Posts de Dezembro, 2008

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O poeta e a cidade (IV)

27/12/2008

Continuando…

O trecho da Rua da Praia entre a Praça da Alfândega e a Avenida Borges de Medeiros é um “calçadão”, pois não é permitido o trânsito de veículos. Com o seu olhar aparentemente perdido, o poeta observa os prédios da cidade. Quanta beleza arquitetônica escondida pela correria do dia-a-dia que não permite que ela seja contemplada como merece.

Borges de Medeiros. Governante gaúcho que substituiu Julio no início do século 20 e manteve as características do “castilhismo”. Quase 25 anos no governo, sendo derrotado por Getúlio Vargas, no fim dos anos 20, às portas da revolução de 1930 que este lideraria.

Quintana ri ao lembrar que as homenagens aos que foram “governo” no Estado estão aqui, em pleno centro. Lembra do monumento a Julio de Castilhos, na praça Marechal Deodoro, olha a Borges à sua frente e pensa na ironia de a avenida Bento Gonçalves, um grande opositor ao então governo oficial, estar na outra ponta da cidade sendo, inclusive, uma de suas saídas.

Na esquina da Borges de Medeiros com a Rua da Praia, Quintana enxerga, à direita, o tradicional Viaduto Otávio Rocha. É à esquerda, contudo, que está o Mercado Público e é lá que o poeta pretende chegar.

Leia também
O poeta e a cidade (I)
O poeta e a cidade (II)
O poeta e a cidade (III)
O poeta e a cidade (V)
O poeta e a cidade (fim)
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O melhor de George Carlin

18/12/2008

Humor é uma coisa muito difícil de fazer. Tem gente que diz que eu tenho dom pra isso, mas na verdade eu sou só brincalhão. Faço piadas com tudo, jogos de palavras, “respostas cretinas para perguntas imbecis” e tal.. mas, na verdade, é tudo fórmula.. O que me ajuda muito é que eu tenho um “timing” bom pra piada..

Mas profissionalmente, é muito difícil. Quer dizer, quem não quer passar por idiota, retardado ou débil mental com humores do tipo “Zorra Total” (desculpe-me quem gosta, mas eu acho popularesco) acaba tendo que ser muito criativo e isso nem sempre dá certo.

Jacaré Banguela
Um dos blogs que eu mais acompanho é o Jacaré Banguela. Eu até já entrevistei os criadores e hoje me dou bem com ambos (um deles é o Fred, que saiu e hoje produz o Quem matou a tangerina?. O outro é o Rodrigo Fernandes, que mantém a ótima qualidade do site como se isso fosse fácil ). Até já fiz algumas “participações”, ainda que indiretas, no JB… heheh…

Pois há um tempo atrás, fui apresentado, pelo Jacaré Banguela ao comediante americano George Carlin. Ele se apresenta em teatros com um show de stand-up (que no Brasil se chamaria “monólogo”). A diferença é que o humor não está no diferente, no “ridículo”, mas na ironia do comum.

É um humor inteligente e muito bom, na minha opinião. Nos 3 vídeos que eu assisti no JB – e vou reproduzir aqui – ele fala, respectivamente sobre “coisas que nos tornam iguais”, “os 10 mandamentos” e “salve o planeta”.

No primeiro ele faz uma crítica à mídia e às pessoas de um modo geral. Diz que está cansado de ser classificado por ser rico, pobre, alto, baixo, ter ou não ter. Por isso, ele diz, resolveu falar sobre “coisas que nos tornam iguais”. Detalhes bobos como quando se está subindo ou descendo uma escada e se acha que tem um degrau a mais (duvido que alguém nunca tenha passado por isso).

Quando fala dos 10 mandamentos (que, na opinião dele, não têm a mínima necessidade de serem 10, por exemplo), Carlin faz uma crítica ao excesso de regras do mundo em que se vive, ao mesmo tempo que ironiza o fato de a seguirmos sem saber muito bem o porquê.


Update!! O áudio do vídeo foi trocado por razão de
“direitos autorais”. Mas só nesse vídeo.. curioso, né?

Finalmente, o aquecimento global. Um assunto que muito se falou nos últimos anos (e menos em 2008, graças a Deus) mas sobre o qual eu tenho as minhas dúvidas. Carlin, mais uma vez, acerta em cheio ao relativizar o ponto de vista de quem “domina o mundo”. Será que somos nós? Será que seis bilhõezinhos de seres fazem tanta diferença assim num ecossistema do tamanho do mundo? Mas afinal.. por que estamos aqui? Quem nos criou? Para onde nós vamos agora? Bem… a respostade todas as perguntas, afinal, talvez seja simplesmente.. plástico!

É isso! Plástico!

Valeu, Rodrigo!

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O amigo do Carlinhos

16/12/2008

Outro dia eu estava conversando com uma amiga pelo MSN e ela, do nada, simplesmente me joga um link na tela e diz: “veja”.

Ela já tinha me enviado outros vídeos antes, e todos sempre tinham algo pra dizer… resolvi olhar…

Eu não sei se quem assistiu o vídeo agora teve a mesma impressão que eu, ou o vídeo teve o mesmo impacto. É claro que o vídeo “provoca” o engano que acaba surpreendendo. Mas e na vida, não é assim? Olhamos para uma coisa, julgamos e.. deu?

A questão nem é sair agora salvando o mundo feito um louco. Primeiro, por que é impossível e inútil tentar. Depois, por que não é só uma questão de atitude, mas uma questão de pensamento. As atitudes só mudam de verdade se, junto ou antes dela, houver uma mudança de pensamento!

Enxergar o mundo com olhos limpos é mais difícil do que parece. E isso não se refere apenas à síndrome de down…

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Dançando ABBA na Grécia

14/12/2008

Ultimamente o cinema tem me surpreendido. Sempre me considerei um cara eclético pra filmes, gosto de tudo (ou quase tudo) e, geralmente, me interesso, vou a fundo, pra conhecer mais.. Esse ano 4 filmes, de uma forma ou de outra, me surpreenderam.

O primeiro foi “Across the Universe“. Ainda que eu esperasse algo bom, foi bem melhor do que eu pensava..

O segundo foi “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Ainda não escrevi sobre ele aqui, mas escreverei. Pra mim, Heath Ledger foi uma grande perda do mundo cinematográfico e, até agora, merecedor do Oscar, ainda que póstumo. O terceiro, claro, o já citado “Vicky Cristina Barcelona“… Woody Allen me surpreendendo…

Agora.. o quarto foi uma aventura. “Mamma Mia“, um musical com Meryl Streep e Pierce Brosnan. O filme conta a história de Donna Sheridan (Streep), mãe solteira de Sophie (Amanda Seyfried) que criou a filha numa ilha grega. Decidida a descobrir quem é seu pai, Sophie convida, sem avisar a mãe, 3 antigos namorados dela (Brosnan, Stellan Skarsgård e Colin Firth) para o seu próprio casamento.

Entre mirabolantes idéias para manter a presença dos 3 na pequena ilha em segredo e a aproximação da data do casamento, o filme se desenrola num ritmo alegre e divertido, sendo musicado por canções do ABBA cantados pelos próprios atores. Destaque para Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski), as malucas amigas de juventude de Donna.

Mais uma vez, o filme me surpreendeu. E, pela segunda vez no ano, um musical. ABBA é uma daquelas bandas que eu conheço mais do que penso, mas nunca parei pra ouvir. (Claro que agora eu já tenho a trilha sonora do filme, hehehe…)

Pra fechar, deixo a cena em que Rosie e Tanya tentam reanimar a triste Donna ao som de Dancing Queen. Pra mim, a cena fala também sobre a liberação da mulher em geral de seu papel, muitas vezes, coadjuvante no mundo. Uma bela canção e uma bela cena…

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Contos da Tangerina

13/12/2008

Salve queridos leitores…

O que vou publicar hoje não é meu, apesar de estar no rol das coisas que “eu gostaria de ter escrito”. Este texto é do meu colega blogueiro e, por que não dizer, amigo Fred Fagundes, do Quem matou a tangerina?!

Cinéfilo como eu, e fã das aventuras de Marty Mcfly, ele escreveu este pequeno conto há questão de poucas semanas. Falei com ele e estou transcrevendo aqui..

É um texto genial! Inteligente, cheio de interpretações possíveis mas que, no fim, deixa a mesma mensagem que a trilogia.. quer saber qual é? Leia-o!

E, claro.. visite o Quem matou a tangerina?

O dia em que encontrei Marty Mcfly

Aquela cafeteria não é como eu imaginava. Não há máquinas de videogame, robôs atendentes ou garrafas de Pepsi surgindo no balcão. Vejo apenas um velho Lou contando os dias para sua aposentadoria. E um cabisbaixo cliente.

Ele veste um blazer cinza esquecido no tempo. Camisa perfeitamente esticada, gravata com nó simples e sapatos pretos. Bebe café enquanto faz dobras no guardanapo e, de canto de olho, fiscaliza o preparo de suas panquecas. Sento ao seu lado e, ainda tentando conter a excitação, faço a pergunta planejada há 10 anos:

- Por que o futuro não é como você nos mostrou?

Silêncio. Um breve sorriso, um gole de café e a resposta vem com as sobrancelhas arqueadas:

- Ainda faltam alguns anos, filho. Cinco anos e 350 dias, pra ser mais exato.

Marty Mcfly parecia deprimido. As rugas e sinais do tempo eram evidentes. Reparei na falta da aliança, mas preferi não tocar no assunto. Antes de perguntar sobre o hoverboard, Marty fez o favor de puxar um assunto:

- As brigas.

- Que brigas?

- Com o Biff. Começavam todas aqui.

- É, eu lembro. Eu vi.

- Mas eu nunca lutei por ela.

Mais uma vez, silêncio. O nome “dela” era Jennifer, você deve lembrar. Ela havia o deixado. O motivo era desconhecido. Um dia Jen simplesmente decidiu partir de Hill Valley. Parecia que ela estava em Nova York trabalhando numa agência de mídias sociais, coisa do gênero.

- Eu enfrentei cowboys, índios e ursos. Andei em trem desgovernado, skates voadores e fui arrastado por cavalos. Briguei em bares, festas e no meio da rua. Levei um tiro. Pulei de um prédio. Apanhei. Apanhei muito. E tudo isso por quem? Por mim. E fui o maior egoísta de todos. Perdi minha mulher. Eu, que ironia, sou um homem sem futuro.

Comecei a desconfiar que aquilo era somente café. Os lamentos de Marty eram deprimentes. Parecia, ele, vítima de um passado recheado de fracassos e decisões equivocadas. Nem de longe lembrava o primeiro ser humano a tocar Johnny B. Goode. Com a timidez de um coadjuvante, tentei auxiliá-lo.

- Mas… Você foi ao futuro salvar o casamento. Lembra?

- Sim. Mas eu consegui? Ainda nem é 2015 e nós não estamos mais juntos. Antes não tivesse ido.

Agir. Já era hora:

- Calma lá. Essa autoflagelação é ridícula. Você viajou no tempo, fez tudo o que um adolescente queria fazer e é um dos maiores ícones pop de todos os tempos. Porra, você é o Marty Mc”fucking”Fly!

Nesse momento ele parou a xícara 10 centímetros de distância da boca. Olhava para frente, para o nada, claramente racionando o que acabara de ouvir. Voltou a xícara até o balcão sem beber o café, virou-se pra minha direção e, pela primeira vez olhando em meus olhos, questionou retoricamente:

- Eu viajei no tempo?

Claro que não precisei responder. Deixei-o seguir a teoria.

- É, eu viajei no tempo. Eu tentei mudar o presente da maneira mais preguiçosa do mundo. Não agindo dignamente e tomando decisões, mas reescrevendo o que já havia sido escrito e publicado. Eu podia errar, bastava voltar no tempo e corrigir.

- O presente.

- Hein?

- Você voltava no passado para mudar o presente. Mas você nunca mudou o futuro. Aliás, mudou o futuro indo até ele. Não no presente.

- Isso é… Como dizia mesmo o Doc? Ah, sim. Paradoxo temporal!

- Exata… Não, não é um paradoxo. É vida real. O homem não pode brincar no tempo. Porém, ele não tem somente uma chance. Ele tem sim um presente e vários futuros. Esse, depende de suas escolhas.

- O que você quer dizer?

- Quero dizer que você não pode mudar o passado. Mas pode mudar o futuro.

O terceiro e último silêncio foi mais longo. Contudo, positivo. A reação foi imediata e, quando reparei, ele já estava fora do café entrando num carro cinza. Ia, creio eu, iniciar a mudança de seu futuro. Da forma como deve ser: imediatamente.

O grande barato do futuro é justamente esse controle que temos sobre ele. O destino não é escrito de uma vez, mas aos poucos. Pausadamente e a partir, principalmente, de suas escolhas. Portanto, não espere um capacitor de fluxo. Se você quer mudar seu futuro, comece agora. O tempo não dá tréguas.

E muito menos pára.

Valeu, Fred!