Acabei de assistir o filme “O sorriso de Monalisa”, de 2004. Admito que, quando foi lançado, achava que seria mais um daqueles filmes água com açúcar com a Julia Roberts.
Um tempo depois assisti uns pedaços na TV a cabo, mas achava que, no máximo, era uma versão feminina de “Meu Mestre, Minha Vida” ou “Mr. Holland”.
Semana passada dei um pulo na locadora e, resolvi ver “qual era”.
Bom, é um filme água com açúcar, e é daqueles que um professor muda uma geração (talvez não tão nitidamente). Porém.. Monalisa é quase tão bom quanto os outros filmes citados.
Pois bem. 1953, uma professora “pra frentex” ensina história da arte para um grupo de alunas ultra-conservadoras de um colégio norte-americano para moças. Meninas que foram educadas para serem boas e obedientes donas de casa. Só que a nova professora traz conceitos duros, exige que as alunas reflitam e as deixa perguntas sem resposta.
O interessante do filme é que, além da protagonista, acompanhamos a história de 4 ou 5 das alunas, e cada uma encara, recebe, reflete e reage de uma forma diferente aos ensinamentos. Para dar exemplos, uma das alunas se esconde atrás da ilusão da família perfeita que gostaria de ter, outra decide arriscar uma carreira acadêmica contrariando conceitos da época, e uma terceira encara o preconceito sexista para buscar o que quer.
Por ser nos anos 50, o filme acaba mostrando uma sociedade em colapso. Pós-guerra, mulheres querendo mais espaço, tendo que lutar “contra” outras mulheres e, principalmente, contra os homens. Um mundo sem televisão como meio de comunicação de massa, felizmente sem drogas e, infelizmente, sem individualidade.
É na década de 50 que os costumes começam a mudar. Pouca gente nota, mas é nessa época que as pessoas começam a se vestir com personalidade, variando as peças e cores. Isso choca os mais velhos e toda um conservadorismo de então , e é esse choque de gerações que estoura nos anos 60, com o rock, os hippies e Woodstock.
Os anos 70 resultariam na ressaca multicolorida dos anos 80, hoje tão difamada. Os anos 90 passaram quase despercebidos, salvo por um culto aos 70, na música eletrônica principalmente.
E aqui estamos nós, no incontrolável século 21. Passaram-se 50 anos, mas é como se tivessem passado mil. Hoje olhamos para aquela época com um certo romantismo, como se fosse a nossa infância, enquanto sociedade moderna.
Foram pessoas como a professora Katherine Watson (Julia Roberts) que impulsionaram pequenas mudanças que culminaram na sociedade plural que temos hoje. Talvez não democrática, e certamente ainda não em justa em respeito e igualdade, mas indubitavelmente plural.
O filme vale a pena. Não é caricato, não é romântico demais, nem dramático. É a história de uma época em que as mulheres começavam uma briga sem saber bem para onde estavam indo, sabendo apenas que não queriam estar aonde estão.
A simples e inexplicável vontade de fazer da vida algo melhor do que é, não importa como, pode não ser o caminho ideal, mas é sempre um bom começo.



Eu não tenho amuletos. Tenho fé, mas nenhum objeto para me proteger. Também não me considero uma pessoa supersticiosa. Não acredito que determinados rituais ou formas de fazer alguma coisa tornem o dia melhor ou pior.
A diferença é que as coisas dão certo, ou errado, como conseqüência de outros fatos. Nada cai do céu. Num sorteio, por exemplo: “ah, que sorte, ganhei”. Sorte “oscambáu”. Alguém tinha que ganhar, que bom que foi tu.

Agora.. talvez eu esteja enganado. Talvez o Papa Pop tenha sido substituído pelo Papa Capim. Que age como um índio, que reluta em aceitar a chegada de novos tempos, e que age como se a sua tribo fosse melhor que as outras, por capacidade ou direito divino.

- Jack Daniel nasceu Jasper “Jack” Newton Daniel em Lynchburg, Tenessee, em janeiro de 1849 e morreu em 9 de outubro de 1911, no mesmo lugar;