Posts de Fevereiro, 2009

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Ah…. era impossível?!?

27/02/2009

“Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez”

 

PhotobucketOutro dia eu estava conversando com uma amiga no MSN quando reparei que a “frase” dela era essa aí em cima.

A frase é famosa, e acho que todo mundo conhece (eu só não conhecia a origem). Com pequenas variações, a idéia básica é que, por não saber que não dava para fazer, conseguir, conquistar ou se desapegar de alguma coisa, a pessoa fez, conseguiu, conquistou e/ou se desapegou.

É o tipo de frase que eu gosto. Simples, direta, mas se tu for parar pra pensar… não para mais…

Ela serve pra muita coisa. Quantas invenções, descobertas, conquistas, revoluções, soluções, avanços científicos, curas de doenças ou mesmo quantas vidas já foram salvas simplesmente por que alguém se recusou a acreditar – a se lembrar? – que tal “máxima” ou “verdade” não era.. hmm.. verdade?

A História está cheia de homens que, sem querer, marcaram e foram marcados por “não se tocar” de que não era possível o que desejavam: Gandhi com sua doutrina de “desobediência civil” e “não-violência” talvez seja o maior exemplo. “Um maluco encarar o império britânico já seria difícil, mas ainda por cima… não fazendo nada? E o que tu espera conseguir com isso??? Ah, pára…

E Galileu? Contrariar a poderosa Igreja Católica no século XXI não é uma boa idéia.. e o que dirá na Idade Média? E a Revolução Francesa? E Lutero ? Martin Luther King? E, por que não, Fidel Castro? Pois é… (Não estou entrando no mérito de certo ou errado, mas ressaltando o fato de que eles não aceitarem a “impossibilidade”, foram lá e fizeram.).

Mas a frase também serve pra vários momentos na vida. Quantas vezes a gente se apegou sem esperança de conseguir alguma coisa? Seja ela positiva, no sentido de conquistar, ou negativa, no sentido de deixar pra trás?

Incontáveis.. é natural do ser humano se habituar com as coisas como elas são. Aceitar suas próprias limitações, sejam elas físicas, circunstanciais ou mesmo psicológicas.

Eu mesmo, nessa minha luta interminável contra (ou a favor?) da minha auto-estima, muitas vezes deixei de agir por acreditar que não ia dar, que não era pra mim, que era inútil tentar.

Não parava nem pra tentar me perguntar: “Afinal, por que não?”. Ora… era óbvio que não.. e saber isso era suficiente.

Ah, quer dizer que é assim? É só acreditar que vai dar certo e as coisas funcionam??? Não, infelizmente não é assim. Mas se tu não acreditar é certo que as coisas não vão dar certo. Entende a diferença?

Um emprego, um concurso (público ou não), uma viagem, um(a) namorado(a), ser aceito em um determinado grupo, uma amizade…

Às vezes até o fato de as coisas “insistirem em dar errado” (aliás, como se as “coisas” tivessem algum tipo de vontade) são razão suficiente para não tentarmos de novo. E quanto tempo demoramos para perceber que uma coisa não tem nada a ver com a outra?

Apesar de extremamente simples, isso é uma das coisas mais difíceis de se entender. A dor da perda, da rejeição, do fracasso, dói muito. Às vezes a gente quebra a cara.. pode ser uma vez só.. e jura pra si mesmo que nunca mais vai ser “tão idiota”. Ledo engano… a vida é feita de “ser idiota”. É o risco que traz a possibilidade da conquista… e só consegue quem tenta…

Não adianta tentar se convencer do contrário: a vida não é um jogo tipo “ganha-ganha”.

E muitas vezes… eu disse MUITAS vezes… a solução do “maior problema do mundo” está exatamente em entender que a vida não é “preto-no-branco”. Que, na vida, não é por que ninguém realizou – ou por que não se sabe que alguém já realizou – algo que ninguém realizará. Às vezes, o simples acreditar, ou quem sabe uma quase imperceptível mudança de atitude muda o resultado completamente. Tá ligado o chamado efeito borboleta? A teoria do caos?

Ano passado mesmo, por exemplo… eu passei por uma situação pela centésima vez na vida…

Já escrevi sobre esta situação outras vezes (aqui, aqui e em diversas de outras oportunidades, hehehe). Como sempre, não foi planejado. Aconteceu e eu me envolvi, muito. Dessa vez, entretanto, me envolvi de peito aberto. Quando notei que o “trem” vinha, parei de pé no meio dos trilhos e disse: “vem”. O trem veio… e eu levantei de novo… e o trem veio… e eu levantei, e o trem veio….

Se deu certo? Não, infelizmente não deu. Mas graças a minha mudança de atitude, a minha decisão por “apostar”, eu sobrevivi, mais forte e mais inteiro do que em qualquer das outras vezes. Foi fácil? Não, não foi.. mas admito que foi muito prazeroso. Reconhecer e ultrapassar seus próprios limites vale muito a pena!

No fim das contas tive forças para conquistar uma nova amiga e levar a vida adiante. Não só mantenho contato com ela como até escrevi um texto sobre uma frase que ela estava usando no MSN…

Ei… alguém aí sabe quando passa o próximo trem?

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E ainda tinha o Batman….

25/02/2009

Já que o assunto é cinema, vamos ao que, na minha opinião, foi o filme do ano em 2008. Aliás, esse há tempos tava merecendo ser citado aqui.

A morte de Heath Ledger antes do lançamento do filme sem dúvida aumentou exponencialmente as expectativas sobre este. Entre as razões para o possível “suicídio acidental” do ator estiveram a auto-cobrança desmedida pelo sucesso, o medo apavorante do fracasso num papel onde todos esperam um ator e uma atuação “acima da média” e até mesmo loucura, como se a psique doentia do personagem não tivesse liberado Ledger após o fim das filmagens.

Qualquer que tenha sido a razão – se é que foi uma dessas – foi em vão. Ledger já tinha mostrado a todos o grande ator que era (em filmes como “Coração de Cavaleiro“, “O Patriota“, “10 coisas que eu odeio em você” e “Brokeback Mountain“, quando foi indicado ao Oscar) e, como o psicopata Coringa, absolutamente não decepcionou.

The Dark Knight“, ou, em português, “O Cavaleiro das Trevas”, fechou prematura e sensacionalmente a curta carreira do ator australiano. O seu personagem, muito mais denso e complexo do que o também ótimo Coringa de Jack Nicholson (1989) acaba roubando a cena de um filme que deveria ser sobre o homem-morcego.

Sem querer desmerecer o fato de ser um grande filme do Batman, o homem-morcego absolutamente não é o ponto mais interessante do filme.

Aliás, ao contrário do antecessor, a nova produção de Christopher Nolan não se centra no milionário que decide vingar seus próprios medos combatendo o crime. Esta premissa, aliás, em momento algum é lembrada no filme.

Como muito bem definiu um crítico de cinema na época em que o filme foi lançado (infelizmente eu não vou me lembrar quem foi), “The Dark Knight” é um filme policial com o Batman, e não “apenas” um filme do Batman.

Não se trata de o Batman contra os bandidos. Se trata de uma Gotham City sendo dominada por um maluco inconsequente, e o homem-morcego se unindo ao agora Comissário Gordon e ao promotor público Harvey Dent na luta contra o caos.

Nota-se, por exemplo, dois detalhes sobre o nome do filme. Primeiro: o nome original não é – ao contrário do que pode se pensar ou se esperar – “Batman – The Dark Knight”, mas apenas “The Dark Knight”. Isso, na minha opinião, já mostra que o filme não vai se centrar no personagem, mas sim, na sua volta.

O segundo detalhe é a tradução. Em português ficou “O Cavaleiro das Trevas”. Apesar de ser uma leitura possível para “The Dark Knight”, acredito que não seja a tradução correta. No meio do filme alguém diz que o promotor público Harvey Dent é o “cavaleiro branco” (white knight) da justiça de Gotham, e Batman, o cavaleiro negro (dark knight).


Harvey Dent para promotor público
Eu acredito em Harvey Dent

São coisas sutis e talvez até indiferentes, mas que de qualquer forma tiram o foco da produção da cabeça do Batman como nos 5 filmes anteriores do personagem.

O roteiro consegue dar ritmo a uma história complexa de forma muito bem estruturada. A ação gira basicamente em torno de quatro personagens: Coringa (Ledger), o Comissário Gordon (Gary Oldman), o promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart) além, é claro, de Bruce Wayne/Batman (Christian Bale). Os quatro terão mudanças profundas no decorrer da trama.

Harvey Dent é um caso a parte. Eu não esperava muito dele, já que nunca acompanhei profundamente as aventuras do homem-morcego nos gibis e Aaron Eckhart não era, a princípio, um dos destaques do elenco (como Morgan Freeman, Heath Ledger e Michael Cane).

Surpreendente. Um personagem forte, determinado e incomum neste tipo de filme (até pelo que acontece com ele do meio para o final). Eckhart também roubou a cena e, se não fosse pela brilhante atuação de Ledger e a expectativa após a sua morte, teria sido o grande destaque do filme com toda a certeza.

O merecido Oscar de Heath Ledger. Além da atuação assustadora e doentia do ator australiano na pele do irascível e quase retardado Coringa, o roteiro também não deixa a desejar. Primeiro, por que ao contrário do que costuma acontecer, ninguém sabe a origem deste Coringa.

Não sabemos de onde ele vem e nem como ele chegou. Ele simplesmente chegou e quer bagunça. Não é um criminoso querendo vingança (como no filme de 1989) e não é um gângster querendo dominar o submundo. No fim das contas é apenas um maníaco querendo se divertir (e conseguindo, diga-se de passagem). A briga psicológica dele com o próprio Batman – verbalizada analíticamente pelo vilão – é um dos pontos altos do filme. Pode se dizer que, como o amor, ele tem razões que a própria razão desconhece. E isto o torna um personagem estúpido de tão genial.

Eu assisti o filme 2 vezes no cinema, ganhei o DVD no Natal e assisti mais um par de vezes. Pra mim, o melhor filme de 2008 e, como eu já disse antes, o melhor filme de super-herói de todos os tempos.

Eu acredito em Harvey Dent!

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O curioso caso do Oscar 2009

23/02/2009

Como tem acontecido nos últimos anos, eu assisti a poucos dos filmes concorrentes ao Oscar desse ano. Que eu lembre, apenas 2. “O Cavaleiro das Trevas” e “Vicky Cristina Barcelona“.

Pois ambos foram oscarizados.

O primeiro, no já esperado Oscar póstumo de ator coadjuvante ao excelente Heath Ledger pelo seu trabalho na pele do irracional e inconsequente Coringa. Difícil fazer um papel que já foi de Jack Nicholson? É.. mas ele conseguiu e muito bem. Talvez até por ser uma proposta bem mais… sombria e indefinível do que o maníaco sarcástico do filme anterior.

Esse filme, aliás, é sem dúvida o melhor de toda a série “Batman” e, junto com um “Homem-Aranha” com Tobey Maguire e os dois primeiros Superman dos anos 1970, entra para o rol dos melhores filmes de super-herói da história do cinema. Como roteiro, história, enredo em si, é o melhor de todos.

Penelope Cruz. Além de uma mulher linda, em “Vicky Cristina Barcelona”, de Woody Allen, ela rouba a cena como a “coadjuvante” Maria Elena. A personagem, só aparece do meio pra frente, mas é fundamental para a história e tem ótimas cenas. Espanhola – como a própria -, matrona, enfezada, escandalosa e muito, mas muito sensual. A cena em que a Cristina (Scarlett Johansson) avisa que não vai mais morar com ela e Juan Antonio (Javier Barden) é marcante. Irritada, ela fala espanhol por que sabe que Cristina não entende. Simplesmente hilário…

Falado sobre os que eu vi, falemos sobre os que eu não vi. Pois bem, continuando…

Sobre o Oscar de Sean Penn como melhor ator, eu fico com o comentário de Robert De Niro, ao anunciá-lo entre os indicados da categoria: “Meu amigo Sean Penn, depois de tantos papéis como homens heteros, nos surpreende”. É claro que foi brincadeira pois o personagem de Penn em “Milk” é o ativista gay Harvey Milk. Não vi o filme, mas li críticas não muito favoráveis…

Em todo o caso, vou ver o filme por que Sean Penn é, na minha opinião, um dos grandes atores da atualidade. Não é novato, mas ainda não tem o toque de midas de um De Niro ou um Pacino, que transformam tudo o que tocam em ouro. Acho que não demora e ele chega lá… Destaque para o também oscarizado “Jimmy Markum”, de Penn no fantástico “Sobre Meninos e Lobos”.

PhotobucketKate Winslet. Sobre o filme que lhe valeu o Oscar, como Silvio Santos, eu diria: “É muuuuuito bom… eu não vi, mas minha filha de número 74 viu e disse que é muuuuito bom!“. É verdade, eu não assisti ainda a “The Reader/O Leitor”. Contudo, acho que Kate Winslet merece o prêmio de melhor atriz, se não por este filme, pela sua atuação, também em 2008 em “Foi apenas um sonho” ou por filmes anteriores como “Razão e Sensibilidade” e “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”. Também vale lembrar o discurso de agradecimento da noite de ontem quando, na hora de agradecer a família ela disse, olhando para a platéia: “Pai, não sei onde o senhor está, mas assobia ou faz alguma coisa”. E o cara assobiou… Quebra de protocolo é para os fracos…

Os prêmios técnicos. O grande vencedor da noite foi “Quem quer ser um milionário?” (Slumdog Millionaire) de David Boyle, incluindo melhor filme, diretor, trilha sonora original e canção original.

Confesso que tenho um certo preconceito com o filme pelo seu lado “bollywoodiano” mas.. só assistindo pra saber. A academia já premiou filmes médios como “melhor filme” antes, assim como foi obrigada a premiar alguns em anos reconhecidamente fracos. Como desta vez os concorrentes estavam bem badalados… vou ter que assistir, hehehe…

O Curioso caso de Benjamin Button“. Não foi dessa vez que Brad Pitt levou a estatueta pra casa. A derrota para Sean Penn, na minha opinião, foi uma surpresa. Não vi o filme, mas a sua premissa (o homem que envelhece “rejuvenescendo”) exige muito do ator principal. Sinceramente, achei que esse era dele, mas a academia acabou premiando “Button” apenas em 3 categorias técnicas: Efeitos visuais, maquiagem e direção de arte.


Brad Pitt: este é você, amanhã…

“Batman” também levou os dois prêmios de som (mixagem e edição), e Wall-E acho que acabou como grande decepção da noite, ficando apenas com o Oscar de “longa de animação”.

A cerimônia em si também foi muito interessante, fugindo um pouco do enfadonho “gesso” dos outros anos. Hugh “Wolverine” Jackman esteve muito bem como apresentador, e a forma como foram anunciados os candidatos aos prêmios por atuação (com 5 já oscarizados apresentando cada um dos concorrentes) também foi muito criativa.

Por fim, duas observações:

O Oscar “oblíquo” (como muito bem definiu Rubens Ewald Filho na TNT) pela “humanidade” do (duplo sentido mode ON) imortal Jerry Lewis (duplo sentido mode OFF), que merecia um prêmio pela sua brilhante carreira no cinema e no humor. O prêmio, aliás, foi entregue por Eddie Murphy, que refilmou o clássico “Professor Aloprado” de Lewis.

Meryl Streep. Impressionantes 15 indicações ao Oscar em 31 anos. Quantas vitórias? Míseras 2… Ou a Academia não vai com a cara dela, ou ela é mais azarada que o Pato Donald… De qualquer forma, uma indicação a cada dois anos é mais do que um atestado de talento… Conhecem alguém mais que conseguiu isso? Durante 30 anos?

E além dos vencedores da noite, vale ressaltar os muito elogiados “Frost/Nixon” e “O Lutador” (este com Mickey Rourke). É.. temos bastantes filmes bons para assistir este ano…

Ah sim.. e se é verdade que “a vida imita a arte”, eu gostaria de saber quem é o roteirista da minha… e digam para o continuista não aparecer na minha frente tão cedo, hehehe…

Bom… acho que era só isso que eu tinha pra dizer sobre o Oscar 2009.. não tava muito inspirado, sabe como é…

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Balançando no carnaval

19/02/2009

Quem me conhece sabe que eu não sou muito de carnaval. Gosto de festa, adoro dançar mas, ficar a noite inteira pulando não é comigo. Não sou “contra-cultura” nem nada, apenas não é o meu estilo…

Sem contar que as músicas predominantes – axé, pagode, forró e derivados – não fazem MESMO a minha cabeça…

E o que dizer dos hits? Cada ano tem uma “melhor música de todos os tempos da última semana” (como diriam os Titãs). E as bandas, que aparecem e, felizmente, desaparecem do nada? Bom.. e o que dizer das que não desaparecem? Meu Deus…

Contudo, entretanto, porém, todavia… nesse ano de 2009 uma péssima notícia quase estraga a festa de todo mundo. Um dos maiores sambistas desse país esteve desaparecido mas, felizmente voltou para… como não… alegrar o nosso carnaval. O hit do carnaval 2009 tá aí e tá na boca do povo (bom, talvez não na boca, ou ainda não, sei lá….).

Créditos para Antonio Tabet (Kibe Loco) e para o
meu amigo Rodrigo Fernandes (Jacaré Banguela)

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Músico popular brasileiro

15/02/2009

Zeca Baleiro. Eu já falei dele aqui, e não tenho grandes novidades. Apenas que, zapeando nessa imensidão internética outro dia, encontrei um vídeo muito interessante.

Eu sempre admirei o Baleiro – e disse isso no outro texto – por que a musicalidade dele é nacional. Não é baiana, não é cearense, não é carioca nem é gaúcha. É nacional.. tem percussão, tem poesia, tem melodia. Diversas músicas, diversos estilos, todos totalmente “Zeca Baleiro”.

Eis que, “pelas internets da vida” eu encontrei ele cantando, no Sesc Pompéia (SP) a porto-alegrenssíssima “Deu pra ti”.

Fiquei feliz, claro, pois a música é uma homenagem a Porto Alegre composta pelos “nativos” Kleiton e Kledir. Mas também por que isso mostra que o Baleiro também reconhece a beleza das músicas em si. Mais do que compositor, ele é um intérprete de mão cheia e um amante da boa música.

Ainda, claro.. cantar uma homenagem a Porto Alegre no meio da paulistada… fantástico, vai dizer? rsrsrrs….

Então… tá aí! E viva o Baleiro!

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Lágrimas no paraíso

11/02/2009

Em 2001 eu fui, com alguns amigos de faculdade, ao show do Eric Clapton aqui em Porto Alegre. Na verdade eu conhecia pouco sobre ele, e justificava o interesse no show enumerando, entre as razões:

1) O cara é um ícone do rock e da música mundial;

2) Tocou com os Beatles em “While My Guitar Gently Weeps” e com John e George após o fim do grupo.

3) O cara tem 40 anos de carreira, tocou com todos os grandes. Jagger e os Stones, Hendrix, Beatles, B.B. King, Mark Knopfler..

4) Bom… o cara acha que é o Eric Clapton!!

Pois é.. e o pior é que o tal cara era o Eric Clapton mesmo. O que eu não sabia, é que o Eric Clapton não era o “Eric Clapton”.

Eu terminei de ler recentemente a autobiografia dele. O que eu esperava? Um passeio delicioso pelos bastidores do rock´n roll desde os primórdios até, quem sabe, o show de Porto Alegre em 2001. Histórias dele com os Beatles, com a Patty Boyd, com o sucesso e uma vida feliz e roqueira. Além, é claro, das “lendas” sobre “Layla” e “Tears in Heaven”.

Bom.. o passeio está lá. George Harrison e Patty Boyd, também. As lendas e o sucesso idem. Aliás, tirando não ter nem uma mísera referência ao show de 2001 não faltou nada do que eu esperava. O que eu não esperava era que o livro fosse muito mais baseado na pessoa Eric Clapton do que no astro.

É engraçado.. a gente fica pensando que esses caras têm tudo. É um baita lugar comum dizer isso, mas eles são pobres mortais. O Clapton, por exemplo, entrou no mundo da música para se livrar da solidão, da sua própria baixa auto-estima. Apesar de ela sempre ter sido e continuar lhe sendo apaixonante, não preenchia o lado afetivo.. e o que ele buscou? Álcool e drogas…

No final dos anos 1970 ele está caminhando para a morte. Se afundando cada vez mais e, quando se pensa que chegou no fim, ele dá mais um passo em direção ao fundo do poço. Tem momentos beeeeeeeem pesados, inclusive com tentativas de suicídio…

Ele é alcoólatra (ou alcoolista, como se diz modernamente). Está sóbrio desde a década de 80 e anualmente promove um show de fim de ano onde leiloa guitarras para angariar fundos para uma clínica de reabilitação que ele mesmo mantém no Caribe.


Eric Clapton e George Harisson nos anos 1970

Sobre “Layla”. Sim, a música é sobre Patty Boyd e foi escrita enquanto ela ainda era casada com George Harisson. Anos depois ela deixou George e acabou casando com o próprio Clapton. Ele, infelizmente, estava no auge do alcoolismo e nunca foi realmente feliz ou fiel com ela. Ela, por sua vez, lhe era fiel e – ainda que também tenha tido sérios problemas com drogas e álcool – lutou muito para ajudá-lo a largar o vício. Só que, quando ele começou a ficar sóbrio, notou que não tinha nada pra dizer a ela. O casamento acabou triste e lentamente…

“Tears in Heaven”. Foi escrita para “Connor”, o primeiro filho de Clapton. O garoto morreu ainda criança ao cair acidentalmente do 53° andar do prédio onde morava. Clapton, ainda se recuperando do alcoolismo, estava se reestruturando baseado na relação paternal. Foi uma perda que o obrigou a recomeçar, mais uma vez… (para os desavisados: o título do post é uma tradução para o nome desta música).

É um ótimo livro. Ele termina contando o “hoje” (2007). Aos 62 anos,
casado pela terceira vez e com 3 filhas ele se diz realizado, feliz, num momento mais “familiar” do que jamais esteve. Sabe que provavelmente a última turnê mundial que fez tenha sido a última de sua vida, e está satisfeito.

Nas considerações finais ele fala sobre a indústria atual da música, com um posicionamento interessante e com o qual eu, humildemente, concordo:

“A cena musical como a vejo hoje é pouco diferente de quando eu estava crescendo. Os percentuais são aproximadamente os mesmos: 95% lixo e 5% puro. Contudo, os sistemas de marketing e distribuição estão no meio de uma enorme guinada, e por volta do final desta década creio ser improvável que qualquer uma das atuais gravadoras ainda esteja no negócio. Com todo o respeito a todos os envolvidos, isto não seria uma grande perda. A música sempre vai achar um caminho até nós, com ou sem os negócios, política, religião ou qualquer outra baboseira ligada a ela. A música sobrevive a tudo e, como Deus, está sempre presente.

Viva a música! Viva Sir. Eric Clapton!

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A lenda da rua Abbey

08/02/2009

Uma foto. É claro que era pra ser algo importante. Eles estavam produzindo a foto que seria a capa do Abbey Road, o novo – e último a ser gravado – álbum da banda mais badalada de todos os tempos (também é a melhor, mas aí já é opinião minha).

Qual a idéia? Sair do estúdio e atravessar a rua. Fotografar os quatro enquanto caminham pela faixa de pedestres. Simples, não?

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Sim. Mas foi uma capa histórica. Não apenas por ser o novo e tão esperado disco dos Beatles, mas pela série de detalhes que ela tem:

1) Alguém reparou que entre a cabeça do John e o “carro funerário” tem uma pessoa? Pois é, e ela se chama Paul Cole. Acontece que o próprio Cole só descobriu que estava na foto quando viu o disco nas lojas.. já imaginaram?

2) Alguém já ouviu falar na lenda da morte do Paul? Pois esta é a capa com o maior número de “evidências”, segundo os fãs da teoria. Vejamos 3 delas:

- Reparem nos 4. Paul, o suposto falecido, é o único com o pé direito à frente, além de estar descalço; John, de branco, seria o médico; Ringo, de preto, o padre; George, de jeans, o coveiro.

- Estão vendo o fusca branco à esquerda? Não dá pra ler nesta foto, mas a placa é: “28 IF”. Paul tinha 28 anos no dia da foto. Contudo, a lenda diz que ele “teria” 28 se (IF) estivesse vivo…

- à direita, um suposto carro funerário.

A lenda da morte do Paul McCartney foi tão forte que ele teve que ir a TV na época dizer que não estava morto. E 24 anos depois o próprio Paul fez uma brincadeira com a lenda. Para a foto de capa do seu disco ao vivo de 1993 ele fez uma brincadeira com a foto orginal:

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É a mesma foto. Os Beatles foram retirados digitalmente, assim como Cole e o “carro funerário”. Além disso, mudaram a placa do fusca que agora diz “51 IS”, ou seja, Paul McCartney TEM 51 anos no momento desta foto. Detalhe também no nome do disco: “Paul is live”, que pode ser traduzido como “Paul está vivo”.

É claro que uma capa dessas também renderia sátiras… e quem melhor para fazer isso do que a família mais louca da televisão?

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Reparem na riqueza de detalhes. As roupas, as poses, os olhares. Os carros, o “intruso” e até a placa do fusca estão lá (e dá pra ler direitinho o 28 “IF”). Mais uma produção genial de Matt Groening. (Para assistir a cena do desenho, clique aqui).

Se alguém acredita que Paul McCartney está morto desde os anos 1960, tudo bem. Pra mim ele ainda vai ser o último dos fab-four vivo. Ou, como disse a revista Veja quando o entrevistou: “ele já é pois Ringo Starr está apenas tecnicamente vivo

(obs 1: É óbvio que são inúmeras as sátiras aos Beatles. Navegando na internet se encontra, por exemplo, as capas do próprio Abbey Road, do Please Please Me (original) e do Rubber Soul (original) com bonecos de Lego no lugar do quarteto).

(obs 2: Acabei de encontrar este blog com diversas sátiras da Abbey Road).

(obs 3: Quer saber mais sobre o álbum?)

(obs 4: todas as fotos neste post são “clicáveis” para se ver elas em tamanho maior)

(obs 5: não vai comentar, não???)

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Curióóó-sidades!!

06/02/2009

Bom.. mais um desafio proposto por amigos da blogosfera.

Contar 5 segredos ou curiosidades sobre mim. Bom, segredos “diz-se a quem tem“, e curiosidades.. bom, acho que tenho algumas… vamos ver:

1) Meu nome é Fábio Daniel. O pessoal do colégio, faculdade e trabalho, me conhece por “Fábio”, e o pessoal de casa, família e amigos “gerais”, por Daniel. Tem várias histórias sobre as confusões que isso causou… hehehe..

2) Histórias de assalto? Tenho várias.. Numa delas, o cara estava me assaltando pela segunda vez. Eu o reconheci.. até por que era o mesmo lugar aqui perto de casa.. mas o surpreendente foi o cara, que disse: “Não foi tu que me emprestou uma grana mês passado?”…

3) Imagina a cena: tô eu lá.. alguns bons anos atrás… esperando a minha mãe ou o meu pai me buscar, de carro, em algum lugar. Quando o carro chega eu não tenho dúvida, abro a porta e entro. Só que, quando eu termino de dizer “oi pai..” reparo que não conheço a pessoa que tá dirigindo… e saio, sem saber onde meter a cara, óbvio… Imaginou? Ok.. agora imagina isso umas 4 vezes… só conheço uma pessoa no mundo que FIZ isso…

4) Trocadalhos do carilho. Meu.. sério.. acho que isso é vício.. Eu faço trocadilhos – inteligentes ou completamente bestas – com TUDO, 24 horas por dia. Às vezes nem eu sei de onde vem, mas quando eu vi.. já foi. Tem dias que me sinto uma mala, ok, mas eu me divirto, hahahaha…. E acho que, no fim, agilidade de raciocínio é inteligência (misturada com uma boa dose de falta do que fazer, ok, hehehe).

5) Escrever. Pra quem não sabe, é a coisa que eu mais gosto de fazer na vida. Antes – ou mais – do que ser jornalista ou qualquer coisa, escrever. Tenho vários contos, zilhares de crônicas, algumas poesias, outros tantos textos e até um romance em eterno desenvolvimento. Eu acho que me expresso muito bem escrevendo, ao mesmo tempo em que, pra mim, isso parece bastante natural… Se eu tivesse que dizer um talento que tenho seria esse: escrever!

Hmmm.. foram 5… tá bom ou querem mais?

(Ah sim.. antes que eu me esqueça.. tenho que escolher a vítima.. huahuahuahua)

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Chega de saudade

04/02/2009

É muito bom quando isso acontece. Estava eu, segunda-feira passada, feriado, sozinho em casa sem nada pra fazer. Lá pelas tantas eu pensei: “Só falta eu passar o dia inteiro aqui”… Quase no fim da tarde, um programa cai do céu. É bem verdade que eu tive CINCO MINUTOS (!!!) para ficar pronto, mas.. vamos lá!!

Uma ida ao cinema com uma graaaaaande amiga. Uma companhia que eu adoro, num programa agradável num dia feito para se fazer nada. Poucas coisas na vida são tão simplesmente boas quanto isto.

Pois bem, fomos. Qual o filme? Onde? Ah.. isso faz parte da interatividade da vida, sabe como é… Fui descobrindo no caminho afinal, o mais importante, “fazer nada com uma boa companhia”, já estava garantido…

Eu descobri o nome do filme na hora de comprar o ingresso, lá no Guion. “Foi apenas um sonho“, com a Kate Winslet e o Leonardo Di Caprio. Hmm.. eu realmente não sabia o que esperar. Será que, doze anos depois de Titanic, eles iam fazer outro melodrama de três horas com o casal?

Mas pensando bem.. ambas as carreiras mudaram muito desde então, ia destoar… sei lá…

Quando começou, entendi que o filme era um daqueles romances que começa em plena ação. O “início” da história está apenas na cena inicial, que dura um ou dois minutos, sem diálogos relevantes. Em seguida já vemos tudo acontecendo e o problema, que vamos ter que entender no decorrer, já está estabelecido. Bom.. na verdade, “em plena ação” é uma leve forçação de barra.. o filme começa bem lento…

Uma atriz fracassada e um empregado do escritório de uma grande companhia que, por alguma razão, acreditam ser melhores que os outros, mais especiais, mais importantes. E, por essas razões indefiníveis, eles têm certeza de que algo de especialíssimo estaria reservado para eles.

Contudo, a vida segue no seu ritmo malemolente e nada acontece. Antes que ambos enlouquecessem esperando pelo incerto, April (Kate Winslet) tem uma idéia: Por que não mudar tudo? Por que desperdiçar aquela que pode ser a chance da vida deles? Por que esperar por algo que pode ser provocado? Frank (Di Caprio) aceita a proposta, e é nos preparativos para a grande mudança que o filme se desenrola.. ou se enrosca cada vez mais…

O nome do filme em português é um caso a parte. Péssimo, na minha opinião. “Foi apenas um sonho”, além de ser realmente [ironic mode on] uma ótima tradução para “Revolutionary Road” [/ironic] (título original), é uma frase que fala, fala, fala.. e não diz absolutamente nada.

Se tenta preparar o espectador para o filme, o faz muito mal. Além disso, é um título que caberia em metade dos filmes que existem. Por mim, se mantivessem “Revolutionary Road”, em inglês mesmo, seria menos pior. Afinal, é o nome da rua/estrada onde eles moram.

Lendo na internet descobri que é baseado num livro. Não sei se será lançado no Brasil, mas me interessaria ler sim. Eu acho que esta coisa de “se sentir especial sem saber muito bem por que” é muito mais comum do que se pensa. Várias pessoas, famosas, anônimas ou conhecidas, têm essa idéia de que “amanhã será melhor porque sim”.

É claro que amanhã será melhor.. dependendo do que e, principalmente, de como fizermos hoje… e isso, aliás, o filme mostra bem. O amanhã nunca será melhor por mágica e nem necessariamente será melhor. Como diz aquela frase clássica: “Depende de nós”.

Por fim, é um ótimo filme. Denso, romântico, num tom muito realista. Os personagens tem idealizações mas não são idealizados. São humanos, muito humanos. O destaque, além do casal de protagonistas que está muito bem, fica para Michael Shannon que, nas 3 únicas cenas de John Givins (seu personagem), consegue fazer, digamos, uma interpretação crua do que se passa, numa belíssima atuação…

Um último conselho. Não é um filme para crianças. Além do tom denso do filme, e apesar de ser aparentemente um romance água com açúcar, tem coisas que os pequenos não vão entender e é nem é bom explicar… é melhor levá-los para ver Barry e a banda das minhocas.

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Página 161

03/02/2009

A Deise me passou a brincadeira, e eu vou fazer. Vejamos:

1 . Agarrar o livro mais próximo
2 . Abrir na página 161
3 . Procurar a quinta frase completa
4 . Colocar a frase no blog
5 . Não escolher a melhor frase, nem o melhor livro!
6 . Utilizar mesmo o livro que estiver mais próximo;
7 . Passar para cinco pessoas.

“Era toda branca, imensa, de estilo mediterrâneo, incrustada na montanha, de frente para o Atlântico”. (Nelson Motta em “Noites Tropicais”, descrevendo a casa de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli).

Só não vou seguir o 7o passo por que já fiz esse jogo aqui anos atrás..

Mas tá aí, Dê!

Beijão!!