
Confesso que não sabia o que esperar quando fui ver este filme.
“Fernando Meirelles??” Hmmm… é, tem filmes bons e outros nem tanto.
“José Saramago?” Ah, o primeiro escritor de língua portuguesa vencedor do Nobel de Literatura… é…
Bom, se isso fosse garantia de alguma coisa… mas o pouco que eu já li dele não depõe muito a favor não.. Aliás, o próprio “Ensaio sobre a cegueira” é um livro que eu já comecei um par de vezes e.. trava..
Aliás.. isso também depunha contra o filme.. o texto dele é, na minha opinião, ruim, muito ruim…
Mas porém, contudo, entretanto, todavia… entre as estréias que estão em cartaz, foi a primeira que eu lembrei. Procurei me despir de preconceitos e fui…
Muito bom!! Denso, dramático, humano, psicológico. Não é o tipo de filme que agrade todo mundo, com certeza não. A história básica é que, num determinado dia, numa cidade qualquer (filmada em São Paulo, no caso, mas isso não é citado no filme) um homem fica cego no meio do trânsito, enquanto estava no sinal vermelho. Ele vai ao oftalmologista (Mark Ruffalo), que não diagnostica nada, e estranha ele afirmar que enxerga tudo branco, já que a cegueira é falta de luz, ou seja, preta.
A “doença”, se é que se pode chamar assim, atinge outras pessoas, incluindo o próprio oftalmologista. Por medida de segurança, o governo interna todos os pacientes da doença num sanatório. Dezenas deles. Com exceção da esposa do oftalmologista (Juliane Moore, que se diz cega para acompanhar o marido, mas não foi infectada), pessoas que nunca se viram antes (e, aliás, nem estavam se vendo).
Sem relógio, sem trabalho, sem compromissos, e sem ninguém conhecido, o manicômio acaba reduzindo os persongens à luta pela sobrevivência. Tudo, no final das contas, se dedica a conseguir comida. Quase TUDO vira moeda de troca.
E nessa mudança do racional para o instintivo que o filme se torna pesado e psicológico. A mudança de conceitos e, apesar do trocadilho infâme, de formas de enxergar o mundo.
Não importa dizer aqui como o filme acaba. Vale dizer que para quem gosta de drama, de filmes que fazem pensar, é uma ótima opção. Eu até penso em ler o livro do Saramago agora, para ver se o filme lhe é fiel.
Falando no livro… dei uma olhada nele quando cheguei em casa. Na apresentação diz que “cada leitor viverá uma experiência imaginativa única”. E isso também vale para o filme!


E eis que chegamos ao post de número 200!!!
Naquele dia, mais do que observar os pássaros, as pessoas, e os locais, o poeta queria reparar a arquitetura e lembrar o tempo e a história daqueles lugares. Na saída do hotel, caminhou pela hoje chamada “Travessa dos Cataventos”, que tem este nome em homenagem a um de seus livros mais famosos. Ao chegar na esquina com a Rua da Praia, o poeta pára e sorri.
Dobrando à esquerda, resolve caminhar pela Rua da Praia em direção ao Mercado Público. A poucas quadras de casa, o primeiro reencontro. O prédio do hoje centenário jornal Correio do Povo. Fundado por Caldas Júnior, ainda no século 19. É o mais antigo dos jornais em circulação na cidade, e onde ele próprio já trabalhou.
Ao olhar para o outro lado da rua, Quintana se espanta. Se o Correio do Povo é antigo, não é mais do que o seu vizinho. Do outro lado da Rua da Praia ficava a redação do jornal “A Federação”, ativo ainda no tempo do Império. O periódico correu a cidade de 1884 a 1937, e foi importante na luta pela república e, é claro, pela federação. Hoje museu, abriga máquinas e edições antigas do próprio e de diversos outros jornais que, ao seu modo, também contam a história da cidade e do país.
Um pouco mais à frente, o poeta vê a Praça da Alfândega, onde desde 1955 acontece, naquela época do ano, a tradicional Feira do Livro de Porto Alegre e, da qual, o próprio é um de seus eternos destaques.
Começa pelo nome do filme.. “Across the Universe” ou, em português, “Através do universo”. Podemos dizer que ele se refere, claro, ao nome da belíssima música dos Beatles do disco Let it Be. Por outro lado o “universo”, no caso, pode ter vários sentidos. Pode ser, claro, o universo beatlemaníaco – ao qual o roteiro tem esta e outras incontáveis referências – ou, acredito que seria mais preciso, os anos 1960, pois o filme viaja através desta década e dos seus efeitos na sociedade e na cultura norte-americana e, por que não, mundial.
Dezenas de – e apenas – músicas dos Beatles fazem a trilha sonora deste quase musical. Os efeitos da Guerra do Vietnã nos Estados Unidos são um dos pontos altos do filme, que conta também com a participação de Bono Vox como o misterioso Doctor Robert.
Jude, Lucy, Max, Sadie, Jo-jo e Prudence