Posts de Novembro, 2004

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Merece replay…

30/11/2004
Uma das experiências mais valiosas da minha ainda curta carreira profissional foram os 50 dias em que eu fui Editor-chefe de um jornal diário, de Porto Alegre. O “replay” tinha 16 páginas, sendo 6 coloridas. Era só sobre esportes. Cobria a dupla Gre-Nal, esporte geral, futebol brasileiro e internacional. Tinha colunistas diários, e uma ótima equipe. No começo éramos 5, mas, no seu prematuro final, já éramos quase 20.

Foi valioso por que foi um aprendizado incrível. Uma oportunidade de colocar em prática muitos dos conhecimentos adquiridos da faculdade, mas também de comprovar a dureza de outros tantos. A minha responsabilidade era grande, mas eu acreditava (e ainda acredito) que podia assumí-la. Quando decidi largar a estabilidade que possuía no emprego anterior para apostar neste projeto, não foi por gostar de aventura, mas por acreditar no projeto e me sentir capaz de contribuir com o seu crescimento.
Confesso que, nesta “aposta”, talvez houvesse um pouco de crença no pote de ouro no fim do arco-íris, mas, quando decidi aceitar o desafio, eu estava consciente disso. Se desse errado, eu “perderia” muito. Mas se desse certo, eu teria começado uma carreira com o pé direito.
O jornal, que chegou a circular durante um mês, deu errado por uma série de razões. Basicamente, por falta de conhecimento sobre o mercado jornalístico por parte do “investidor”. Ele não contava com os custos diários de um jornal como impressão, distribuição e transporte (dos repórteres). Também é verdade que lançar o jornal sem publicidade foi outro grande erro, e que este eu até poderia ter visto mas, quando fui chamado, eu acreditava que o projeto estava bem estruturado em todos os seus aspectos, e não apenas no projeto editorial.
Como sempre, chamei alguns amigos para trabalhar lá. Um diagramador, uma fotógrafa e um repórter. Eles também podem dar seus próprios depoimentos sobre a experiência, mas acho que para todos a experiência valeu, e, no início, o jornal parecia ter tudo para dar certo.
Outra coisa muito importante foi o aprendizado que tive na coordenação da equipe. Eu já havia sido “editor” algumas vezes, durante a faculdade, mas agora era pra valer. As nossas e, principalmente, as minhas decisões determinariam o rumo das coisas. Eu procurava sempre fazer o jornal crescer editorialmente, no sentido de ampliar a cobertura (principalmente no que se referia a outros esportes que não o futebol) e no sentido de dar uma “cara” ao veículo, tanto no que se refere ao visual quanto ao editorial. Para isso, eu sempre ouvia e perguntava a opinião dos outros membros da equipe, aceitando críticas e sugestões, mas sugerindo e criticando também.
A equipe era fantástica. Hoje posso dizer que tenho grandes amigos graças ao stress da redação. Apenas uma exceção, mas esta fica para quem conhece…
Eu acredito que Porto Alegre merece e tem condições de possuir um jornal especializado em esportes. Aliás, a idéia era começar na Capital e depois ir “ganhando” o Estado inteiro, tanto na cobertura quanto na distribuição. Chegamos a alcançar alguns municípios da Grande Porto Alegre, mas, também isto foi abruptamente interrompido.
Para alguns, o fim do jornal foi surpreendente. Na verdade, se não fosse uma conversa que tive com um professor da faculdade, durante as semanas em que trabalhei no jornal, a sua “falência” também me surpreenderia. O barco começou a ir a pique poucos dias depois desta conversa, aliás. No final, enquanto alguns se debatiam tentando colar as partes do barco e seguir viagem (apoiando-se em (promessas) bóias furadas), eu nadava em direção à terra firme. O que acabou com o jornal não foi somente falta de dinheiro (ou publicidade). Foi falta de caráter, de palavra e de respeito do “investidor” para com a sua equipe editorial e de fornecedores.
Mesmo com tudo isso, se hoje me convidassem para um projeto deste tipo, eu toparia de novo. É claro que eu conheceria o projeto mais a fundo antes de aceitar, mas a experiência foi muito enriquecedora e, com certeza, valeu a pena.
Uma das seções do jornal se chamava “Merece replay”. Era um trocadilho com o nome do mesmo, que tinha o objetivo de relembrar grandes momentos do esporte, acontecido naquele dia ou algum fato histórico. Na edição de hoje é a própria experiência de produzir um jornal diário que merece replay.
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A vida é um rio….

28/11/2004

e o tempo é a sua correnteza…

Todo o mundo diz que amadurecer não é fácil. Com certeza, não é mesmo. Mas, às vezes, não amadurecer também é. Às vezes, por mais que a pessoa se esforce para não crescer, a vida traz as suas surpresas que acabam a levando a uma reflexão profunda e, com isso, a fazem amadurecer. Não que eu queira me manter sempre “jovem”, que tenha medo de crescer, ou que eu prefira ficar “parado” a sofrer com o amadurecimento. Não é isso. Mas, em alguns casos, a vida não pergunta se tu quer ou se estás pronto para “o próximo passo”. Ela simplesmente chuta a porta e entra!

A vida tem uma ordem, não obrigatória, mas “tradicional”. E, nem por isso, estamos sempre prontos para encarar o próximo desafio. Como eu disse, ela “atira, depois pergunta”.

Acredito que todos tenhamos aqueles momentos que consideramos “cruciais”. Momentos em que nossas posições, ou por reflexões ou pela força dos acontecimentos, mudam muito e, praticamente, de uma hora para a outra. Aquele momento em que tomamos uma decisão que, visivelmente, mudará toda a nossa vida. A opção profissional, a reopção profissional, a nossa formatura, o casamento. São muitos os momentos em que, por mais que acreditemos ter noção do que está acontecendo, na verdade é a vida que está nos atropelando e, por alguma razão, a gente ainda sai achando bom…

Alguns desses momentos em que a vida nos obriga a revermos nossos conceitos são particulares, de cada um. Eu passei por um desses ano passado. Foi muito difícil, muito mesmo, mas deu tudo certo. Alguns conceitos mudaram sim, mas talvez essa mudança não seja visível para os outros.

Por outro lado, existem também aqueles momentos em que algo que aparentemente “não é com você” muda o seu mundo de uma forma tal, em que é impossível que você não seja profundamente atingido por ele. Talvez você perceba isto logo de cara, talvez só depois de algum tempo (alguns meses, talvez um ano). É aquele tipo de coisa que vem e diz: “Não adianta, você já cresceu, e vai ter que encarar.. Ah, e sabe o que é pior? Isso significa que tá na hora!!”.

O lado positivo é que esses tais momentos não são necessariamente ruins. São bons, muito bons até. Não acho que haja qualquer coisa da qual se arrepender, até porque, nestes casos, não adiantaria nada. O negócio é absorver, estudar as novas regras e colocá-las em prática.

Antes que alguém pergunte, não, eu não vou ser claro. O momento ainda não me permite. Eu apenas estou reverberando o que passa pela minha cabeça por causa desta grande novidade.

O importante é saber que a vida segue em frente. E que tanto os bons quanto os maus momentos continuarão nos atropelando, quer estejamos prontos para eles ou não.

…..
Deus,……………………………………..
conceda-me serenidade para aceitar
as coisas que não posso modificar,
…..coragem para modificar as que posso,
……..e sabedoria para reconhecer a diferença”
……………………………São Francisco de Assis

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O contador de histórias…

26/11/2004

Houve uma época na minha vida em que eu, parafraseando o título da recente auto-biografia do Gabriel Garcia Marquez, “vivia para contar”. Eu não tinha bem noção disso, aliás, nem reparava, mas era mais ou menos isso que acontecia. Ao mesmo tempo que eu era sempre o protagonista da minha vida (e isto eu continuo sendo), eu guardava as coisas na memória com uma riqueza de detalhes tão grande que, na verdade, “personagem principal” seria o termo mais apropriado.

Não me lembro quando eu “notei” isso. O que eu sei é que houve um momento no qual eu parei de me preocupar com isso e, desde então, quanto mais distantes do “hoje”, mais confusos os fatos estão na minha cabeça (como acontece com todo mundo). Ainda assim, o que aconteceu antes desta mudança continua “catalogado” na minha mente.

Tem gente que tem piada pra tudo, não é? Eu, no caso, diria que tenho história (de vida) para tudo. O caso aqui não é ensinamento, ou demonstração de experiência de vida. Eu apenas tenho histórias, porque até hoje vivi minha vida aproveitando-a muito bem e pretendo continuar fazendo assim. Meus amigos mais próximos sabem disso, e sabem também que às vezes eles têm que me lembrar se eu já contei ou não “aquela história” para eles. Existem as “clássicas”, que eu vivo contando, mas essas realmente valem a pena. Ou são engraçadíssimas, ou são curiosas, ou tem algo de… “pitoresco”. Algumas, como acontecia com o Forrest Gump, beiram até o inverossímil. Outras não poderiam ter acontecido com outra pessoa.

De certa forma, o jornalismo e o Impressão Digital nasceram desta mania, ou deste costume que eu tenho de contar histórias. De conversar muito, de gostar de falar e de comentar. Muitas vezes pessoas já me disseram para colocar algumas dessas histórias em um livro. Eu mesmo já pensei nisso, mas, para chegar a escrever um livro eu precisaria tomar certos cuidados, pois, afinal, eu não vivi elas sozinho. Eu até já contei algumas aqui no ID, mas muito poucas. Muuuuito poucas mesmo. Existe ainda um sem-número de pessoas, fatos, e/ou situações que valeriam a pena ser comentadas aqui que eu ainda não cheguei nem perto. Não por não querer, mas apenas por que ainda não “chegamos lá”, digamos assim..

Ao contrário de muitas pessoas, eu até gosto de contar uma história mais de uma vez. É claro que ela tem que valer a pena, mas eu sempre acabo rindo de novo, ou refletindo de novo e entendendo algo novo. Acredito que seja uma forma de reforçar experiências de vida, e é uma boa forma de manter a eterna busca da auto-compreensão. Eu, por exemplo, adoro reler os textos aqui do ID, mesmo depois de tempos. É interessante ver o que eu falei sobre determinado assunto, ou como eu falei sobre ele. Afinal, as histórias contadas aqui são resultado de um exercício diário.

Eu até formei, na minha cabeça, uma lista de assuntos para tratar aqui, mas, a cada dia eu pego um deles e escrevo “sem pensar”. Nunca deixo um texto pela metade para “terminar amanhã”. Um exemplo disto, alías, está no próximo texto aqui do Impressão Digital. Para saber sobre o que vai ser, só esperando. E isto também vale para mim!

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Um cinqüentão

25/11/2004

A minha paixão pela escrita vem de anos. Num trabalho de colégio no segundo grau eu escrevi meu “primeiro” romance. Na verdade, a iniciativa nem foi minha, mas da professora de literatura que solicitou o trabalho. Eu cheguei a fazer uma pesquisa e escrevi uma história que se passa na Romênia, no século XV. Ficou bem legal…

Depois eu escrevi, numa indeterminada tarde, 3 artigos. Um sobre a dupla Gre-Nal, um sobre política (impeachment do Collor) e o outro que eu nem lembro sobre o que era. Foram textos bem despretensiosos, mas eu os tenho guardados até hoje.

Saí do segundo-grau e acabei “pegando um desvio”. Fui parar na Faculdade de Informática, mas não foi por muito tempo. Pouco depois, estava de volta ao jornalismo, e aos meus textos. Nessa época, entretanto, nem sei se existiam os “blogs”. Era ainda o fim do século XX…

Depois sim, veio a febre dos blogs, todo o mundo tinha, muitos amigos meus e tal. Mas a maioria eram “diários”, e eu nunca pretendi escrever um diário. Até que um dia, em 2003, eu resolvi fazer algo de “útil” com meu tempo livre na internet, e criei o meu blog. Ele se chamava “Jack Daniel´s weird and magic world” (O estranho e mágico mundo de Jack Daniel). Não deu certo, eu logo abandonei…

Apenas em junho deste ano, mais de um ano depois, eu resolvi retomar o projeto. Aliás, foi aí que ele se tornou um projeto. Nos primeiros posts (que podem ser lidos acessando o menu aí na direita), a coisa ainda era de me “localizar” aqui no blogger, depois eu dei uma “cara” para o que viria a se chamar Impressão Digital, e só então comecei a escrever. Eu sabia que tinha que ser algo com a minha cara, mas não sabia por onde começar. Então, comecei pelo clássico “diário” mesmo, ainda que sabendo que essa não era a idéia. Com o tempo, eu comecei a comentar “fatos” e “datas”, até chegar no formato atual, de artigos sobre os mais variados assuntos.

No dia em que chega a marca de 50 posts, o Impressão Digital já não é mais um blog. É uma coluna, publicada em todo o lugar e em lugar nenhum, onde eu deixo a minha impressão sobre as coisas. Aliás, foi justamente por estar “em lugar nenhum” que o menu da direita foi “simplificado”. Tirei aquilo que me localizava no mundo. Isto, para esta coluna, não é mais importante.

Eu acredito que quem lê o Impressão Digital tem uma boa idéia de quem eu sou. Às vezes ele é meio confuso? Pois é, eu também. Às vezes engraçado, às vezes chato? Aham… eu mesmo!!

Felizmente, hoje o Impressão Digital já tem uma cara, um estilo e um ritmo próprios. Espero que ele chegue à centena de textos, que sabe ao milhar, e que eu possa seguir deixando as minhas próprias impressões pelo caminho…

Agradecimentos especiais aos amigos da Vírgula Design

pelo logotipo criado especialmente para este post

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A raposa sortuda

23/11/2004

O último livro que eu li é um daqueles que estava na minha lista de leitura desde que fora lançado, há quase 3 anos. Perdi a conta de quantas vezes varri as livrarias e os sebos do centro de Porto Alegre atrás de “Lucky Man”, de Michael J. Fox, sem nenhum sucesso. Algumas vezes até me ofereceram encomendá-lo, mas ficaria muito caro. Foi necessário que um grande amigo, amigão mesmo, o encontrasse na França para eu conseguir a minha edição. Em inglês, é claro…

Eu queria muito ler este livro mas sem saber direito o que esperar dele. Afinal, é a auto-biografia de alguém que, além de estar vivo, está com apenas 44 anos (idade estranha para se escrever uma biografia). Além disso, eu o conhecia basicamente por filmes como “De Volta Para o Futuro” e “Dr. Hollywood”, ou por séries como “Caras e Caretas” (Family Ties) e “Spin City”, ou seja, não sei se a sua biografia seria interessante para mim. Isto se devia ao fato de que eu sei que, no mundo das celebridades, volta-e-meia acontece algo.. “desagradável”, que nós, “o público”, não ficamos sabendo e, quando sabemos, descobrimos que nem fazíamos tanta questão assim…

Felizmente, me surpreendi muito positivamente com a obra. O livro é muito bem escrito, e não é uma tentativa do Michael de dizer “eu sou o cara!”, “me admirem!”. Pelo contrário, ele resolveu escrever o livro para, antes de contar a sua história como astro de TV e Cinema, falar da sua luta contra o mal de Parkinson, doença que ele teve diagnosticada aos 30 anos. Logo no início ele explica que o nome do livro, que significa “homem sortudo”, se refere a mudança de pensamento que a doença trouxe para ele, e como ele aprendeu a viver muito melhor depois que soube que não teria “todo o tempo do mundo”.

Ele conta a sua história desde a infância no Canadá (onde nasceu em 1960) e, desta época, destaca as figuras de seu pai e sua avó paterna. Foi lá que ele teve, ainda despretensiosamente, seus primeiros contatos com o teatro, e que decidiu tentar a vida em Hollywood. Em 1980 ele iniciou sua carreira, que explodiu em 1985 com a série “Family Ties” e a trilogia “De Volta Para o Futuro”. A partir daí ele fala de seus dias de “Deus”, onde um comentário dele sobre a marca de cerveja que gostava lhe rendeu fornecimento grátis da mesma durante vários anos (já que, para a empresa, bastava ter seu nome associado a um astro). Fala de seu encontro com a Princesa Diana – então esposa do Príncipe Charles – na premiére mundial de seu maior sucesso, e explica que enquanto para os outros atores ela era “apenas uma autoridade”, para ele a emoção vinha do fato de que, futuramente, ela seria a “rainha do Canadá”.

Em 1991, a descoberta que mudaria toda a sua vida. Durante quase sete anos ele escondeu a doença de todos, e também teve que aprender a lidar com ela. Quando a tornou pública, em 1998, ele já estava pronto para encarar a repercussão que isto poderia ter. Foi aí que ele criou a “Michael J. Fox Foundation for Parkinson´s Research” (Fundação Michael J. Fox para Pesquisa do Parkinson), entidade que se destina a financiar a pesquisa da cura da doença em todo o mundo. O objetivo da Fundação é encontrar a cura da doença ainda na primeira década do novo século, e ele acredita muito que isto seja possível.

Quem sabe um dia, se a cura do mal de Parkinson for mesmo encontrada nos próximos anos, voltaremos a ver Michael J. Fox estrelando um grande filme. Isto seria fantástico, pois, por muito tempo, terá parecido impossível. Vamos torcer!!


Obs:Um agradecimento muito especial ao meu grande

amigo Denis pelo inesquecível presente de aniversário!

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13 anos em uma noite…

20/11/2004


De pé: Nico, Manu, Éder, Gustavo, Renato,

Luis Gustavo, Gabriel, Fábio e Gipa

Sentadas: Lizi, Olga, Ju Dias,

Dani Kurban, Déa, Rê e Carla

Quinta-feira passada foi um dia muito especial. Bem, o dia em si foi bem comum, mas a noite foi espetacular. Depois de mais de uma década eu reencontrei alguns dos meus grandes amigos de infância, e foi realmente incrível. Por algumas horas, parecia que todos tí­nhamos mantido contato durante todo este tempo…

Na verdade, a maior parte do pessoal que se encontrou foi colega até o segundo grau. Eu, no caso, é que saí­ da turma na 7a. série, em 1991 (eu acabei me formando no mesmo colégio, mas em outra turma). Muitas recordações, muitas histórias, muita nostalgia. É claro que agora, com a distância, certas coisas – típicas do início da adolescência – que na época foram ruins e eram dificílimas de lidar, não existem mais. O sentimento que fica é que tudo deveria ter sido sempre assim. Todos amigos, rindo junto, celebrando a vida (e bebendo!!!).

Muitas das pessoas que eu reencontrei naquela noite me deixaram muito felizes por que, ao mesmo tempo que eu nunca havia me esquecido delas, eu achei que eram pessoas a quem eu nunca mais iria encontrar. O Gipa, o Nico, a Dani (ao contrário do que ela pensou até, eu acho, ehehe), o Darcy, a Renata e a Déa, para ficar em alguns. Outros, como o Luis Gustavo “Beavis”, eu mantive um certo contato, já que nos reencontramos na Famecos. Até mesmo a Olga e a Manu, que não chegaram a ser minhas colegas, fizeram parte deste momento por que também viveram esta nostalgia, sabem do que eu estou falando, além de serem também pessoas incríveis. Aliás, algumas ausências importantes também foram sentidas, mas certamente haverá outras oportunidades.

As fotos. Alguns trouxeram fotos da época. Reuniões dançantes, festinhas de aniversário, encontros na casa de alguém, passeios “no sítio”… Muitas lembranças, algumas boas, outras ruins, mas hoje, todas engraçadas. Até um “questionário” apareceu. Um “questionário” tí­pico da 7a. série, diga-se de passagem. Perguntas de todos os tipos e respostas ainda mais variadas. As minhas, no caso (tanto fotos quanto respostas) denunciam aquela que foi uma das minhas primeiras paixões da infância. Meu Deus… quanto tempo!!!

As histórias. Se eu fosse contar algumas das histórias que voltaram à lembrança, eu teria que criar outro blog. Foram muitas, muitas mesmo. Algumas, mais fáceis de contar, são a mania de “brigão” que o próprio Darcy fez questão de recordar, os clássicos “quem-gostava-de-quem” e “quem-pegou-quem”, e os “problemas” que eu tinha por ter dois nomes que, surpreso, descobri que a Daniela não conhecia (já que eu quase passava por constrangimentos quando a chamavam de “Dani” e eu me levantava para responder).

Graças a Internet, estes reencontros se tornaram uma espécie de tradição desta turma em 2004. Foi o primeiro que participei, mas certamente não perderei mais nenhum. E espero, sinceramente, que as amizades ultrapassem o limite dos encontros mensais, e que possamos não mais perder o contato com amigos de tanto tempo.

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Isto é um trabalho para…

19/11/2004

Super-homem!! O mais clássico dos super-heróis é também o meu herói favorito. Além de ter sido o “primeiro” a ser adaptado para o cinema (séculos antes de Batman, Homem-Aranha ou X-MEN), o último sobrevivente de Kripton tem várias características com as quais eu me identifico, e outras com as quais eu gostaria de me identificar.

A primeira característica dele que eu não tenho, mas adoraria ter, é o poder de voar. Simplesmente pular da janela do meu apartamento e chegar lá embaixo tranqüilo. Talvez, dar um pouco mais de impulso e visitar um amigo, quem sabe um parente distante, ou até mesmo conhecer novos lugares… Já imaginaram que prático? Sim, eu sei que já imaginaram… Com a mudança da noção de distância, muitos outros aspectos da vida poderiam ser melhorados.

Quanto às características que eu tenho estão a sua incrível, e suposta, invulnerabilidade, a agilidade de raciocínio (a minha às vezes até quando absolutamente não foi chamada), e a sua facilidade de compreender o mundo e as pessoas. Também destacaria a velocidade como consegue modificar uma situação que na maioria das vezes parece desfavorável, para uma nova e, obviamente, bem mais interessante. Nem sempre a sua atitude soluciona o problema, mas pelo menos torna a queda menos dolorosa.

Outro aspecto com o qual eu me identifico é, sem dúvida, o mais fácil de perceber. Tanto eu quanto Clark Kent somos jornalistas!! E ambos bons jornalistas, se me permitem a modéstia. Falando sério, não digo que o Super-homem tenha me inspirado para ser jornalista, mas acredito que a representação que os filmes faziam de uma redação jornalística ajudaram na minha idealização. Além disso, a sua relação profissional e pessoal com as pessoas de um modo geral (colegas de trabalho, patrão, família, autoridades), é um bom exemplo de como agir. Mais uma vez, não que tenha me baseado nisto, eu apenas aponto como uma boa postura.

Não sei se repararam, mas antes eu falei na sua “suposta” invulnerabilidade. E é com isso que eu me identifico. O Super-homem parece sempre tão bem que ninguém se lembra de perguntar se ele está mesmo bem, se está precisando de alguma coisa, se, se… No meu caso, o auge desta fase já passou. Antigamente eu sempre queria aparentar estar bem, por mais que não estivesse. Assim, ninguém me incomodava, mas também, ainda que sem nenhuma má intenção, ninguém se preocupava. Com o tempo eu aprendi a aproveitar minhas amizades em sua plenitude, para os bons e para os maus momentos. Quando eu falo em amizade, aliás, também posso dizer que tenho um pouco da visão de raio-x do Homem de Aço. Tenho uma boa noção do momento certo de dizer as coisas (boas e as ruins), ao mesmo tempo que sempre consigo, mesmo nos momentos de muita raiva ou mágoa, ver o efeito que determinada ação ou palavra minha irá causar (e, assim, pensar 2 vezes ou me preparar para o revide).

Por fim, nos momentos em que me sinto mal comigo mesmo, ou com o mundo, a característica dele que me vem à cabeça é “os terráqueos não me entenderiam… e, de Kripton, só sobrei eu”. Como se, naqueles momentos, eu mesmo me esquecesse do meu valor, e o fato de eu ser “diferente” me tirasse o direito de ser bem aceito, ou mesmo, respeitado. Em certos momentos, que um mínimo defeito desvalorizasse tudo o que eu tenho de bom.

É claro que, como o Super-homem, eu também tenho meu ponto fraco. A minha kriptonita é a “rejeição”. De qualquer nível, mas, principalmente na vida pessoal. Eu sempre me preparo para ser – ou não – aceito e/ou compreendido, mas não é raro passar por momentos em que certas coisas acabam tendo um efeito muito mais devastador do que o esperado. Falando com uma amiga há alguns meses, eu defini isto da seguinte forma: “Eu tenho um grande inimigo. sabia? É, e este inimigo sou eu!”.

Demorou mas eu compreendi que o único que realmente pode me atacar com kriptonita, sou eu mesmo….

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Ruas? Para onde vamos não precisamos… de ruas…

14/11/2004
Acima de tudo, eu sou um apaixonado pela vida. Eu tenho consciência de que hoje, já formado, as minhas possibilidades de sucesso são muitas. Sei também que, por ter terceiro grau e toda uma estrutura sócio-econômica que me possibilitou isto, eu sou um privilegiado. Por isso, sempre procurei fazer a minha parte e, não só para ser merecedor disso tudo ou qualquer coisa assim, mas também por que sei que preciso aproveitar as oportunidades que a vida me dá de fazer o que gosto.

A primeira vez que assisti ao filme “De Volta Para o Futuro” foi numa Tela Quente (Excepcionalmente, não me perguntem de que ano. Sei que foi entre 1986 e 1988). Me lembro que achei bem legal. Uma “viagem”, mesmo. Eu não tinha bem a noção de que tipo de filme era aquilo mas, tinha achado coisas engraçadas, além de um “roteiro” (termo que eu não conhecia na época) bem diferente. Eu nunca tinha visto um filme em que o personagem voltava no tempo, encontrava seus pais e, por isso, corria o risco de não nascer. Muito bom!!

Em 1989 um primo meu do nordeste veio aqui em casa, e nós tiramos o filme na locadora. Ele gostou, e lembrou que a segunda parte estava passando no cinema. Me perguntou se eu estava afim de ir e eu, ainda sem ter noção de como me apaixonaria por aquela trilogia, topei. Fomos, e eu gostei muito também. Ao mesmo tempo que o primeiro filme termina em si mesmo (o que não acontece com o segundo, que precisa do terceiro para ser compreendido), esta segunda parte volta a momentos do primeiro, inclusive com personagens correndo o risco de encontrarem a si próprios, 30 anos mais jovens.

No ano seguinte, 1990, eu fui visitar este meu primo. Por coincidência, a terceira parte estava nos cinemas. É claro que fomos assistir. Saímos do cinema debatendo o filme, seu sentido, e o que cada um tinha assimilado. Começava aí uma das paixões da minha vida.

A mensagem básica da trilogia é: “Não existe destino. Faça um bom futuro para você”, e é nisso que eu acredito. A vida é o imprevisível resultado de pequenos momentos, e pequenas decisões que tomamos ao longo do tempo. Eu cheguei a fazer meu trabalho de conclusão de curso sobre isso. A maioria das decisões que acabam definindo a nossa vida passam por nós despercebidas. São vários os exemplos disso no primeiro filme, por exemplo, e eu vou tentar explicar um deles.

Logo que o filme começa, George Mcfly (Crispin Glover), pai de jovem Marty Mcfly (Michael J. Fox, protagonista), é um fraco, um derrotado. Um verdadeiro “bobalhão” que, ainda depois de adulto, aceita humilhações e faz trabalhos para um colega do escritório. Quando Marty viaja no tempo, e encontra seu pai adolescente, ele é um típico “nerd”. Anti-social, aficcionado por ficção científica, e um tímido escritor de histórias do tipo. Marty chega a utilizar a crença de George em “aliens” e “ovnis”, para convencê-lo a levar sua mãe (então também apenas uma adolescente quase desconhecia por seu pai) no baile onde eles ficariam juntos. No baile, o colega de trabalho, Biff Tannen (Thomas F. Wilson) tira George do carro onde estava com Lorraine (Lea Thompson). Na confusão, George acerta um soco na cara de Biff, e fica com Lorraine.

Quando Marty retorna para casa, seu pai é um homem de sucesso. Escritor de renome, rico, e com o colega de trabalho como empregado, lavando seus carros.

É claro que não é apenas uma atitude que transformaria uma vida desta forma (isso é simbolismo, próprio de uma obra cinematográfica). Contudo, o que eu quero dizer é que apenas Marty soube da diferença que aquele soco fez na vida de seu pai. George viveu apenas uma vida. Para ele, quando “bobalhão” e resignado, aquele era o seu destino natural. Assim como, quando “homem de sucesso”, ele estava colhendo os frutos do seu esforço durante toda a vida. Tentando ser claro, um não tem consciência da “existência” do outro. E da mesma forma acontece com todos nós. Não temos como saber como será o nosso futuro. Resta apenas fazermos o melhor que pudermos.

Não importa se queremos ou não, o futuro vai chegar. Cabe a cada um fazer o melhor possível para o seu.

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It´s the end of the world as we know it…

12/11/2004

Sim, amigos, eu sinto muito mas é verdade. Este planetinha azul aí do lado está chegando aos seus últimos dias. Pelos meus cálculos, o último deles deveria ter sido ontem, aliás..

No dia 11 de novembro de 2004 tudo se tornou possível. Agora, Bush vai pedir desculpas ao mundo por ter sido tão cruel e imperialista, o Lula vai abanar mostrando os dez dedos, o Yasser Arafat (que na verdade não morreu, mas só foi buscar Ytzhak Rabin), vai anunciar a criação do Estado Palestino, os homens pararão de mentir para conquistar mulheres, e as mulheres nunca mais serão falsas umas com as outras. O Flávio Obino vai ser homenageado como um grande presidente, o Inter poderá ser Campeão da Copa Sul-Americana, e eu serei, finalmente, reconhecido como o homem mais bonito do Brasil. Um talento até então ignorado!!

Na sua época, o ataque às Torres Gêmeas de Nova York foi algo inacreditável. O advento da luz elétrica, em seu tempo, também foi. Por motivos diferentes, ambos foram fatos impactantes Entretanto nenhum deles, em nenhum aspecto, chegou perto do que aconteceu no dia 11 último.

E eu, pobre de mim… Se soubesse que o mundo acabaria assim, de surpresa teria agido tão diferente.. Acabei me perdendo na mania que todos temos de achar que temos todo o tempo do mundo. Pelo menos sempre fiz questão que meus amigos soubessem o quanto são importantes pra mim. Contudo, nunca conheci a Europa, nunca conheci, de verdade, o Rio de Janeiro (seu centro histórico, suas praias, suas mulheres), e nem mesmo conquistei uma última namorada. Se eu pudesse escolher, pediria para o mundo acabar no momento em que meu coração se apaixonasse de novo. Assim, pelo menos, morreria com a sensação de paz, de que o futuro vai ser melhor, mesmo que, na verdade, nem mesmo houvesse futuro.

Explico. Neste dia, depois de anos de inatividade total e completa, quando ninguém mais (e, neste caso, ninguém mesmo, nem eu) achava que fosse possível, eu joguei futebol. Calma calma, não se assustem. Dizer que eu “joguei futebol” foi apenas uma força de expressão. O que aconteceu foi que eu entrei em uma quadra de futsal com a intenção de fazer algo minimamente parecido com “jogar bola”. Um fiasco, sem dúvida, mas pelo menos foi engraçado. Bem, engraçado pra mim, talvez não para uns e outros lá do pessoal que estava jogando.

Não que algum dia eu tenha sido “contra” jogar futebol ou algo assim. Eu apenas nunca tive muita intimidade com a pelota, e há muito tempo tinha desistido. Acho que sou mais do tipo “intelectual” (leitor, estudante, curioso) do que “atleta”. O pessoal da faculdade sabe da minha falta de intimidade com a redonda quase por lenda, por que eles jogavam de vez em quando e eu nunca joguei com eles. Meus amigos de infância (dos quais poucos ainda estão por perto) são as únicas testemunhas desses momentos já há muito perdidos no tempo.

Bem, está registrado. A partir de hoje, tudo pode acontecer.

Então… que tal você começar a deixar comentários aqui no meu blog?

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God save the Queen!

09/11/2004

Imagino que não seja mais segredo para ninguém que eu adoro a Inglaterra. Para os meus amigos isso é facilmente dedutível por que sabem o quanto eu gosto de Beatles, e de História (assunto para o qual a Inglaterra é um prato cheio!!); e, para os que acompanham o meu blog, os mesmos Beatles são assunto tão recorrente que não fica difícil imaginar a mesma coisa.

O que meus amigos sabem, e aqueles que me conhecem apenas pelo blog talvez ainda não saibam é que eu tenho planos de ir morar lá.

A história é a seguinte: meu avô materno é italiano de nascimento e, graças a isso e a muita insistência, eu consegui minha cidadania italiana, que também funciona como cidadania européia. Isto facilita a minha entrada na Inglaterra, além de me possibilitar trabalhar “de verdade” por lá. É claro que, no início, precisarei ficar nos mesmos “sub-empregos” que todos os outros, mas a cidadania me permite morar lá por todo o tempo que eu quiser. Eu posso até, quem sabe, trabalhar na minha área por lá…

Além de ter a cidadania, eu também tenho amigos morando lá. Já falei com alguns deles, e me disseram que eu posso ficar com eles até que eu me arranje. Ou seja, só me falta um detalhe: grana!!

Bem, tá certo que dinheiro não é exatamente o que se pode chamar de detalhe, mas, de qualquer forma, é o que me impede de ir pra lá “ontem”. Quando esta idéia surgiu, há alguns meses atrás, o momento era favorável (eu estava desempregado), mas também faltava o tal “detalhe”. Agora, eu voltei recentemente às minhas férias “entre o último emprego e o próximo”, o que também atrapalha os planos da viagem.

A minha idéia é a seguinte: conseguir um emprego que pague legal (de preferência o piso, mas vamos com o que tiver que ser), e ir juntando uma grana “na lateral”. Se, quando eu tiver obtido a quantia que necessito (valor que manterei em sigilo para não me estender em demasia), eu estiver num trabalho que tenha futuro, profissionalmente falando, eu fico. Caso contrário, pego minhas trouxinhas (apenas as roupas, no caso) e bye bye Brasil!! Meus cálculos preliminares indicam que, se tudo der certo, posso estar viajando no segundo semestre do ano que vem.

Ah! Um último detalhe. Uma graaaaaaaaaaaaaaaaaande amiga minha, colega de faculdade, passou 7 meses lá este ano. Por uma coincidência, ela saiu de lá, em direção ao Brasil, no dia do meu aniversário. É óbvio, e eu não preciso explicar, que a Rainha Elizabeth II, sabendo como eu gosto desta minha amiga, e conhecedora que é dos meus planos de ir conhecer a Grã-Bretanha, quis me fazer um mimo, um agrado. Admito que ela foi muito feliz na sua atitude.

“Your Majesty, I can assure you I´m doing my best to deserve the great gift you sent me”