É verdade que essa é uma das frases mais batidas de todas, mas também é verdade que ela é absolutamente correta.
Ler é fundamental. Alguma coisa.. revistinha, revista, quadrinhos, jornal, panfleto, cartas. Acima de tudo, ler.
Primeiro, por que abre a cabeça. Por mais inocente e inútil que pareça o texto, é contato com culturas, formas de pensar, pontos de vista sobre os mais diferentes assuntos. Ainda que ter uma única fonte de informação não seja o mais indicado, ter uma fonte de informação já ajuda bastante.
Outra razão pela qual ler é tão importante é para aprender a se expressar. Não precisa aprender a escrever de forma rebuscada, nem falar de maneira formal. Não é isso. Apenas que, quem lê talvez até nem perceba, mas aprende a se expressar. Quanto mais se lê, melhor se aprende a organizar as idéias para expressá-las, ganha-se vocabulário e cultura geral. Não sei se pra todos.. mas, no meu caso, até a auto-estima melhora quando eu estou lendo alguma coisa.
Há 2 anos eu resolvi fazer um teste. Criei uma lista dos livros que eu li desde o meu aniversário de 2006. Antes do meu aniversário de 2007 eu perdi este arquivo.. não lembro quantos eu tinha lido. Contudo, no meu aniversário do ano passado eu recomecei a contagem, e consegui completa-la no dia 28 de outubro de 2008.
Dezessete livros em 12 meses. Todos lidos do início ao fim entre os dias 28 de outubro de 2007 e 28 de outubro de 2008. Se a gente é o que a gente lê… dá pra ter uma idéia do que eu sou a partir da lista abaixo…
1808 (Laurentino Gomes) – Um grande livro. Li ainda em 2007, mas foi no início da onda revisionista que foi moda até meados deste ano graças ao bicentenário da chegada da família real ao Brasil. Indico para todos os interessados. Leitura leve, muito interessante, nos mostra um Brasil em formação. Os 14 anos entre a chegada da família real e a independência foram, sem dúvida, fundamentais para a identidade nacional brasileira. O início do breve império brasileiro e o nascimento da idéia de “brasileiro” são o pano de fundo da aventura de Dom João VI pelas terras tupiniquins. A interpretação que Laurentino faz do então imperador português, diferente da imagem medrosa e desajeitada que se tem também é muito interessante.
Volta ao mundo em 80 dias (Julio Verne) – Eu, particularmente, sou fã do escritor francês. Já tinha lido “Da Terra à Lua”, também muito bom. No “volta ao mundo”, o personagem principal faz uma aposta de que dará a volta no planeta em 80 dias numa época em que não havia, por exemplo, aviões comerciais. Balão, trem, navio, carona.. pra tudo dá-se um jeito. Sei que há filmes baseados neste livro, e que talvez hoje – com aviões que dão a volta em poucos dias – a história perca um pouco do sentido. Mesmo assim, acho que poderia ser um ótimo roteiro para um filme moderno… muito bom!!
Viagem ao centro da Terra (Julio Verne) – Este, também do mesmo escritor, está nos cinemas em cópias 3D. Ainda não vi, mas deve ser muito bom! A história, em graaaaaaaande parte fantasiosa, é uma grande aventura que poucos autores saberiam contar como Verne. Uma viagem.. ao centro da Terra (dã!).
Furacão Elis (Regina Echeverria)- Este eu comprei na Feira do Livro de Porto Alegre do ano passado. Em formato “Almanaque” (como está em moda) conta a história de Elis Regina, da infância no IAPI em Porto Alegre à morte por overdose acidental. Eu sempre adorei Elis, mas não a conheci viva e nem a conhecia profundamente. Uma história de garra, sorte e muito talento.
Tim Maia (Nelson Motta) – Até então, o melhor livro do ano. Uma senhora biografia, da qual eu já falei aqui. Simplesmente fantástica!
Chega de Saudade (Ruy Castro) – A história da Bossa Nova. Basicamente, uma biografia de João Gilberto. O livro vai muuuuito bem até a metade, quando chega ao “fim” da Bossa Nova. Depois, se perde um pouco em considerações sobre o que foi e o que poderia ter sido… Ruy Castro é um grande biógrafo, mas este livro não se compara com os suas outras obras “Estrela Solitária” (sobre Garrincha) e “O Anjo Pornográfico” (sobre Nelson Rodrigues).
Ninguém escreve ao Coronel (Gabriel Garcia Marquez) – Um achado! Encontrei este livro, por 10 reais, num sebo em Porto Alegre. Do Garcia Marquez eu já tinha lido “Viver para contar” e “Crônica de uma morte anunciada”, além de uma biografia escrita pelo jornalista colombiano (e conterrâneo do escritor) Dasso Saldivar. Um dos meus traumas literários é já ter começado várias vezes mas nunca ter conseguido terminar de ler “Cem anos de solidão”… mas um dia eu chego lá…
Em “El coronel no tiene quien le escriba” (título original), o escritor conta a história do seu próprio avô, herói de uma guerra civil colombiana, que passou décadas – em vão – esperando uma carta do governo colombiano com a recompensa pelos serviços prestados à nação. Um livro curto, mas emocionante, e que se torna ainda melhor quando se conhece a história real.
O nascimento da imprensa brasileira (Isabel Lustosa) – Esse foi “o jornalista” quem leu. Tem a ver com o “1808″, pois fala do desenvolvimento – e do nascimento – da imprensa brasileira durante os anos de Dom João VI no Brasil, e de como ela auxiliou na proclamação da independência. Se por um lado é certo que ela não tinha a mesma influência que tem hoje, também é verdade que ela já era um importante propagador de idéias naquela época. E a importância disso para o sucesso de uma idéia como o desligamento Brasil-Portugal depois de 400 anos também é inegável.
Loureiro da Silva (Carlito de Grandi) – Biografia de um dos grandes prefeitos de Porto Alegre. Eu sempre ouvia falar nele, mas não sabia exatamente o que ele tinha de tão especial. Bom, algumas das principais avenidas da Porto Alegre dos primeiros anos do século XXI são fruto de idéias de Loureiro que então pareciam devaneios. Ou ainda, algumas características da geografia da cidade que hoje parecem ter estado ali sempre (como a Avenida Ipiranga) foram iniciativas de um homem que redesenhou a cidade e, acertadamente, a preparou para o futuro. Pena que desde que ele deixou o poder pela segunda vez (nos anos 1960) nenhum outro prefeito tenha tido a mesma preocupação…
Flores da Cunha (Lauro Schirmer) – Este é, de certa forma, o outro lado da moeda. Quando se lê sobre Getúlio Vargas, Flores da Cunha é uma das encarnações do mal. Entretanto, a importância de Flores para a ascenção do próprio Vargas, se não foi fundamental, foi decisiva. Flores foi muito mais do que isso, mas ao mesmo tempo que foi um dos artífices do Golpe de 30, cortou relações com Vargas quando o Estado Novo se avizinhava, poucos anos depois. É claro que ele não era exatamente… hmm.. flor… que se cheire (com desculpas pelo trocadilho infâme), mas Getúlio, indubitavelmente, também não. Apesar de Schirmer ter a mania de transformar seus biografados em heróis incontestáveis, com parcimônia e crítica, o livro vale muito a pena.
História Ilustrada do Rio Grande do Sul – Fechando a série “Gaúcho com orgulho”, um livro/enciclopédia que conta a história gaúcha desde a pré-história (sim, literalmente) até a morte do Brizola. Anos atrás ela foi um colecionável da Zero Hora, mas eu comprei já em formato livro. Pra quem gosta de história, muito bom. Desde as guerras luso-espanholas pela posse do Continente de São Pedro, passando pelas origens da Revolução Farroupilha, a própria Revolução, o fim do Império, depois o positivismo de Julio de Castilhos e Borges de Medeiros, Getúlio Vargas (que Borges apoiou por acreditar que ele “sumiria” do cenário nacional ao perder a eleição de 30) até a ditadura dos anos 60 e Brizola. Eu já disse isso de outros livros, mas este vale muito a pena!
Toda Mafalda (Quino) – Pausa para rir um pouco. Na minha opinião, a pequena menina argentina é um dos melhores personagens de quadrinhos de todo o mundo. Inteligente, irônica, bastante politizada e sempre caricata em relação à Argentina, e por que não, a toda a América Latina dos anos 70/80. Este livro tem todas as tiras produzidas. Quem conhece, sabe. Quem não conhece, procure conhecer, ou fale comigo que eu apresento, hehehe…
Noites Tropicais (Nelson Motta) – Este foi o melhor livro do ano. Pra não dizer “disparado”, ele divide a medalha de ouro com o último livro da lista. Na verdade, é uma auto-biografia do próprio Nelson Motta, mas o pano de fundo é a história da música brasileira. Do início da Bossa Nova (mesma época retratada no “Chega de Saudade”), passando profundamente pela Jovem Guarda, Elis Regina, Festivais da Record, até chegar no Rock 80 e ao Rock In Rio 85. Uma viagem fantástica pela história da MPB. Se alguém aí está procurando um livro leve, divertido, interessante e com conteúdo para ler. Esta é a dica! Ele com certeza vai merecer um texto especial mais pra frente…
Diário Noturno (Gabriel O Pensador) – Para quem ainda não sabe, eu sou um grande fã de Gabriel o Pensador. Até não muito tempo atrás eu era inclusive parte de um fã-clube oficial. E foi através do fã-clube que eu consegui comprar o “Diário Noturno”. É um livro de poesias do Gabriel, escritas desde a infância até os dias atuais, sobre os mais variados assuntos. Alguns são profundos feito uma folha de papel, mas outros são geniais como várias letras dele. Eu admiro muito a forma simples e inteligente que o Gabriel usa para se expressar. Quem não conhece ele além do cantor (que, aliás, anda meio sumido), deveria.. o cara não é “pensante” só no nome.
Beatlemania (Ricardo Pugialli) – Coisa de fã. Um “almanaque” sobre os Beatles. Nenhuma grande novidade, mas mais um documento sobre… hmm.. a beatlemania. Para quem quer conhece-los mais a fundo mas não tem paciência para as 10 horas de vídeo do Anthology ou para o último livro desta lista, é uma boa dica. Beatles, para quem não sabe, é um assunto que eu posso passar semanas falando, com prazer, hehehe…
Almanaque dos Seriados (Paulo Gustavo Pereira) – Bom… pra fãs de seriados este é o livro. Fala de todos, ou de quaaaaaaaase todos, desde o início (1950´s) até os seriados iniciados em 2006. Zilhares de informações sobre atores, atrizes, produções, origens, filmes que saíram de seriados, seriados que saíram de filmes.. tudo! Uma pesquisa respeitável e bastante útil. Um defeito? Falta de organização… está ordenado por década, mas dentro das décadas por assunto. Não informa o ano em que o seriado saiu. Sabe-se, por exemplo, que Friends saiu “nos anos 90″, mas não em que época. Isso dificulta até a pesquisa. Se depois tu quer achar um seriado sobre o qual tu já leu… boa procura!!
The Beatles (Bob Spitz) – Sim, é este. Este é o último livro do ano, terminado às vésperas dos 30, e que divide a medalha de ouro com “Noites Tropicais”. Nem só por ser sobre Beatles, mas por ser realmente fantástico. Quase 900 páginas contando toda a história. Desde a origem dos 4, nos anos 30/40 até o fim da banda em 1970. Esse é pra fã mesmo, e pra fã que gosta muito de ler. Apesar de muito bem escrito, leve e interessante.. 900 páginas são sempre um grande desafio, hehehe… Pra mim, particularmente, valeu a pena! Eu recomendo!
Pois é.. e lá se foi o ano. Quantos serão este ano? Não sei.. tenho uns 4 ou 5 pela metade, e já iniciei mais dois. Um deles eu devo terminar ainda esta semana, mas o outro não sei. E tem mais dois que eu ganhei de aniversário. O certo é que vou terminar de ler estes que estão em aberto antes de comprar ou conseguir mais (ao menos eu estou me esforçando muito para acreditar nisso, hehehe).
Bom.. se é mesmo verdade que se é o que se lê, eu, neste último ano, fui isso aí… ê carinha para ser confuso, né?