Posts de Setembro, 2008

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Em terra de cego…

27/09/2008

Confesso que não sabia o que esperar quando fui ver este filme.

“Fernando Meirelles??” Hmmm… é, tem filmes bons e outros nem tanto.

“José Saramago?” Ah, o primeiro escritor de língua portuguesa vencedor do Nobel de Literatura… é…

Bom, se isso fosse garantia de alguma coisa… mas o pouco que eu já li dele não depõe muito a favor não.. Aliás, o próprio “Ensaio sobre a cegueira” é um livro que eu já comecei um par de vezes e.. trava..

Aliás.. isso também depunha contra o filme.. o texto dele é, na minha opinião, ruim, muito ruim…

Mas porém, contudo, entretanto, todavia… entre as estréias que estão em cartaz, foi a primeira que eu lembrei. Procurei me despir de preconceitos e fui…

Muito bom!! Denso, dramático, humano, psicológico. Não é o tipo de filme que agrade todo mundo, com certeza não. A história básica é que, num determinado dia, numa cidade qualquer (filmada em São Paulo, no caso, mas isso não é citado no filme) um homem fica cego no meio do trânsito, enquanto estava no sinal vermelho. Ele vai ao oftalmologista (Mark Ruffalo), que não diagnostica nada, e estranha ele afirmar que enxerga tudo branco, já que a cegueira é falta de luz, ou seja, preta.

A “doença”, se é que se pode chamar assim, atinge outras pessoas, incluindo o próprio oftalmologista. Por medida de segurança, o governo interna todos os pacientes da doença num sanatório. Dezenas deles. Com exceção da esposa do oftalmologista (Juliane Moore, que se diz cega para acompanhar o marido, mas não foi infectada), pessoas que nunca se viram antes (e, aliás, nem estavam se vendo).

Sem relógio, sem trabalho, sem compromissos, e sem ninguém conhecido, o manicômio acaba reduzindo os persongens à luta pela sobrevivência. Tudo, no final das contas, se dedica a conseguir comida. Quase TUDO vira moeda de troca.

E nessa mudança do racional para o instintivo que o filme se torna pesado e psicológico. A mudança de conceitos e, apesar do trocadilho infâme, de formas de enxergar o mundo.

Não importa dizer aqui como o filme acaba. Vale dizer que para quem gosta de drama, de filmes que fazem pensar, é uma ótima opção. Eu até penso em ler o livro do Saramago agora, para ver se o filme lhe é fiel.

Falando no livro… dei uma olhada nele quando cheguei em casa. Na apresentação diz que “cada leitor viverá uma experiência imaginativa única”.  E isso também vale para o filme!

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Fui tomar juízo, só tinha vodka!!

19/09/2008

E eis que chegamos ao post de número 200!!!

É… lá se vão mais de 5 anos desde que, em 2003, eu decidi fazer um blog. Ninguém fazia blog naquela época, muitos surgiram, se foram, voltaram… e alguns que surgiram depois estão muito mais ativos que este.

Bom… tudo bem, mas o meu é este aqui. Este é o meu espaço, onde eu me expresso ou não. Uma grande amiga minha, aliás, diz que a gente não se expressa nos blogs, mas expressamos alguém que queremos parecer. Talvez sim… mas certamente este alguém é reflexo de quem se é naquele momento. Pelo menos no meu caso, sim…

Outro dia eu parei pra dar uma olhada geral nos textos que eu já publiquei até aqui… E dá pra ver muita coisa, muitos momentos da minha vida. Nos primeiros, por exemplo, eu ainda era estudante de jornalismo. Depois, veio post ao qual eu me refiro como a “independência” (foi no dia que eu larguei um “trabalho”).. depois, o tempo em Joinville.. impressões, muitos textos intimistas.. alguns bem humorados… E agora essa fase de volta a Porto Alegre… Não sei se é assim para quem lê, mas eu vejo as mudanças que eu passei neste tempo espelhadas no blog.

Enfim… eu acho que estou muito diferente de 5 anos atrás, e o blog, se não serve pra demonstrar, serve para ilustrar isto.

Como foram estes 5 anos? No início.. o blog se chamava “Jack Daniel´s Weird and Magic World”… o estranho e mágico mundo de Jack Daniel´s. O por que do apelido “Jack Daniel´s”, aliás, já foi assunto de post e voltará a ser em breve…

Depois criei o nome “Impressão Digital” porque queria que fosse sobre tudo.. as minhas impressões, neste meio digital. Mais tarde, questão de um ano atrás, saí do blogspot e vim para o WordPress. E como estamos até aqui? Bom… entre 200 textos, os 20 mais lidos são os seguintes:

Dia 18 de setembro de 2008:
O Brasil e a lei seca (511 visitas)
O Pre(f)terido de Dom Pedro II (344)
O Rio de Janeiro continua lindo… (294)
O incrível Huck (276)
Um garoto bonito… (266)
Um outro Jack Daniel… (244)
Sorte na vida (230)
Uma moeda “sem valor” (181)
Ligar os pontos (150)
Comunicação é a nossa vida… (136)
Uma linda mulher (119)
As histórias de Zé Cavaleiro (117)
Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou. (109)
Meu nome é Fábio Jacques (102)
And the Oscar goes to… (99)
Uma brasileirinha (88 )
A importância de ter opinião (88 )
A banda do clube dos corações solitários… (84)
Vou me embora para Pasárgada… (81)
E se Deus fosse um de nós? (75)

Algumas curiosidades sobre o “Top 20″:

- O mais lido, incrivelmente, é um dos mais recentes. Escrito em 4 de julho de 2008, sobre a “Lei Seca” imposta no Brasil. Um tipo de texto – opinativo e dissertativo – que foi “clássico” numa certa fase do blog, mas que hoje já é mais raro.. muito bom, sem dúvida!!

- O segundo mais lido é sobre um romance histórico, que fala do fim do Império brasileiro (1880´s). Ótimo livro, pouco falado mas que vale a pena ler.

- Muita música nos mais lidos. Beatles, John Lennon, Zeca Baleiro, Gabriel O Pensador e até Joan Osbourne

- Algumas homenagens também aparecem. Ao meu pai, a uma grande amiga, à atleta Daiane dos Santos (esta, à época, merecia)….

- Televisão: Luciano Huck, Oscar e a campanha dos 50 anos da RBS.

- Por fim, como não poderia faltar… puros devaneios… Pasárgada, Steve Jobs, sorte e, é claro.. o Jack Daniel´s genérico

Vamos em frente… ainda temos mais 4 capítulos do conto do Quintana e mais algumas idéias…

Aproveitarei para pedir aos meus leitores, amigos ou desconhecidos, que comentem!! É importante, revigorante e animador receber comentários, do mais simples ao mais nada a ver. É legal ver pelas estatísticas que o blog está, dentro dos seus parâmetros, sendo bastante lido, mas é muito melhor receber comentários! Nem que seja só para registrar a visita ou dizer que não tem nada pra dizer, hehehe…

E agora sim, voltamos à nossa programação normal.. rumo ao 300!!

Update!!!
1°) Agradecimentos especiais ao grande irmão, parceiro e amigo LFCorullón por este e diversos logos produzidos especialmente para o “ID”

2°) O nome do texto tem mais a ver com o momento que eu estou vivendo do que com o próprio, mas tá valendo.. talvez eu fale mais sobre isso mais pra frente…

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O poeta e a cidade (II)

06/09/2008

Naquele dia, mais do que observar os pássaros, as pessoas, e os locais, o poeta queria reparar a arquitetura e lembrar o tempo e a história daqueles lugares. Na saída do hotel, caminhou pela hoje chamada “Travessa dos Cataventos”, que tem este nome em homenagem a um de seus livros mais famosos. Ao chegar na esquina com a Rua da Praia, o poeta pára e sorri.

“Rua dos Andradas”, ele pensa. Este é o nome desta via. É chamada de “da Praia” pois, num tempo muito, mas muito anterior, o Rio Guaíba chegava até aqui. Ainda na esquina, Quintana olha para trás e, olhando ao fundo da “Travessa dos Cataventos”, vê o muro da Mauá, que tristemente ainda separa a cidade e seu rio.

Dobrando à esquerda, resolve caminhar pela Rua da Praia em direção ao Mercado Público. A poucas quadras de casa, o primeiro reencontro. O prédio do hoje centenário jornal Correio do Povo. Fundado por Caldas Júnior, ainda no século 19. É o mais antigo dos jornais em circulação na cidade, e onde ele próprio já trabalhou.

Ao olhar para o outro lado da rua, Quintana se espanta. Se o Correio do Povo é antigo, não é mais do que o seu vizinho. Do outro lado da Rua da Praia ficava a redação do jornal “A Federação”, ativo ainda no tempo do Império. O periódico correu a cidade de 1884 a 1937, e foi importante na luta pela república e, é claro, pela federação. Hoje museu, abriga máquinas e edições antigas do próprio e de diversos outros jornais que, ao seu modo, também contam a história da cidade e do país.

Um pouco mais à frente, o poeta vê a Praça da Alfândega, onde desde 1955 acontece, naquela época do ano, a tradicional Feira do Livro de Porto Alegre e, da qual, o próprio é um de seus eternos destaques.

Ele resolve sentar para admirar aquele que é um dos cenários mais porto-alegrenses de todos. Na companhia de Carlos Drummond de Andrade, contempla a cidade que tanto ama. Mais tarde continuará o passeio…

Leia também
O poeta e a cidade (I)
O poeta e a cidade (III)
O poeta e a cidade (IV)
O poeta e a cidade (V)
O poeta e a cidade (fim)
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O amanhã nunca sabe

03/09/2008


Há praticamente um ano eu falei sobre o filme “Across the Universe” que estava sendo lançado. Naquele texto eu comentava baseado no que tinha lido, e nas poucas cenas que tinha visto na internet.

Hoje, entretanto, vim para falar do filme depois de tê-lo visto incontáveis vezes. Sen-sa-cio-nal.

Começa pelo nome do filme.. “Across the Universe” ou, em português, “Através do universo”. Podemos dizer que ele se refere, claro, ao nome da belíssima música dos Beatles do disco Let it Be. Por outro lado o “universo”, no caso, pode ter vários sentidos. Pode ser, claro, o universo beatlemaníaco – ao qual o roteiro tem esta e outras incontáveis referências – ou, acredito que seria mais preciso, os anos 1960, pois o filme viaja através desta década e dos seus efeitos na sociedade e na cultura norte-americana e, por que não, mundial.

Nas primeiras cenas do filme nós somos apresentados ao despojado e determinado estivador inglês Jude (Jim Sturgess) e à linda, doce e americana Lucy (Evan Rachel Wood). Enquanto ela dança num dos tradicionais bailes de formatura dos anos 50 na América, ele curte um incipiente rock´n roll num lugar que imita o Cavern Club (onde os Beatles começaram a fazer sucesso).

Jude resolve ir para os Estados Unidos atrás do pai, que era um militar americano e engravidou sua mãe durante a 2a Guerra Mundial. Lá ele acaba encontrando Max, irmão de Lucy, e conhecendo também Sadie, Prudence e Jo-jo. E é nas aventuras dessa turma através dos anos 1960 que o filme se desenrola.

Dezenas de – e apenas – músicas dos Beatles fazem a trilha sonora deste quase musical. Os efeitos da Guerra do Vietnã nos Estados Unidos são um dos pontos altos do filme, que conta também com a participação de Bono Vox como o misterioso Doctor Robert.

Seria impossível listar todas as referências que o filme traz. Algumas são claras, como as músicas, o nome dos personagens e seu contexto, mas existem muitas outras menos óbvias como por exemplo:

- No início do filme, Jude está na fila no porto e um homem diz para ele… “É, eu costumava dizer: “Quando eu tiver 64 anos…” (Música: When I´m sixty four / Quando eu tiver sessenta e quatro );

- em uma cena, Max está consertando um ventilador, segurando um martelo de prata. (Música: Maxwell´s silver Hammer / O martelo de prata do Maxwell).

- Prudence entra na casa de Sadie pela janela do banheiro (Música: She came in through the bathroom window / Ela entrou pela janela do banheiro);

Jude, Lucy, Max, Sadie, Jo-jo e Prudence

Outro dia eu resolvi colocar ele no DVD enquanto deitava para adormecer. Pensei.. “ele é longo… daqui a pouco eu durmo com ele rodando, durante alguma música…”. É claro que, quando eu dei por mim, estava nos créditos… tinha visto todo de novo, 2 horas e meia… e eu nem olhei no relógio pra ver que horas eram, pois sabia que ia ter que acordar logo…

Resumindo… é um filme imperdível? É! É um clássico? Sim, já é um clássico! Compre! Copie! Grave! Veja! Reveja! Vale a pena! E depois, é claro, me diga o que você viu