu tenho amigos, por exemplo, simplesmente desesperançados em relação ao nosso país. Que acreditam que não vai ter jeito, que vai ser sempre assim e tudo o mais.

Às vezes é difícil argumentar, muito difícil. Não por que eles sejam de alguma forma intransigentes, mas porque em algumas situações.. como ter esperança? Esperança em que?

Neste mesmo Fórum, o então Ministro da Educação Cristóvam Buarque disse: “No dia em que nossos professores ganharem tanto quanto nossos juízes, nossos juízes não vão ter tanto trabalho“.

É claro que a afirmação é utópica, espirituosa e quase cínica, partindo de um Ministro da Educação. Contudo, eu acredito nessa premissa. A educação, se não for a solução dos problemas brasileiros, é o único caminho por onde esses problemas podem ser resolvidos ou, ainda, minimamente “trabalhados”.

Um povo educado conhece seus direitos, tem valores, objetivo na vida e, quando for maioria, terá também melhores oportunidades.

É claro que educação não é sinônimo de consciência social, mas sem educação não há nenhuma consciência.

Em 2003 (e, por tanto, um ano antes do Fórum) eu entrevistei um importante jornalista aqui de Porto Alegre. O assunto era um caso de plágio que fora descoberto no New York Times na época. A idéia era saber a opinião da empresa em que ele trabalhava sobre o caso, mas também a dele. No meio da entrevista, acabamos falando sobre a necessidade ou não do diploma de jornalista, sobre o que ele disse o seguinte:

O diploma, da forma industrial como acontece hoje, não garante a qualidade do profissional. O que acontece é que, num país como o nosso, é impossível se exigir ainda menos estudo de alguém para qualquer coisa. Por isso, e não por questões ideológicas, eu sou a favor do diploma“.

E com isso eu concordo plenamente. Não só para jornalista, mas no geral. O diploma não é sinônimo de qualidade. E por que? Por que o nosso ensino é fraco, desde o fundamental até o nível superior.

Aí o problema, na verdade, passa a ser muito maior. É uma questão estrutural, do país, do sistema em si. São “várias variáveis”, e um dos impecílios para a solução destes problemas está justamente na questão da continentalidade do país.

É fácil para “um único” governo controlar e desenvolver um polvo de 27 tentáculos? Não, não é.. mas projetos com a intenção sincera de curar – e não apenas funcionarem como questionáveis paliativos -, ainda que, em parte, nossos problemas, já seria um belo começo, mas nem isso nós temos.

Está aí a proposta do novo sistema de cotas, que não me deixa mentir nem ter esperança… mas isso é assunto para o próximo post…

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Quatro vezes Hey Jude

16/03/2009

A música eu tenho certeza que todo mundo conhece. A história, será que sim?

Bom.. pra quem não sabe, é o seguinte:

Os Beatles já não iam bem internamente.. era 1968 e o fim se aproximava. John Lennon se apaixonara por Yoko Ono e tinha deixado Cintia (sua primeira esposa) com o filho Julian.

Na volta de uma das visitas à casa de Cintia, Paul McCartney, que, apesar das constantes brigas com o colega de banda, ainda mantinha contato com a – agora – antiga família de Lennon, começa a cantarolar uma música para Julian. Ele queria dizer ao menino que não se preocupasse, que a separação dos pais  não era culpa dele e nem que, por causa dela, eles o amassem menos.

Abaixo, deixo a letra original. Aos que preferem a tradução, aqui está.

Hey Jude
Lennon/McCartney
(na verdade, apenas McCartney)

Hey, Jude, don’t make it bad,
take a sad song and make it better
Remember, to let her into your heart,
then you can start, to make it better.

Hey, Jude, don’t be afraid,
you were made to go out and get her,
the minute you let her under your skin,
then you begin to make it better.

And anytime you feel the pain,
Hey, Jude, refrain,
don’t carry the world upon your shoulders.

For well you know that it’s a fool,
who plays it cool,
by making his world a little colder.
Da da da da da da da da…

Hey, Jude, don’t let me down,
you have found her now go and get her,
remember (Hey Jude) to let her into your heart,
then you can start to make it better.

So let it out and let it in,
Hey, Jude, begin,
you’re waiting for someone to perform with.
And don’t you know that is just you?
Hey, Jude, you’ll do,
the movement you need is on your shoulder.
Da da da da da da da da…

Hey, Jude, don’t make it bad,
take a sad song and make it better,
remember to let her under your skin,
then you’ll begin to make it better (better, better, better,better, better!)
Da, da, da, da da da, da da da, Hey Jude…
Da, da, da, da da da, da da da, Hey Jude…

Duas curiosidades:

Primeiro: Apesar de Paul nunca ter escondido a intenção com a letra, e de “Jude” ser até claramente uma simplificação de “Julian”, Lennon achava que a música era para ele. Um recado para ele “ir e ser feliz com Yoko”.

Segundo: Existe uma gravação – em vídeo – clásssica da música. Bom, pelo menos eu achava que era uma. Na verdade, existem quatro edições, supostamente, de um mesmo momento. Só que as imagens não batem em todos os momentos. Provavelmente foram várias “tomadas” num mesmo evento, o que ocasiona as pequenas diferenças.

As versões foram dos programas ingleses David Frost Show e  Smothers Brothers Show, a PV Version (que eu não sei o que é), e a versão que saiu no Anthology, e é a mais “famosa”. Segue aí…

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Racha-cuca: o que é um trilhão?

14/03/2009
Enquete ID:

Tem certas coisas sobre as quais a gente lê e, de certa forma, convive diariamente mas que, na verdade, não sabe mensurar o tamanho que têm.

Um trilhão de dólares. É muito dinheiro? Não, não é muito dinheiro.

É MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUITO dinheiro…

Lendo o blog da Lurdete eu vi que um grupo de economistas desocupados tentou demonstrar, de forma virtual e proporcional, quanto seria um trilhão de dólares.

O texto do blog está meio confuso, mas eu entendi assim:

Primeiro: Tudo em notas de 100 dólares (US$ 100). Você já viu uma nota de 100 dólares? Eu já, até mais de uma vez. Me recordo quando fui – sozinho!! – pra Disney em 1993, tinha 12 dessas verdinhas na mão!! Nunca antes , nem depois, tive tanto dinheiro vivo assim, na mão.

Segundo passo: Agora, façamos pilhas de 100 dessas notas. Cada pilha dessas valerá exatos US$ 10 mil, certo? Dez mil dólares, não esqueça para não perder o raciocínio… Se quiser, vai anotando e pega uma calculadora…

Ok. Empilhemos agora dois desses grupos de US$ 10 mil, para organizar a baderna. Ok? Certo.. temos, então, US$ 20 mil empilhados em 200 notas de 100 dólares. Já é mais dinheiro do que eu jamais tive na vida, mas ainda estamos longe…

Agora façamos 5 mil dessas pilhas de US$ 20 mil. Vamos colocar elas lado-a-lado de forma a fazer, por exemplo, um retângulo de 50 x 100.

Ou seja. Nós temos agora 50 pilhas de US$ 20 mil dólares em notas de US$ 100 lado-a-lado, sendo que esta fileira se repete 100 vezes, sempre paralelamente. Deu pra entender?

Ok. Cinco mil vezes US$ 20 mil são US$ 100 milhões. Cem milhões de dólares em cinco mil pilhas de US$ 20 mil. Já é mais dinheiro do que se poderia – ou se teria paciência – para contar.

Ok.. agora, nós precisamos de 10 mil destes quadrados. Ou seja, 10 mil quadrados de 50 por 100 pilhas de 200 notas de 100 dólares. Acompanhou?

Ok. Chegamos a um trilhão de dólares (US$ 1.000.000.000.000,00). Consegue visualizar? Nem eu…

Em todo o caso, tentemos ilustrar…

1) Em centímetros. A circunferência da Terra, pelo Equador, tem aproximadamente 42 mil metros. Em centímetros, seriam 4.200.000 (quatro milhões e duzentos mil centímetros). Isto significa dizer que, em 1 trilhão de centímetros seria possível se dar 238.095,25 (duzentas e trinta e oito mil e noventa e cinco vírgula vinte e cinco), voltas na Terra. Ou seja, partindo da longitude de Porto Alegre seria possível dar 238.095 voltas e dar um pulo na Europa… básico, né?

Da Terra à Lua: Neste caso, são aproximadamente 380.000 (trezentos e oitenta mil) quilômetros, ou seja, 380.000.000 (trezentos e oitenta milhões) de metros, ou ainda 38.000.000.000 (trinta e oito bilhões) de centímetros. Logo, em um trilhão de centímetros, poderíamos ir à Lua 26 vezes!!! “Ah tá.. só 26…”

2) Em segundos. Essa é mais difícil. Um minuto tem 60 segundos. Uma hora tem 3.600 segundos. Um dia tem 86.400 segundos. Em um mês de 30 dias terão passado incontáveis 2.592.000 (dois milhões e quinhentos e noventa e dois mil) segundos. Um ano normal tem 365 dias, que equivalem a 31.536.000 (trinta e um milhões, quinhentos e trinta e seis mil) segundos.

Ou seja, um trilhão de segundos serão aproximadamente 31.710 (trinta e um mil, setecentos e dez) anos. Nós vivemos 100 e não aguentamos mais.. Jesus Cristo, que é o ponto de partida para a contagem dos anos no ocidente, morreu há pouco menos de 2 mil anos, ou seja, 63.355.824 (sessenta e três mlhões, trezentos e cinquenta e cinco mil, oitocentos e vinte e quatro) segundos.

Para se ter uma idéia. acredita-se que a escrita (que possibilitou coisas fundamentais como este blog) foi inventada há 3.400 anos. Antes ainda, acredita-se que o homem de Neandertal (um dos possíveis antecessores do homo sapiens sapiens, ou seja, nós) foi extinto há 29 mil anos. Ou seja, se o último homem de neandertal começasse a contar os segundos sem parar, ele provavelmente estaria terminando agora, em algum momento próximo ou dentro do século XXI da era Cristã… e poderia até reclamar uma vaguinha no Guiness antes de morrer, acho que conseguiria (e não só pela contagem…).

Este texto aqui, por exemplo, até o ponto final desta frase tem exatos 4.258 (quatro mil duzentos e cinqüenta e oito) caracteres. (Pode contar, hehehe.. eu já me dei ao trabalho).

Isso significa dizer que, para escrever um trilhão de caracteres, eu precisaria de 234.852.043 (duzentos e trinta e quatro milhões, oitocentos e cinquenta e dois mil e quarenta e três) textos iguais a esse.. Se levar em conta que este é o 240° texto do blog, sabe quando eu vou escrever isso tudo?

N-A-O-til: Nunca!!

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O poeta e a cidade (V)

11/03/2009

Continuando uma história contada aqui…

Um dia aquela foi a maior construção da cidade. O prédio também foi a sede da antiga “Companhia Carris de Ferro Porto-alegrense”, fundada pelo então Imperador Dom Pedro II, e responsável pelo transporte público municipal. No início, a “Carris” utilizava bondes de tração animal, depois vieram os bondes elétricos, e hoje é a centenária empresa de transporte coletivo municipal da capital gaúcha.

Dentro do Mercado, Quintana viaja no tempo, lembrando os anos 50, quando este era o local onde tudo acontecia. Depois de caminhar bastante pelos corredores, cumprimentar velhos amigos, o poeta lembra também do chalé da Praça XV, o seu lugar favorito. Sai do Mercado e vai até ali.

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Ao sentar-se para o almoço, a saudade dos anos 50 lhe aperta o peito. Ele lembra do dia em que, sentado aqui, escreveu um poema para “a Alicinha”. Será que ela ainda o tem?

Quintana se perde em lembranças sentado naquele lugar tão… Quintana. Olha os ônibus e recorda o tempo dos bondes. Olha as lâmpadas, e remonta ao tempo das lamparinas. Olha os brinquedos eletrônicos à venda por ali, e lembra da pipa e das bolinhas de gude.

Quanta saudade… Mas é hora de voltar para casa… ou quase…

Leia também
O poeta e a cidade (I)
O poeta e a cidade (II)
O poeta e a cidade (III)
O poeta e a cidade (IV)
O poeta e a cidade (fim)
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Isso tem nome: é cambalacho!!

09/03/2009

PhotobucketEra uma vez os anos 1980. Era uma vez o Brasil. Atrasado social, econômica e politicamente, eis que depois de trinta anos o povo finalmente elegeria o seu presidente.

A decisão estava entre dois nomes, duas correntes, duas ideologias diretamente opostas.

De um lado, Lula, o líder das massas. Suas propostas prometiam, sem dizer diretamente, a “revolução socialista”. Era, no entender dele e dos que o apoiavam, o caminho para substituir a ditadura militar. Época que, aliás, pelos militares sempre foi e será chamada simplesmente de “A Revolução”.

Na outra corrente, Collor. A “novidade”. O jovem, atleta, obstinado e simpático candidato das elites. De um partido desconhecido ele crescera em cima de promessas de “mudanças realistas” e, apesar de tudo, era o favorito.

No último debate daquela eleição, entre várias questões das quais divergiam orgulhosa e completamente, uma delas chamava a atenção: Quem afinal NÃO tinha o – vergonhoso – apoio do então presidente José Sarney?


Debate Collor x Lula – 1989 

Aquela eleição, o “candidato das elites” venceu. Eleito, cumpriu algumas de suas promessas. O governo em si teve aspectos bons e ruins, mas ficou marcado pela corrupção.

Em 1992, denunciado pelo próprio irmão, Collor acabou sofrendo um processo de impeachment, sobre o qual Lula afirmou:


Milton Neves entrevista Lula em 1992 

Processado, o jovem presidente acabaria por renunciar antes de ser cassado. A renúncia não evitou, entretanto, que seus direitos políticos acabassem suspensos por oito anos. “Este não volta mais”, muitos pensaram.

Lula permaneceria como ícone máximo da oposição “ao governo” e às políticas “do governo” durante toda a década de 1990. Até que em 2002, finalmente, “a esperança venceu o medo”.

Era hora de Lula mostrar a que tinha vindo. A temida – por muitos - “revolução socialista” não veio, e o governo até teve um início promissor. Com o tempo foram surgindo, de todos os cantos, denúncias de corrupção ainda mais graves do que as que derrubaram Collor há uma década. O impeachment, ainda que cogitado, nunca chegou a ser proposto.

Veio a eleição de 2006. O presidente foi reeleito e, para surpresa daqueles mesmos muitos, Collor estava de volta ao centro do poder. Era senador da República!

O clímax dessa história (talvez não pelo seu valor histórico, mas pelo misto de tristeza e perplexidade que causa) aconteceu nos primeiros dias de março de 2009.

Collor disputou, com a senadora petista Ideli Salvati, presidência de uma importante comissão do Senado Federal. Ao contrário do que possa parecer, a vitória do senador – e, portanto, derrota petista – não foi uma derrota do governo.

Entenda:
O governo trocou o apoio de Collor na eleição do presidente do Senado pela presidência da comissão. A “jogada” foi orquestrada pelo grande favorecido. O ex-presidente da República e mais uma vez presidente do Senado José Sarney.


Collor é eleito presidente de comissão com o apoio de Sarney

Fim (ou au menos assim espero…)

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Quando dizem que o mundo dá voltas… não estão brincando….

Collor, que odiava Lula, que odiava Sarney, que odiava Collor, que odiava o Congresso, que odiava Lula que.. bem.. que $u$tentava o congresso, que $u$tenta Lula que.. no fim das contas… ama Collor e é amado por ele também.. e ambos amam Sarney.

Eu não sei o que me deixa mais triste. Se é o fato de que o jogo político transcende a questão partidária (no caso, o governo do PT articulando a derrota do próprio PT em nome de qualquer coisa) ou o fato de que Collor, escurraçado em 1992 para deleite do próprio PT, volta como um poderoso peão do xadrez “lulista”.

Não vem ao caso o que o PT defende ou se Collor foi injustiçado. A questão é simples. Antes até de ética (que seria pedir demais nessa lama da maracutaia brasileira), o que se pede é um mínimo de coerência.

Com certeza não foi o primeiro e não será o último “cambalacho” que os políticos brasileiros darão no povo. O que me deixa realmente desesperançado, contudo, é o fato de dois até então inimigos históricos declarados se unirem na mais pura desfaçatez.

É como imaginar Getúlio e Carlos Lacerda, Jango e os Militares, ou, em nível estadual, Borges de Medeiros e Assis Brasil.. se unindo para a elocupletação… Essas rivalidades poderiam ter todos os defeitos, mas enquanto rivalidades eram, antes de tudo, coerentes. A gente sabia com quem estava lidando e podia escolher um lado.

Dá vontade de desistir. Nem sei bem do que, mas dá. E ano que vem? Dilminha “paz e amor ou José FHC Serra?

Escolha difícil.

No fim das contas, Collor é que tinha razão quando definiu, ainda no debate de 1989, essas tristes e cínicas alianças políticas como cambalacho. A expressão, aliás, certamente foi utilizada por causa da novela de mesmo nome, transmitida poucos anos antes (1986) que mostrava diversos personagens se virando com o velho – e nem sempre ético -”jeitinho brasileiro”.

A explicação da expressão – e o porque de ela ter sido tão corretamente empregada pelo então “candidato das elites” – está na letra da música de abertura:

É tudo banana
Oh, eu acho que é do mesmo cacho
É tudo farinha
Oh, eu acho que é do mesmo saco

Uma hora tão por cima
Outra hora tão por baixo
E a gente vai lavando
Roupa suja no riacho
E a gente vai levando
Meu amor, cambalacho!!

Clique aqui para ver a abertura

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Parabéns mulheres!

08/03/2009

Não é uma questão de ser original. Aliás, a questão aqui é exatamente ser óbvio. Há exatamente quatro anos eu escrevi (aqui) a minha definição sobre a mulher. Não sobre uma ou outra, mas sobre a mulher, este ser tão estranho, intenso, complexo e passional.

Além de aquele texto ser um dos que eu mais gosto aqui no Impressão Digital, uma nova tentativa de descrevê-las seria apenas mais uma tentativa infrutífera de tentar redefinir o que, no fim das contas, não precisa ser explicado.

Fica a minha homenagem sincera a todas as mulheres que eu conheço. Família, amigas, colegas, conhecidas.. todas!


Martinho da Vila – Mulheres

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“Hello Jack!”.. você viu?

06/03/2009

Nem é preciso dizer que a internet é uma fonte inesgotável de coisa nenhuma. Tem coisas para todos os gostos. Do mais interessante aos mais inútil, um muito de tudo é encontrado na internet.

Eu costumo dizer que não é a internet – ou qualquer coisa nela, como o Orkut, blogs ou o MSN – que é “ruim” ou “boa”, mas sim, o uso que se faz dessas ferramentas. Eu, por exemplo, já encontrei bastante coisa interessante “sem querer” por aí (ok, ok.. e MUITA coisa idiota também…).

Pois eis que eu encontrei (aqui) mais um vídeo interessante. Basicamente, é um truque de ilusionismo que envolve um baralho, como tantos que existem por aí. Prestem atenção:


O efeito da troca de cores 

Créditos para: Simon Taylor e sua equipe

Sem entrar em detalhes para não correr o risco de tirar a graça para quem ler aqui e não assistir o vídeo, eu achei muito bom. Simples, mas que exigiu uma coordenação e um sincronismo muito sutil. Admito que não tinha visto nada até a explicação…

 

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Vou deixar abaixo a tradução (livre) do que ele diz. Não é fundamental entender o que ele diz para entender o vídeo, mas pra quem quiser, tá aí:

- Olá.. bem vindo ao efeito da troca de cores.

(espalha as cartas na mesa, e pega de novo)
- Isto vai precisar de cartas, mas mais especificamente da minha carta favorita. 

(brinca com o valete)
- Olá Jack!… Olá… Sou eu, fazendo a voz…

(o truque..)
Preste.. muita atenção… por que isto precisa de muita atenção..

(a câmera volta para o baralho)
E este.. é o efeito da troca de cores.

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Mas e você? Tinha reparado? Comente!!

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Pausa pra falar de futebol…

04/03/2009

Há muito tempo eu não falo de futebol aqui. Acho que atualmente foge um pouco do tema, além de ultimamente não ter nada pra falar. Bom, não tinha….

Eu poucas vezes me irritei tanto com um treinador como com o senhor “Celso Juarez Roth”. Ano passado, no “auge”, eu dizia: “Só espero que não acordem o Roth…”

Acordaram… e deu no que deu. Se analisar por qualquer lado, o Grêmio tinha que se esforçar MUITO pra perder o título nacional, e ainda precisaria contar com a competência (ou sorte) absoluta do São Paulo. Bom.. (in)felizmente o “esforço” foi recompensado…

É claro que vão dizer que eu sou o profeta do acontecido já que o cidadão tá pra cair. Mas eu posso dizer que, nessa última passagem pelo tricolor, em nenhum momento apoiei ele. Nenhum.

Vamos lá! Fica o meu protesto através dos 50 “Celso Roth Facts”:

1. Celso Roth joga par ou ímpar com o espelho e perde. PEDINDO PAR!

2. O novo PES 2010 terá um novo modo: Very Hard, Hard, Medium, Easy, Very Easy, Amateur e Celso Roth Mode

3. Os criadores de PES e Winning Eleven não colocam técnicos nos jogos porque teriam que fazer Celso Roth, e o atributo “mentality” só vai até o 1

4. O maior feito na carreira de um jogador de futebol não é fazer 1000 gols. É ganhar um título com o Celso Roth no comando do time

5. Se Celso Roth ainda não fez merda, é porque ele ainda não definiu a escalação

6. Celso Roth não ganha a partida nem quando o outro time está com 6 jogadores em campo

7. Roth jogou roleta russa com um revólver completamente descarregado e perdeu

8. Se o Roth tem 1000 reais na carteira e você tem 5 reais, você tem mais dinheiro que o Roth

9. Roth perdeu o “Chuck Norris game”

10. Celso Roth perde mesmo quando faz Royal Flush

11. Roth jogou jogo da velha consigo mesmo e perdeu

12. Em Shrek, o papel do burro caberia inicialmente ao Celso Roth. Mas o IBAMA protestou, alegando que era uma ofensa aos burros.

13. Celso Roth tem QI negativo

14. Os jedis podem controlar a mente de Celso Roth

15. Se você acertar em algo um dia, fique tranqüilo, você obviamente não é Celso Roth

16. Celso Roth perdeu a virgindade depois do filho

17. Se você procurar no google por “Celso Roth ganha um título”, nenhum resultado será encontrado, por motivos óbvios.

18. Celso Roth leva 90 minutos pra passar uma hora

19. A famosa frase de Einstein “Apenas uma coisa eu tenho certeza que é ilimitada: a ignorância humana” foi dita depois que ele conheceu Celso Roth

20. Roth perdeu para ele próprio jogando Football Manager

21. Celso Roth faz uma cebola chorar

22. Deus ora para que Celso Roth fique inteligente.

23. Celso Roth foi reprovado num vestibular onde apenas ele participou.

24. Dizem que a ilha de “Lost” na verdade é o cérebro de Celso Roth

25. Quando Celso Roth nasceu, o doutor em vez de dar um tapa nele, deu no pai dele 

26. Quando Saddam Hussein estava para ser morto ele poderia escolher entre ser enforcado ou ver Celso Roth treinando seu time. Ele preferiu a primeira opção.

27. Roth não é politicamente correto. Ele nunca está correto. NUNCA

28. Nos tempos de ditadura no Brasil as pessoas escolhiam se preferiam ser afogadas e levar choque, ou ver Celso Roth treinando o seu time.

29. Celso Roth já teve outras carreiras além de treinador. Em 1929, ele trabalhava na Bolsa de Valores.

30. Quando Celso Roth lê um livro, o livro fica burro

31. Para cada burrice cometida no mundo, Celso Roth comete mais oito

32. O diabo criou o inferno porque não suportava mais o Celso Roth

33. Conte até dez… Esse é o tempo que Roth demora pra fazer merda. 42 vezes.

34. O tamagochi do Celso Roth já veio morto.

35. Quando pensou que estava errado, Celso Roth acertou pela primeira vez na vida.

36. Outras carreiras de Celso Roth? Ele já dirigiu um barco chamado Titanic, e recentemente pensou em mudar de profissão, ao tentar ser piloto de avião da TAM

37. Celso Roth inventou a palavra “burrice”

38. Mandar o Roth pro inferno não adianta nada, muito pelo contrário, pois você compra uma briga feia com o diabo.

39. Na bandeira do Brasil, as bolinhas vermelhas significam o número de vezes que Celso Roth ganhou um título

40. Celso Roth só possui membros inferiores, afinal, ele nunca é superior em nada

41. Sorte de hoje: Você não é Celso Roth

42. Se parece com galinha, cheira como galinha e tem gosto de galinha, Celso Roth diz que é um bife

43. Celso Roth não tem reflexo no espelho. O reflexo tem vergonha de aparecer

44. O cúmulo da burrice não é Celso Roth. E sim contratar ele para o seu time

45. O teclado de Celso Roth não tem a tecla “Ctrl”. Ele nunca está no controle!

46. Como disse o presidente americano Roosevelt: “Não temos nada a temer a não ser o próprio medo. E Celso Roth treinar o nosso time.” 

47. O estádio dos Aflitos tem esse nome desde que Celso Roth decidiu treinar o Náutico

48. Dunga decidiu ser treinador quando Celso Roth disse que ele tinha potencial

49. Quando Celso Roth fuma maconha, o baseado fica doidão

50. Jogando Counter Strike, Celso Roth morreu com um Flash Bang.

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Música para ouvir

01/03/2009

Eu acho que música é uma das formas mas fantásticas de expressão artística. Acho incrível imaginar como alguém partiu de “nada” e, de repente.. voilá.. uma música!

Seja clássica, rock, pop, sertanejo ou mesmo um blues. Violão, guitarra, bateria, saxofone, violino.. Claro, também a própria voz, que é uma arma poderosíssima na mão de alguns poucos afortunados.

Pegando como exemplo o meu gosto particular: Os Beatles. Como Paul McCartney, por exemplo, um dia simplesmente acordou com a melodia de Yesterday na cabeça? Como assim?? De onde? Tanto isso é inexplicável e mediúnico, que ele mesmo achou que tinha ouvido em algum lugar. Demorou para se convencer que tinha composto sonhando…

É claro que todo o compositor tem influências. A própria opção por – ou dom para – determinado estilo e forma de se expressar já delimita a criação, ainda que involuntariamente. Em alguns casos, nem é preciso criar estruturas complexas de notas e acordes para que as músicas saiam com identidade e até mesmo, qualidade.

Música é um todo. É melodia, é ritmo, é mensagem, é letra. Renato Russo, por exemplo, num disco ao vivo do Legião Urbana fez piada com a própria “simplicidade” como arranjador dizendo: “O bom do Legião é que você aprende como tocar 120 sucessos com apenas 3 acordes”.

Pois é. E é bem nessa coisa  de “acordes parecidos” que, muitas vezes, ouvimos uma música pela primeira vez e ela nos soa familiar como se já a tivéssemos escutado incontáveis vezes.

Essa “coincidência”, aliás, – que também acontece em diversas outras músicas de qualquer artista – foi o ponto de partida para a banda australiana The Axis of Awesome “compor” a música “Four Chords” (quatro acordes). Veja só qual foi o resultado:


Veja o myspace da banda aqui

É claro que o conceito de “composição”, neste caso, fica profundamente prejudicado. A própria banda, entretanto, ressalta que a proposta é um plágio, para mostrar que muitas vezes, quando achamos que já escutamos alguma coisa antes, pode ser porque já escutamos mesmo..

É bem verdade que nem só “ter os acordes de uma música boa” significa que a música também vai ser boa. No caso de “Four Chords” mesmo, vemos, na minha opinião, músicas maravilhosas e outras completamente descartáveis…

O que também não quer dizer que todas essas músicas sejam plágios umas das outras. Algumas talvez até sejam, mas acho que existe sim, um tanto de coincidências aí. Afinal, são sete notas musicais.. considerando o número de músicas que são compostas diariamente, a repetição de combinações seria inevitável.

 

A título de curiosidade: clique aqui para ver 
a lista de músicas usadas em “Four Chords”