Por onde começar? Nem sei…
Num dia perdido no início dos anos 80, perto de um segundo domingo de agosto como esse, no Parcão?
Pode ser.. eu não lembro exatamente daquele dia. Era muito pequeno, estava na pré-escola. Mas existe uma foto… acho que estou fazendo a corrida do saco. Eu e o meu pai.
30 anos de diferença.
Duas historinhas:
Na sétima série eu tive aula de educação sexual no colégio. Aquelas, clássicas.. e a pedagoga ou sei-lá-o-que diz que é normal o adolescente brigar com seus pais. É a fase do amadurecimento, de se conhecer e se colocar no mundo.
Saindo da “aula”, eu perguntei para um colega: “Brigar com os pais? Mas por que alguém em sã consciência brigaria com os pais?”.. sim sim… com 12 anos eu já era um gênio….
Poucos anos depois eu estava fazendo terapia. Estava no auge das dúvidas da adolescência e um dia.. não me lembro em que circunstância, minha irmã disse: “O terapeuta não tá ajudando, só está fazendo tu brigar com o pai”.
Bom.. sinal que tá ajudando, hehehe.. Na minha cabeça não estava servindo para nada, mas se eu estava “incomodando” é por que eu estava, pelo menos, tentando…
Isso deve fazer uns 10 anos. Mais ou menos na mesma época, terminando o segundo grau, eu fui… “aconselhado” pelo meu pai a fazer faculdade de Informática.
Nunca foi o que eu quis, mas a importância daqueles quatro anos na minha vida hoje não tem preço. Formado jornalista há algum tempo, 2007 está sendo um ano de grande crescimento, e meu conhecimento em computadores está sem dúvida fazendo toda a diferença.
Um dos momentos mais difíceis da minha vida foi a mudança pra Joinville. Nada contra a cidade, mas foi a velocidade da mudança. Numa segunda eu recebi um e-mail lá, na quinta fiz teste aqui, no domingo me despedi de lá e na segunda seguinte já estava morando aqui.
Aquela viagem de ônibus foi horrível. Quando ele saiu de Porto Alegre eu chorei. Chorei como nunca. Diversas vezes, quase a viagem inteira. Medo do futuro? Claro… mas também pelo fim de uma época. Se tudo desse certo, e eu sabia que ia dar, aquele dia marcava o fim de 27 anos morando com os meus pais. Não voltaria. Não digo que seria ruim, apenas não voltaria.
Na minha formatura, em 2004, um amigo comentou que o meu pai estava com uma cara de bobo alegre. Um sorriso aberto, meio bobalhão. Era orgulho, disse o meu amigo. E eu sabia que era. Eu estava me formando no que gostava, e ambos sabíamos que, depois de tanta coisa, eu tinha me encontrado.
Foram muitas brigas. Em um certo momento, achei até – e hoje parece exagero – que iríamos brigar de vez. Numa determinada noite, ainda morando lá, acordei no meio do sono e o chamei para conversarmos. A conversa ajudou muito… e, com o tempo, as coisas foram naturalmente para o lugar…
Eu reconheço ele em muitas coisas em mim. Alguns gestos e trejeitos, algumas expressões e até parte do meu tipo de humor. Também foi dele que eu herdei a paixão por Beatles, que inúmeras vezes acordei ouvindo suavemente ao piano. Herdei, talvez mais tarde, talvez desde a infância, o gosto por administração de empresas, pelo entendimento desse complexo mundo corporativo e seus meandros…
Não dá para esquecer, aliás, que ele foi um dos grandes incentivadores deste blog. Lá nos seus primeiros textos, não podia ter visita lá em casa que ele dizia para lerem. Além de ficar naturalmente constrangido, eu ainda não me sentia seguro para tanto…
Me alegro ao lembrar que não me chamo Fabio Júnior como, dizem, ele queria. Contudo, Fabio Jacques é sim um motivo de grande orgulho pra mim.
Pai.
São quase 30 anos. Impossível resumir em um texto. Eu errei muito, mas era parte do jogo, né? Sempre vou lembrar de coisas que não falei.. das idas ao Olímpico, das viagens, ih.. muita coisa.
O importante é agradecer. Neste e todos os dias. Se eu estou finalmente me tornando alguém é por causa de tudo o que tu – e a mãe, claro – fizeram por mim.
Um feliz dia dos pais do filho que te ama.
Dani

