
Um encontro vero(í)ssime(o)l…
02/02/2005E nem prestei atenção aos nomes que a mãe do meu amigo estava dizendo enquanto eu cumprimentava os presentes. Estava zen, apenas beijando respeitosamente as senhoras e apertando a mão dos senhores. Um deles me pareceu familiar, mas nem parei para perguntar qualquer coisa. Terminei de cumprimentar a todos, e fui para o quarto, onde já estavam meus dois amigos.
Ao chegar lá, o que havia entrado comigo estava emocionado. Sorrindo, quase incrédulo. Eu perguntei: “O que houve, por que você está assim?”, ao que ele me respondeu: “Como assim, por que eu estou assim?!? Tu não viu que o Veríssimo tá ali fora??”
Eu bati com a mão na cabeça, e me sintonizei ao estado de choque do meu amigo. “Como eu não pensei nisso.. o Veríssimo!” Eu me senti bobo, por estar emocionado. Quantas coisas me passaram na cabeça para dizer para ele. A vontade que eu tinha era de voltar para a sala e sair falando, mas, além de não ser de bom tom, era “levemente” desnecessário. Jantamos todos na mesma mesa. Eu, o Veríssimo, e os outros. Nesta época eu estava mais para os computadores do que para as palavras, mas já o admirava muito. “As Comédias da Vida Privada”, “Ed Mort”, “O Analista de Bagé”, a “Família Brasil” e “As Cobras” são alguns dos inúmeros exemplos da genialidade deste grande talento gaúcho. Escritor, cronista, cartunista e ser humano de mão cheia, Luis Fernando Veríssimo me orgulha, por ser meu conterrâneo, e me encanta com sua sutileza e com seu humor ao mesmo tempo tão simples e tão inteligente.
Esta é uma história real acontecida, calculo, há quase uma década. Nunca mais o encontrei numa situação pessoal como esta (apenas em eventos ou encontros onde ele seria a celebridade), nem jamais expressei o quanto o admiro. Contudo, não é segredo para ninguém que, para mim, ele é um dos maiores gênios da literatura brasileira contemporânea.
Fica a minha homenagem com esta tirinha de “As Cobras”, personagens que ele parou de fazer há alguns anos, com a inteligência de quem sabe o momento certo de se dedicar a cada coisa, e terminar todas elas sempre no auge..

734




