Esta é a história do dia em que Mário Quintana resolveu caminhar pelo centro de Porto Alegre. É um pequeno exercício literário, meio poético, meio dissertativo. Em seis partes, é uma pequena homenagem a um dos maiores poetas gaúchos e a querida Porto Alegre.
Chegando ao fim da primeira década do século 21, Porto Alegre beira a marca de 1,5 milhão de habitantes. Se não é mais aquela bucólica e pacata cidade dos anos 1950, ainda não é uma megalópole como a enlouquecida São Paulo.
Com quase 180 anos de emancipação, a capital gaúcha ainda guarda fortes traços da colonização açoriana que a povoou, no século 18. Monumentos, prédios históricos e algumas ruas mantêm a nostalgia de um tempo que a imponente capital gaúcha esconde dos que não a observam com atenção.
São vários os personagens que marcaram esta história. Na revolução farroupilha, que celebrará seu 173º aniversário no próximo dia 20, Bento Gonçalves, Antonio Souza Netto e Corte Real foram alguns de seus maiores heróis. No início da república, Julio de Castilhos, Borges de Medeiros e, é claro, Getúlio Vargas são seus nomes mais importantes.
Durante o primeiro e longo período de Getúlio na presidência da República, aliás, Porto Alegre recebeu um morador que também marcaria a sua história na cidade. De Alegrete, na fronteira com a Argentina, chegava, nos anos 30, o então jovem poeta Mário de Miranda Quintana.
Jornalista de um tempo romântico em que bastava querer para trabalhar em jornais, Quintana trabalhou em periódicos porto-alegrenses como “O Estado do Rio Grande” (já inativo), e o “Correio do Povo”.
Durante 12 anos – do final dos anos 60 até 1980 – morou no Hotel Majestic. Em 1983 a Assembléia Legislativa do Estado denomina oficialmente o prédio, já tombado pelo patrimônio histórico, de “Casa de Cultura Mário Quintana”. Localizado na Rua da Praia, no centro da cidade, o hotel era como um refúgio para o poeta. Ali era o seu esconderijo, o seu refúgio, o seu recanto.
Era apenas mais um domingo de outubro, mas Quintana resolveu sair para caminhar. Além de aproveitar a Feira do Livro, que tanto amava, resolvera, como sempre fazia, observar com calma os detalhes da cidade que adotou. Desceu do quarto com roupas leves e, a caminho da Rua da Praia, pensou em quanta coisa já acontecera naquela parte da cidade…
| Leia também |
| O poeta e a cidade (II) |
| O poeta e a cidade (III) |
| O poeta e a cidade (IV) |
| O poeta e a cidade (V) |
| O poeta e a cidade (fim) |


Eu nem sei bem a simbologia do número oito para eles, mas todos sabem que a cultura milenar chinesa é repleta de simbologia. Afinal, não foi por acaso que, já que realizariam os jogos olímpicos de 2008, eles escolheram o dia 8 de agosto, às 08:08 da noite para iniciar a cerimônia de abertura, ou foi?