Eu soube desse livro através de uma reportagem da revista Aventuras na História. Como várias outras dicas que a publicação já me deu, me interessei bastante.
A história do herdeiro do trono de Dom Pedro II. É incrível, mas eu nunca tinha pensado nisso. Quando da Proclamação da República, em 1889, Dom Pedro II já contava 67 anos e estava muito doente. Logo, deveria haver um herdeiro.
Só que não se estuda isso quando se fala em História do Brasil. A família real deixa o Brasil e deixa de existir. Parece que a Princesa Isabel – que, não fosse pela abolição da escravatura seria tão famosa quanto seu sobrinho Pedro Augusto – é o fim da linhagem. Nem paramos pra pensar que os Orleans e Bragança que hoje residem no Brasil são óbvios descendentes dela.
Pedro Augusto, o príncipe maldito, é filho da princesa Leopoldina (que, por sua vez, é neta da Imperatriz Leopoldina e filha de Dom Pedro II) e Gustavo Saxe e Coburgo (de tradicional família européia da época), mas não era o herdeiro natural ao trono brasileiro. Este direito, segundo a lei e a tradição da época, era do filho homem da sua tia Isabel, primogênita do Imperador.
Só que o tal herdeiro nasce quando Pedro já era adolescente e bastante próximo ao avô. Além disso, os súditos brasileiros não gostavam da princesa beata (Isabel) nem de seu marido, Conde d´Eu, o “francês”. Isso e a dor de ter perdido a mãe cedo faziam do trono o motivo da vida de Pedro Augusto.
O que ele e ninguém na família real contava, entretanto, era com a “surpreendente” Proclamação da República. Os movimentos políticos de 1888/1889, aliás, são uma das partes mais interessantes do livro.

Da esquerda para a direita: Conde d´Eu, Princesa Isabel, seus filhos (sentado, o herdeiro legítimo); Dom Pedro II, Pedro Augusto e a Imperatriz Tereza Cristina (sentada).
Hoje quase não se sabe, mas os caminhos para o Brasil naqueles dias eram vários. Com pouca chance estavam os “legitimistas”, que defendiam que se fizesse o previsto na lei. No caso da morte do Imperador, sua filha assume até que seu próprio filho atingisse a maioridade (como acontecera antes, com a regência que governara o Brasil até a “maioridade” de Dom Pedro II).
Ao lado, mas adversários, estavam os “pedristas”, que queriam fazer de Pedro Augusto o líder do III reinado.
O terceiro grupo, que cresce rapidamente com a adesão dos militares (pós Guerra do Paraguai) e dos barões do café (pós-abolição) defende o fim da monarquia e a instituição da república. Alguns, neste grupo, achavam que o “pedrismo” poderia ser um caminho, e torná-lo governante de uma república – como ocorrera com Napoleão III, na França – uma solução.
Isto tudo gera um jogo de intrigas dentro da própria família real, que acaba se desfacelando enquanto a imagem de sólida dinastia é o que aparece para todos.
Pedro Augusto morreu em 1934, preso em um manicômio onde foi internado pouco depois da morte do avô, em 1891. Mesmo tendo sido atendido pessoalmente pelo pai da psicanálise, Sigmund Freud, o príncipe maldito passou seus últimos 40 anos como um louco varrido. E quem ainda se lembra?