Posts de Novembro, 2008

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Aqui hoje…

27/11/2008

É incrível como sempre tem coisa pra encontrar..

Outro dia eu estava lendo uma notícia sobre Paul McCartney, opinião dele sobre baixar músicas na internet e tal. E aí, no meio da reportagem, citava a música que ele escreveu quando Lennon morreu…

Eu pensei.. êpa.. ele escreveu uma música pro Lennon? Depois do fim dos Beatles? Tipo, é claro que eles haviam sido grandes amigos mas o fim do quarteto não havia sido muito amigável e, até onde se sabe, eles nunca mais se falaram nem mesmo cordialmente…

Mas eis que Paul realmente escreveu uma canção para o amigo. “Here Today”, que está no seu álbum “Tug of War”, de 1982. A tradução do nome da canção é “Aqui hoje”, e abaixo eu deixo um vídeo e a letra (original e traduzida).

Uma linda canção… para mim, muito emocionante….

Letra:

Here Today
Paul McCartney

Composição: Paul McCartney

And If I Say I Really Knew You Well
What Would Your Answer Be.
If You Were Here Today.

Ooh- Ooh- Ooh- Here To – Day.

Well Knowing You,
You’d Probably Laugh And Say That We Were Worlds Apart.
If You Were Here Today.
Ooh- Ooh- Ooh- Here To – Day.

But As For Me,
I Still Remember How It Was Before.
And I Am Holding Back The Tears No More.
Ooh- Ooh- Ooh- I Love You, Ooh-

What About The Time We Met,
Well I Suppose That You Could Say That We Were Playing Hard To Get.
Didn’t Understand A Thing.
But We Could Always Sing.

What About The Night We Cried,
Because There Wasn’t Any Reason Left To Keep It All Inside.
Never Understood A Word.
But You Were Always There With A Smile.

And If I Say I Really Loved You
And Was Glad You Came Along.

If You Were Here Today.
Ooh- Ooh- Ooh- For You Were In My Song.
Ooh- Ooh- Ooh- Here To – Day.

Tradução:

Aqui Hoje

E se eu dissesse que realmente te conheci bem,
Qual seria sua resposta,
Se você estivesse aqui hoje?
Ooo -oo-ooo Aqui hoje…

Te conhecendo bem,
Você provavelmente iria rir e dizer que nós éramos de mundos separados,
Se você estivesse aqui hoje.
Ooo- oo – oo Aqui hoje.

Mas pra mim,
Eu continuo lembrando como foi antes.
E não estou mais segurando as lágrimas.
Ooo- oo- oo- Eu te amo…

E sobre quando nos conhecemos,
Bem, eu acho que você diria que nós trabalhamos duro no começo.
Não entendíamos nada,
Mas nós sempre podíamos cantar…

E sobre a noite em que choramos,
Porque não havia razões para manter tudo aquilo…
Nunca entendia uma palavra.
Mas você estava sempre lá com um sorriso…

E se eu disser:”Eu realmente amava você”.
E estava feliz por você vir junto.

Se você estivesse aqui hoje…
Ooo – ooo – oo Por você estar em minha canção.
Oo – ooo – ooo Aqui hoje…

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Amores na Cataluña

22/11/2008

Eu admito. Tenho um certo preconceito contra os filmes do Woody Allen. Pra ser sincero, não lembro nem se eu cheguei a ver um filme todo dele antes. Me lembro de não gostar, antes ou mais que qualquer coisa.

Na época da faculdade, isso era quase um sacrilégio para alguns. Sabe como é, existe um tipo de “comunicólogo” que acha que se tu gosta do “pop” tu não serve. Em compensação, só não gostar do “pop” não é suficiente para estar “in”. Você também tem que gostar do “anti-pop”, o que inclui, é claro, Woody Allen.

Eis que hoje eu estava sem o que fazer, convidei um amigo para dar uma volta e ele sugeriu o último filme do diretor: Vicky Cristina Barcelona. “Ok.. me pegou de bom humor.. vou pela companhia, pelo programa diferente”, pensei.

O filme é sobre as férias de duas amigas – Vicky e Cristina, acima – em Barcelona (e com isso eu não preciso explicar o nome do filme rsrsrs). No jantar da foto elas encontram um pintor espanhol (com quem estão conversando) que as convida, do nada, para passar um final de semana em Oviedo com ele.

Cristina se apaixona pela idéia, mas Vicky, mais racional, reluta. E isso é mostrado de forma tão escancarada que já se vê: “ok.. quem vai se relacionar com o pintor no fim das contas é a Vicky”.

Bom.. sim, mas não, porém sim. Quero dizer. Sim, também é ela quem se relaciona com ele, mas nada é tão simples. E foi aí que o meu preconceito começou a ruir…

O roteiro é muito inteligente. O filme não é ágil (nem precisaria), mas tem um bom ritmo e um roteiro muito bom. Sem contar o texto, as falas e os comentários do narrador, inteligentíssimos. O fino e irônico humor da “sinceridade” espanhola está lá. Além disso, em nenhum momento o filme é previsível como o tempo todo ele parece ser. Deu pra entender?

Até o amigo que estava comigo comentou que numa determinada altura achou que tinha entendido tudo… mas eis que.. tchan!.. algo aconteceu para lembrá-lo que era mais um filme do Woody Allen. Sim, me pegou de surpresa também.

Impossível não falar do elenco. Javier Bardem está impecável na pele do sedutor, despreocupado, apaixonado e complexo pintor espanhol. Contudo, o meu “Oscar” vai para o trio de lindas atrizes que fazem deste filme o que ele é. Scarlet Johansson, a bela e “psicológicamente adolescente” Cristina; Penelope Cruz, a sensual e determinada Maria Elena; e Rebecca Hall, a belíssima, romântica e doce Vicky.

Woody Allen acertou. Na minha opinião, um grande filme. E não com ressalvas, como até eu esperaria. Um bom filme, que certamente está entre os que eu mais gostei este ano. Quero ir mais a fundo na obra do diretor, mas confesso que o preconceito ainda está presente… vamos ver no que vai dar…

De qualquer forma.. eu recomendo!!

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Em busca de Akator

20/11/2008

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Confesso que estava com medo deste filme. Apesar de os três primeiros filmes não serem uma única história com início, meio e fim, hollywood se viciou nessa história de reviver antigas “franquias” o que, convenhamos, é bastante temerário…

Quando o filme estava nos cinemas eu até pensei em ver mas… sei lá. Acabei não indo. Não tinha previsão de ver tão cedo… Aí, outro dia resolvi testar a conexão de internet aqui em casa e baixei. Boas notícias… a conexão é rápida e o filme vale a pena.

A primeira dúvida que eu tinha era a óbvia. Como eles vão tratar um personagem que, antes de tudo, tem vigor físico ? Não falo de força, porque isso nem sempre foi o caso, mas agilidade. Um homem de 60 anos se fazendo passar por garotão? Ou um Indy “chefe” que ficasse apenas dizendo “vai lá pra mim”?

Bom. Nem um nem outro. O filme acerta em não perder tempo tentando explicar como e porque o herói está onde está na vida. Não se perde preciosos minutos revendo a década que o filme “pula” em relação aos anteriores. Ao mesmo tempo, algumas referências fazem as conexões necessárias para que a aventura não se tornasse algo “desconectado”.

Aventura. Essa é a palavra que melhor define os filmes da série Indiana Jones. A história é sempre ágil, passando por lugares desconhecidos, civilizações, mistérios, lendas. Um humor leve, sarcástico e inteligente (presente no “RCC” e inesquecível na cena final de “A Última Cruzada”). É claro que tem a sua dose de exagero, tanto nas “lendas” quanto nas “licenças geográficas”.. ainda assim, muito bom!!

Não dá pra não falar também do Harrison Ford. O ex-carpinteiro que surgiu para o estrelato ao interpretar o mercenário Han Solo da série Guerra nas Estrelas, e que estourou na pele do arqueólogo (Este papel, aliás, era para ter sido de Tom Selleck, que interpretava o herói Magnum na série de TV na época do primeiro filme). Ford está muito bem na pele do aventureiro, segurando o filme como se tivesse feito isso durante os últimos 20 anos.

Merece destaque também a atuação de Cate Blanchett como a vilã russa Irina Spalko e a observação de que os inimigos do Indy mudaram dos nazistas dos primeiros filmes para os russos (já que o filme novo se passa em 1957, em plena Guerra Fria).

Para quem gosta, o filme também vale a pena por tratar de lendas e histórias da América Latina. Uma parte do filme se passa na região amazônica e nas Cataratas do Iguaçú.

Por fim.. teremos mais uma aventura com um dr. Henry Jones como protagonista? Aposto que sim…

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E lembrei de você…

17/11/2008

Entre 1998 e 2000 eu passei as “férias de julho” em São Paulo. Lá, além de reencontrar velhos amigos, nasceram algumas amizades que o tempo só fez fortalecer. Dessas amigas, uma das mais importantes é a Lígia, para quem um dia (e depois de muita insistência, hehehe), em 2002, eu escrevi o texto que vou reproduzir aqui.

É interessante ver, em algumas partes do texto, como eu me sentia naquela época. No geral, este texto fala de uma amiga que, como tantas(os) outras(os) – e em 2008 mais do que naquela época – me faz sentir bem, sentir forte, mesmo quando física ou geograficamente eu estou sozinho.

Acho que este texto é uma bela definição de amizade, além de ser uma sincera homenagem a alguém muito especial.

E lembrei de você

Hoje eu estava no trabalho, e lembrei de você. Nenhum motivo especial, eu simplesmente lembrei, por que lembro dos meus amigos. Eu sei que você sabe, mas meus amigos são a coisa mais importante que eu tenho, e você é um dos meus melhores, e maiores, amigos.

E lembrei de você...
Ontem eu estava na faculdade, e lembrei de você. A gente estava falando sobre cinema, e sobre como a vida imita a arte. Como às vezes, na vida real, as coisas não têm explicação. Ao contrário, quando vamos ao cinema tudo tem que ser “verossímil”. Mas se a vida nem sempre é verossímil, por que exigir isto do cinema? Não sei… O que eu sei é que a nossa amizade, geograficamente muito distanciada, e mesmo assim, tão forte, é uma daquelas coisas que não daria certo no cinema. Ninguém ia acreditar mesmo.

Domingo passado eu estava em casa, e lembrei de você. Lembrei por que o meu time venceu o seu. E não para pensar que somos melhores (como realmente somos, hehe), mas porque eu gosto de pensar que, quando nossas equipes jogam, ainda que num nível de abstração muito grande, estamos mais próximos. Mesmo sabendo que você não acompanha futebol como eu, e talvez nem soubesse do jogo, eu sinto isso.

Em julho eu tive uma decepção, e lembrei de você. Minhas férias foram boas, mas não posso dizer que tenham sido perfeitas. Quase no final do mês eu descobri coisas que me decepcionaram, vindo de outra amiga que eu considero muito. Lembrei de você por acreditar que não farias isto comigo. Aliás, lembrei também por que, se os teus planos tivessem dado certo, talvez as minhas férias tivessem sido ao seu lado.

Outro dia eu fui ao cinema, e… Adivinhe? Lembrei de você. Lembrei, é claro, porque, uma vez, nós fomos juntos ao cinema. Mas mais do que isso, lembrei da paz que eu senti naquele dia, e de como este dia foi marcante para mim, e para a nossa amizade.

Há um tempo atrás eu encontrei um amigo, e lembrei de você. Era um amigo de muito tempo, de muitos anos. O conheci ainda criança, lá pelos 6 anos… Foi estranho, mas um dia eu falei sobre ele para meus colegas da faculdade, e nada menos que no outro dia, ele reapareceu. Você não acha que isto é uma incrível coincidência? Pois eu não acho… Não existem coincidências… E foi isto que me fez lembrar de você.

Quando eu estou mal, me sentindo “o errado”, “o feio”, “o malquisto”, eu me lembro de você. Lembro porque cada vez que eu te procuro, seja da maneira que for, a resposta é sempre maravilhosa. É incrível como você, com o seu jeitinho todo tímido, outrora inocente, consegue me fazer sentir bem, sentir importante, sentir amado. Uma vez você me disse que, conversando com alguém (não me recordo quem), você falou de mim, enumerando seus amigos de verdade. Sério, você não sabe o quanto isto me orgulha, e nem o quanto lembrar disso, me faz sentir bem.

Amanhã eu vou olhar para o céu, e vou lembrar de você. Por que para mim, a nossa amizade é como o sol. Por mais nublado que esteja o dia, por mais escura que seja à noite, ainda que não possamos vê-lo, sabemos que ele está lá. E sabemos que ele está lá, ainda que não tenha noção disso, porque precisamos dele. E sabemos que não importa o quão escura e perigosa for à noite, ele voltará para nos salvar, e nos salvará como se isso fosse a coisa mais simples do mundo, sem pedir nada em troca.

Amizade para mim é isso. É estar perto estando longe, é lembrar sem motivo, ou por todos os motivos. Amigo, não é aquele que está aí para fazer festa, mas aquele que está aí. Eu não quero ter 500 “conhecidos”, eu quero ter 10 amigos. Se cada amigo me custasse 50 conhecidos, eu rezo para que os 50 que eu tive que “pagar” para ter a tua amizade estejam bem, onde estiverem…

Eu estava pensando em mim, e lembrei de você…

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O poeta e a cidade (III)

15/11/2008

Continuando a história iniciada aqui….

Perto do fim da manhã, Quintana decide desviar o rumo e subir a rua da ladeira em direção à Catedral. Ao começar a subida, o poeta ri novamente ao ler a placa de identificação da rua: “General Câmara”. Outro nome oficial que quase ninguém lembra. Essa rua inclinada é, desde o início da colonização a “rua da ladeira”. “Por que se incomodar dando outro nome a ela?”, ele se pergunta.

Ao fim da subida, a imponente Praça Marechal Deodoro, outrora chamada “da Matriz”, com seu grande monumento em homenagem ao primeiro presidente da então província do Rio Grande do Sul, Julio de Castilhos. “Este é um lugar indispensável para os amantes de Porto Alegre”, pensa Quintana. O poeta lembra que, ainda que poucos saibam, o próprio Marechal Deodoro da Fonseca foi presidente da província no final do Império.


Clique na imagem para vê-la maior

Ao redor da praça, ele observa a Catedral Metropolitana, no alto do morro, ainda hoje visível de muito longe. Ao seu lado, o Palácio Piratini, sede do governo estadual. Na rua transversal, ainda circundando a praça, o Palácio Farroupilha, sede do parlamento gaúcho. De frente para a Igreja, o famoso Theatro São Pedro. Um lindo prédio barroco que, se não é o maior, continua sendo um dos principais palcos culturais do Rio Grande do Sul.

É hora do almoço. Quintana desce a mesma ladeira. Segue à direita, caminhando pelo “calçadão”. Quase chegando na avenida Borges de Medeiros e, portanto, ao Mercado Público. O passeio continua…

Leia também
O poeta e a cidade (I)
O poeta e a cidade (II)
O poeta e a cidade (IV)
O poeta e a cidade (V)
O poeta e a cidade (fim)
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“A vida como ela é”, por Biff Tannen

13/11/2008

Às vezes, quando eu digo que sou jornalista, algumas pessoas já olham pra mim e me fazem perguntas como se eu fosse amigo de infância de todos os jornalistas do mundo e soubesse tudo o que acontece em todos os lugares e o porquê de todas as coisas. Bem.. “nem sempre” é assim…

Da mesma forma, outro dia eu estava conversando com um amigo sobre “atores de um personagem só”. Citávamos, naquele caso, o ator Hugh Laurie, que vem fazendo um papel tão marcante como o protagonista do seriado “House” que, na opinião deste meu amigo, dificilmente conseguirá outros papéis depois.

Eu particularmente acho isso meio relativo. É claro que existem dezenas de exemplos de atores que ficaram tão marcados por um personagem que, por mais talentosos que fossem, jamais atingiram o mesmo sucesso ou respeito público em outros papéis. Destes, o maior exemplo talvez seja Christopher Reeve, o eterno Superman. Existem, contudo, atores que fizeram muito sucesso em séries e que depois despontaram (ou renasceram) para o cinema. O caso mais recente que eu lembro desses é o de Kiefer “24 horas” Sutherland.

Mas existem sim os casos de atores que ficam de tal forma marcados por um personagem que nunca – ou apenas muito tempo depois – conseguem se livrar dele. Um ator que eu particularmente gosto muito mas que andava sumido desde 1989 era Thomas Wilson. Para quem não sabe, ele fez o papel dos vilões da trilogia De Volta para o Futuro. Ele era o Biff Tannen e seus parentes (Griff e Mad Dog).

O que eu descobri recentemente é que o Thomas Wilson está ativo nos EUA. Afastado do cinema desde meados dos anos 1990, ele tem feito shows pelo país com stand-up comedy. No mais recente, ele termina a apresentação brincando exatamente com a forma como as pessoas pensam que a vida de um ator de cinema é, e acaba tirando onda com o fato de ele ser eternamente lembrado pelos Tannen.

Em tempo: De Volta para o Futuro: Michael J. Fox – Marty Mcfly / Crispin Glover – George Mcfly / key grip, best boy e Produtor são pessoas da equipe do filme / Adam Sandler e Gerry Bucci não estão na trilogia. E eu sou muito favorável ao que ele diz sobre “De Volta para o Futuro IV”!!!

Vi no Kibeloco

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All you need is love

09/11/2008

Certamente todo mundo conhece esta música. Existe uma pequena chance de alguém não saber que ela também é dos Beatles… uma chance um pouco maior de alguém não saber em que condições ela foi escrita…
e uma boa chance de nenhum outro desocupado ter parado pra pensar sobre a letra…

Bom.. pra começar, “All you need is love” é uma frase fácil de traduzir. “Tudo o que se precisa é amor”. Esta, aliás, era a idéia do John Lennon quando compôs a canção. Ela foi feita sob encomenda para um show televisivo para o qual os Beatles foram convidados. O que este show tinha de especial? Foi a primeira transmissão ao vivo internacional da história. Pela primeira vez Estados Unidos, Europa e Ásia podiam assistir ao mesmo programa ao mesmo tempo.

E o que mais? Bom… o ano era 1967 e os Beatles já começavam a caminhar para o fim. Eles já não faziam mais shows ao vivo há cerca de 2 anos, Yoko Ono já tinha chegado e Brian Epstein morreria cerca de um mês depois do show. Por diversas razões, o clima entre os quatro já não era dos melhores.. Tanto que essa letra foi escrita por Lennon, mas Paul escreveu outra canção, que nunca foi gravada. Outro detalhe: eles não tocavam ao vivo desde 1965, e tiveram que ensaira MUITO… sim, desde o último show em São Francisco eles estavam apenas gravando discos, e aí errar e refazer é perfeitamente possível.. Contudo, na primeira transmissão ao vivo via satélite errar não ia ser muito aconselhável..

Como a transmissão seria internacional, a “encomenda” pedia uma canção que pudesse ser compreendida por todos os povos. O resultado disso, no caso dos Beatles, foi uma mensagem simples, universal e de linguagem bastante acessível também.

Não é necessário ter inglês fluente para entender grande parte da letra e, principalmente, a mensagem (que está explícita no título, aliás). De qualquer forma.. vamos ver algumas coisas…

Na primeira estrofe:

There’s nothing you can do that can’t be done
Nothing you can sing that can’t be sung
Nothing you can say, but you can learn how the play the game
It’s easy

Para mim, a mensagem é sobre o quanto devemos nos preocupar com as coisas.. Às vezes a gente procura diversas formas resolver coisas que não tem outra solução se não uma determinada atitude. Acreditando que vai encontrar uma nova forma, um novo caminho, uma nova e revolucionária saída.. E por isso a música diz:

“Não ha nada que se possa fazer que não possa ser feito, que se possa cantar e não possa ser cantado, que se possa dizer, mas se pode aprender a “jogar o jogo” “. Talvez agora soe como algo do tipo “desista, não tem jeito…” mas, pra mim, é ao contrário.. é algo no sentido de “aceite seus limites e descubra que pode ser muito feliz com eles”. O “jogar o jogo” da terceira frase, pra mim, é isso. Não é se submeter.. é apenas entender que a vida vai encontrar outro meio.. tudo vai dar certo… basta ser você mesmo e ter amor!

Seguindo a música…

There’s nothing you can make that can’t be made
No one you can save that can’t be saved
Nothing you can do, but you can learn how to be you in time
It’s easy

Nessa estrofe, eu destaco o segundo verso: “Ninguém que você possa salvar que não possa ser salvo”. Isso serve para aqueles momentos em que um amigo está com algum problema e você tem vontade de fazer de TUDO para ajudá-lo… Amizade é isso, claro.. mas amizade também é respeitar o espaço do outro e o seu próprio espaço. Às vezes nos intrometemos nos problemas dos outros com a melhor das intenções… só que, na maioria das vezes, não é a nossa vida que vai sofrer as conseqüências.. A questão é delicada e subjetiva, mas a idéia seria, mais uma vez, fazer o possível e deixar a vida se encarregar do resto…

E a última estrofe…

There’s nothing you can know that isn’t known
Nothing you can see that isn’t shown
Nowhere you can be that isn’t where you’re meant to be
It’s easy

Destaque da penúltima frase: “Nenhum lugar onde você possa estar que não seja onde você devesse estar”.

A vida é feita de escolhas. Boas, ruins, certas ou erradas. A nossa situação hoje, em todos os aspectos, é resultado das nossas próprias escolhas. Existem lugares, momentos, situações em que gostaríamos de estar, com certeza. Contudo, estamos “aqui” e só sairemos “daqui” quando começarmos a nos mexer de verdade pra isso. Até prova em contrário, “aqui” é o lugar onde deveríamos estar.

Não está satisfeito? Mexa-se! Mexa-se sabendo que não vai ser pra amanhã que as coisas vão melhorar… mas se você não começar hoje, nunca vai sair “daqui”.

Um detalhe. O “amor” de que a música fala não é nenhum amor específico.. é amor no sentido da auto-estima, do querer bem ao mundo… de simplesmente amar!

Enfim. A mensagem da música, pra mim, é essa: Faça o seu melhor sempre… mas saiba que somos todos humanos e errar faz parte. No fundo, no fundo… tudo o que se precisa é amor!


A primeira gravação transmitida
internacionalmente via satélite da história

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Você é o que você lê

03/11/2008

É verdade que essa é uma das frases mais batidas de todas, mas também é verdade que ela é absolutamente correta.

Ler é fundamental. Alguma coisa.. revistinha, revista, quadrinhos, jornal, panfleto, cartas. Acima de tudo, ler.

Primeiro, por que abre a cabeça. Por mais inocente e inútil que pareça o texto, é contato com culturas, formas de pensar, pontos de vista sobre os mais diferentes assuntos. Ainda que ter uma única fonte de informação não seja o mais indicado, ter uma fonte de informação já ajuda bastante.

Outra razão pela qual ler é tão importante é para aprender a se expressar. Não precisa aprender a escrever de forma rebuscada, nem falar de maneira formal. Não é isso. Apenas que, quem lê talvez até nem perceba, mas aprende a se expressar. Quanto mais se lê, melhor se aprende a organizar as idéias para expressá-las, ganha-se vocabulário e cultura geral. Não sei se pra todos.. mas, no meu caso, até a auto-estima melhora quando eu estou lendo alguma coisa.

Há 2 anos eu resolvi fazer um teste. Criei uma lista dos livros que eu li desde o meu aniversário de 2006. Antes do meu aniversário de 2007 eu perdi este arquivo.. não lembro quantos eu tinha lido. Contudo, no meu aniversário do ano passado eu recomecei a contagem, e consegui completa-la no dia 28 de outubro de 2008.

Dezessete livros em 12 meses. Todos lidos do início ao fim entre os dias 28 de outubro de 2007 e 28 de outubro de 2008. Se a gente é o que a gente lê… dá pra ter uma idéia do que eu sou a partir da lista abaixo…

1808 (Laurentino Gomes) – Um grande livro. Li ainda em 2007, mas foi no início da onda revisionista que foi moda até meados deste ano graças ao bicentenário da chegada da família real ao Brasil. Indico para todos os interessados. Leitura leve, muito interessante, nos mostra um Brasil em formação. Os 14 anos entre a chegada da família real e a independência foram, sem dúvida, fundamentais para a identidade nacional brasileira. O início do breve império brasileiro e o nascimento da idéia de “brasileiro” são o pano de fundo da aventura de Dom João VI pelas terras tupiniquins. A interpretação que Laurentino faz do então imperador português, diferente da imagem medrosa e desajeitada que se tem também é muito interessante.

Volta ao mundo em 80 dias (Julio Verne) – Eu, particularmente, sou fã do escritor francês. Já tinha lido “Da Terra à Lua”, também muito bom. No “volta ao mundo”, o personagem principal faz uma aposta de que dará a volta no planeta em 80 dias numa época em que não havia, por exemplo, aviões comerciais. Balão, trem, navio, carona.. pra tudo dá-se um jeito. Sei que há filmes baseados neste livro, e que talvez hoje – com aviões que dão a volta em poucos dias – a história perca um pouco do sentido. Mesmo assim, acho que poderia ser um ótimo roteiro para um filme moderno… muito bom!!

Viagem ao centro da Terra (Julio Verne) – Este, também do mesmo escritor, está nos cinemas em cópias 3D. Ainda não vi, mas deve ser muito bom! A história, em graaaaaaaande parte fantasiosa, é uma grande aventura que poucos autores saberiam contar como Verne. Uma viagem.. ao centro da Terra (dã!).

Furacão Elis (Regina Echeverria)- Este eu comprei na Feira do Livro de Porto Alegre do ano passado. Em formato “Almanaque” (como está em moda) conta a história de Elis Regina, da infância no IAPI em Porto Alegre à morte por overdose acidental. Eu sempre adorei Elis, mas não a conheci viva e nem a conhecia profundamente. Uma história de garra, sorte e muito talento.

Tim Maia (Nelson Motta) – Até então, o melhor livro do ano. Uma senhora biografia, da qual eu já falei aqui. Simplesmente fantástica!

Chega de Saudade (Ruy Castro) – A história da Bossa Nova. Basicamente, uma biografia de João Gilberto. O livro vai muuuuito bem até a metade, quando chega ao “fim” da Bossa Nova. Depois, se perde um pouco em considerações sobre o que foi e o que poderia ter sido… Ruy Castro é um grande biógrafo, mas este livro não se compara com os suas outras obras “Estrela Solitária” (sobre Garrincha) e “O Anjo Pornográfico” (sobre Nelson Rodrigues).

Ninguém escreve ao Coronel (Gabriel Garcia Marquez) – Um achado! Encontrei este livro, por 10 reais, num sebo em Porto Alegre. Do Garcia Marquez eu já tinha lido “Viver para contar” e “Crônica de uma morte anunciada”, além de uma biografia escrita pelo jornalista colombiano (e conterrâneo do escritor) Dasso Saldivar. Um dos meus traumas literários é já ter começado várias vezes mas nunca ter conseguido terminar de ler “Cem anos de solidão”… mas um dia eu chego lá…
Em “El coronel no tiene quien le escriba” (título original), o escritor conta a história do seu próprio avô, herói de uma guerra civil colombiana, que passou décadas – em vão – esperando uma carta do governo colombiano com a recompensa pelos serviços prestados à nação. Um livro curto, mas emocionante, e que se torna ainda melhor quando se conhece a história real.

O nascimento da imprensa brasileira (Isabel Lustosa) – Esse foi “o jornalista” quem leu. Tem a ver com o “1808″, pois fala do desenvolvimento – e do nascimento – da imprensa brasileira durante os anos de Dom João VI no Brasil, e de como ela auxiliou na proclamação da independência. Se por um lado é certo que ela não tinha a mesma influência que tem hoje, também é verdade que ela já era um importante propagador de idéias naquela época. E a importância disso para o sucesso de uma idéia como o desligamento Brasil-Portugal depois de 400 anos também é inegável.

Loureiro da Silva (Carlito de Grandi) – Biografia de um dos grandes prefeitos de Porto Alegre. Eu sempre ouvia falar nele, mas não sabia exatamente o que ele tinha de tão especial. Bom, algumas das principais avenidas da Porto Alegre dos primeiros anos do século XXI são fruto de idéias de Loureiro que então pareciam devaneios. Ou ainda, algumas características da geografia da cidade que hoje parecem ter estado ali sempre (como a Avenida Ipiranga) foram iniciativas de um homem que redesenhou a cidade e, acertadamente, a preparou para o futuro. Pena que desde que ele deixou o poder pela segunda vez (nos anos 1960) nenhum outro prefeito tenha tido a mesma preocupação…

Flores da Cunha (Lauro Schirmer) – Este é, de certa forma, o outro lado da moeda. Quando se lê sobre Getúlio Vargas, Flores da Cunha é uma das encarnações do mal. Entretanto, a importância de Flores para a ascenção do próprio Vargas, se não foi fundamental, foi decisiva. Flores foi muito mais do que isso, mas ao mesmo tempo que foi um dos artífices do Golpe de 30, cortou relações com Vargas quando o Estado Novo se avizinhava, poucos anos depois. É claro que ele não era exatamente… hmm.. flor… que se cheire (com desculpas pelo trocadilho infâme), mas Getúlio, indubitavelmente, também não. Apesar de Schirmer ter a mania de transformar seus biografados em heróis incontestáveis, com parcimônia e crítica, o livro vale muito a pena.

História Ilustrada do Rio Grande do Sul – Fechando a série “Gaúcho com orgulho”, um livro/enciclopédia que conta a história gaúcha desde a pré-história (sim, literalmente) até a morte do Brizola. Anos atrás ela foi um colecionável da Zero Hora, mas eu comprei já em formato livro. Pra quem gosta de história, muito bom. Desde as guerras luso-espanholas pela posse do Continente de São Pedro, passando pelas origens da Revolução Farroupilha, a própria Revolução, o fim do Império, depois o positivismo de Julio de Castilhos e Borges de Medeiros, Getúlio Vargas (que Borges apoiou por acreditar que ele “sumiria” do cenário nacional ao perder a eleição de 30) até a ditadura dos anos 60 e Brizola. Eu já disse isso de outros livros, mas este vale muito a pena!

Toda Mafalda (Quino) – Pausa para rir um pouco. Na minha opinião, a pequena menina argentina é um dos melhores personagens de quadrinhos de todo o mundo. Inteligente, irônica, bastante politizada e sempre caricata em relação à Argentina, e por que não, a toda a América Latina dos anos 70/80. Este livro tem todas as tiras produzidas. Quem conhece, sabe. Quem não conhece, procure conhecer, ou fale comigo que eu apresento, hehehe…

Noites Tropicais (Nelson Motta) – Este foi o melhor livro do ano. Pra não dizer “disparado”, ele divide a medalha de ouro com o último livro da lista. Na verdade, é uma auto-biografia do próprio Nelson Motta, mas o pano de fundo é a história da música brasileira. Do início da Bossa Nova (mesma época retratada no “Chega de Saudade”), passando profundamente pela Jovem Guarda, Elis Regina, Festivais da Record, até chegar no Rock 80 e ao Rock In Rio 85. Uma viagem fantástica pela história da MPB. Se alguém aí está procurando um livro leve, divertido, interessante e com conteúdo para ler. Esta é a dica! Ele com certeza vai merecer um texto especial mais pra frente…

Diário Noturno (Gabriel O Pensador) – Para quem ainda não sabe, eu sou um grande fã de Gabriel o Pensador. Até não muito tempo atrás eu era inclusive parte de um fã-clube oficial. E foi através do fã-clube que eu consegui comprar o “Diário Noturno”. É um livro de poesias do Gabriel, escritas desde a infância até os dias atuais, sobre os mais variados assuntos. Alguns são profundos feito uma folha de papel, mas outros são geniais como várias letras dele. Eu admiro muito a forma simples e inteligente que o Gabriel usa para se expressar. Quem não conhece ele além do cantor (que, aliás, anda meio sumido), deveria.. o cara não é “pensante” só no nome.

Beatlemania (Ricardo Pugialli) – Coisa de fã. Um “almanaque” sobre os Beatles. Nenhuma grande novidade, mas mais um documento sobre… hmm.. a beatlemania. Para quem quer conhece-los mais a fundo mas não tem paciência para as 10 horas de vídeo do Anthology ou para o último livro desta lista, é uma boa dica. Beatles, para quem não sabe, é um assunto que eu posso passar semanas falando, com prazer, hehehe…

Almanaque dos Seriados (Paulo Gustavo Pereira) – Bom… pra fãs de seriados este é o livro. Fala de todos, ou de quaaaaaaaase todos, desde o início (1950´s) até os seriados iniciados em 2006. Zilhares de informações sobre atores, atrizes, produções, origens, filmes que saíram de seriados, seriados que saíram de filmes.. tudo! Uma pesquisa respeitável e bastante útil. Um defeito? Falta de organização… está ordenado por década, mas dentro das décadas por assunto. Não informa o ano em que o seriado saiu. Sabe-se, por exemplo, que Friends saiu “nos anos 90″, mas não em que época. Isso dificulta até a pesquisa. Se depois tu quer achar um seriado sobre o qual tu já leu… boa procura!!

The Beatles (Bob Spitz) – Sim, é este. Este é o último livro do ano, terminado às vésperas dos 30, e que divide a medalha de ouro com “Noites Tropicais”. Nem só por ser sobre Beatles, mas por ser realmente fantástico. Quase 900 páginas contando toda a história. Desde a origem dos 4, nos anos 30/40 até o fim da banda em 1970. Esse é pra fã mesmo, e pra fã que gosta muito de ler. Apesar de muito bem escrito, leve e interessante.. 900 páginas são sempre um grande desafio, hehehe… Pra mim, particularmente, valeu a pena! Eu recomendo!

Pois é.. e lá se foi o ano. Quantos serão este ano? Não sei.. tenho uns 4 ou 5 pela metade, e já iniciei mais dois. Um deles eu devo terminar ainda esta semana, mas o outro não sei. E tem mais dois que eu ganhei de aniversário. O certo é que vou terminar de ler estes que estão em aberto antes de comprar ou conseguir mais (ao menos eu estou me esforçando muito para acreditar nisso, hehehe).

Bom.. se é mesmo verdade que se é o que se lê, eu, neste último ano, fui isso aí… ê carinha para ser confuso, né?